Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
domingo, 21 de julho de 2013
o dia em que se falou do fecho da Sá da Costa
hoje foi o dia de irmos à sá da costa, que vai fechar. as largas dezenas de pessoas impediam-nos de ouvir com clareza o que se discutia. mas era claro que a "reunião" não era apenas um espaço de lamúrias mas uma tentativa de arranjar soluções para que a livraria não tenha de fechar.
hoje, sendo o dia de pensar a sá da costa, foi também o dia de pensar as livrarias.
as livrarias são um negócio. e como qualquer negócio que fecha, várias são as condicionantes que levam a este desfecho. apesar do amor que criamos aos livros não o criamos da mesma forma com todas as livrarias. começo já por dizer que aquilo que me atrai a uma livraria não é, de todo, a "simpatia" das pessoas (argumento para muito boa gente frequentar ou não as livrarias). os "meus" livreiros não são fontes de simpatia. são pessoas que me deixam confortável naquele espaço. a Trama, a Pó dos Livros ou a Culsete são casas onde me habituei a viver e trabalhar. costumamos dizer que os livros não são mercearias mas podemos sofrer tanto com o fecho de uma livraria como da mercearia onde costumávamos gastar a mesada e onde o merceeiro era pai do amigo da escola primária e onde passávamos as tardes. é aqui que as livrarias têm de ser competitivas. encontrar o espaço que os clientes procuram. porque não basta os clientes quererem livros - têm de se sentir confortáveis no espaço.
mas nunca será suficiente. é o mais angustiante em todo este panorama. a questão que se colocava hoje numa conversa sobre este assunto era que seriam o "eles" que nos fecharam a sá da costa, de acordo com o cartaz. ou que fecharam qualquer uma das outras livrarias. os "eles" somos nós todos, em primeiro lugar - quem não comprou lá, quem preferiu comprar livros noutros locais. depois são estes novos grupos editoriais com opções que não valorizam nem apoiam as pequenas livrarias, deixando-as na cauda da distribuição e das boas margens ou abolindo-as em absoluto. e depois desta tão falada crise, de impostos duríssimos, de novas leis das rendas, do tirar poder de compra a quem antes ainda tinha nos livros um objecto de compra quotidiano.
é preciso perceber aqui o que podemos fazer. nós todos podemos apoiar pequenas livrarias, comprar lá os livros em vez de os comprar em outros locais. e volto a frisar, porque nada disto é novo a quem me conhece, que as grandes superfícies e fnacs e bertrands também têm muitos e bons livreiros, não está aí a falha destes espaços comerciais. a venda dos livros em nada os favorece a eles e sim uma lógica empresarial assassina para a qualidade literária dos livros e por isso essas livrarias têm de ser retiradas do nosso horizonte.
não apoio em tudo os textos que correm por aí sobre os fechos progressivos das livrarias. temos de ser realistas e perceber o que aqui deve ser criticado, alterado e em que é que a nossa atitude pode mudar este panorama. mas um aspecto é incontornável. não há cidade sem livrarias. os livros são os objectos culturais físicos e insubstituíveis e infelizmente neste país cada vez mais há cidades e regiões inteiras sem uma única livraria. e em nada compensa nessas cidades essa falha. e eu que vivo e trabalho no Chiado tenho dificuldade em encontrar o meu espaço de conforto. perfiro atravessar a cidade e ir à Pó dos Livros ou até ir a Setúbal e ter a sensação incrível de que a Culsete é um espaço de pertença como se sempre os tivesse conhecido e não apenas em 2011. tenho a Letra Livre ao lado de casa, mas pouco mais. tenho a A das Artes que nunca conheci pessoalmente mas que acompanho diariamente com admiração.
não consegui o manifesto vou buscá-lo na semana que vem e voltarei então a falar do dia de hoje. hoje fico com a sensação de tristeza pelo fecho da livraria e algum calor ao lembrar como foi bom subir a calçada do combro sozinha para lá chegar e saber que lá encontraria dezenas de amigos. estamos todos num mesmo barco. temos é de saber o que fazer para que ele não se afunde mais. é deixarmo-nos de lamúrias e começarmos a pensar em soluções. o Encontro Livreiro tem exactamente esse objectivo e cada ano que passa faz mais sentido.
hoje, sendo o dia de pensar a sá da costa, foi também o dia de pensar as livrarias.
as livrarias são um negócio. e como qualquer negócio que fecha, várias são as condicionantes que levam a este desfecho. apesar do amor que criamos aos livros não o criamos da mesma forma com todas as livrarias. começo já por dizer que aquilo que me atrai a uma livraria não é, de todo, a "simpatia" das pessoas (argumento para muito boa gente frequentar ou não as livrarias). os "meus" livreiros não são fontes de simpatia. são pessoas que me deixam confortável naquele espaço. a Trama, a Pó dos Livros ou a Culsete são casas onde me habituei a viver e trabalhar. costumamos dizer que os livros não são mercearias mas podemos sofrer tanto com o fecho de uma livraria como da mercearia onde costumávamos gastar a mesada e onde o merceeiro era pai do amigo da escola primária e onde passávamos as tardes. é aqui que as livrarias têm de ser competitivas. encontrar o espaço que os clientes procuram. porque não basta os clientes quererem livros - têm de se sentir confortáveis no espaço.
mas nunca será suficiente. é o mais angustiante em todo este panorama. a questão que se colocava hoje numa conversa sobre este assunto era que seriam o "eles" que nos fecharam a sá da costa, de acordo com o cartaz. ou que fecharam qualquer uma das outras livrarias. os "eles" somos nós todos, em primeiro lugar - quem não comprou lá, quem preferiu comprar livros noutros locais. depois são estes novos grupos editoriais com opções que não valorizam nem apoiam as pequenas livrarias, deixando-as na cauda da distribuição e das boas margens ou abolindo-as em absoluto. e depois desta tão falada crise, de impostos duríssimos, de novas leis das rendas, do tirar poder de compra a quem antes ainda tinha nos livros um objecto de compra quotidiano.
é preciso perceber aqui o que podemos fazer. nós todos podemos apoiar pequenas livrarias, comprar lá os livros em vez de os comprar em outros locais. e volto a frisar, porque nada disto é novo a quem me conhece, que as grandes superfícies e fnacs e bertrands também têm muitos e bons livreiros, não está aí a falha destes espaços comerciais. a venda dos livros em nada os favorece a eles e sim uma lógica empresarial assassina para a qualidade literária dos livros e por isso essas livrarias têm de ser retiradas do nosso horizonte.
não apoio em tudo os textos que correm por aí sobre os fechos progressivos das livrarias. temos de ser realistas e perceber o que aqui deve ser criticado, alterado e em que é que a nossa atitude pode mudar este panorama. mas um aspecto é incontornável. não há cidade sem livrarias. os livros são os objectos culturais físicos e insubstituíveis e infelizmente neste país cada vez mais há cidades e regiões inteiras sem uma única livraria. e em nada compensa nessas cidades essa falha. e eu que vivo e trabalho no Chiado tenho dificuldade em encontrar o meu espaço de conforto. perfiro atravessar a cidade e ir à Pó dos Livros ou até ir a Setúbal e ter a sensação incrível de que a Culsete é um espaço de pertença como se sempre os tivesse conhecido e não apenas em 2011. tenho a Letra Livre ao lado de casa, mas pouco mais. tenho a A das Artes que nunca conheci pessoalmente mas que acompanho diariamente com admiração.
não consegui o manifesto vou buscá-lo na semana que vem e voltarei então a falar do dia de hoje. hoje fico com a sensação de tristeza pelo fecho da livraria e algum calor ao lembrar como foi bom subir a calçada do combro sozinha para lá chegar e saber que lá encontraria dezenas de amigos. estamos todos num mesmo barco. temos é de saber o que fazer para que ele não se afunde mais. é deixarmo-nos de lamúrias e começarmos a pensar em soluções. o Encontro Livreiro tem exactamente esse objectivo e cada ano que passa faz mais sentido.
sábado, 13 de julho de 2013
cá está o meu mais novo
A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas (António Maria Lisboa)
Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir.
terça-feira, 9 de julho de 2013
a querida Culsete faz 40 anos e vamos comemorar em grande. eu estou lá dia 13.
vou levar os meus surrealistas a setúbal, ao passeio em frente à Culsete. uma conversa informal e alguns textos. escolhi os que se lêem sozinhos. estejam lá para saber o que isso quer dizer. é já no sábado (espreitem o programa, em baixo). mas vejam o resto do programa, é um privilégio estar entre gente desta.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
vamos ser surrealistas em setúbal?
ontem ligou-me a fátima, a minha querida livreira e amiga da culsete. apanhou-me num momento confuso no trabalho para me fazer uma proposta. tenho a sensação clara que lhe disse que sim antes de perceber o que me pedia. para além de ser incapaz de dizer que não aos meus dois livreiros sabia que ia ser um desafio do melhor que há. não vos vou ainda revelar nada, só dizer que uma noite destas estaremos a ser surrealistas em setúbal. daqui a poucas noites.
por isso hoje estou na baixa luz da minha sala rodeada de livros surrealistas a ler poesia e a magicar ideias. estes são os meus momentos cheios. os surrealistas são do caraças.
e a propósito da greve geral de amanhã deixo-vos um poema do Cesariny e um ponto de encontro, às 15h, no rossio. sem medos, para não continuarmos no bolso de ninguém.
Ora deixai-me dizer
que vejo tudo ao contrário
do que era lícito ver
Ontem encontrei um operário
todo de pernas para o ao
no bolso de um usurário
"Que linda vista para o mar!"
dizia - e dizendo isto
tinha uns olhos de chorar
(...)
Cesariny
por isso hoje estou na baixa luz da minha sala rodeada de livros surrealistas a ler poesia e a magicar ideias. estes são os meus momentos cheios. os surrealistas são do caraças.
e a propósito da greve geral de amanhã deixo-vos um poema do Cesariny e um ponto de encontro, às 15h, no rossio. sem medos, para não continuarmos no bolso de ninguém.
Ora deixai-me dizer
que vejo tudo ao contrário
do que era lícito ver
Ontem encontrei um operário
todo de pernas para o ao
no bolso de um usurário
"Que linda vista para o mar!"
dizia - e dizendo isto
tinha uns olhos de chorar
(...)
Cesariny
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Franzen did it again
vou falar do Correcções a começar pelo fim. pelo momento em que o Chip chega a casa a tempo do pequeno-almoço de Natal em família, o último, segundo a mãe Enid. é o momento mais pacífico e idílico de todo o livro. com a mestria de sempre, Franzen dá-nos a volta com a subtileza da escrita e convence-nos, por uma única vez no livro, que aquela família não está absolutamente condenada ao abismo. só aí. ou a partir daí (é uma segunda leitura, discutível). é disso que nos fala o livro. de uma família absolutamente disfuncional com diversos núcleos. Gary e Caroline aparentam ser, no início do livro, o casal mais estável, com três filhos (não será de todo inocente que dois deles se chamem Caleb e Aaron, como no A Leste do Paraíso do Steinbeck, numa referência, aqui explícita, a Abel e Caim). no entanto é dentro da vida deste casal que Franzen se foca mais detalhadamente, com passagens em tempo real de diálogos e referências, mostrando-nos, sem descrever, a dor profunda que se vive dentro do casal e a forma como os miúdos nunca saberão gerir isso. Denise, a irmã mais nova vai sendo apresentada aos poucos, muito lentamente ao longo das mais de 500 páginas. quanto mais Franzen nos revela Denise mais nos apaixonamos por ela. pela forma de estar livre e de ser convicta, pela forma como não questiona a sua bissexualidade revelada apenas na sua forma de amar e não de viver a própria sexualidade. Chip é o mais disparatado e perdido, por quem o pai, Alfred, chama sempre, mesmo não estando ele em casa. Chip é o que mais surpreende no final, por ser quem realmente fica. fez-me lembrar o meu irmão. Alfred e Enid são os pais, representados entre a dureza e a caricatura, numa espiral tanto de tristeza como de esperança.este é um livro sobre a família. sobre todas as famílias. sobre como as famílias se corrigem indesistivelmente até ao final. do livro e de tudo. como nas famílias as dores se reciclam para serem úteis e renovadoras. este é um grande livro. um livro corajoso para leitores corajosos. Franzen did it again. e não vos falo da correcção final, terão de ler o livro. mas posso dizer desde já que aqui vemos que é a família quem mais nos destrói e ao mesmo tempo a quem recorremos sempre para respirar. para nos corrigirmos. mesmo com o baixo nível de tolerância que todos eles têm uns pelos outros. o amor fraternal de Denise e Chip sempre no limite destrutivo. o amor de Enid ao neto. a vontade de Jonah, o neto, em não trazer tristeza à avó. as conversas de Denise com o pai durante os exercícios. a crueldade de Gary. estamos neste livro no plano mais íntimo desta família. e não são poucas as vezes que nos incomodamos, que nos sentimos a mais, que nos sentimos a invadir o espaço que não nos pertence. e no fim quase nem é difícil largar o livro. porque é no momento que todos eles largam uma amarra qualquer. e aí, sem vos contar o fim vos digo - não é crueldade ou maldade. é aquilo que, na família, nos permite corrigirmo-nos, aprendendo.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
que tipo de leitor queremos ser?
vou falar hoje de uma conversa muito comum por entre as conversas de cafés sobre livros. aquilo que "tem" de se ler. a pressão aumenta se somos pessoa dos livros. ninguém imagina que não tenhamos lido uma lista infinita de livros e ninguém estará verdadeiramente completo sem ter lido o Ulisses ou o Em Busca do Tempo Perdido. não gosto dessa conversa. e, como imaginam, levo com ela todos os dias.
acho que cada um de nós cria uma biblioteca interior. nessa biblioteca vamos criando os nossos mais que tudo. para isso, e para que a nossa biblioteca não se construa em cima de caos (tão fácil ir por aqui) temos de pensar que tipo de leitor queremos ser (em resposta à C.). temos de saber qual é o nosso caminho nem que a escolha desse caminho seja não termos caminho nenhum. acredito que posso ser ao mesmo tempo leitora de franzen e rui nunes. mas sei que quando leio rui nunes ou lispector ou herberto helder há algo que muda irremediavelmente na minha forma de ler. e que durante um momento é difícil acreditar que posso sair dali. mas saio por escolha, porque me sinto incapaz de ser esse tipo de leitora em exclusivo. tenho um fraquinho poderoso por quem é, mas eu não consigo. preciso de ler outros universos. mas quando penso na leitora que quero ser sei que quero ser uma leitora honesta com o escritor. quero que o diálogo que ele mantém comigo seja de alguma forma transparente. quero perceber que estamos a dialogar um com outro. para isso, e como me ensinou o R. o escritor tem também, assim como eu a ler, de ser honesto a escrever. e essa honestidade não tem de vir dele enquanto pessoa mas enquanto escritor. logo, essa honestidade só se pode entender na leitura de um texto ou de um livro. é um processo íntimo e privado. assim, nesta minha definição de leitora cabe um mundo de livros. mas não cabem livros maus. não leio para me distrair. leio para me acrescentar. por isso, se o livro é mau e não cumpre estes meus parâmetros, eu não o leio.
na minha biblioteca interior cabem os meus mais que tudo. não são muitos se bem que o meu universo de leitura seja alargado. cabe o Steinbeck (e tenho de me lembrar deste discurso para não dizer que quem não leu o A Leste de Paraíso nem devia falar de literatura), cabe o António Ramos Rosa, a Lispector, o Rui Nunes, o Boris Vian, o Cesariny, o Herberto Helder, a Rosa Alice Branco, a Rosa Montero, o Cortázar, o Borges, o Franzen, o Afonso Cruz, a Ana Teresa Pereira, o Juan Rulfo, o Ernesto Sampaio, o Miguel Torga, o Alberto Manguel, o David Vann, o Vergílio Ferreira, o Fante, o Gonçalo M. Tavares, o Mário Henrique Leiria, o Luiz Pacheco, a Maria Zambrano.
estes foram verdadeiros escultores do que eu hoje penso. poderia dizer que é inadmissível não os terem lido, voltando ao início deste texto. mas não vou dizer, vou só dizer que se não os lerem vão estar a cometer um erro disparatado. é que são bombas em forma de livros. e há poucas coisas melhores do que ter um livro que nos rebenta na cabeça e nas mãos.
acho que cada um de nós cria uma biblioteca interior. nessa biblioteca vamos criando os nossos mais que tudo. para isso, e para que a nossa biblioteca não se construa em cima de caos (tão fácil ir por aqui) temos de pensar que tipo de leitor queremos ser (em resposta à C.). temos de saber qual é o nosso caminho nem que a escolha desse caminho seja não termos caminho nenhum. acredito que posso ser ao mesmo tempo leitora de franzen e rui nunes. mas sei que quando leio rui nunes ou lispector ou herberto helder há algo que muda irremediavelmente na minha forma de ler. e que durante um momento é difícil acreditar que posso sair dali. mas saio por escolha, porque me sinto incapaz de ser esse tipo de leitora em exclusivo. tenho um fraquinho poderoso por quem é, mas eu não consigo. preciso de ler outros universos. mas quando penso na leitora que quero ser sei que quero ser uma leitora honesta com o escritor. quero que o diálogo que ele mantém comigo seja de alguma forma transparente. quero perceber que estamos a dialogar um com outro. para isso, e como me ensinou o R. o escritor tem também, assim como eu a ler, de ser honesto a escrever. e essa honestidade não tem de vir dele enquanto pessoa mas enquanto escritor. logo, essa honestidade só se pode entender na leitura de um texto ou de um livro. é um processo íntimo e privado. assim, nesta minha definição de leitora cabe um mundo de livros. mas não cabem livros maus. não leio para me distrair. leio para me acrescentar. por isso, se o livro é mau e não cumpre estes meus parâmetros, eu não o leio.
na minha biblioteca interior cabem os meus mais que tudo. não são muitos se bem que o meu universo de leitura seja alargado. cabe o Steinbeck (e tenho de me lembrar deste discurso para não dizer que quem não leu o A Leste de Paraíso nem devia falar de literatura), cabe o António Ramos Rosa, a Lispector, o Rui Nunes, o Boris Vian, o Cesariny, o Herberto Helder, a Rosa Alice Branco, a Rosa Montero, o Cortázar, o Borges, o Franzen, o Afonso Cruz, a Ana Teresa Pereira, o Juan Rulfo, o Ernesto Sampaio, o Miguel Torga, o Alberto Manguel, o David Vann, o Vergílio Ferreira, o Fante, o Gonçalo M. Tavares, o Mário Henrique Leiria, o Luiz Pacheco, a Maria Zambrano.
estes foram verdadeiros escultores do que eu hoje penso. poderia dizer que é inadmissível não os terem lido, voltando ao início deste texto. mas não vou dizer, vou só dizer que se não os lerem vão estar a cometer um erro disparatado. é que são bombas em forma de livros. e há poucas coisas melhores do que ter um livro que nos rebenta na cabeça e nas mãos.
terça-feira, 18 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
help
estou de volta de férias absolutas e claro que, como tantas outras vezes, preciso de vir aqui pensar um bocado o trabalho. não vou voltar a entrar nas antigas ansiedades por isso vou espalhar tudo aqui e esperar as vossas reacções e comentários. fico-vos mui agradecida, já sabem que "finjo" gostar de trabalhar sozinha mas é uma grande treta.
- o boris vian está parado não por falta de vontade mas por medo. medo é a palavra certa. não sei por onde atacar nem o que fazer. sei que vou fazer mas não consigo avançar. estou paralisada. preciso começar a montar o espectáculo e nem sei por onde começar.
- ando a criar o curso surrealista. é o que está a andar mais depressa, mas continuo a aceitar todas as ajudas - inputs, autores, poemas, influências, autores paralelos. está a ficar giro, giro!
- estou a planear uma cena-super-secreta da qual saberão mais tarde do que se trata - preciso para já que me falem de documentários sobre escritores. assim, só. vago, vago.
- o LEVA continua à espera de encomendas mas está já à espera das primeiras reuniões. decidi conhecer pessoalmente algumas instituições e descobrir lá, com as pessoas, que livros poderiam ter interesse - isto não muda o propósito inicial, claro, mas aumenta a área de ataque. estou muito feliz por ter a possibilidade de conhecer de perto pessoas que por várias razões (e as razões são mais do que eu própria imaginei) não podem ler e poder com elas e com as pessoas que as acompanham descobrir a melhor forma de introduzir o LEVA nas vidas e quotidianos de todos eles. ando a preparar as apresentações e a marcar reuniões. vou brevemente precisar de voluntários para gravar, se bem que recebo sempre voluntários para ler. as gravações que aí vêm serão curtas por isso os voluntários podem gravar mesmo que com pouco material ou experiência. continua a achar importante (por questões práticas) que os técnicos se juntem com leitores amigos, para agilizar a gravação dos pequenos textos.
sou uma menina eu sei mas ando sempre à procura de ajuda. amo cada um destes projectos e prometo que os levo avante para não pensarem que sou uma dilentante!
isto divide-se em mil listas já todas escritas. agora é atacar isto à séria. começo sábado. amanhã não dá que vou comer caracóis e gravar livrinhos. e hoje tenho de estender roupa e lavar a loiça. é verdade. mas de sábado não passa. até têm tempo de dar sugestões, vejam lá, só vantagens!
- o boris vian está parado não por falta de vontade mas por medo. medo é a palavra certa. não sei por onde atacar nem o que fazer. sei que vou fazer mas não consigo avançar. estou paralisada. preciso começar a montar o espectáculo e nem sei por onde começar.
- ando a criar o curso surrealista. é o que está a andar mais depressa, mas continuo a aceitar todas as ajudas - inputs, autores, poemas, influências, autores paralelos. está a ficar giro, giro!
- estou a planear uma cena-super-secreta da qual saberão mais tarde do que se trata - preciso para já que me falem de documentários sobre escritores. assim, só. vago, vago.
- o LEVA continua à espera de encomendas mas está já à espera das primeiras reuniões. decidi conhecer pessoalmente algumas instituições e descobrir lá, com as pessoas, que livros poderiam ter interesse - isto não muda o propósito inicial, claro, mas aumenta a área de ataque. estou muito feliz por ter a possibilidade de conhecer de perto pessoas que por várias razões (e as razões são mais do que eu própria imaginei) não podem ler e poder com elas e com as pessoas que as acompanham descobrir a melhor forma de introduzir o LEVA nas vidas e quotidianos de todos eles. ando a preparar as apresentações e a marcar reuniões. vou brevemente precisar de voluntários para gravar, se bem que recebo sempre voluntários para ler. as gravações que aí vêm serão curtas por isso os voluntários podem gravar mesmo que com pouco material ou experiência. continua a achar importante (por questões práticas) que os técnicos se juntem com leitores amigos, para agilizar a gravação dos pequenos textos.
sou uma menina eu sei mas ando sempre à procura de ajuda. amo cada um destes projectos e prometo que os levo avante para não pensarem que sou uma dilentante!
isto divide-se em mil listas já todas escritas. agora é atacar isto à séria. começo sábado. amanhã não dá que vou comer caracóis e gravar livrinhos. e hoje tenho de estender roupa e lavar a loiça. é verdade. mas de sábado não passa. até têm tempo de dar sugestões, vejam lá, só vantagens!
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A Purga
Há livros que de alguma forma são
lidos como monumentos. Já o disse muitas vezes, tenho um fraquinho
por livros em que a violência vem de dentro para fora. E livros em que
a história vem das personagens e menos do enredo. A Purga tem isto
tudo. Escrito na Finlândia por Sofi Oksanen conta uma parte
importante da história da Estónia através da história de duas
mulheres de duas gerações diferentes. Um enredo repleto de segredos
e que pisa durante todo o livro o gelo fino das relações familiares
e do amor à família que pode ou não ser mais forte que o instinto
de sobrevivência. Mas não pensem que aqui entramos em clichés. Não
há clichés nem lugares comuns neste livro. Há retalhos de uma
história que é contada ao mesmo tempo que é montada dentro da
nossa imaginação. O livro leva-nos num labirinto onde não nos
perdemos ainda que saibamos que estamos dentro de um caminho
tortuoso. Com descrições inacreditáveis, com destaque para a cena
inicial em que Aliide encontra Zara caída no quintal e para a cena
em que Aliide descobre a verdade sobre Zara e esta está fechada no compartimento às escuras esmagada pela vergonha e medo, o livro
transporta-nos numa leitura que é ao mesmo tempo caótica e
pacífica, uma mistura difícil de conseguir e que aqui é conseguida com uma mestria única. Com duas personagens que significam ao mesmo tempo a
esfera privada e pública da história da Estónia este livro
torna-se absorvente e inesquecível. Um livro a sério. Um livro a
sério, sim. Que nos enche as medidas na história, na estória, nas
personagens, na escrita simples, clara e crua de Sofi Oksanen.
Precisamos de mais Sofi Oksanen. Com mais este livro a Alfaguara
caminha para aquele sítio místico onde coloco duas ou três
editoras portugueses – se eles publicam é bom. As provas que nos
têm dado são essas. E A Purga é uma bomba no nosso panorama editorial. Um
livro com todas as letras maiúsculas.
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Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX
O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...






