Depois de tantas reflexões à volta dos livros e da leitura fiquei com a pergunta às voltas na cabeça: afinal porque é que lemos?
E hoje apetece-me responder sem filosofias, talvez porque já seja tarde e estou demasiadamente cansada, ou porque faz muita falta voltarmos a tratar os livros por tu.
Eu leio porque gosto dos livros. Porque de manhã vou no combóio e estou a caminho de um dia comprido de trabalho e quero viajar um bocadinho antes de lá chegar. Leio porque gosto de histórias, de conhecer pessoas com quem nunca me vou cruzar e sítios a que nunca hei-de ir porque estão na cabeça dos autores e não nos mapas. Leio porque estou e férias e fico mesmo feliz por ter tempo para ler. Leio porque acredito que a escrita é a forma mais pura de falar. De mandar mensagens ao mundo ou só a uma pessoa. Leio porque os livros pelos quais somos loucamente apaixonados são o assunto mais encantador que se pode ter numa conversa de café. Leio porque sou dotada de uma curiosidade doentia (só com os livros). Leio porque muitas vezes fui salva por um livro, quando o real diário se tornava insustentável. Leio também porque os livros são objectos bonitos. E há uns que são mesmo bonitos. E além disso são objectos que podem andar sempre connosco e o conforto é também termos connosco todo o dia o que de nosso é mais bonito. Nunca me vou fartar de ler nem de livros. O facto de trabalhar com livros não me saturou, conseguiu apenas que eles se tornassem a minha casa.
Vou viver com eles e para eles o resto da minha vida.
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
domingo, 26 de abril de 2009
Um livro precioso
Pedro Páramo
Juan Rulfo (México)

La gente se muere dondequiera. Los problemas humanos son iguales en todas partes. No son temas nuevos el amor, la muerte, la injusticia, el sufrimiento, que están sugeridos en Pedro Páramo. Me han dicho que es "una novela de amor a los desamparados". Yo no sé. Yo narro la búsqueda de un padre, como una esperanza. Como quien busca su infancia y trata de recuperar sus mejores días, y en esa búsqueda no encuentra sino decepción y desengaño. Y al final se derrumba su esperanza "como un montón de piedras".
Juan Rulfo
Eu vou!
Festival Indie Lisboa 2009
30 Abril
19h
Cinema São Jorge
Sala 1
Bartolomeu Cid dos Santos - Por terras devastadas
Jorge Silva Melo
Documentário, Portugal
Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008), gravador, pintor, é um dos grandes artistas do século XX. O seu é o mundo crepuscular do fim do Império, ele que criou as primeiras metáforas contra o Colonialismo Português. E que, com renovada vitalidade, se insurgiu contra a Nova Ordem Mundial. Sabendo, com Eliot, que "tempo passado e tempo futuro estão ambos presentes no tempo presente". Um retrato cúmplice do artista assinado por Jorge Silva Melo.
Manuel Hermínio Monteiro
André Godinho
Documentário, Portugal
O Hermínio gostava de partilhar os seus segredos. Trás os Montes era um segredo, como a noite de Lisboa. A comida era um segredo, como o vinho e os charutos. Os amigos eram um segredo, como os poetas, que também eram os amigos. E os livros eram o maior segredo. Desvendou-os todos na Assírio & Alvim.
Está quase!
A Feira do Livro de Lisboa está quase aí, apesar de quase ninguém saber que, este ano, a Feira não vai ser mesmo na entrada do Verão. De 30 de Abril a 17 de Maio, no sítio do costume!
O horário mudou, as bancas também. Para saber mais - aqui.
O horário mudou, as bancas também. Para saber mais - aqui.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Cidades Invisíveis
Que livro não vive sem outro livro? Existe o livro?
“- Falta uma de que nunca falas.
Marco Polo baixou a cabeça.
- Veneza – disse o Kan.
Marco sorriu. – E de qual julgavas que eu te falava?
O imperador nem pestanejou. – Mas nunca te ouvi dizer o seu nome.
E Polo: - Sempre que descrevo uma cidade digo qualquer coisa de Veneza.
- Quando te pergunto por outras cidades, quero ouvir-te falar delas. E de Veneza, quando te perguntar por Veneza.
- Para distinguir as qualidades das outras, tenho de partir de uma primeira cidade que está implícita. Para mim é Veneza.”
Italo Calvino
Cidades Invisíveis
Cidades Invisíveis
É claro que a leitura não surge por acaso. E, mesmo que surgisse, deixava de ser um acaso no momento em que existe. Porque a leitura liga sempre a outras leituras, já feitas e, arrisco mesmo a dizer, por fazer. Como uma teia, cada livro muda as leituras futuras e as passadas, e também a nossa leitura interior. Muda porque acrescenta alguma intenção ao Leitor. São cidades em teia, como uma das cidades de Calvino.
O acaso vem do momento em que escolhemos começar a ler um livro. Quando temos em casa aquela pilha de livros não lidos mais a nossa lista interna de livros por ler, surge um outro que, por qualquer razão, vai ser lido antes dos outros. E aí começa a viagem - fazer com que esse acaso acabe por encaixar dentro da nossa cidade. E, atenção, esse encaixe é inevitável. Não há leituras vazias. Há, sim, leituras que constroem partes diferentes das cidades.
O acaso vem do momento em que escolhemos começar a ler um livro. Quando temos em casa aquela pilha de livros não lidos mais a nossa lista interna de livros por ler, surge um outro que, por qualquer razão, vai ser lido antes dos outros. E aí começa a viagem - fazer com que esse acaso acabe por encaixar dentro da nossa cidade. E, atenção, esse encaixe é inevitável. Não há leituras vazias. Há, sim, leituras que constroem partes diferentes das cidades.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Cidades Invisíveis
Faria sentido um mundo só de bons livros?
Um bom livro seria, no limite da sua definição, um livro que cumpre o objectivo que, para cada leitor, o livro tem de ter. Mas que objectivo é esse? Nestas cidades que construímos, será que precisamos sempre de equilíbrio? Ou por vezes precisamos de ruas apertadas e frias e prédios decadentes? Claro que podemos também pensar que essas mesmas ruas pode ser exactamente o que alguns leitores procuram enquanto outros preferem casas baixas e luminosas, pontes, estradas largas. Se procuramos livros e cidades diferentes será sempre difícil definir o que é um bom livro. A não ser que seja possível separar a noção de bom livro da noção do “nosso” bom livro. Uma opção certamente demasiado académica...
Um bom livro seria, no limite da sua definição, um livro que cumpre o objectivo que, para cada leitor, o livro tem de ter. Mas que objectivo é esse? Nestas cidades que construímos, será que precisamos sempre de equilíbrio? Ou por vezes precisamos de ruas apertadas e frias e prédios decadentes? Claro que podemos também pensar que essas mesmas ruas pode ser exactamente o que alguns leitores procuram enquanto outros preferem casas baixas e luminosas, pontes, estradas largas. Se procuramos livros e cidades diferentes será sempre difícil definir o que é um bom livro. A não ser que seja possível separar a noção de bom livro da noção do “nosso” bom livro. Uma opção certamente demasiado académica...
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Finalmente!
TONI MORRISON EM PORTUGUÊS!

Esgotado há muitos anos em português, o regresso aguardado e desejado de Toni Morrison. Nasce em 1931 e ganha o Prémio Nobel em 1993. Escreve sobre o que é ser mulher nos Estados Unidos, sobre a beleza e a amizade. Dotada de uma sensibilidade incrível e uma escrita tão doce como pungente, traz-nos com a poesia da linguagem a crua realidade americana. A ler!

Esgotado há muitos anos em português, o regresso aguardado e desejado de Toni Morrison. Nasce em 1931 e ganha o Prémio Nobel em 1993. Escreve sobre o que é ser mulher nos Estados Unidos, sobre a beleza e a amizade. Dotada de uma sensibilidade incrível e uma escrita tão doce como pungente, traz-nos com a poesia da linguagem a crua realidade americana. A ler!
terça-feira, 14 de abril de 2009
Cidades Invisíveis
Quando lemos constroem-se cidades. Há prédios altos e casas pequenas. Bairros operários e ruas com uma árvore em cada jardim. Há ruas de lodo e mau cheiro. Há aquele recanto secreto que só nós conhecemos e que fazemos questão (por vergonha?) de não dizer a ninguém que existe. É a nossa cidade invisível. Construída de leituras, as primeiras, as que escolhemos, aquelas em que tropeçámos.
As leituras nunca são iguais, mas será que há leituras vazias? Leituras que não constroem nada. Leituras que não entram na nossa cidade. Quando faço mudanças há sempre um livro que encontro e que já não me lembrava nada de ter lido. Muitas vezes quando o folheio a cidade grita e eu lembro-me da rua que ele ajudou a construir. Ou então não. Será porque não construiu nada? Ou porque a cidade está esquecida?
"Mas foi inutilmente que parti em viagem para visitar a cidade: obrigada a permanecer imóvel e igual a si própria para melhor ser recordada, Zora estagnou, desfez-se e desapareceu. A Terra esqueceu-a"
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis
As leituras nunca são iguais, mas será que há leituras vazias? Leituras que não constroem nada. Leituras que não entram na nossa cidade. Quando faço mudanças há sempre um livro que encontro e que já não me lembrava nada de ter lido. Muitas vezes quando o folheio a cidade grita e eu lembro-me da rua que ele ajudou a construir. Ou então não. Será porque não construiu nada? Ou porque a cidade está esquecida?
"Mas foi inutilmente que parti em viagem para visitar a cidade: obrigada a permanecer imóvel e igual a si própria para melhor ser recordada, Zora estagnou, desfez-se e desapareceu. A Terra esqueceu-a"
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis
Cidades Invisíveis - Vamos falar de Livros?

"Depois de passar seis rios e três cadeias de montanhas surge Zora, cidade que quem viu uma vez nunca mais pode esquecer. O homem que sabe de cor como é Zora, nas noites em que não consegue dormir imagina que anda pelas ruas e recorda a ordem em que se sucedem o relógio de cobre, o toldo às riscas do barbeiro, o repuxo dos nove esguichos, a torre de vidro do astrónomo." Italo Calvino
22 de Abril
21h30
A propósito do dia do mundial do livro, a 23 de Abril, a Associação Cultural Respigarte e a Livraria Trama quiseram colocar algumas questões àqueles que parecem ter com os livros uma relação que vai muito além do consumo. O livro, produzido e reproduzido em massa, continua a ser objecto de culto. Numa época em que as montras das livrarias se renovam diariamente, ao ritmo incessante das publicações, porque razão se procuram tanto alguns títulos esgotados?Cada livro é um edifício, uma construção no leitor. A cada nova leitura vai-se formando um bairro, com largas avenidas, becos estreitos, pontes, jardins. Como se arquitecta esta cidade invisível? Qual o percurso do leitor, de que modo passa de uma construção para outra e, acima de tudo, como se relaciona a nossa cidade com a cidade do leitor ao nosso lado. Queremos saber qual o ponto de encontro, que caminhos se usaram para chegar a Roma. Todos são possíveis, como se sabe. Serão convidados escritores, músicos, tradutores, editores, encenadores e, acima de tudo, LEITORES.
Diana Mascarenhas vai desenhar ao vivo o mapa da nossa cidade, o roteiro das nossas leituras.
Moderação
Rosa Azevedo
Convidados
Jorge Silva Melo
Pedro Vieira
Francisca Cortesão - Minta
Abel Barros Baptista
Jorge Fallorca
Luís Filipe Cristóvão
José Mário Silva
(outros que tais, ainda por confirmar!)
Actualizações sobre as misteriosas linhas desta conversa:
curso de literaturas americanas
curso de literaturas americanas
rosa azevedo e joão santos
de 21 de Abril a 19 de Maio
3as feiras, das 19h às 20h
Literatura hispano-americana
Realismo Mágico
Juan Rulfo, Júlio Cortázar e Jorge Luís Borges
Literatura norte-americana
Poesia Prosa – Literatura Pós II Guerra Mundial
Sócios 15€ - Não Sócios 20€*
Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, nº 73 A
Para inscrições e outras informações
936584536
*Ser sócio da Respigarte custa 5€ por ano. A inscrição pode ser feita no acto de pagamento do curso.
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