Caros todos, terei decerto quando chegar a Lisboa tempo para vos falar mais destas minhas viagens livrescas na grande Buenos Aires. Mas posso dizer-vos desde já que esta é uma cidade para leitores e escritores. E não porque os guias turísticos o dizem (e dizem muito bem!). É porque há gente a ler em todos os cafés. E há cafés, muitos, lindos. Porque todos falam dos seus escritores. Porque há muitos escritores. Porque apetece escrever. Porque há livrarias em todo o lado. Na avenida Corrientes são mais de 100. E não são grandes livrarias, são livrarias que escolhem o que querem vender. Há livros para crianças. Para viagens. Sobre Buenos Aires. Sobre Borges. De Borges. De Puig. De Sábato. De Cortázar. De Pablo Ramos. De Arlt. De Ocampo. De tantas mulheres. De outros escritores que conheci aqui pela doce mão de professoras de literatura que encontrei. De amigos novos.
Estou encantada com esta cidade e não quero ir embora. Quero ler mais. Ficar aqui a ler mais. Esta é uma cidade do caraças...
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
sexta-feira, 6 de maio de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Os amores da minha vida, no Dia Mundial do Livro
(Texto de Rosemary Urquico, encontrado no blogue de Cynthia Grow. Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril. Retirado daqui.)
"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos. Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas. Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.Oferece-lhe outra chávena de café com leite. Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua. Ela tem de arriscar, de alguma maneira. Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois. Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê. Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."
"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos. Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas. Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.Oferece-lhe outra chávena de café com leite. Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua. Ela tem de arriscar, de alguma maneira. Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois. Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê. Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."
terça-feira, 12 de abril de 2011
um até já pela Trama
A Trama vai fechar. E é triste triste triste. Pela ideia que era a melhor do mundo. Era vender livros em bom. Era saber vendê-los, conhecê-los pelo nome próprio. Era a Catarina e o Ricardo. Era os todos bons momentos. Todos sempre bons. As tertúlias, o Clube do Livro, as Cidades Invisíveis, os cursos de Literatura. Enfim, foi o guito. O sacana do guito. Sempre o sacana do guito. Mas como dizem os nossos miúdos foi um belo erro. Que os belos erros nos corroam os espíritos, sempre. Quando for grande quero ser como eles e errar assim e assim espalhar-me ao comprido também. Seria de certeza uma pessoa muito melhor.
Aqui o texto dos traminhas:
Aqui o texto dos traminhas:
"Exmos. Senhores
A Trama Livraria, Lda. entrou em insolvência há escassos dias. Durante os próximos tempos entrará numa espécie de período de "liquidação" que tem por objectivo escoar todos os livros que foram adquiridos (em segunda mão, maioritariamente) ao longo de mais ou menos três anos de trabalho.
Suponho que o nosso encerramento seja uma surpresa para muitos - sobretudo para aqueles que não têm aparecido mas, para dizer a verdade, estava na cara.
Como todos sabemos, nenhum negócio vive de amigos, primos, vizinhos ou entusiastas. Um negócio, qualquer que ele seja, precisa de clientes para poder cumprir com um sem fim de obrigações que passam pela renda, pelos impostos, pelas contas (água, luz, net, telefone, essas coisas) e, com sorte (não a nossa, convenhamos), pelos ordenados.
Como podem ver não fomos bem sucedidos - isto se acreditarmos nesse conceito misterioso chamado "sucesso". A meu ver - e se nos seguem há tempo suficiente bem sabem que aquilo que acho serve de pouco ou nada - fomos muito, muito bem sucedidos. Falhou o guito. Falharam várias coisas, todas passando pelo guito.
Durante três anos fizemos tudo quanto podia ser feito - concertos, leituras, conversas, edição de dois livros, teatro, festarolas, cinema, actividades infantis e sabe-se lá mais o quê. Todas estas coisas foram feitas, essencialmente, por acreditarmos que eram necessárias, pese embora nunca tenham sido lucrativas. Mas que se lixe, não estávamos nisto pelo lucro e, imaginem, nem sequer somos de esquerda. O objectivo sempre foi o mesmo, desde essa tarde de 2007 em que concebemos a Trama, até há uns meses atrás: fazer aquilo de que gostávamos e em que tínhamos alguma experiência, continuar a aprender e... partilhar. Fúria juvenil, ímpeto irracional, inexperiência, falta de jeito para o negócio, chamem-lhe o que quiserem.
Não queremos que lamentem, que tenham pena, que nos consolem. Não estamos arrependidos e, creio, fazíamos tudo outra vez. Talvez agora soubéssemos uma ou duas coisas que tornariam este desfecho diferente... mas a verdade é que se as tivéssemos sabido há mais tempo, a Trama, como a conhecem, nunca teria existido.
Um erro, sim
mas belo
belo
belo
belo
Não queremos que se sintam culpados. Mas se se sentirem também não faz mal.
A Trama Livraria, Lda. entrou em insolvência há escassos dias. Durante os próximos tempos entrará numa espécie de período de "liquidação" que tem por objectivo escoar todos os livros que foram adquiridos (em segunda mão, maioritariamente) ao longo de mais ou menos três anos de trabalho.
Suponho que o nosso encerramento seja uma surpresa para muitos - sobretudo para aqueles que não têm aparecido mas, para dizer a verdade, estava na cara.
Como todos sabemos, nenhum negócio vive de amigos, primos, vizinhos ou entusiastas. Um negócio, qualquer que ele seja, precisa de clientes para poder cumprir com um sem fim de obrigações que passam pela renda, pelos impostos, pelas contas (água, luz, net, telefone, essas coisas) e, com sorte (não a nossa, convenhamos), pelos ordenados.
Como podem ver não fomos bem sucedidos - isto se acreditarmos nesse conceito misterioso chamado "sucesso". A meu ver - e se nos seguem há tempo suficiente bem sabem que aquilo que acho serve de pouco ou nada - fomos muito, muito bem sucedidos. Falhou o guito. Falharam várias coisas, todas passando pelo guito.
Durante três anos fizemos tudo quanto podia ser feito - concertos, leituras, conversas, edição de dois livros, teatro, festarolas, cinema, actividades infantis e sabe-se lá mais o quê. Todas estas coisas foram feitas, essencialmente, por acreditarmos que eram necessárias, pese embora nunca tenham sido lucrativas. Mas que se lixe, não estávamos nisto pelo lucro e, imaginem, nem sequer somos de esquerda. O objectivo sempre foi o mesmo, desde essa tarde de 2007 em que concebemos a Trama, até há uns meses atrás: fazer aquilo de que gostávamos e em que tínhamos alguma experiência, continuar a aprender e... partilhar. Fúria juvenil, ímpeto irracional, inexperiência, falta de jeito para o negócio, chamem-lhe o que quiserem.
Não queremos que lamentem, que tenham pena, que nos consolem. Não estamos arrependidos e, creio, fazíamos tudo outra vez. Talvez agora soubéssemos uma ou duas coisas que tornariam este desfecho diferente... mas a verdade é que se as tivéssemos sabido há mais tempo, a Trama, como a conhecem, nunca teria existido.
Um erro, sim
mas belo
belo
belo
belo
Não queremos que se sintam culpados. Mas se se sentirem também não faz mal.
Até já"
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Curso de Literatura Portuguesa séc. XX, desta vez na Galeria Paula Cabral, ao Príncipe Real
3ªfeiras (19h - 20h30) - Príncipe Real
de 17 de Maio a 5 de Julho
Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentado dar uma visão alargada do que se passou por cá no séc. XX.
PROGRAMA
1ª sessão
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
2ª sessão
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
3ª sessão
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
4ª sessão
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos
(Luiz Pacheco)
5ª sessão
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de
Oliveira)
6ª sessão
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo
7ª sessão
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
8ª sessão
balanço
65€
Este curso pretende debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista focando os principais movimentos e alguns autores. É um curso que se direcciona sobretudo a quem não é da área dos livros (ainda que todos os outros sejam bem vindos), tentado dar uma visão alargada do que se passou por cá no séc. XX.
PROGRAMA
1ª sessão
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
2ª sessão
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
3ª sessão
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
4ª sessão
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos
(Luiz Pacheco)
5ª sessão
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de
Oliveira)
6ª sessão
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo
7ª sessão
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
8ª sessão
balanço
65€
Formadora
Rosa Azevedo nasceu em 1982 em Lisboa. Terminou em 2004 a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, maior em variante de estudos de portugueses e franceses e minor em Literaturas do Mundo, e em 2008 o mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura.
www.estoriascomlivros.blog spot.com
Inscrições em rosa.b.azev@gmail.com
Rosa Azevedo nasceu em 1982 em Lisboa. Terminou em 2004 a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, maior em variante de estudos de portugueses e franceses e minor em Literaturas do Mundo, e em 2008 o mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura.
www.estoriascomlivros.blog
Inscrições em rosa.b.azev@gmail.com
Galeria Paula Cabral
Rua do Século, 169 - 171 (ao Príncipe Real)
Lisboa, Portugal
Blog Histórias Daninhas
Precisamos de blogs assim. Este é para acompanhar. Em bom!
"Bem-vindo ao Histórias Daninhas.
"Bem-vindo ao Histórias Daninhas.
Nascido de um afecto comum pelas palavras e suas transfigurações na alquimia do texto, este é um site de histórias curtas a quatro mãos e vinte dedos.
A ficção que aqui cultivamos quer-se livre e esvoaçante. O limite de 200 palavras, fronteira única imposta à criação, pretende abrir e não constranger; agasalhar, não espartilhar.
Duas vezes por semana, em dias diferentes, numa cadência com aspirações a hábito, daremos à vida uma narrativa. São elas as nossas únicas amantes, mulheres daninhas que se insinuam nos interstícios dos dias, musas do desassossego que nos roubam a paz, mas nos encantam o espírito. E talvez mais tarde surjam leques, vestidos e echarpes, mas mesmo que outras artes as figurem e vistam serão sempre as histórias a paixão central do movimento.
Se na brevidade de um café ou na longa espera do trânsito se sentir invadido pelas nossas palavras, se a sua leitura adquirir a leveza de um gesto, ficaremos contentes.
Muito obrigado pela visita.
João Rui Afonso e Guilherme José Pires"
A ficção que aqui cultivamos quer-se livre e esvoaçante. O limite de 200 palavras, fronteira única imposta à criação, pretende abrir e não constranger; agasalhar, não espartilhar.
Duas vezes por semana, em dias diferentes, numa cadência com aspirações a hábito, daremos à vida uma narrativa. São elas as nossas únicas amantes, mulheres daninhas que se insinuam nos interstícios dos dias, musas do desassossego que nos roubam a paz, mas nos encantam o espírito. E talvez mais tarde surjam leques, vestidos e echarpes, mas mesmo que outras artes as figurem e vistam serão sempre as histórias a paixão central do movimento.
Se na brevidade de um café ou na longa espera do trânsito se sentir invadido pelas nossas palavras, se a sua leitura adquirir a leveza de um gesto, ficaremos contentes.
Muito obrigado pela visita.
João Rui Afonso e Guilherme José Pires"
quinta-feira, 31 de março de 2011
Festival Literário da Madeira

Já está quase! Estou encantada com este festival. Tem feito parte das minhas conversas sobre livros (e relembro aqui mais uma vez o Encontro Livreiro do último domingo) que faz falta mudar as linhas com que se fala de livros. Nos festivais, nos cursos, nas conferências. Tenho os alunos dos meus cursos de literatura sedentos de novidade, de tons diferentes, arrojados. E com eles tantos outros. Tratar os livros por tu, como já aqui disse. E este festival faz isso. Este fim de semana são estas as mesas que vão acontecer:
Mesa 1 — Os escritores que fogem da fama
Alguns escritores, como J. D. Salinger ou o nosso Herberto Hélder, consideram que deve ser a sua obra a falar por eles. Virando as costas aos holofotes da fama, vivem no anonimato possível. Não concedem entrevistas, recusam prémios. Será legítimo?
Mesa 2 — Os escritores malditos
Malditos ou amaldiçoados, houve livros e autores que mudaram e atormentaram as vidas dos leitores. Lautréamont, Sade ou mesmo o nosso Pessoa, também eles foram considerados malditos. Será justo falar-se de maldição na literatura?
Mesa 3 — Os escritores inconstantes
Alguns escritores são profícuos, deixando dezenas de obras para a posteridade; outros, como Rimbaud, escreveram muito pouco e ficaram imortalizados na literatura. Haverá uma periodicidade mínima para se ser escritor?
Mesa 4 — Os escritores esquecidos
Quantos génios esquecidos sustentam a História da Literatura? Quantos, com grande êxito no seu tempo, estão hoje arredados das estantes das livrarias? Invoquemos os génios esquecidos a partir de uma escolha pessoal dos intervenientes.
Mesa 5 — Os escritores maltratados
Escritores sem reconhecimento em vida, outros que tiveram as suas mensagens deturpadas ou mal interpretadas. Outros para a quem a vida foi agreste, vivendo da caridade e solidariedade alheias.
E o que me encanta ainda mais é que só é disto que eles vão falar. Vai ser bom viver na Madeira este fim de semana.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Novo curso de Literatura Portuguesa Contemporânea
Estou a fazer um novo curso de Literatura Portuguesa desta vez contemporânea, dos anos 80 até hoje. Estou aqui a "sondar" pessoas giras para saber do que / de quem devo falar. Queria que fosse um curso com uma dupla vertente, falar de autores e de temas polémicos e não polémicos à volta da leitura contemporânea (ex. e-book, explosão do mercado editorial, quem edita e porquê, e muitos outros). Fico à espera das vossas propostas, sugestões e tudo e tudo!
O que dizer do nosso Encontro
Tenho pensado muito no nosso Encontro Livreiro, em Setúbal, na Livraia Culsete. Foi importante a tantos níveis e em tantos sítios do coração. Ouvir o Livreiro Velho, o Manuel Medeiros, foi bom bom bom e tenho algumas frases dele ainda a ecoar na memória. "Temos de deixar de pintar folhas verdes e começar a regar as raízes". Em época de turbulência política onde a revolução parece urgente e essencial creio que o meu papel (e o dos nossos amigos dos livros, que correram a Setúbal) é muito mais ajudar a uma revolução interior, cultural, que nos direccione a caminho de um conhecimento maior de nós. É isso que os livros fazem, como se concluiu (entre muitas outras coisas) neste Encontro. Que temos de ler, porque é urgente sair das rotinas que o corpo faz sozinho, sem nós, que adormecem o espírito crítico, o discernimento pessoal. Os livros ajudam-nos a escolher quem queremos ser e com isso dão-nos liberdade.
No encontro foi isso que o livreiro velho e todos os outros disseram num ou noutro tom. Que ler é bom, que não é bom ler todos os livros (neste ponto alguns discordaram). Que é bom falarmos uns com os outros com um copo de moscatel. Que temos de saber quem somos porque temos coisas a dizer, muitas coisas. E saímos todos de lá com vontade de ficar, porque ficou um mundo de histórias para contar.
Um bem haja a quem "nos" inventou, Encontro Livreiro. E a quem esteve e a quem se deixou revolucionar, mais um pouco.
No encontro foi isso que o livreiro velho e todos os outros disseram num ou noutro tom. Que ler é bom, que não é bom ler todos os livros (neste ponto alguns discordaram). Que é bom falarmos uns com os outros com um copo de moscatel. Que temos de saber quem somos porque temos coisas a dizer, muitas coisas. E saímos todos de lá com vontade de ficar, porque ficou um mundo de histórias para contar.
Um bem haja a quem "nos" inventou, Encontro Livreiro. E a quem esteve e a quem se deixou revolucionar, mais um pouco.
segunda-feira, 28 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Abriu nova Assírio e Alvim. Levanta-se mais uma bandeira pelas pequenas livrarias.
Foi um sopro. Uma sala pequenina dentro de uma garagem, e chama-se Livraria do Armazém. Foi anunciado aqui. Delicioso claro, quem gosta de livros gosta deles em garagens, armazéns, mesas de pau, etc. É também um pouco a marca da Assírio e Alvim. Fica na Travessa do Calado, 26-b, 1170-070 Lisboa. Tem o mesmo código postal que eu e é só subir a rua. Este bairro já me está no coração mas livros tinha poucos, só a outra Assirio-mãe, relativamente perto. Mas não ali, à mão, no bairro. Tento sempre levar a bandeira das livrarias pequenas mas está cada vez mais difícil. São cada vez menos. Deixaram de ter novidades, as editoras e distribuidoras cada vez pensam menos em soluções para poderem valorizar e apoiar pequenas livrarias. É o monstro-mercado-editorial a tomar conta de tudo. Mas há resistentes. Muitos deles juntam-se no Encontro Livreiro este Domingo. É uma resistência importante e real, que merecia manifestações de 300 mil pessoas na rua, a pensar e a discutir a importância do livro e em consequência a importância dos livreiros que nos ajudam a escolher, que nos acompanham a pensar os livros. Porque é importante pensar os livros. Os livros são um espelho "nosso" e são por isso matéria a tratar com carinho e alguma veneração, não são carne ou batatas como ouvi algumas pessoas referir quando se discutia a arte de vender livros. Podíamos estar (e estaremos em breve) muitas horas a pensar nisto que são os livros e o valor que eles têm no que nós somos. Aqui não há para já esse espaço (haverá...). Mais do que mudar aquilo que somos os livros são a imagem do que somos, em cada cultura global ou local.
Vá lá, vamos unir-nos contra o fim das pequenas livrarias e dos bons livreiros. Bem haja, Assírio e Alvim, que venham muitas mais.
Vá lá, vamos unir-nos contra o fim das pequenas livrarias e dos bons livreiros. Bem haja, Assírio e Alvim, que venham muitas mais.
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Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a Snob e o...
