segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Uma noite na livraria e...

Já se sabe como é e já antes aqui foi dito: o Natal espalha livros por aí. Aos montes. Ontem vi quatro preciosidades, daquelas maravilhosas. Comprei a primeira, deixo as outras para depois. Quase quase voltei a gostar do Natal.



A Servidão Humana, de Somerset Maugham. Tive de comprar. Esgotado há anos era um dos insondáveis mistérios da edição, como a Montanha Mágica. Mais uma vez a a Leya a deixar-me com o coração dividido. Desta vez é da Asa.




É o Possidónio Cachapa. Apesar de ter ficado um bocadinho zangada com ele no último que escreveu ainda o amo de coração. A descrição promete:

"Num mundo coberto de neve e gelo, uma mulher agarra-se à vida, enquanto o seu passado se materializa aos poucos. Noutro local, um rapaz que usa em permanência umas orelhas falsas de coelho procura consumar a sua paixão erótica por uma provocadora rapariga-manga. Por cima de ambos, a sombra daqueles que já foram homens e que percorrem a Terra em busca dos que vão morrer. O Mundo Branco do Rapaz-Coelho é um romance sobre um universo em autodestruição e os limites da condição humana."

Quanto a estes é a Cavalo de Ferro de volta, e tão bem tantas vezes, é só livros preciosos pelas mesas. O último Christensen e o Cortazar em grande, como sempre, mas desta vez talvez um bocadinho melhor ainda...


Encheram-me os olhos!

São eles:

O Modelo
de Lars Saabye Christensen
Cavalo de Ferro

O Mundo Branco do Rapaz-Coelho
de Possidónio Cachapa
Quetzal

A Servidão Humana
de Somerset Maugham
Asa

A Volta ao Dia em 80 Mundos
Júlio Cortazar
Cavalo de Ferro

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

De Profundis

Faltam aos planos das cidades
esfinges aladas
palmas fora de tempo, matagais
pequenos acrescentos a vermelho

Faltam atlas com algum detalhe
para as emissões nocturnas
nos agudos da nossa incerteza
falta uma beleza
a olhar por nós
indiscernível, entreaberta ainda

Talvez a nós próprios falte
essa grande medida
insondáveis cordas na travessia
uma juventude que o mundo possa documentar

os teus olhos são o que resta
dos livros sagrados
e da grande pintura perdida

José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Assírio e Alvim a marcar pontos no mundo da edição




Prova-o este livro delicioso.
"JTM: Mesmo sentindo que a construção que nós somos é provisória, mesmo sentindo-nos profundamente a caminho, inacabados e imperfeitos (uma consciência que a própria idade aprofunda), é verdade que sentimos uma urgência, podemos dizê-lo, quase adolescente. Urgência que é, no fundo, esse alvoroço."

JTM em entrevista a CVM na Ler. Como qualquer outra entrevista do CVM, a não perder.


Se deseja receber regularmente informações sobre edições, lançamentos e outras iniciativas da editora Assírio & Alvim envie um e-mail com o assunto «A&A» para luis.guerra@assirio.com.

Para mais informações sobre a Assírio e Alvim a visite o blogue em http://www.assirioealvim.blogspot.com/ e, se está em Lisboa, passe pelo novo espaço Assírio & Alvim na Baixa / Chiado, Rua do Carmo, nº 29 – Loja 12.

sábado, 5 de dezembro de 2009

os meus livros

Tenho com os livros uma relação obsessiva de amor. E eles não se queixam, é recíproco. Ando obsessivamente com livros dentro da mala que depois não leio, se leio não gosto, corro para apanhar o metro, para o Pingo Doce, para o trabalho, adormeço nos transportes, em casa tenho noites de amigos à espera. Não os leio, não tenho tempo para eles. Mas às vezes leio só uma página e treme-me a alma e o corpo. Estou com o João à janela, imito um polvo que lê, tiro um livro ao acaso (para o dito polvo) e ele mostra-me um poema de Manuel António Pina que ele (como outros, como ele diz) completou. Com o João lá em casa dá-me saudades de Boris Vian e vou à estante e encontro fora do sítio um livro de Sartre que não me lembrava de ter. E lembro-me do livro de Sartre que comprei na Trama e que ainda não li, vou buscá-lo, meto na mala. E ao pensar na Trama lembro-me do Clube do Livro, lembro-me que nunca acabei o Mesmo Mar, do Amos Oz, que como é prosa poética fica ao pé de mim para perto dos livros de poesia que dormem ao meu lado e me mostram um poema por dia, sempre antes de dormir. E vejo a Antologia de Poesia que o Tiago me deu, que está ao lado da Bíblia que leio às vezes, que me fez rir com a história de Abel e Caim, que me faz lembrar o a Leste do Paraíso, do Steinbeck, que parte dessa história, e que foi o livro que mais amei e penso no filme de Kazan.

Os livros são isto para mim, mesmo que não tenha tempo para os ler, já os li quase todos e fazem parte da minha memória, do meu dia, dos meus gestos quotidianos. Sou apaixonada por eles.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

doce na boca

há por aí uma editora que anda escondida pelos cantos, disfarçada de livro e de CD mas que na verdade está cheia de poesia e amor, coragem e ousadia, livros bons de ouvir e de tocar. só bons sentidos na BOCA

fica o convite

"Amanhã, sábado, 5 de Dezembro,a Boca apresenta-se no Brio, o supermercado biológico com milhares de produtos naturais a preços acessíveis e com aconselhamento especializado.
Aos produtos da horta juntam-se, por um dia, audiolivros fresquinhos e a preço de feira, para ouvir enquanto cozinha, no carro e no autocarro, à noite de olhos fechados ou a toda a hora.
Porque as palavras também alimentam.
Serão bem-vindos, entre as 10h e as 18h, na Rua Azedo Gneco, N. 30, ao Campo de Ourique."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Myra mais uma vez...

... e sempre! Leiam!

Desta feita ganhou o prémio
Prémio de Ficção do PEN e o Máxima.

Yéé!

este mundo editorial que nos calhou na calha

É impossível separar o mundo editorial do mundo dos livros em si. Abri o Público hoje de manhã e irritei-me ainda pela fresca com a cara do Lobo Antunes na capa do Ípsilon. Porque lentamente estes escritores deixaram de ser escritoes para serem os "escritores-do-natal". Se calhar ainda estou de ressaca pelos anos passados a trabalhar na Fnac, mas agora que já lá não estou esta questão torna-se mais forte do que alguma vez foi. O Saramago já não é o Caim, é 16€ e a publicidade gratuita ao livro que abre o Telejornal - "cena dos maus costumes, etc". Mas vou ler, mesmo assim, o que é que hei-de fazer, ainda não me virtuei depois de anos de "desvirtuamento comercial" relativamente aos livros. Mas gosto deles,ainda.

Como diz o nosso manifesto dos mal-comportados (ainda por divulgar, levanto só a ponta do véu), "A poesia não se vende, saboreia-se". E eu tenho saudades desse sabor. Só por isso vou para casa carimbar os meus livros e transportá-los para a casa nova.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mais um romance e um mistério

Gostei do outro, vamos lá ver este. Arrisco a que vale a pena. É ir visitando e lendo, já vai sendo tempo de começarmos a ler "outras coisas".


Fernando Cabral Martins

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Há prémios de se lhe tirar o chapéu


Como amiga e mentora dos mal comportados tenho o meu coração dividido. Não gosto de prémios e definitivamente não gosto da Leya. Mas desta vez o prémio Leya foi para o escritor João Paulo Borges Coelho, que além de ser um escritor de se lhe tirar o chapéu, é um escritor que tem tido alguma dificuldade em ser descoberto e lido por estas bandas. Claro que os mal comportados, neste caso e por causa disso, olharão para ele com bons olhos. É o preconceito. E viva o João Paulo que, com preconceito ou não, vai chegar às almas e olhos desta malta e às montras das nossas livrarias.


Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...