quinta-feira, 24 de outubro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

a despedida do livreiro velho

hoje em setúbal o assunto era o mesmo - o que tu querias ou pensavas ou dizias. rimo-nos e deixamo-nos no abraço. falámos sem constrangimentos. ouvimos a fátima a fazer planos devagar, mas sem medo. o dia mais triste de outono foi tudo menos o final de algum ciclo. sim, manuel, tens razão, tiveste um fim de vida incrível. e de certeza que adoraste a tua despedida. saímos de lá com ideias e com a reformulação das tuas. saímos de lá com histórias e memórias. eu saí de lá mais família, mais livreira, mais amiga. sinto-me estupidamente sortuda por ter feito parte disto. um velório é triste triste triste. espero que sejam todos como o teu. houve alguma coisa que começou hoje, na tua despedida. e poucas pessoas teriam conseguido isso, mas de ti, não me surpreende.


perder um amigo como quem perde parte de todos os quotidianos





a primeira vez que vi o manuel foi à porta da Culsete. ele olhou para mim com aquele ar malandro e disse "ah tu é que és a rosa!" e eu disse "e tu é que és o livreiro velho.". a primeira de muitas visitas ao manuel e à fátima, em poucos anos, que parecem mesmo poucos.

a última vez que o vi foi em casa dele. sentámo-nos no meio dos livros e falámos um bocado. falámos de surrealistas e da leitura, como sempre. falámos de como era importante não deixar cair o Dia da Livraria e do Livreiro, não sabendo ele que era nesse dia, 30 de Novembro, que teríamos uma grande homenagem preparada.
tenho poucas palavras e sei que com o tempo terei muitas. desde que soube que ele estava pior e que teria pouco tempo que me tenho lembrado de muitos episódios. há um que é para mim o mais bonito e que tenho de falar aqui. o manuel foi o primeiro a ligar-me quando saí do hospital na véspera de Natal. disse-me que uma vez, das muitas vezes que já tinha estado internado, também tinha saído naquele dia. e disse-me que no final não eram as más memórias que interessavam, era o voltar para casa.
o manuel era e é imortal, ia sempre sobrevivendo e nós íamos rindo com ele. ele que dizia e garantia que já tinha estado morto umas três vezes mas que pregava sempre partidas ao destino. há notícias que não acreditamos que cheguem nunca, esta era uma delas.
agora quero ir para setúbal dar um abraço à família-maravilha. porque hoje não há outro sítio para estar.






terça-feira, 22 de outubro de 2013

o primeiro livro do LEVA seguiu!

prontíssimo, o nosso primeiro livro. e quando os outros quinze estão a trazer tantas dificuldades este é mesmo um grande feito.
obrigada Orfeu Negro por terem percebido sem qualquer dúvida e cheios de fé o nosso objectivo e terem cedido os direitos de olhos fechados, e obrigada Kisiwane Productions por um trabalho de uma qualidade muito acima da imaginada, um profissional medalha de ouro!
e claro, obrigada às dezenas de voluntários que estão a postos. espero dar notícias ainda esta semana. bem haja a vocês todos.

+ surrealismos





com amigos como o sr. teste e a querida Fátima que tanto entusiasmo me mostrou ao falar dos nossos surrealistas, é mesmo fácil fazer tudo pelo caminho mais incrível. isto está tudo a ser incrível.

merci

de um amigo, tudo em letras maiúsculas


o problema das obsessões quando não há material a pulular que nem cogumelos que nos alimente a doença

ando com os surrealistas e os malditos na cabeça. penso nisso muitas vezes por dia, no que eles significaram e querem dizer com o que afirmam. passaram, de alguma forma, a fazer parte do meu raciocínio. quando na pó dos livros comecei a falar deles percebi que falar para um público que nunca ouviu falar desta forma de pensar surrealista pode ser mais desafiante do que se possa imaginar. é preciso mesmo ver-nos de fora, limpar a cabeça do conhecimento e dos trágicos pré-conhecimentos que transformam em óbvias ideias que são tudo menos isso. claro que adoro que surjam dúvidas e questões, prefiro-as aos olhos incrédulos e desconfiados. daí até gostar do "anónimo" deste blog que gosta de provocar.
comprei ontem, na pó, este livro. não adoro o autor mas adoro o tema. e até me daria gozo discordar de algumas coisas que ele diz. uma obsessão é isto mesmo. ler tudo. o bom e o mau, porque nem sempre se aumenta conhecimento com o acordo. vamos lá ver. seja como for, fala-se pouco de ser maldito. darei retorno desta leitura em breve.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

filmes livros e salamandras - o novo projecto e o novo pedido de ajuda

a salamandra dourada é um espaço único que descobri há poucos meses e que me acciona aquela corrente eléctrica que me faz ir aos meus arquivos mentais encontrar projectos pendentes que assentassem neles. nada mais fácil uma vez que a salamandra recebe-nos de braços abertos e faz-nos sentir que a nossa ideia é mesmo a ideia que eles estavam à espera que chegasse.

foi então que recuperei o projecto do cineclube literário. parece pomposo e chato mas não é. eu afirmo que não é. não é. até porque pouco existe e aqui nasce o pedido de ajuda.
passo a explicar:
a ideia é fazer um ciclo de filmes relacionados com a literatura com toda a abertura que isso permite. filmes documentais sobre escritores, filmes relacionados com temáticas vizinhas ou irmãs da literatura. preferia, e apenas para não abrir o leque à exaustão, que não fossem filmes adaptados de livros a não ser que a temática o justifique. depois, no dia em que víssemos o filme, haveria um evento (e aqui o leque é infinito) relacionado com algumas das linhas do filme.

tudo por decidir portanto. eu tenho alguns filmes e eventos na calha. e como gosto pouco de fazer projectos sozinha deixo-vos aqui o apelo. e por sozinha estou a ser relativamente injusta. para além de um amigo com paciência infinita para os meus desvarios, estou em contacto e dinâmica directa com a salamandra. mas ideias não são demais, e do nosso brainstorming sairão certamente uns três a quatro anos de ciclo de cinema.

haja saudinha.

por isso amigos está lançada a ideia. aqui, no facebook, no e-mail, no mundo, no cais do sodré, em cafés, no meu sofá a ver filmes, ajudem-me. digam-me filmes que se lembrem, sugiram eventos que se relacionem, vejam filmes comigo. eu faço as pipocas. o micro-ondas faz as pipocas. eu carrego no botão.

o meu, como sempre, humilde agradecimento. sois os melhores do mundo. bem hajam.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

hoje


I Encontro Os livreiros e o seu património

Daniel Melo e Nuno Medeiros têm o prazer de vos convidar para o I Encontro Os livreiros e o seu património, no qual intervirão Fátima Ribeiro de Medeiros (docente e investigadora de literatura, mediadora e animadora de leitura na Livraria Culsete, Setúbal) e Pedro Oliveira (livreiro e alfarrabista, ex-livreiro da Livraria Sá da Costa).

Luís Bernardo (subdirector do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa) apresentará um número da revista Cultura com dossiê sobre a edição e o seu património.

O evento visa contribuir para a preservação, estudo e divulgação da memória e património dos livreiros e da edição portuguesa do período contemporâneo.

O Encontro é promovido pelo Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa com o apoio da Biblioteca Municipal Camões e da Livraria Culsete.

O Encontro decorre na Biblioteca Municipal Camões, em Lisboa, no dia 22 de Outubro, terça-feira, às 18h15. Eu vou!


Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...