terça-feira, 9 de junho de 2009

Teatro

Numa tentativa quase suicida de trazer qualidade ao supermercado livreiro onde um dia tive a sorte de trabalhar decidi fazer uma mega campanha de teatro, em Setembro, a ser preparada para já. Livros que nunca cá chegaram, grandes mestres, livros sobre Commedia del'Arte ou Teatro do Absurdo, esses monumentos teatrais de que tão pouco falamos. E depois recuperar as grades peças que em Portugal não se encontram, Jon Fosse, Bernard Marie-Koltés, Martin Crimp... E claro sem esquecer o teatro de marionetas, também tão mal explorado cá. Enviem-me sugestões, de importação ou nacional, para eu preencher a minha lista maravilha! Que se espalhe o teatro por aí!

Chico Buarque tem novo livro



Eu amo o Chico e talvez a imparcialidade seja difícil (está a ser muito comum este problema neste blog). Mas amanhã sai o novo livro dele Leite Derramado.
O último livro dele , Budapeste, foi um arrepio na alma, daqueles que se saboreiam e que surpreendem sempre. Porque ele cantava e bem. E de repente escrevia e bem. Apesar de ser outro Chico. Os outros livros dele já eram uma janela, Budapeste foi um terraço sobre o rio. Amanhã estarei no 1º lugar da fila para ver se este livro é ou não a casa com vista para o mar com que andei a sonhar estes últimos milénios.


Descobri isto

http://www.triplov.com/

e gostei

quinta-feira, 21 de maio de 2009

os Mal Comportados

Ainda não percebi muito bem quem acredita nos mal-comportados. Pedem-se demasiadas explicações. A única explicação possível é que precisamos de uma ruptura. Não vamos, nem temos essa pretensão, retirar o lugar a ninguém. Vamos criar novos lugares. É esse o segredo, encontrar espaços de vácuo, textos reais ainda não lidos. Por enquanto relembramos os antigos, Cesariny, Sylvia Plath, Guy Debord, Vaneigem, Tristan Tzara. E vamos preparando o caminho e aquecendo os espíritos. Antes ser abalado um minuto por um poema do que viver sempre nos carris da literatura.
Não é que não tenha tempo para os ler. É que estão em todo o lado!

segunda-feira, 18 de maio de 2009


Associação Cultural Respigarte e Associação InterCultura Cidade apresentam

CURSO DE LITERATURAS EUROPEIAS
Rosa Azevedo & João Santos




























Uma viagem sem rumo pelos escritores europeus do séc. XX

9 a 30 Junho 2009
3as feiras
19h – 20h


(Sócios 12€ - Não Sócios 17€*)
Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, nº 73 A


Para inscrições e outras informações:
www.respigarte.blogspot.com
respigarte@gmail.com
936584536

*Ser sócio da Respigarte custa 5€ por ano. Inscrição pode ser feita no acto de pagamento do curso.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Clarice Lispector

Pediram-me que desse mais uma oportunidade a Lispector com este livro. E estou sem palavras, é difícil falar de Lispector. Foi como se ela falasse comigo, me contasse uma história que podia ser a minha. Não consigo falar deste livro de outra forma, Lori podia ser eu e é só assim que consigo vê-la, sem distanciamento. É como uma bandeira de esperança e beleza. Cada palavra é uma flor. E uma certa dor, também. Leiam e sintam-na, não tentem entendê-la. Lispector, mais do que ler, saboreia-se.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Paul Celan

Paul Celan é um poeta romeno de língua alemã que nos chega pela tradução de João Barrento. De alemão não percebo nada mas confiando na tradução sinto-me arrebatada de cada vez que o leio. É monumental, daquela poesia que nos revolve as entranhas só de desfilar em frente aos nossos olhos. A ler, sempre, muitas e muitas vezes.

Elogio da Distância

Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui, coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula o baraço.

Paul Celan, in Sete Rosas Mais Tarde
Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mulheres Escritoras (parte V)




ROSA MONTERO








Há muito preconceito à volta de Rosa Montero, apesar de não perceber muito bem porquê. Talvez o facto de escrever em castelhano e a nossa "opinião pública" (???) não gosta muito de mulheres que escrevem em castelhano. Não gosta muito de mulheres que escrevem (ponto). (E quanto a isso não argumentem com esta livreira que atende em média 1786 pessoas por dia mais colegas que, conta a lenda, percebem e gostam muito de livros).


Rosa Montero é uma escritora de excelência. Sabe não só contar uma história como deve ser mas também constrói personagens que são uma e todas as personagens. Sem doçura nem meias palavras as personagens de Rosa Montero são aquilo de mais duro, real e por vezes perverso que todos nós temos. Assim não será de estranhar que as biografias que Rosa escreveu sejam absolutamente imperdíveis, pois contam a história que todos mais ou menos acabamos por conhecer mas que nos surpreendem por contar sempre "aquele" lado da história mais grotesco e inesperado.



Pasiones conta histórias de amor e Historias de Mujeres conta histórias de mulheres, como o nome indica.
No entanto aquele que é mesmo uma obra prima é Historia del Rey Transparente. Em plena época medieval uma rapariga decide partir à procura do namorado que desapareceu numa invasão à aldeia. Para isso tem de se vestir de homem, largar tudo e partir numa viagem iniciática em busca da sua independência e do seu lugar de mulher num mundo misógino. O namorado fica pelo caminho e a viagem dela acaba por ser uma viagem não planeada guiada pelo acaso que a liga às figuras mais estranhas e improváveis num hino à amizade e ao amor real, onde não há princesas nem finais felizes. Onde há outra coisa. Avalon, que só Rosa Montero consegue descrever e, atrevo-me mesmo a dizer, descobrir.

domingo, 26 de abril de 2009

Porque lemos?

Depois de tantas reflexões à volta dos livros e da leitura fiquei com a pergunta às voltas na cabeça: afinal porque é que lemos?
E hoje apetece-me responder sem filosofias, talvez porque já seja tarde e estou demasiadamente cansada, ou porque faz muita falta voltarmos a tratar os livros por tu.
Eu leio porque gosto dos livros. Porque de manhã vou no combóio e estou a caminho de um dia comprido de trabalho e quero viajar um bocadinho antes de lá chegar. Leio porque gosto de histórias, de conhecer pessoas com quem nunca me vou cruzar e sítios a que nunca hei-de ir porque estão na cabeça dos autores e não nos mapas. Leio porque estou e férias e fico mesmo feliz por ter tempo para ler. Leio porque acredito que a escrita é a forma mais pura de falar. De mandar mensagens ao mundo ou só a uma pessoa. Leio porque os livros pelos quais somos loucamente apaixonados são o assunto mais encantador que se pode ter numa conversa de café. Leio porque sou dotada de uma curiosidade doentia (só com os livros). Leio porque muitas vezes fui salva por um livro, quando o real diário se tornava insustentável. Leio também porque os livros são objectos bonitos. E há uns que são mesmo bonitos. E além disso são objectos que podem andar sempre connosco e o conforto é também termos connosco todo o dia o que de nosso é mais bonito. Nunca me vou fartar de ler nem de livros. O facto de trabalhar com livros não me saturou, conseguiu apenas que eles se tornassem a minha casa.
Vou viver com eles e para eles o resto da minha vida.

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...