sexta-feira, 24 de maio de 2013

man booker prize 2013



a fantástica Lydia Davis recebeu o Man Booker Prize 2013, um prémio que distingue escritores de todo o mundo, que estejam vivos e com obra em inglês, traduzida ou original.
eu tenho um fraquinho por escritores que conseguem em poucas palavras dizer livros inteiros. e isto é a Lydia Davis e as suas micronarrativas. há tradução portuguesa, na Relógio d'Água mas já é muito fácil encontrar o original. foi a primeira autora que li na primeira vez que trabalhei em edição.
gosto de ver prémios bem entregues.

aqui a notícia do Público.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

surrealisticar

andei desfocada mas agora é mesmo a sério, já chega de andar aí aos trambolhões.
vou dedicar-me ao surrealismo. tenho de desenhar o curso e não tenho muuuuuito tempo entre estrutura e leituras. por isso aceitam-se sugestões e ajudas, sobretudo para leituras (que na estrutura não sou muito democrática, só qb. já ler, leio tudo). o curso é de surrealismo português mas terá uma primeira parte sobre influências e origem. surrealistiquemos em conjunto, mandem-me os vossos autores e livros. e preparem-se que já conheço este funcionamento pré-curso - tudo vai ser surrealista nestes meus dias.









quarta-feira, 15 de maio de 2013

recebi hoje um e-mail

do Creative Events. e começava assim:

"Tomo a liberdade de informar um serviço inovador que a Creative Evevents lança em Portugal, para ajudar a não sabermos noticias que uma idosa foi encontrado morta em sua casa passado 6 meses."

primeiro informa o serviço, não vá o serviço não estar informado. depois caramba! ajudem-me lá a não "saber" notícias destas! longe de mim.
podiam pelo menos, no mínimo, quanto mais não fosse, acertar no nome da própria empresa. pérolas. pérolas logo de manhã. 


sábado, 4 de maio de 2013

surrealistiquemos

o meu curso de literatura portuguesa contemporânea não deve abrir. sempre me foi angustiante depender de pessoas para levar os meus projectos avante, sejam colegas de trabalho ou público ou inscrições, neste caso. tenho dificuldade em separar o que será a falta de interesse de fora de alguma falha minha. para além disso o meu compromisso emocional com esta literatura tem sofridos golpes duros o que me fez então pensar que se calhar estava só no caminho errado, o que quer que isso queira dizer. como todo o trabalho que faço depende em absoluto da minha vontade deixei-me a pensar umas semanas sobre este novo caminho. e tudo fez muito sentido. o surrealismo sempre foi a aula mais divertida e dinâmica e curiosa do meu anterior curso. o dia surrealista feito há dois anos na RDA encheu-nos a todos as medidas. e nos autores surrealistas temos os mais bonitos, fortes, pulsantes e significantes textos do século que passou. são textos com unhas afiadas e sangue.
por isso hoje sentei-me aqui e recolhi todas as entrevistas, textos, livros e notas que tinha sobre o surrealismo e são centenas de páginas. e pensei: está feito. e sei que sobre este "está feito" terão de passar tardes e tardes de leituras e trabalho. e passarão. mas o novo curso está já todo desenhado em frente dos meus olhos. e num caderno aqui à minha frente.
(!!!) agora é só desenhar um prazo (!!!)





terça-feira, 23 de abril de 2013

dia mundial do livro

estes dias deveriam ser de celebração e de festa. a postura perante cenários apocalípticos para os livros tem aliás sido essa, e sem grande esforço, porque há sempre um lado nos livros mais presente e preponderante que as análises economicistas da presente conjuntura. no entanto há situações que têm de ser denunciadas e faladas à exaustão, mesmo que estejam espalhadas por todo o lado e tidas como "naturais" e "expectáveis" "face à crise".
em primeiro lugar vou-me repetir e dizer que os livros não são meros objectos de distracção, não servem como acompanhamento de momentos de pausa e de descontracção. hoje não me está a apetecer ser politicamente correcta (porque mais ninguém o tem sido no ataque aos apoios à cultura e nomeadamente aos apoios ao negócio dos livros) e portanto quero lá saber do "também pode ser para descontrair e sei lá mais o quê". vou saltar essa parte olimpicamente.
os livros fazem parte em absoluto da forma de moldar o nosso pensamento. cada livro que lemos ensina-nos um mundo de coisas, quer seja por vontade explícita do texto, quer seja por identificação com o que lemos, uma vez que cada livro tem um autor e cada autor uma vivência e um ponto de vista. não acredito na leitura como um valor em si próprio porque a leitura ensina a molda-nos o pensamento, logo, nem todas as leituras são positivas por si só.
a cultura faz parte de um modo de vida saudável e inteligente - a inteligência torna-nos mais conscientes, logo, capazes de agir em consciência, assenta-nos nos carris e torna-nos mais confiantes nas nossas escolhas e na validade do nosso quotidiano. é cretino e nada inteligente pensarmos que um estado não apoia a cultura porque o dinheiro que lhe seria devido faz mais falta em outros tipos de apoios. os apoios são todos necessários e não se substituem uns aos outros. o crime não está em querermos ter livros e teatros e cinema (que sim, tem muito público, não sabe quem não vai e se baseia em preconceitos simplistas). o erro não está em termos cortes na cultura ou livrarias a fechar porque não há poder de compra e os livros não são bens de primeira necessidade. o crime está em acharmos que isso não é grave - que não é grave termos livrarias a fechar por causa das novas leis do arrendamento. que não é grave termos um cinema reconhecido mundialmente que está parado em absoluto. termos cadeias livreiras que não respeitam a lei do preço fixo e que podem não o fazer, prejudicando o comércio tradicional. o que é grave, e já não é a primeira vez que o digo, é que se ache que tem de ser assim e que a cultura deve ser auto-suficiente. então daqui a pouco também achamos que quem quer estudar tem de pagar por isso, ou quem quer ter um sistema nacional de saúde eficaz tem de pagar por isso. a cultura meus caros, não é um bem menor. um país informado, culto, consciente, íntegro é um país com um poder incalculável. se calhar o problema é mesmo esse.

hoje é o dia mundial do livro e está marcado pelo cancelamento da feira do livro do porto, pelo fecho de duas gigantes livrarias históricas em lisboa e pelo eminente fecho de outras livrarias um pouco por todo o país. a indiferença face a isto a que assistimos por todo o lado faz-me ficar triste de viver num país que valoriza tão pouco a sua cultura, desvalorizando as suas livrarias. podemos ser um país esmagado por tiranias e que ainda assim resiste é verdade. mas assistirmos a este esmagamento da nossa história cultural de braços cruzados é, a meu ver, vergonhoso e inglório. andamos tão revoltados com o estado do país e depois há situações gravíssimas, menos "generalistas" e "óbvias" que escapam à atenção da grande maioria das pessoas.
não estou a ser muito simpática nem consensual eu sei, mas desta vez, neste dia mundial do livro, apeteceu-me em vez de me unir aos meus amigos livreiros e gentes dos livros a quem esta situação preocupa diariamente, lançar alguma água fria para cima do cinismo anti-cultura que se está a levantar em cada canto. estamos numa época perigosa. e não podemos acreditar que os inimigos são apenas os outros. temos estar atentos para que não nos encham de negativismo e desânimo e, pior que tudo, indiferença. e não podemos nunca deixar de lançar água fria a quem opta por esse caminho de forma sempre tão displicente.  eles são a rapariga da porta ao lado e essa porta está demasiado ao nosso lado para nos ser indiferente.

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...