quinta-feira, 17 de outubro de 2013

filmes livros e salamandras - o novo projecto e o novo pedido de ajuda

a salamandra dourada é um espaço único que descobri há poucos meses e que me acciona aquela corrente eléctrica que me faz ir aos meus arquivos mentais encontrar projectos pendentes que assentassem neles. nada mais fácil uma vez que a salamandra recebe-nos de braços abertos e faz-nos sentir que a nossa ideia é mesmo a ideia que eles estavam à espera que chegasse.

foi então que recuperei o projecto do cineclube literário. parece pomposo e chato mas não é. eu afirmo que não é. não é. até porque pouco existe e aqui nasce o pedido de ajuda.
passo a explicar:
a ideia é fazer um ciclo de filmes relacionados com a literatura com toda a abertura que isso permite. filmes documentais sobre escritores, filmes relacionados com temáticas vizinhas ou irmãs da literatura. preferia, e apenas para não abrir o leque à exaustão, que não fossem filmes adaptados de livros a não ser que a temática o justifique. depois, no dia em que víssemos o filme, haveria um evento (e aqui o leque é infinito) relacionado com algumas das linhas do filme.

tudo por decidir portanto. eu tenho alguns filmes e eventos na calha. e como gosto pouco de fazer projectos sozinha deixo-vos aqui o apelo. e por sozinha estou a ser relativamente injusta. para além de um amigo com paciência infinita para os meus desvarios, estou em contacto e dinâmica directa com a salamandra. mas ideias não são demais, e do nosso brainstorming sairão certamente uns três a quatro anos de ciclo de cinema.

haja saudinha.

por isso amigos está lançada a ideia. aqui, no facebook, no e-mail, no mundo, no cais do sodré, em cafés, no meu sofá a ver filmes, ajudem-me. digam-me filmes que se lembrem, sugiram eventos que se relacionem, vejam filmes comigo. eu faço as pipocas. o micro-ondas faz as pipocas. eu carrego no botão.

o meu, como sempre, humilde agradecimento. sois os melhores do mundo. bem hajam.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

hoje


I Encontro Os livreiros e o seu património

Daniel Melo e Nuno Medeiros têm o prazer de vos convidar para o I Encontro Os livreiros e o seu património, no qual intervirão Fátima Ribeiro de Medeiros (docente e investigadora de literatura, mediadora e animadora de leitura na Livraria Culsete, Setúbal) e Pedro Oliveira (livreiro e alfarrabista, ex-livreiro da Livraria Sá da Costa).

Luís Bernardo (subdirector do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa) apresentará um número da revista Cultura com dossiê sobre a edição e o seu património.

O evento visa contribuir para a preservação, estudo e divulgação da memória e património dos livreiros e da edição portuguesa do período contemporâneo.

O Encontro é promovido pelo Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa com o apoio da Biblioteca Municipal Camões e da Livraria Culsete.

O Encontro decorre na Biblioteca Municipal Camões, em Lisboa, no dia 22 de Outubro, terça-feira, às 18h15. Eu vou!


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

sobre o surrealismo

A poesia não necessita de "ser salva" porque o que nós entendemos por poesia não necessita de espécie alguma de salvação. Todo o acto de revolta ou de rebeldia, todo o processo de violentar "a natureza" e de desconhecer o direito e a moral é para nós poesia embora não se plasme, não se fixe, não se possa generalizar - e aqui está, implícita, a recusa terminante de amarrar o poeta a uma técnica, seja ela qual for, mesmo a mais actual, a mais opurtuna, porque, precisamente, o que o distingue do homem da técnica é um sentido de não oportunidade, de inoportunidade, que lhe advém de uma clarividência total e duma insubmissão permanente ante os conceitos, regras e princípios estabelecidos. Com isto não queremos dizer (Deus nos livre!) que o poeta seja um louco, um visionário, mas que, se ele tem de possuir uma estética e uma moral é, sem sombra de dúvida, uma estética e uma moral próprias.
Pedro Oom

“[o surrealismo] nunca vai acabar. Quem leu o André Breton com atenção percebe isso, não só não vai acabar como não teve começo. Claro. A investigação do Breton na literatura e na pintura refere os povos primitivos, os quadros de areia dos índios, as pinturas rupestres, de uma maneira que influenciaram muito depois a chamada arte moderna. A única coisa que o Breton fez foi reunir numa espécie de teoria, ou de filosofia ou de bloco, o que parecia que ao longo dos tempos não fazia sentido. Numa altura chamou-se Romantismo, depois noutra altura chamou-se não-sei-quê, depois outra coisa... Ainda há e há-de haver sempre Surrealismo” 
Cesariny

A actividade Surrealista não é [...] uma simples acção libertadora das coisas que chateiam, mas um golpe fundo de cada vez que é dado na realidade presente. Não é de facto uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas. Não é um mero exercício para se dormir melhor na noite seguinte, mas esforço demoníaco para se dormir de maneira diferente.
António Maria Lisboa

O único fim que eu persigo / é a fusão rebelde dos contrários as mãos livres os grandes transparentes.
Cesariny

terça-feira, 8 de outubro de 2013

boris vian oh boris!

o boris não anda perdido. nem esquecido. sou indesistível até à exaustão (normalmente dos outros).
estive em Edimburgo, este ano, no Fringe Festival. há qualquer coisa no Fringe, não sei se a dimensão se o espírito se a variedade contagiante de artistas que me fez pensar muito nisto. na falta que me faz saber ser criativa e saber usar um palco. claro que me lembrei do meu boris e da forma que ele já tem na minha cabeça, o princípio, o fim, o cenário, a roupa, a música. 
há também qualquer esperança estranha no Fringe (ou nos "meus" no Fringe), como se ali houvesse uma possibilidade qualquer de este espectáculo existir. não lá, claro, mas existir. desde aí que tenho estado a pensar. a imaginar. a com a esperança na possibilidade vem o pânico (que neste caso já não é novo) de ter a certeza que sou a pessoa que está atrás dos livros e não em cima deles. de ter a certeza que este espectáculo tomou uma importância tão grande na minha expectativa que não vou poder partilhá-lo com ninguém em palco porque não me posso decepcionar mais com quem é desistível. e assim começou-se a formar no meu quotidiano um espectáculo. sozinha, sem representar boris mas falar de boris. nos anos 50 do boris. mostrar que boris é irrepresentável mas absolutamente legível enquanto figura e enquanto texto. pegar na cabeça dele e na música dele e na poesia dele e pô-la em texto. 
não tenho palavras para o pânico. e para o entusiasmo. e para o amor a isto. nunca vou dizer que isto existirá muito menos na forma (ainda mais complicada) em que me voltou o boris de Edimburgo. mas é uma forma e será sempre a mesma forma de mostrar que não tenho apenas um molde. que estar atrás dos livros é o meu espaço de conforto mas talvez não o único espaço. 
a procura de espaços de trabalho é talvez o meu único vício e o mais venenoso. mas ao mesmo tempo tão pele como estar aqui a escrever um texto sem muito sentido num blog que se habituou a alguma assertividade para mostrar que não sou nem ponte nem alcatrão. serei um molde que ainda não está feito e nesse dia o boris vian terá um espectáculo que ainda não existe. mas que já tem forma. e arriscando-me a já ser pirosa até ao limite do tolerável, tenho vários fogos de artifício dentro do estômago. 

I'm back


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

na Pó dos Livros, num dia surrealista - os artistas

joão oliveira
joana marques
manuela fabião
vera pinto basto
helena marteleira
lúcia lemos
anabele bernardo
josé ricardo
ana gabriela pereira
maria joão marques
fernando marques
graça franco
diana pais
joana ribeiro
joão branco
catarina nabais
andreia moreira

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...