
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
domingo, 5 de abril de 2009
Livraria Trama
Há em Lisboa uma livraria à séria. Para além de livros tem paredes que nos fazem ter ainda mais vontade de os ler. Mas o que faz mesmo a livraria, o que a torna única nesta estranha cidade, são os que a fazem e que realmente gostam de livros. Porque a Catarina e o Ricardo gostam de livros. E neste meio frenético de amantes de livros poucos são os que realmente são apaixonados por eles.
Além de livros há espetáculos e bom café. A visitar e a voltar. Cinco estrelas.
Além de livros há espetáculos e bom café. A visitar e a voltar. Cinco estrelas.
Se os Poetas Fossem Menos Patetas - Boris Vian
Se os poetas fossem menos patetas
E se fossem menos preguiçosos
Faziam toda a gente feliz
Para poderem tratar em paz
Dos seus sofrimentos literários
Construíam casas amarelas
Com grandes jardins à frente
E árvores cheias de zaves
De mirliflautas e lizores
De melfiarufos e toutiverdes
De plumuchos e picapães
E pequenos corvos vermelhos
Que soubessem ler a sina
Havia grandes repuxos
Com luzes por dentro
Havia duzentos peixes
Desde o crusco ao ramussão
Da libela ao papamula
Da orfia ao rara curul
E da alvela ao canissão
Havia um ar novo
Perfumado do odor das folhas
Comia-se quando se quisesse
E trabalhava-se sem pressa
A construir escadarias
De formas antes nunca vistas
Com madeiras raiadas de lilás
Lisas como ela sob os dedos
Mas os poetas são uns patetas
Escrevem para começar
Em vez de se porem a trabalhar
E isso traz-lhes um remorso
Que conservam até à morte
Encantados de ter sofrido tanto
Dedicam-lhes grandes discursos
E são esquecidos num dia
Mas se trabalhassem mais
Só seriam esquecidos em dois
E se fossem menos preguiçosos
Faziam toda a gente feliz
Para poderem tratar em paz
Dos seus sofrimentos literários
Construíam casas amarelas
Com grandes jardins à frente
E árvores cheias de zaves
De mirliflautas e lizores
De melfiarufos e toutiverdes
De plumuchos e picapães
E pequenos corvos vermelhos
Que soubessem ler a sina
Havia grandes repuxos
Com luzes por dentro
Havia duzentos peixes
Desde o crusco ao ramussão
Da libela ao papamula
Da orfia ao rara curul
E da alvela ao canissão
Havia um ar novo
Perfumado do odor das folhas
Comia-se quando se quisesse
E trabalhava-se sem pressa
A construir escadarias
De formas antes nunca vistas
Com madeiras raiadas de lilás
Lisas como ela sob os dedos
Mas os poetas são uns patetas
Escrevem para começar
Em vez de se porem a trabalhar
E isso traz-lhes um remorso
Que conservam até à morte
Encantados de ter sofrido tanto
Dedicam-lhes grandes discursos
E são esquecidos num dia
Mas se trabalhassem mais
Só seriam esquecidos em dois
terça-feira, 24 de março de 2009
borisviana-se clandestinamente
É já na 6a, eu a Joana e Boris Vian, entre o dia do teatro e o da poesia
no Clandestino do Bairro Alto
Rua da Barroca
27 de Março
22h
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Surrealistas na Cordoaria Nacional

Inaugurou o mês passado na Cordoaria uma exposição dos surrealistas portugueses , uma exposição que merece um destaque no Estórias com Livros porque tem as obras dos nossos grandes escritores portugueses surrealistas, cuja pintura fica, normalmente, esquecida. É o caso de Mário-Henrique Leiria, Pedro Oom ou António Pedro.
Uma viagem fantástica pelo mundo surrealista, com quadros e esculturas que mostram bem as várias facetas deste movimento. Sempre defendi que o surrealismo, ainda que fascinante no seu fundo, era muito escolar, um movimento inventado antes de existir. Esta exposição mostra que o surrealismo escolar ficou pelos anos 50 mas que o surrealismo enquanto movimento artístico se estendeu até hoje. Podemos ver quadros de Cesariny de 1998 ou desenhos de Paula Rego e Ana Hatherly. A não perder, até porque esta será a última exposição da Cordoaria, que passará a ser o Museu dos Coches.
desenho de Mário-Henrique Leiria
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Mulheres Escritoras (parte IV)

ROSA ALICE BRANCO
"Palmeiras inclinadas. Ao longe o casario. É na água que o vejo, que sinto a cidade acordar.
Mais uma mulher que olha o rio. Tenho as mãos desatadas, os pés a caminho. As margens alargam quando estou perto, mas do outro lado as mulheres não reflectem o rosto ou mesmo a sua ausência.
São matéria do verbo fazer e caminham junto ao chão, na curva da noite para o marido. Gastos os sonhos por usar. Descorado pano que ficou ao sol. Nelas a cidade não acorda, não regressam os barcos à tardinha.
Vêm pela beira dos caminhos, a tristeza amável, a raiva cega e às vezes um sorriso que sacode os ombros porque até a tristeza tem um custo, uma esperança na sola do sapato. Vejo-as todos os dias e é como se a vida me atasse os pés, me anelasse os dedos. Como eu, outras mulheres olhando o rio, desbordando o pano, descozendo a sopa. Ama-se o homem que vira a esquina connosco e sabe que não podemos fingir que a ferida está fechada. As casas acendem.
E na água que vejo a sua luz descendo o rio. As mulheres passam em silêncio para as casas, atravessam a pele — deixam um retrato puído nas entranhas. Olho o rio e não sei fingir que finjo tanto mar. "
Mais uma mulher que olha o rio. Tenho as mãos desatadas, os pés a caminho. As margens alargam quando estou perto, mas do outro lado as mulheres não reflectem o rosto ou mesmo a sua ausência.
São matéria do verbo fazer e caminham junto ao chão, na curva da noite para o marido. Gastos os sonhos por usar. Descorado pano que ficou ao sol. Nelas a cidade não acorda, não regressam os barcos à tardinha.
Vêm pela beira dos caminhos, a tristeza amável, a raiva cega e às vezes um sorriso que sacode os ombros porque até a tristeza tem um custo, uma esperança na sola do sapato. Vejo-as todos os dias e é como se a vida me atasse os pés, me anelasse os dedos. Como eu, outras mulheres olhando o rio, desbordando o pano, descozendo a sopa. Ama-se o homem que vira a esquina connosco e sabe que não podemos fingir que a ferida está fechada. As casas acendem.
E na água que vejo a sua luz descendo o rio. As mulheres passam em silêncio para as casas, atravessam a pele — deixam um retrato puído nas entranhas. Olho o rio e não sei fingir que finjo tanto mar. "
Mulheres Escritoras (parte III)

ANA TERESA PEREIRA
Uma autora discreta, talvez a mais discreta das grandes escritoras portuguesas. Com um escrita que toca a literatura gótica mas que nunca se deixa denominar. As personagens transitam de livro para livro sendo que cada livro é uma parte de uma obra maior, inacabada. Um ambiente único e difícil de descrever. Só lendo, porque nada é sequer parecido com a escrita de Ana Teresa Pereira.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Mulheres Escritoras (parteII)

PATRÍCIA MELO
Escritora brasileira com grande divulgação no Brasil, P.M. traz-nos a realidade crua das favelas brasileiras. Num discurso alucinado e fervoroso, sentimo-nos entrar dentro da vida das personagens. A impossibilidade de os salvar é real e angustiante e é essa vida do livro, o sentir que estamos lá dentro, que transforma P.M. numa escritora verdadeiramente fascinante. Com ecos do filme Cidade de Deus (baseado na obra de Ruben Fonseca, que a escritora segue e admira) o Inferno é a sua grande obra.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Mulheres Escritoras (parte I)
A pedido de várias pessoas vou deixar aqui alguns exemplos de mulheres que escrevem... bem.

AMÉLIE NOTHOMB
Nasce a 16 de Agosto de 1967, no Japão. É uma escritora belga.
Uma escritora desconhecida em Portugal, mas que vale (muito) a pena ler em Francês. Sob uma máscara de quase normalidade A.N. perverte a natureza humana em histórias curtas que tocam o surrealismo. Num ambiente negro, as histórias de A.N. revelam-se surpreendentes e com um admirável sentido de humor.

AMÉLIE NOTHOMB
Nasce a 16 de Agosto de 1967, no Japão. É uma escritora belga.
Uma escritora desconhecida em Portugal, mas que vale (muito) a pena ler em Francês. Sob uma máscara de quase normalidade A.N. perverte a natureza humana em histórias curtas que tocam o surrealismo. Num ambiente negro, as histórias de A.N. revelam-se surpreendentes e com um admirável sentido de humor.
Curso de Literatura Infanto-Juvenil
Associação Cultural Respigarte
Apresenta
CURSO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL
(textos e problemáticas)
Apresenta
CURSO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL
(textos e problemáticas)
com Rosa Azevedo
17, 24 e 31 de Março e 7 de Abril
3as feiras
19h – 20h
(Sócios 12€ - Não Sócios 17€*)
Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, nº 73 A
Para inscrições e outras informações
http://www.respigarte.blogspot.com/
respigarte@gmail.com
936584536
*Ser sócio da Respigarte custa 5€ por ano. Inscrição pode ser feita no acto de pagamento do curso.
3as feiras
19h – 20h
(Sócios 12€ - Não Sócios 17€*)
Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, nº 73 A
Para inscrições e outras informações
http://www.respigarte.blogspot.com/
respigarte@gmail.com
936584536
*Ser sócio da Respigarte custa 5€ por ano. Inscrição pode ser feita no acto de pagamento do curso.
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Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a Snob e o...




