sexta-feira, 29 de outubro de 2010

pudesse eu e estava lá caída


É tudo bom. É na Assírio. É o Mário Cesariny. É o Cabral Martins.


"A Fundação Luís Miguel Nava e a editora Assírio & Alvim convidam-no a assistir ao lançamento do número 26 da revista de poesia Relâmpago, que se realizará no dia 4 de Novembro, pelas 18h30, na Livraria Assírio & Alvim, Rua Passos Manuel, 67 – B.

Este número, que tem como tema central a poesia de Mário Cesariny, será apresentado por Fernando Cabral Martins. Os actores Eurico Lopes e Paulo Pires lerão poemas do poeta homenageado.

No final será servido um pequeno cocktail."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Resolvi escrever sobre as casas. Tenho as palavras em ninho no corpo e o corpo em ninho dentro da casa. Mas se calhar ainda não é hora de escrever. É hora de pensar e fazer as pazes com a memória desta casa. Prepará-la para ser um lar dentro dos olhos. Ainda não amadureci a casa para que a escrita se abra em flor. Então espero que me falem de casas e já ouvi muito sobre casas. Mas não o suficiente. Quero encher um planeta inteiro de pensamentos sobre a casa. Quero pensá-las bem e quando as tiver desenhadas começo a escrever sobre elas.
Ainda não chegou a hora de escrever.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

o gasolineiro dos açores devorador de clássicos

Pronto, está uma pessoa a trabalhar nos livros a vida toda a tentar não ler pouco, a sofrer porque não lê mais e vai o Onésimo Teotónio Almeida de encontrar um gasolineiro nos Açores que lê mais e melhor que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido até hoje. E que lê porque isso lhe faz bem à alma. Só.
O senhor dá pelo nome de Ângelo Bento Melo e é uma delícia. Passo o preconceito de todos acharem que uma pessoa com a vida do Ângelo não lê. Mas já agora aproveito para passar o preconceito de que assim, ninguém lê. Mas que este lê, lê, nada no discurso dele nos faz duvidar. E tem uma lista com os Prémio Nobel e vai riscando os que lê. E já leu 21. E já leu muito mais e muito bem.
Estou encantada e comovida com o Ângelo. E com a chapada que o artigo me deu. Que eu sempre fui muito boa a receber chapadas e a saber aproveitá-las muito bem. Li o artigo (Revista Ler deste mês, imperdível como sempre) e foi logo um Borges e um Millas de seguida. Por causa das tosses...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

o primeiro já cá canta

CURSO
LITERATURA PORTUGUESA

com Rosa Azevedo

3ª feira
18h30 - 19h30

de 2 de Novembro a 21 de Dezembro

Preço: 50€

(inscrições até 30 de Outubro para rosa.b.azev@gmail.com)

Fábrica Braço de Prata

Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentado dar uma visão alargada do que se passou por cá no séc. XX.


PROGRAMA

1ª sessão
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo

2ª sessão
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura

3ª sessão
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)

4ª sessão
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)

5ª sessão
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira)

6ª sessão
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo

7ª sessão
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras

8ª sessão
balanço

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sala precisa-se!

E são dois cursos!
Aceitam-se sugestões de salas, uma qualquer onde caibam 15 pessoas que gostem de livros.
Qualquer sugestão enviem para mim: rosa.b.azev@gmail.com

CURSO DE LITERATURA
PORTUGUESA
com Rosa Azevedo

Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentado dar uma visão alargada do que se passou por cá no séc. XX. O curso tem cinco sessões de uma hora cada uma e poderá realizar-se de 2ª a 5ª a partir das 18h30, com uma periodicidade a combinar com a sala que recebe o curso. O curso realiza-se com um número máximo de quinze e um número mínimo de sete participantes.

PROGRAMA

1ª sessão
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo

2ª sessão
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura

3ª sessão
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)

4ª sessão
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)

5ª sessão
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira)

6ª sessão
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo

7ª sessão
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras

8ª sessão
balanço

CURSO DE
LITERATURAS
AMERICANAS
com Rosa Azevedo e Nuno Marques

Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura norte-americana e sul-americana do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando alguns autores. O curso tem cinco sessões de uma hora cada uma e poderá realizar-se de 2ª a 5ª a partir das 18h30, com uma periodicidade a combinar com a sala que recebe o curso.
O curso realiza-se com um número máximo de quinze e um número mínimo de sete participantes.

PROGRAMA

1ª sessão
Literatura Hispano-Americana: abordagem histórica, Realismo Mágico

2ª sessão
Literatura Hispano-Americana: Cortázar, Rulfo, Borges, Sábato entre outros

3ª sessão
Literatura Norte-Americana: A autobiografia como traço fundamental da literatura Norte-Americana desde o
Puritanismo e a autobiografia espiritual até à Geração Beat.

4ª sessão
Literatura Norte-Americana: Escrever na América é escrever a América. Os Estados Unidos enquanto obra de ficção e a literatura sobre o Oeste.

Escrever esta morada na barra de endereços para ter acesso aos conteúdos:
http://cursodeliteraturanorte-americana.yolasite.com

5ª sessão
Balanço

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os tantos e tantas que falam de livros

Há por cá uma grande falta de pessoas que façam cursos de Literatura e que gostem de falar de Literatura. Falar de livros, só. E quando se fala, fala-se sempre de forma quadrada, controlada, académica. E esta abordagem terá sempre alguns fãs, claro. Eu não.
Anda aí um grupo literário / editorial / outros que faz cursos que custam dez vezes mais do que o curso que eu dei na Trama, o que fecha ainda mais o círculo e o público alvo. O que faz falta é falar a quem não costuma pensar e viver com os livros. É preciso que os livros saiam de vez do seu tétrico mundo intelectual para cair nas mãos de todos. E com isto refiro-me, claro, a bons livros.
Tenho as melhores e mais emocionantes experiências das vezes em que conseguimos falar verdadeiramente sobre livros. Falar de livros na mão. Livros e pessoas reais.
É preciso que exista também alguma emoção. Se não os livros deixam de fazer sentido.

Petersburgo de Andrei Bely

Um amigo disse-me há uns dias que andava aí em tradução inglesa recente um romance imperdível, o Petersburg de um escritor russo, modernista, nada conhecido em Portugal. Comecei logo em investigações (porque há pessoas que me dizem "lê" e eu, invariavelmente, leio), só havia na Amazon, em Portugal não se arranjava em lado nenhum. Pois fui surpreendida (e adoro estas surpresas, que de tão habituais quase já nem surpreendem) com a notícia de que o Hugo Xavier, ex-Cavalo de Ferro e com quem trabalhei aqueles tão bons três meses, agora editor da Ulisseia, do grupo Babel, vai editá-lo ainda antes do final do ano. Estou já em pulgas, é por estas e por outras que ainda tenho esta fé nos grandes editores que nós vamos tendo por cá. É que eles estão mesmo em todo o lado. E não lhes escapa uma...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Andamos rodeados de livros e pensamentos sobre a poesia quando a verdade pode ser tão mais esta

Hay en el mundo poetas que jamás escribieron versos. Y tampoco los leyeron. Poco saben de leer, y aún menos de escribir. Mi idioma ellos no hablan, pero nombran los pajaros las hierbas del campo... Con los árboles conversan, a su sombra agradecen y sus memorias escuchan.
Saben el rumbo del viento y el color de la lluvia, el tiempo de la sembradura y el tiempo de los frutos. Las huellas de las fieras reconocen y cuidan.
Nunca entraron en una iglesia. Rezan al sol y a la tierra, saben cantos de otras eras, pieles tocan y maderas. No hay cuerdas que no desvelen, sus ojos mirando en la danza no el cielo sino la arena.
Y cuando alfin acaban sus andares en los días, de todo se despiden sin amargura y sin pena. Sabiendo que serán tierra luz hojas semillas ojos de niños abrazos agua del río panteras.
Y los versos que escribieron son sus pasos en la vida, marcas que no tienen olvido.

Anna Fresu

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Finalmente nas mãos dos apaixonados do nosso Vergílio

Chega agora às livrarias o livro Promessa de Vergílio Ferreira, pela Quetzal, em edição crítica de Helder Godinho e Fernanda Irene Fonseca.
Mais um livro que levanta a velha questão discutida sem fim: até que ponto é legítimo editar um livro que um autor optou por não editar? Neste caso há alguns argumentos a favor da edição. Primeiro o autor deixou o espólio muito organizado. Como ele próprio disse, se ele não quisesse que as obras fossem descobertas tinha-as destruído. Como fez Santa-Rita Pintor. Ou tinha deixado instruções para que não fosse publicado. Acho que neste caso devemos ler este livro como ele é: um livro da sua fase pós neo-realista, em transição para o existencialismo (e só por isso é já um documento histórico), um livro que ele amou e depois considerou medíocre.
Não é o grande livro de Vergílio Ferreira, mas é um bom romance-problema. E nesta categoria mais do que ser o melhor, Vergílio Ferreira é único. Tem algumas frases de construção duvidosa e gralhas imperdoáveis numa edição de Helder Godinho, que, a querer manter o texto como o encontrou (o que seria estranho visto ele mesmo ter concluído que o texto que lhe chegou às mãos já teria sido copiado por um dactilógrafo) deveria ter assinalado as mesmas como já presentes no original.
No entanto nada mancha o facto de termos nas mãos do público uma edição crítica como única edição desta obra, o que em muito a valoriza. Normalmente as edições críticas só circulam dentro de um público específico. Aqui e com muito rigor qualquer leitor pode ter acesso a que palavras foras rasuradas, emendadas e acrescentadas pelo autor (entre outras particularidades do texto encontrado) numa terminologia definida pelos críticos Pessoanos. Essa riqueza de conhecimento à volta de um livro começa já a desaparecer com a escrita digital. Neste caso temos um texto dactilografado revisto e emendado pelo autor, sendo que todas as emendas são registadas no final do livro, o que simplifica a leitura.
Como dizem os editores na excelente introdução à obra, esta não é uma obra menor de Vergílio Ferreira nem deve ser vista como tal. É um romance de aprendizagem da personagem Flávio e um romance transitório para o autor. É um ponto a mais na sua obra, que não deverá ser, a meu ver, o romance de quem começa agora a ler Vergílio Ferreira. Mas isso digo eu, que procuro nos autores que leio um caminho ideal entre as suas obras, juízo que dificilmente seria mais subjectivo.
Concluindo: a ler, sim. É o veredicto final.

Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a  Snob  e o...