Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
E junto aos arquitectos eis que surge José Tolentino Mendonça, com uma tirada destas:
A arte nasce de um mal estar. A fé nasce de uma ferida. Nascem os dois de uma procura de algo mais. Como dizia Sá-Carneiro, precisamos de "um pouco mais de azul".
Não é facil falar de religião num momento em que a religião ou nos cega ou nos revolta. Torna-se cada vez mais difícil reconhecer na religião uma espiritualidade desinteressada. O Tolentino ainda consegue. Ainda assim, e quando fala da poesia, considera-se um "poeta profano".
É esta a escrita dele:
"Acho que o sentido por excelência de um escritor é o ouvido. E, mesmo se não escrevo todos os dias, estou sempre atento à conversa humana, às palavras, ao seu ritmo, à sua temperatura. Estou sempre a tomar apontamentos, pequenas anotações. E daí parto para outras associações, preencho lacunas, continuo frases. Essa é a minha oficina."
mais uma pérola do nosso querido valter hugo mãe
Em entrevista à revista OS MEUS LIVROS deste mês:
Tens um poema intitulado "valter hugo mãe" que começa assim: "o rapaz dotado de três mortes / tem o nome exactamente igual ao meu". Por acaso sabes quantas ele já gastou?
As três. Não pode gastar mais nenhuma. Mas quer morrer menos do que nunca. No meio da confusão, talvez me sinta mais feliz do que nunca. Enfim, uma felicidade assim consciente, porque vejo em meu redor tanta coisa a desmoronar que é impossível ser-se feliz à grande. Já não corro para a morte. Faço caso e deixo que seja ela a vir apanhar-me, se assim o entender. agradeço que me ignore um pouco, anseio sempre pelo Verão.
Tens um poema intitulado "valter hugo mãe" que começa assim: "o rapaz dotado de três mortes / tem o nome exactamente igual ao meu". Por acaso sabes quantas ele já gastou?
As três. Não pode gastar mais nenhuma. Mas quer morrer menos do que nunca. No meio da confusão, talvez me sinta mais feliz do que nunca. Enfim, uma felicidade assim consciente, porque vejo em meu redor tanta coisa a desmoronar que é impossível ser-se feliz à grande. Já não corro para a morte. Faço caso e deixo que seja ela a vir apanhar-me, se assim o entender. agradeço que me ignore um pouco, anseio sempre pelo Verão.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
ai... ai... que o Jorge Silva Melo mudou o texto... Vamos lá acabar com o preconceito. Com Sófocles e JSM no coração, entre os do Teatro, os maiores

Rei Édipo
Sala Garrett
Teatro Nacional D. Maria I
18 de Fev a 28 de Mar 2010
4ª a Sáb. 21h30 | Dom. 16h
Escrita por Sófocles por volta de 427 a.C., Rei Édipo foi considerada por Aristóteles o mais perfeito exemplo de tragédia. No mito de Édipo, confrontamo-nos com as nossas perguntas sobre a identidade do poder, a ascensão e queda dos vitoriosos, a incerteza da vida, a relação entre o público e o privado, o desígnio do destino em oposição ao livre arbítrio. Jorge Silva Melo apresenta uma nova versão desta tragédia que é uma das peças mais adaptadas e interpretadas em todo o mundo.
A peste atinge a cidade. E o Rei Édipo quer saber porquê. Juntam-se as gentes à porta do palácio. E o Rei vem ter com a multidão e diz:
Nas ruas,
há gemidos, cantos fúnebres, lamentos.
Mas chora o quê a nossa cidade?
Que esperais?
De pergunta em pergunta, de resposta em resposta, os enigmas vão caindo. Édipo quer saber. Quer saber que maldição paira sobre a sua cidade, quer saber quem é. Vai descobrir uma verdade tremenda. Esta é a tragédia do saber.
(a partir de Sófocles)
cenografia e figurinos Rita Lopes Alves
luz Pedro Domingos
música original Pedro Carneiro
espacialização e assistência musical André Sier
acompanhamento dramatúrgico José Pedro Serra
versão e encenação Jorge Silva Melo
com Diogo Infante, Lia Gama, Virgílio Castelo, António Simão, Cândido Ferreira, José Neves, António Banha, Pedro Gil, Américo Silva, André Patrício, Bernardo Almeida, Daniel Pinto, David Pereira Bastos, Elmano Sancho, Estêvão Antunes, Hugo Bettencourt, Hugo Samora, João Meireles, João Miguel Rodrigues, João Delgado, Joaquim Pedro, John Romão, Manuel Sá Pessoa, Miguel Telmo, Miguel Aguiar, Pedro Lamas, Pedro Luzindro, Pedro Cardoso, Pedro Mendes, Ricardo Batista, Ruben Tiago, Tiago Matias, Tiago Mateus, as crianças Beatriz Lourenço e Neuza Campos | Beatriz Monteiro e Margarida Correia | Inês Antunes e Inês Constantino e os músicos Ângela Carneiro, David Silva, Marco Fernandes
assistente de cenografia: Luís Carvalho
caracterização especial: João Prazeres
assistência de encenação: Luís Filipe Costa, João Miguel Rodrigues, Pedro Lamas
assistência de produção: João Meireles
co-produção Teatro Nacional D. Maria II / Artistas Unidos em colaboração com a Orquestra de Câmara Portuguesa
direcção de cena Carlos Freitas/Manuel Guicho
ponto: João Coelho
operação de som: Pedro Costa
operação de luz: Pedro Alves
maquinaria: Rui Carvalheira
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
isto vai ser o máximo!

O próximo convidado do ciclo de conferências Livres Pensadores, que regressa dia 18 de Fevereiro, pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa, é Christopher Hitchens. Hitchens (n. 1949) é frequentemente considerado um dos mais proeminentes representantes do moderno ateísmo, e é descrito como fazendo parte do movimento do “novo ateísmo”. O seu livro Deus não é Grande - Como a religião envenena tudo (D. Quixote/ LeYa), publicado em 2007, levou a que ascendesse a essa posição de grande destaque. É colaborador da Vanity Fair e professor convidado de estudos liberais na New School. A conferência que fará na Casa Fernando Pessoa intitula-se A Urgência do Ateísmo/ Necessity of Atheism e tem tradução simultânea. A entrada é livre.
Invictus
Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley
(o poema que inspirou Mandela na prisão. Impressionante.)
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley
(o poema que inspirou Mandela na prisão. Impressionante.)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
e salta um programa quentinho, acabado de fazer, para o nosso workshop

9 Março – realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
16 Março – modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
23 Março – surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny), surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
30 Março – neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira). O cinema neo-realista.
6 Abril – literatura tradicional – sem tempo e sem escrita.
13 Abril – anos 50 a 70: literatura sem marca. Literatura feminina. Vergílio Ferreira e o Existencialismo.
20 Abril – nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras.
27 Abril – balanço.
eu bem disse que não havia nada que ele me dissesse para comprar que eu não comprasse
hoje pediram-me que lesse este
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Prémio da FIC para Tolentino de Mendonça
Enviaram-me esta notícia boa:
O padre e poeta José Tolentino de Mendonça recebeu ontem o prémio literário Fundação Inês de Castro (FIC) pelo livro O Viajante sem Sono (Assírio e Alvim, 2009). Após receber o prémio das mãos do reitor da Universidade de Coimbra (UC), Fernando Seabra Santos, o autor revelou que recorda nesta sua obra "amigos que morreram e que continuam comigo". Frisou ainda que "a poesia é uma forma de partilhar com eles o lume". O prémio da FIC distingue obras de expressão literária sobre motivos "inesianos" (alusivos à cortesã castelhana cujo assassinato terá sido perpetrado no espaço da actual Quinta das Lágrimas, em Coimbra, onde a lenda situa igualmente os amores de Inês e D. Pedro I).
"A poesia de Tolentino de Mendonça é uma poesia de elevação sem retórica do sublime", disse na ocasião o professor universitário José Carlos Seabra Pereira, membro do júri. O docente da Faculdade de Letras da UC realçou o "gosto de dizer as coisas e a beleza do mundo" do premiado, alegando que a sua poética "desconhece as pronúncias de triunfantes de Deus".
O padre e poeta José Tolentino de Mendonça recebeu ontem o prémio literário Fundação Inês de Castro (FIC) pelo livro O Viajante sem Sono (Assírio e Alvim, 2009). Após receber o prémio das mãos do reitor da Universidade de Coimbra (UC), Fernando Seabra Santos, o autor revelou que recorda nesta sua obra "amigos que morreram e que continuam comigo". Frisou ainda que "a poesia é uma forma de partilhar com eles o lume". O prémio da FIC distingue obras de expressão literária sobre motivos "inesianos" (alusivos à cortesã castelhana cujo assassinato terá sido perpetrado no espaço da actual Quinta das Lágrimas, em Coimbra, onde a lenda situa igualmente os amores de Inês e D. Pedro I).
"A poesia de Tolentino de Mendonça é uma poesia de elevação sem retórica do sublime", disse na ocasião o professor universitário José Carlos Seabra Pereira, membro do júri. O docente da Faculdade de Letras da UC realçou o "gosto de dizer as coisas e a beleza do mundo" do premiado, alegando que a sua poética "desconhece as pronúncias de triunfantes de Deus".
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
vamos lá a ser um bocadinho fundamentalistas outra vez....
esta foi a minha mais recente compra. e quando me pediram "explicações" esta foi a minha resposta:"acho muito importante os movimentos radicais como as guerrilla girls. sem radicalismo vamos definhando devagar. não acredito que cada uma das guerrilla girls seja totalmente e no seu íntimo tão radical como o movimento em si. assim como não é bom que existam muito mais realizadores homens do que mulheres, também não faria sentido um movimento artístico como as GG que fomenta uma arte exclusivamente feminina. no entanto é a melhor forma de essa arte feminina ser vista. é preciso sermos radicais para sermos vistas, os homens não precisam disso, são naturalmente privilegiados pelos meios culturais, sociais, etc. quanto aos realizadores homens parece-me que o movimento é semelhante em todo o lado (literatura, pintura, etc) onde havendo poucas mulheres as que são boas são também poucas. mas isso deve-se a um processo cultural onde as mulheres não vingavam e inverter esse processo (porque acredito que hoje em dia já podem vingar, ainda que com limitações) são necessários muitos e muitos anos. nos anos 50 quase não havia mulheres nas faculdades. e 60 anos não é nada para um processo deste género... não acredito que existam áreas artísticas propícias a um determinado género. acredito sim que cada género manifesta de forma muito diferente a sua arte."
e tenho dito.
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Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a Snob e o...


