
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
quinta-feira, 3 de março de 2011
II Encontro Livreiro

Setúbal
Livraria Culsete
Av. 22 de Dezembro 23 A/B
27 de Março de 2011 a partir das 15h00
É isto que nos faz falta. Pessoas que se juntam pelo livro, para falar de livros. Pessoas que realmente gostam de livros. Que são livres de outras questões que não sejam o livro. Onde o livro não é um objecto comercial, é um livro.
Eu vou e ofereço boleias! Todos a Setúbal! Que isto não fica assim!
(ilustração Pedro Vieira)
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Manuel Hermínio Monteiro
Sei pouco falar dele mas sei o que lhe devo e o tanto que lhe deve a nossa literatura. Sem ele este não era o panorama, era outro, claramente pior. E este é um dos meus dogmas que não se discute.
Transmontano, vive uma vida de pássaro até chegar à Assírio e Alvim. Foi lá que descobriu em mesas de cafés e restaurantes os nossos poetas, músicos, pintores, ensaístas. Disse que "aquilo" era bom. E pela mão dele, os escritores foram chegando. Hoje temos a Assírio, a ainda Assírio, familiar porque foi a família do Hermínio. É por estas pessoas que me apetecia ser "menos" pequenina, para ter conseguido viver com ele lado a lado.
Morreu demasiado cedo em Junho de 2001. Deixou-nos um universo inteiro. Aqui deixou uma das últimas entrevistas, que é preciso ler.
Transmontano, vive uma vida de pássaro até chegar à Assírio e Alvim. Foi lá que descobriu em mesas de cafés e restaurantes os nossos poetas, músicos, pintores, ensaístas. Disse que "aquilo" era bom. E pela mão dele, os escritores foram chegando. Hoje temos a Assírio, a ainda Assírio, familiar porque foi a família do Hermínio. É por estas pessoas que me apetecia ser "menos" pequenina, para ter conseguido viver com ele lado a lado.
Morreu demasiado cedo em Junho de 2001. Deixou-nos um universo inteiro. Aqui deixou uma das últimas entrevistas, que é preciso ler.
Ai, ai, que os nossos meninos surrealistas tinham a razão toda...
"Politicamente a Metaciência ao pronunciar-se dirá que a verdadeira democracia só será possível quando todos os homens forem poetas. Mas isso não chama ela democracia - mas ANARQUIA!
Cesariny, quanto gostaria de ver a meu lado tu e todos os outros - desta vez não com a sombra de um Breton - mas com os nossospróprios corpos! na conquista de mais um impossível, de mais um mundo que está perdido - a elaborar a imaginação do Mundo!"
António Maria Lisboa
A Intervenção Surrealista(roubado daqui)
Cesariny, quanto gostaria de ver a meu lado tu e todos os outros - desta vez não com a sombra de um Breton - mas com os nossospróprios corpos! na conquista de mais um impossível, de mais um mundo que está perdido - a elaborar a imaginação do Mundo!"
António Maria Lisboa
A Intervenção Surrealista(roubado daqui)
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
aquilo a que alguém ontem chamou "conversas de literatura" quando na verdade dá pelo pomposo nome de Curso de Literatura Portuguesa
É muito além de um curso. É um amigo do Manuel Hermínio Monteiro que se comove e nós com ele. E alguém que traz a Comunidade escondido na mala. É alguém que ainda ontem viu o Autografia e ficou fascinada com o Cesariny. É a Trama, e os livros que vão ser comprados na Trama. E as cadeiras da Trama, a Rita da Trama, as conversas na Trama antes e depois. É a vizinha do Santa-Rita Pintor nos anos 50 quando o Santa-Rita Pintor se suicidou em 1918. São os cadáveres esquisitos. São os poemas engasgados. As horas curtas. É o histerismo da leitura. As horas encantada até adormecer. Aquelas pessoas todas, as que estão à espera. Os textos que se afinam, as datas que se acertam, o século inteiro de literatura de que se fala. É a Rosa do Mundo, a Orpheu, a Presença de soslaio, o Herberto Helder, o Ramos Rosa, o Cesariny, o Cesariny, o Cesariny. As mulheres que são poucas mas que falam pela Mariana Alcoforado. E os livros que passam a pintores, os planos de sessões de cinema, de encontros, de passeios na Lisboa dos poetas, ninguém quer sair dali, não tão cedo. E é aquela livraria. Sem dúvida isto tudo é aquela livraria.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Coração, Solitário Caçador, de Carson McCullers
Acabei de ler um livro que abalou os meus pilares (e isso é tão bom!). Coração, Solitário Caçador, de Carson McCullers. Um livro sobre a solidão. Ou melhor, um livro que combate a solidão, que fala da nossa emergência de comunicar, a nossa necessidade dos amigos, do amor, de um quarto com alguém lá dentro que guarde os nossos segredos, como uma caixa de Pandora.
O livro conta a história de um surdo, Mr. Singer, que consegue ler nos lábios, e que recebe no seu quarto diversas personagens que o procuram para falar das suas inquitações e frustrações, dos seus medos e pequenas conquistas. São eles, a saber:
- a adolescente Mick, a personagem mais intrigante e forte de McCullers, que inscreveu esta obra na rota das obras sobre a adolescência norte-americanas. Mick sente uma ansiedade grande com o crescimento e com as transformações que a adolescência acarreta, quer a nível emocional, quer a nível físico. Recusa tornar-se "uma senhora" mas procura o amor. McCullers descreve de forma impressionante as inquietações de alma de uma adolescente em transformação. As inquietações mais profundas e que até agora sempre considerei indescritíveis e inenarráveis. É preciso ler a Mick de Carson McCullers. Foi para mim uma viagem de uma profundidade que julguei impossível até agora. Foi preciso um conhecimento grande do que é isto de ser adolescente (CM escreveu este romance entre os 18 e os 22 anos... O que é um feito e uma explicação.)
- Bill Brannon, dono do café que todas as personages frequentam, é a personagem mais distante de Mr. Singer, mas observa-o diariamente, observando todas as suas movimentações. Depois da morte da mulher procura o amor incesantemente, quer no amor filial à sobrinha de 4 anos, quer ao amor proibido por Mick, amor que nunca se chega a compreender, nem nós nem ele.
- Dr Copeland, um médico negro numa América em guerra racial aberta nos anos 40. Numa luta identitária muito forte vemos o Dr. Copeland envelhecer deixando-se cair no apoio da família que em tempos perdera.
- Jack Blunt, um bêbedo que vê em Mr. Singer a única hipótese de redenção e o reduto da humanidade.
No entanto Mr. Singer parece não encarar a amizade de todos eles da mesma forma vivendo obsessivamente (ou apaixonadamente) à procura de um amigo grego, Antopoulos, que logo no início da acção da história é internado num lar a muitos kilómetros de distância.
Este livro escrito à moda americana pós-crash, sem floreados ou grandes tiradas líricas acaba por ser um espelho da alma destas personagens que se cruzam numa pequena cidade do Sul. CM exprime-se com uma mestria única e comovente.
A ler.
O livro conta a história de um surdo, Mr. Singer, que consegue ler nos lábios, e que recebe no seu quarto diversas personagens que o procuram para falar das suas inquitações e frustrações, dos seus medos e pequenas conquistas. São eles, a saber:
- a adolescente Mick, a personagem mais intrigante e forte de McCullers, que inscreveu esta obra na rota das obras sobre a adolescência norte-americanas. Mick sente uma ansiedade grande com o crescimento e com as transformações que a adolescência acarreta, quer a nível emocional, quer a nível físico. Recusa tornar-se "uma senhora" mas procura o amor. McCullers descreve de forma impressionante as inquietações de alma de uma adolescente em transformação. As inquietações mais profundas e que até agora sempre considerei indescritíveis e inenarráveis. É preciso ler a Mick de Carson McCullers. Foi para mim uma viagem de uma profundidade que julguei impossível até agora. Foi preciso um conhecimento grande do que é isto de ser adolescente (CM escreveu este romance entre os 18 e os 22 anos... O que é um feito e uma explicação.)
- Bill Brannon, dono do café que todas as personages frequentam, é a personagem mais distante de Mr. Singer, mas observa-o diariamente, observando todas as suas movimentações. Depois da morte da mulher procura o amor incesantemente, quer no amor filial à sobrinha de 4 anos, quer ao amor proibido por Mick, amor que nunca se chega a compreender, nem nós nem ele.
- Dr Copeland, um médico negro numa América em guerra racial aberta nos anos 40. Numa luta identitária muito forte vemos o Dr. Copeland envelhecer deixando-se cair no apoio da família que em tempos perdera.
- Jack Blunt, um bêbedo que vê em Mr. Singer a única hipótese de redenção e o reduto da humanidade.
No entanto Mr. Singer parece não encarar a amizade de todos eles da mesma forma vivendo obsessivamente (ou apaixonadamente) à procura de um amigo grego, Antopoulos, que logo no início da acção da história é internado num lar a muitos kilómetros de distância.
Este livro escrito à moda americana pós-crash, sem floreados ou grandes tiradas líricas acaba por ser um espelho da alma destas personagens que se cruzam numa pequena cidade do Sul. CM exprime-se com uma mestria única e comovente.
A ler.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
(ontem passei a noite a ler Al Berto. Hoje sou um bocadinho melhor)
corpo
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocência nua
dum lírio cujo caule se estende e
ramifica para lá dos alicerces da casa
abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os órgãos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado
mas olho para as mãos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas
levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sísmico do mundo
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocência nua
dum lírio cujo caule se estende e
ramifica para lá dos alicerces da casa
abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os órgãos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado
mas olho para as mãos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas
levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sísmico do mundo
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Curso Literatura Portuguesa séc. XX
Livraria Trama
Rua São Filipe Nery, 51-A (perto do Largo do Rato)
Inscrições para livraria.trama@gmail.com ou rosa.b.azev@gmail.com
17 Jan a 7 Mar 2011
(todas as 2as feiras à noite)
21h às 22h
65€
PROGRAMA
17 Janeiro
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
24 Janeiro
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
31 Janeiro
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
7 Fevereiro
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
14 Fevereiro
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira).
21 Fevereiro
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo.
28 Fevereiro
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
7 Março
balanço
Rua São Filipe Nery, 51-A (perto do Largo do Rato)
Inscrições para livraria.trama@gmail.com ou rosa.b.azev@gmail.com
17 Jan a 7 Mar 2011
(todas as 2as feiras à noite)
21h às 22h
65€
PROGRAMA
17 Janeiro
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
24 Janeiro
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
31 Janeiro
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
7 Fevereiro
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
14 Fevereiro
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira).
21 Fevereiro
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo.
28 Fevereiro
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
7 Março
balanço
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Alexandre O'Neill
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Os Mal Comportados
Cesariny
Rimbaud
Mário Henrique Leiria
Luiz Pacheco
Henry Miller
Sylvia Plath
Antonin Artaud
Hunter S. Thompson
Bukowski
Boris Vian
Dorothy Parker
William Burroughs
Samuel Beckett
José Gomes Ferreira
Almada Negreiros
Alexandre O'Neill
Jack Kerouac
Oscar Wilde
Jonh Fante
Pier Paolo Pasolini
Marquês de Sade
Mallarmé
Anais Nin
Dinis Machado
Harold Pinter
Machado de Assis
Irvine Welsh
Dostoievski
Brecht
Tony O'Neill
Lydia Lynch
Cortázar
Kurt Vonnegut
Flannery O'Connor
Verlaine
Byron
Shakespeare
Allen Ginsberg
Simone de Beauvoir
J. L. Borges
Edgar Allan Poe
Jack London
Ary dos Santos
J. P. Sartre
Camus
Vitor Sanches
Gorki
Gogol
António Gancho
Herberto Helder
Niccolò Ammaniti
Dante
Rulfo
Mishima
George Orwell
Majakovsky
Jean Genet
Conde de Lautréamont
Rimbaud
Mário Henrique Leiria
Luiz Pacheco
Henry Miller
Sylvia Plath
Antonin Artaud
Hunter S. Thompson
Bukowski
Boris Vian
Dorothy Parker
William Burroughs
Samuel Beckett
José Gomes Ferreira
Almada Negreiros
Alexandre O'Neill
Jack Kerouac
Oscar Wilde
Jonh Fante
Pier Paolo Pasolini
Marquês de Sade
Mallarmé
Anais Nin
Dinis Machado
Harold Pinter
Machado de Assis
Irvine Welsh
Dostoievski
Brecht
Tony O'Neill
Lydia Lynch
Cortázar
Kurt Vonnegut
Flannery O'Connor
Verlaine
Byron
Shakespeare
Allen Ginsberg
Simone de Beauvoir
J. L. Borges
Edgar Allan Poe
Jack London
Ary dos Santos
J. P. Sartre
Camus
Vitor Sanches
Gorki
Gogol
António Gancho
Herberto Helder
Niccolò Ammaniti
Dante
Rulfo
Mishima
George Orwell
Majakovsky
Jean Genet
Conde de Lautréamont
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Luiz Pacheco na Revista K - é imperativo ler!
"Luiz Pacheco, escritor, sofre de asma brônquica. Calvície precoce. Fractura do úmero devido a tentativa de suicídio na Av. De Berna. Queda de dentes natural quase total. Efizema pulmonar bilateral diagnosticado em 1958, obrigado a uso permanente de botija de oxigénio, à noite e ao levantar. Hérnias inquinais não operadas com uso de funda dupla. Hipersensibilidade ao álcool, o que o conduziu a uma fraudulenta fama de alcoólico incorrigível.
Tratamento de desintoxicação no Centro António Flores, ambulatório e dois internamentos. Miopia e astigmatismo, quase cegueira. Bissexual assumido. Leve surdez do ouvido esquerdo. Andropausa total. Três mulheres reconhecidas. Três estadias no Limoeiro: 1957, 1959, 1968. Duas estadias na cadeia das Caldas da Rainha: 1967, 1968. Prisões ocasionais e breves em esquadras da polícia. Autor, entre outros títulos, de: Literatura Comestível. O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor. Exercícios de Estilo. Comunidade."
Tudo aqui.
Tratamento de desintoxicação no Centro António Flores, ambulatório e dois internamentos. Miopia e astigmatismo, quase cegueira. Bissexual assumido. Leve surdez do ouvido esquerdo. Andropausa total. Três mulheres reconhecidas. Três estadias no Limoeiro: 1957, 1959, 1968. Duas estadias na cadeia das Caldas da Rainha: 1967, 1968. Prisões ocasionais e breves em esquadras da polícia. Autor, entre outros títulos, de: Literatura Comestível. O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor. Exercícios de Estilo. Comunidade."
Tudo aqui.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a Snob e o...