A Adelaide não conseguia adormecer, um pombo, cem escudos e um livro, não queria adormecer.
Livro, José Luís Peixoto, Quetzal
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
o gasolineiro dos açores devorador de clássicos
Pronto, está uma pessoa a trabalhar nos livros a vida toda a tentar não ler pouco, a sofrer porque não lê mais e vai o Onésimo Teotónio Almeida de encontrar um gasolineiro nos Açores que lê mais e melhor que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido até hoje. E que lê porque isso lhe faz bem à alma. Só.
O senhor dá pelo nome de Ângelo Bento Melo e é uma delícia. Passo o preconceito de todos acharem que uma pessoa com a vida do Ângelo não lê. Mas já agora aproveito para passar o preconceito de que assim, ninguém lê. Mas que este lê, lê, nada no discurso dele nos faz duvidar. E tem uma lista com os Prémio Nobel e vai riscando os que lê. E já leu 21. E já leu muito mais e muito bem.
Estou encantada e comovida com o Ângelo. E com a chapada que o artigo me deu. Que eu sempre fui muito boa a receber chapadas e a saber aproveitá-las muito bem. Li o artigo (Revista Ler deste mês, imperdível como sempre) e foi logo um Borges e um Millas de seguida. Por causa das tosses...
O senhor dá pelo nome de Ângelo Bento Melo e é uma delícia. Passo o preconceito de todos acharem que uma pessoa com a vida do Ângelo não lê. Mas já agora aproveito para passar o preconceito de que assim, ninguém lê. Mas que este lê, lê, nada no discurso dele nos faz duvidar. E tem uma lista com os Prémio Nobel e vai riscando os que lê. E já leu 21. E já leu muito mais e muito bem.
Estou encantada e comovida com o Ângelo. E com a chapada que o artigo me deu. Que eu sempre fui muito boa a receber chapadas e a saber aproveitá-las muito bem. Li o artigo (Revista Ler deste mês, imperdível como sempre) e foi logo um Borges e um Millas de seguida. Por causa das tosses...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
o primeiro já cá canta
CURSO
LITERATURA PORTUGUESA
com Rosa Azevedo
3ª feira
18h30 - 19h30
de 2 de Novembro a 21 de Dezembro
Preço: 50€
(inscrições até 30 de Outubro para rosa.b.azev@gmail.com)
Fábrica Braço de Prata
LITERATURA PORTUGUESA
com Rosa Azevedo
3ª feira
18h30 - 19h30
de 2 de Novembro a 21 de Dezembro
Preço: 50€
(inscrições até 30 de Outubro para rosa.b.azev@gmail.com)
Fábrica Braço de Prata
Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentado dar uma visão alargada do que se passou por cá no séc. XX.
PROGRAMA
1ª sessão
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
2ª sessão
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
3ª sessão
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
4ª sessão
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
5ª sessão
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira)
6ª sessão
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo
7ª sessão
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
8ª sessão
balanço
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Sala precisa-se!
E são dois cursos!
Aceitam-se sugestões de salas, uma qualquer onde caibam 15 pessoas que gostem de livros.
Qualquer sugestão enviem para mim: rosa.b.azev@gmail.com
CURSO DE LITERATURA
PORTUGUESA
com Rosa Azevedo
Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentado dar uma visão alargada do que se passou por cá no séc. XX. O curso tem cinco sessões de uma hora cada uma e poderá realizar-se de 2ª a 5ª a partir das 18h30, com uma periodicidade a combinar com a sala que recebe o curso. O curso realiza-se com um número máximo de quinze e um número mínimo de sete participantes.
PROGRAMA
1ª sessão
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
2ª sessão
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
3ª sessão
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
4ª sessão
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
5ª sessão
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira)
6ª sessão
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo
7ª sessão
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
8ª sessão
balanço
CURSO DE
LITERATURAS
AMERICANAS
com Rosa Azevedo e Nuno Marques
Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura norte-americana e sul-americana do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando alguns autores. O curso tem cinco sessões de uma hora cada uma e poderá realizar-se de 2ª a 5ª a partir das 18h30, com uma periodicidade a combinar com a sala que recebe o curso.
O curso realiza-se com um número máximo de quinze e um número mínimo de sete participantes.
PROGRAMA
1ª sessão
Literatura Hispano-Americana: abordagem histórica, Realismo Mágico
2ª sessão
Literatura Hispano-Americana: Cortázar, Rulfo, Borges, Sábato entre outros
3ª sessão
Literatura Norte-Americana: A autobiografia como traço fundamental da literatura Norte-Americana desde o
Puritanismo e a autobiografia espiritual até à Geração Beat.
4ª sessão
Literatura Norte-Americana: Escrever na América é escrever a América. Os Estados Unidos enquanto obra de ficção e a literatura sobre o Oeste.
Escrever esta morada na barra de endereços para ter acesso aos conteúdos:
http://cursodeliteraturanorte-americana.yolasite.com
5ª sessão
Balanço
Aceitam-se sugestões de salas, uma qualquer onde caibam 15 pessoas que gostem de livros.
Qualquer sugestão enviem para mim: rosa.b.azev@gmail.com
CURSO DE LITERATURA
PORTUGUESA
com Rosa Azevedo
Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentado dar uma visão alargada do que se passou por cá no séc. XX. O curso tem cinco sessões de uma hora cada uma e poderá realizar-se de 2ª a 5ª a partir das 18h30, com uma periodicidade a combinar com a sala que recebe o curso. O curso realiza-se com um número máximo de quinze e um número mínimo de sete participantes.
PROGRAMA
1ª sessão
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
2ª sessão
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
3ª sessão
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
4ª sessão
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
5ª sessão
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira)
6ª sessão
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo
7ª sessão
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
8ª sessão
balanço
CURSO DE
LITERATURAS
AMERICANAS
com Rosa Azevedo e Nuno Marques
Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura norte-americana e sul-americana do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando alguns autores. O curso tem cinco sessões de uma hora cada uma e poderá realizar-se de 2ª a 5ª a partir das 18h30, com uma periodicidade a combinar com a sala que recebe o curso.
O curso realiza-se com um número máximo de quinze e um número mínimo de sete participantes.
PROGRAMA
1ª sessão
Literatura Hispano-Americana: abordagem histórica, Realismo Mágico
2ª sessão
Literatura Hispano-Americana: Cortázar, Rulfo, Borges, Sábato entre outros
3ª sessão
Literatura Norte-Americana: A autobiografia como traço fundamental da literatura Norte-Americana desde o
Puritanismo e a autobiografia espiritual até à Geração Beat.
4ª sessão
Literatura Norte-Americana: Escrever na América é escrever a América. Os Estados Unidos enquanto obra de ficção e a literatura sobre o Oeste.
Escrever esta morada na barra de endereços para ter acesso aos conteúdos:
http://cursodeliteraturanorte-americana.yolasite.com
5ª sessão
Balanço
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Os tantos e tantas que falam de livros
Há por cá uma grande falta de pessoas que façam cursos de Literatura e que gostem de falar de Literatura. Falar de livros, só. E quando se fala, fala-se sempre de forma quadrada, controlada, académica. E esta abordagem terá sempre alguns fãs, claro. Eu não.
Anda aí um grupo literário / editorial / outros que faz cursos que custam dez vezes mais do que o curso que eu dei na Trama, o que fecha ainda mais o círculo e o público alvo. O que faz falta é falar a quem não costuma pensar e viver com os livros. É preciso que os livros saiam de vez do seu tétrico mundo intelectual para cair nas mãos de todos. E com isto refiro-me, claro, a bons livros.
Tenho as melhores e mais emocionantes experiências das vezes em que conseguimos falar verdadeiramente sobre livros. Falar de livros na mão. Livros e pessoas reais.
É preciso que exista também alguma emoção. Se não os livros deixam de fazer sentido.
Anda aí um grupo literário / editorial / outros que faz cursos que custam dez vezes mais do que o curso que eu dei na Trama, o que fecha ainda mais o círculo e o público alvo. O que faz falta é falar a quem não costuma pensar e viver com os livros. É preciso que os livros saiam de vez do seu tétrico mundo intelectual para cair nas mãos de todos. E com isto refiro-me, claro, a bons livros.
Tenho as melhores e mais emocionantes experiências das vezes em que conseguimos falar verdadeiramente sobre livros. Falar de livros na mão. Livros e pessoas reais.
É preciso que exista também alguma emoção. Se não os livros deixam de fazer sentido.
Petersburgo de Andrei Bely
Um amigo disse-me há uns dias que andava aí em tradução inglesa recente um romance imperdível, o Petersburg de um escritor russo, modernista, nada conhecido em Portugal. Comecei logo em investigações (porque há pessoas que me dizem "lê" e eu, invariavelmente, leio), só havia na Amazon, em Portugal não se arranjava em lado nenhum. Pois fui surpreendida (e adoro estas surpresas, que de tão habituais quase já nem surpreendem) com a notícia de que o Hugo Xavier, ex-Cavalo de Ferro e com quem trabalhei aqueles tão bons três meses, agora editor da Ulisseia, do grupo Babel, vai editá-lo ainda antes do final do ano. Estou já em pulgas, é por estas e por outras que ainda tenho esta fé nos grandes editores que nós vamos tendo por cá. É que eles estão mesmo em todo o lado. E não lhes escapa uma...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Andamos rodeados de livros e pensamentos sobre a poesia quando a verdade pode ser tão mais esta
Hay en el mundo poetas que jamás escribieron versos. Y tampoco los leyeron. Poco saben de leer, y aún menos de escribir. Mi idioma ellos no hablan, pero nombran los pajaros las hierbas del campo... Con los árboles conversan, a su sombra agradecen y sus memorias escuchan.
Saben el rumbo del viento y el color de la lluvia, el tiempo de la sembradura y el tiempo de los frutos. Las huellas de las fieras reconocen y cuidan.
Nunca entraron en una iglesia. Rezan al sol y a la tierra, saben cantos de otras eras, pieles tocan y maderas. No hay cuerdas que no desvelen, sus ojos mirando en la danza no el cielo sino la arena.
Y cuando alfin acaban sus andares en los días, de todo se despiden sin amargura y sin pena. Sabiendo que serán tierra luz hojas semillas ojos de niños abrazos agua del río panteras.
Y los versos que escribieron son sus pasos en la vida, marcas que no tienen olvido.
Anna Fresu
Saben el rumbo del viento y el color de la lluvia, el tiempo de la sembradura y el tiempo de los frutos. Las huellas de las fieras reconocen y cuidan.
Nunca entraron en una iglesia. Rezan al sol y a la tierra, saben cantos de otras eras, pieles tocan y maderas. No hay cuerdas que no desvelen, sus ojos mirando en la danza no el cielo sino la arena.
Y cuando alfin acaban sus andares en los días, de todo se despiden sin amargura y sin pena. Sabiendo que serán tierra luz hojas semillas ojos de niños abrazos agua del río panteras.
Y los versos que escribieron son sus pasos en la vida, marcas que no tienen olvido.
Anna Fresu
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Finalmente nas mãos dos apaixonados do nosso Vergílio
Chega agora às livrarias o livro Promessa de Vergílio Ferreira, pela Quetzal, em edição crítica de Helder Godinho e Fernanda Irene Fonseca.
Mais um livro que levanta a velha questão discutida sem fim: até que ponto é legítimo editar um livro que um autor optou por não editar? Neste caso há alguns argumentos a favor da edição. Primeiro o autor deixou o espólio muito organizado. Como ele próprio disse, se ele não quisesse que as obras fossem descobertas tinha-as destruído. Como fez Santa-Rita Pintor. Ou tinha deixado instruções para que não fosse publicado. Acho que neste caso devemos ler este livro como ele é: um livro da sua fase pós neo-realista, em transição para o existencialismo (e só por isso é já um documento histórico), um livro que ele amou e depois considerou medíocre.
Não é o grande livro de Vergílio Ferreira, mas é um bom romance-problema. E nesta categoria mais do que ser o melhor, Vergílio Ferreira é único. Tem algumas frases de construção duvidosa e gralhas imperdoáveis numa edição de Helder Godinho, que, a querer manter o texto como o encontrou (o que seria estranho visto ele mesmo ter concluído que o texto que lhe chegou às mãos já teria sido copiado por um dactilógrafo) deveria ter assinalado as mesmas como já presentes no original.
No entanto nada mancha o facto de termos nas mãos do público uma edição crítica como única edição desta obra, o que em muito a valoriza. Normalmente as edições críticas só circulam dentro de um público específico. Aqui e com muito rigor qualquer leitor pode ter acesso a que palavras foras rasuradas, emendadas e acrescentadas pelo autor (entre outras particularidades do texto encontrado) numa terminologia definida pelos críticos Pessoanos. Essa riqueza de conhecimento à volta de um livro começa já a desaparecer com a escrita digital. Neste caso temos um texto dactilografado revisto e emendado pelo autor, sendo que todas as emendas são registadas no final do livro, o que simplifica a leitura.
Como dizem os editores na excelente introdução à obra, esta não é uma obra menor de Vergílio Ferreira nem deve ser vista como tal. É um romance de aprendizagem da personagem Flávio e um romance transitório para o autor. É um ponto a mais na sua obra, que não deverá ser, a meu ver, o romance de quem começa agora a ler Vergílio Ferreira. Mas isso digo eu, que procuro nos autores que leio um caminho ideal entre as suas obras, juízo que dificilmente seria mais subjectivo.
Concluindo: a ler, sim. É o veredicto final.
Não é o grande livro de Vergílio Ferreira, mas é um bom romance-problema. E nesta categoria mais do que ser o melhor, Vergílio Ferreira é único. Tem algumas frases de construção duvidosa e gralhas imperdoáveis numa edição de Helder Godinho, que, a querer manter o texto como o encontrou (o que seria estranho visto ele mesmo ter concluído que o texto que lhe chegou às mãos já teria sido copiado por um dactilógrafo) deveria ter assinalado as mesmas como já presentes no original.
No entanto nada mancha o facto de termos nas mãos do público uma edição crítica como única edição desta obra, o que em muito a valoriza. Normalmente as edições críticas só circulam dentro de um público específico. Aqui e com muito rigor qualquer leitor pode ter acesso a que palavras foras rasuradas, emendadas e acrescentadas pelo autor (entre outras particularidades do texto encontrado) numa terminologia definida pelos críticos Pessoanos. Essa riqueza de conhecimento à volta de um livro começa já a desaparecer com a escrita digital. Neste caso temos um texto dactilografado revisto e emendado pelo autor, sendo que todas as emendas são registadas no final do livro, o que simplifica a leitura.
Como dizem os editores na excelente introdução à obra, esta não é uma obra menor de Vergílio Ferreira nem deve ser vista como tal. É um romance de aprendizagem da personagem Flávio e um romance transitório para o autor. É um ponto a mais na sua obra, que não deverá ser, a meu ver, o romance de quem começa agora a ler Vergílio Ferreira. Mas isso digo eu, que procuro nos autores que leio um caminho ideal entre as suas obras, juízo que dificilmente seria mais subjectivo.
Concluindo: a ler, sim. É o veredicto final.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Alberto Manguel defende como ninguém a leitura. Vale mesmo a pena ler.
Todo o artigo aqui.
Mas nem toda a gente é leitora...
Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.
A proporção de leitores numa dada sociedade nunca foi muito grande – seja na Idade Média, seja no Renascimento ou no século XX. Os leitores nunca foram a maioria. Se, por exemplo, todos os espectadores de um único jogo de futebol comprassem um livro, uma tarde, esse livro passaria a ser o best-seller mais espectacular da História da literatura.
Pensa que, para além de não haver muitos leitores, a leitura está a perder terreno neste momento?
O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso.
Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual.
É reversível?
Espero bem que sim. Mas receio que piore antes de melhorar. Falando apenas em livros e literatura, as grandes empresas internacionais tomaram posse da indústria editorial e transformaram o acto literário num modelo de supermercado. Mas continua a haver escritores, pequenos editores, há uma espécie de movimento de resistência – que também passa, por exemplo, pela tecnologia electrónica. Isso faz-me pensar que vamos sobreviver... mas não sei se o meu optimismo se justifica.
Mas nem toda a gente é leitora...
Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.
A proporção de leitores numa dada sociedade nunca foi muito grande – seja na Idade Média, seja no Renascimento ou no século XX. Os leitores nunca foram a maioria. Se, por exemplo, todos os espectadores de um único jogo de futebol comprassem um livro, uma tarde, esse livro passaria a ser o best-seller mais espectacular da História da literatura.
Pensa que, para além de não haver muitos leitores, a leitura está a perder terreno neste momento?
O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso.
Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual.
É reversível?
Espero bem que sim. Mas receio que piore antes de melhorar. Falando apenas em livros e literatura, as grandes empresas internacionais tomaram posse da indústria editorial e transformaram o acto literário num modelo de supermercado. Mas continua a haver escritores, pequenos editores, há uma espécie de movimento de resistência – que também passa, por exemplo, pela tecnologia electrónica. Isso faz-me pensar que vamos sobreviver... mas não sei se o meu optimismo se justifica.
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Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a Snob e o...

