terça-feira, 25 de março de 2014

V ENCONTRO LIVREIRO é já no Domingo

A maior forma de resistência é ainda a palavra. Todos os anos, em Setúbal, reunimo-nos para falar do que implica o livro, a leitura e as livrarias. Em cada ano que passa o encontro torna-se mais necessário e multiplicam-se as ideias, as revoltas, a certeza de que o moscatel e a amizade ajudam a tirar algumas conclusões. Este foi o ano em que se falou de livrarias independentes.O mais importante e que tornou este ano particular no que se relaciona com este tema foi percebermos que se começou a falar de livrarias independentes com pessoas que nunca sequer tinham pensado no tema. Colocaram-se a todas as pessoas questões que nunca antes tinham sido colocadas, tornando claro que a deslealdade da concorrência perturba quem detém o negócio mas também o consumidor final. É altura assim de o Encontro Livreiro pensar estas questões e encontrar uma forma de manter dinâmico este diálogo. Neste V Encontro vamos tentar saber como podemos continuar a justificar a necessidade de manter livrarias independentes não apenas através do discurso sentimental (tão válido quanto fundamental, não nos entendam mal) mas através da prova clara que o fim das livrarias independentes bem como a asfixia cultural por que atravessamos não torna este país um país sustentável e possível.



V ENCONTRO LIVREIRO
30 de Março, 15h30
Culsete, em Setúbal

toda a informação


quinta-feira, 20 de março de 2014

hoje borisviana-se

"Je veux une vie en forme d'arête" / "quero uma vida em forma de espinha". vida e humor em Boris Vian . leitura encenada 

20 de Março
18h30
Pó dos Livros



pensei a primeira vez este espectáculo do Boris Vian em 2012 quando se tornou difícil a saudade do palco (já lá vão uns anos). desde aí li descontraidamente todos os livros dele e pensei o que seria isto. há um mês a Isabel da bela Pó dos Livros desafiou-me a apresentar isto a 20 de Março a convite do Instituto Franco-Português. disse sim baixinho e alto que ia pensar. tive um mês, mês em que entrei numa obsessiva e total vivência em Boris Vian. não tinha nada escrito em dois anos, só muito lido e vivido. num mês vivi, li, pensei Boris Vian. imaginei como seria, desisti algumas vezes, tive insónias e, sobretudo, fui absolutamente feliz este mês. até hoje, que acordei a dizer o guião e percebi que não sabia a terceira palavra.
decidi que faria o Boris sozinha porque tinha pouco tempo. mas depois de cada vez que parecia impossível levar isto à frente com alguma credibilidade iam-se juntando pessoas. o meu querido irmão juntou-se a criar com um amigo que nem me conhece um inteiro cenário feito de luzes transformando a sala da Pó dos Livros num verdadeiro cenário teatral. O Manuel Cintra juntou-se com a voz a cantar as músicas que o Boris fez no final da vida. O Leandro trouxe corpo ao espectáculo, criou uma personagem, gravou a voz do Boris Vian, ajudou-me a ver nisto um espectáculo coerente. Depois a Ana ofereceu-se para tirar fotografias, a Andreia emprestou a roupa, a Ana encontrou uma maquilhadora / cabeleireira de época. por último o João veio ontem em meu auxílio quando a um dia do espectáculo fiquei sem ajuda no som (lido mal com imprevistos). seja como for é a pessoa certa porque na vida já fizemos muitas coisas de improviso e em bom (também éramos mais novos... ). e a minha mãe que aturou algum mau humor e cansaço, que me deixou assaltar-lhe a casa e fez jantar para quando eu nem tinha tempo para comer. e claro, um grande obrigada aos meus amigos e seguidores do facebook e do blog e da vida que aturaram uma obsessão insuportável. pronto, já acabou o desassossego.
uma última palavra para a minha livraria de Lisboa e do mundo, a Pó dos Livros que nem pestanejou quando invadimos a livraria com o que inicialmente ia ser uma leitura e que já é um palco inteiro. não há disparate nenhum a que me torçam o nariz.
isto para dizer que hoje sobe ao palco "Je veux une vie en forme de arrête" onde vos vou contar como Boris conseguiu, sim, ter uma vida em forma de espinha. nada linear e rica como poucas, em apenas 39 anos. nesse palco não haverá espaço para todos os que fazem parte disto.
faço já os agradecimentos porque se correr mal estarei numa gruta durante duas semanas, se correr bem estarei na praia sem me mexer, em silêncio, a apanhar sol, com pequenos intervalos para ler uns livros que não sejam Boris Vian.
até já meus caros! vamos borisvianar.

segunda-feira, 17 de março de 2014

ciclo de cinema PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

O  PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA regressa com um ciclo de cinema em parceria com a Salamandra Dourada, na Ameixoeira. Ameixoeira que parece longe mas é na linha amarela do metro logo depois do Lumiar, nada mais fácil.
A ideia é fazer um ciclo de filmes relacionados com a literatura com toda a abertura que isso permite. Filmes documentais sobre escritores, filmes relacionados com temáticas vizinhas ou irmãs da literatura. Preferíamos, e apenas para não abrir o leque à exaustão, que não fossem filmes adaptados de livros a não ser que a temática o justifique. Depois, no dia em que víssemos o filme, haveria um evento (e aqui o leque é infinito) relacionado com algumas das linhas do filme.

E já temos primeiro filme!   




Autografia
(sobre Mário Cesariny)
de Miguel Gonçalves Mendes

domingo, 23 de Março
17h30

com leitura de poemas surrealistas

evento facebook

quinta-feira, 13 de março de 2014

"Je veux une vie en forme d'arête" / "quero uma vida em forma de espinha". vida e humor em Boris Vian . leitura encenada

20 de Março
18h30
Pó dos Livros
 
texto, interpretação e cenografia
rosa azevedo
música / voz
manuel cintra
luz
hugo azevedo
apoio
leandro morgado

fotografia
ana gabriela pereira





evento facebook
 

ao evento junta-se o multifacetado artista Manuel Cintra na música, a cantar de forma irrepetível o Boris Vian, o querido irmão Hugo Azevedo no desenho de luzes (que faz a cenografia toda) e combate ao pessimismo e a celebridade irreverente e paciente e possivelmente maior artista da história de palco deste país Leandro Morgado na ajuda preciosa a uma cenografia que, sem ele, seria de fazer corar irregulares pedras da calçada. por fim mas não em último a doce Ana Gabriela Pereira que se oferece para fazer fotos como quem não quer a coisa e já é a fotógrafa do evento. é de amigo pá! assim, pronto, talvez corra bem. uff

A vida de Boris Vian conta entre as suas obras mais conseguidas. As suas realizações são múltiplas e variadas. Viveu apenas 39 anos mas deixou-nos uma plural e densa produção literária, com peças de teatro, romances, poemas, letras de músicas, crónicas. Parece que na verdade atravessou diversas existências e não apenas uma. Vive com a presença da doença mas em vez de se transformar numa pessoa amarga pega nessa presença e transforma-a através da imaginação e da leveza. A própria vida é uma obra de arte. Tornou-se um exemplo para muitos de alguém vivo, activo, dinâmico e imaginativo. E sempre muito jovem. Rejeita o mundo do trabalho funcional e sofre com o amor, alterna questões sobre a existência com questões aparentemente leves. Manteve-se sempre simples e humilde, sem arrogância ou superioridade, era muito admirado por todos. Estava sempre bem disposto. Era luminoso e transparente. Não era um santo, longe disso, mas era uma pessoa deliciosa. Foi muito mal recebido no seu tempo, estava muitos anos à frente dos seus contemporâneos. É um verdadeiro desafio ao pensamento cartesiano categorizado, e a sua atiude era de constante sabotagem do que é sério. Teve dezenas de actividades mas levou-as todas ao fundo, não fez nada pela metade. Morreu em 1959 e teve de esperar pelo Maio de 68 para começar a ser lido e verdadeiramente apreciado.
Continua a ser um escritor marginal e desconhecido enquanto personagem, envolto em histórias e lendas. Boris Vian viveu 39 anos uma vida completa e intensa.






segunda-feira, 10 de março de 2014

colóquios e colóquios

 no fundo acho isto só maçador. fazem-se colóquios atrás de colóquios e sobe ao palanque alguém que diz, e passo a citar o Público: "'demonstrou que os poemas de O Guardador de Rebanhos foram escritos entre 4 de Março e 10 de Maio de 1914' e que não há nenhuma indicação, nos manuscritos, de que algum poema tenha sido escrito no dia 8 de Março." e depois mais umas provas científicas de que eles têm razão ao ter descoberto a pólvora.
o que nos falta é algum misticismo e romantismo. qualquer pessoa que conheça minimamente a obra do Pessoa sabe que este dia triunfal não é verdadeiro. ou que a probabilidade de ser não era muito grande. ou que na verdade essa "verdade" com mofo pouco interessa. não descobriram a pólvora, senhores académicos, com as vossas irrefutáveis provas científicas. deixem-se de colóquios e centrem-se nos textos. leiam e entendam, falem e dialoguem, mas por favor, deixem lá o Pessoa e as suas aldrabices em paz. é exactamente esse o lado dele que tanto gostam e que o fez ser quem é.
haja paciência para tanta sapiência.



vejam a notícia do Publico aqui.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

e já temos LIVREIRO DA ESPERANÇA 2014

O diploma «Livreiros da Esperança» — uma homenagem das gentes do livro aos livreiros portugueses que reconhece o papel central que esta classe profissional desempenha na «publicação» da leitura — é uma iniciativa do movimento Encontro-Livreiro e foi instituído e atribuído pela primeira vez em 2012.

Em 2014, o Encontro-Livreiro homenageia o livreiro 
ANTERO BRAGA 
Livraria Lello / Prólogo Livreiros | Porto 

O diploma «Livreiro da Esperança 2014» será entregue no 

V ENCONTRO LIVREIRO
a realizar na tarde do dia 30 de Março, domingo, na 
LIVRARIA CULSETE | SETÚBAL


Antero Braga é natural da freguesia do Bonfim, no Porto, onde nasceu no dia 17 de Agosto de 1950. 

Desde 1968, ano em que começou a trabalhar na Bertrand da 31 de Janeiro, na sua cidade natal, desempenhou diversas funções naquela empresa editorial, distribuidora e livreira (no Porto, em Aveiro e em Lisboa, assumindo responsabilidades tanto a nível local e regional como a nível nacional), tendo sido gerente de loja, chefe do departamento de lojas e agências, director-geral e administrador. 



Entre uma saída e um regresso à Bertrand, trabalhou ainda na distribuidora Jardim (grupo brasileiro Abril Cultural), como responsável do departamento de promoções e publicidade, tendo neste âmbito colaborado no programa televisivo «O Passeio dos Alegres», de Júlio Isidro. 
Mas a grande aposta de vida de Antero Braga — contra a opinião de muitos, mesmo dos mais próximos — foi a criação da Prólogo Livreiros, em 1994, e a renovação e dinamização da Livraria Lello, a emblemática livraria do Porto, reconhecida internacionalmente como uma das melhores e mais belas livrarias do mundo. 
Trocando, a nível profissional, o certo pelo incerto, mas dando asas aos seus sonhos e transformando-os quotidianamente em realidade, Antero Braga fez e continua a fazer de uma livraria que encontrou decadente e em grandes dificuldades uma referência incontornável no conjunto das livrarias portuguesas. 
Antero Braga é, para nós, um exemplo de persistência e um sinal de esperança para o futuro. E é merecedor desta singela homenagem das gentes do livro e do Encontro-Livreiro. 

Obrigado, Antero Braga!


Para sempre merecedores da nossa gratidão, fazem agora parte da galeria dos «Livreiros da Esperança» os seguintes livreiros: 


Livreiro da Esperança 2012 
Jorge Figueira de Sousa 
Livraria Esperança | Funchal 
Livreiro da Esperança 2013 
Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira 
Livraria Galileu | Cascais 
Livreiro da Esperança Especial Culsete - 40 Anos 
Manuel Medeiros e Fátima Ribeiro de Medeiros 
Livraria Culsete | Setúbal 
Livreiro da Esperança 2014 
Antero Braga 
Livraria Lello / Prólogo Livreiros | Porto 


Obrigado, Livreiros da Esperança! 





Encontro-Livreiro 

Setúbal, 27 de Fevereiro de 2014


http://encontrolivreiro.blogspot.pt/2014/02/livreiro-da-esperanca-2014.html

V ENCONTRO LIVREIRO está a chegar


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

já está confirmado

"Je veux une vie en forme d'arête" . vida e humor em Boris Vian
leitura encenada
20 de Março 
Pó dos Livros
18h30

Nasci, por acaso, no dia 10 de Março de 1920, à porta de uma maternidade, fechada por causa de uma greve de zelo. A minha mãe, grávida das obras de Paul Claudel (não posso com ele desde essa altura), estava no 13º mês e não podia esperar pela Concordata. Um santo padre que passava por ali apanhou-me e voltou a pousar-me; eu era efectivamente muito feio (a minha sobejamente conhecida aspersoriofobia data no entanto dessa altura). Por felicidade, uma loba esfomeada, e que acabara de dar à luz Pierre Hervé (tenho por isso exactamente a mesma idade dele, o que está perfeitamente de acordo com as teorias de einstein relativas à simultaneidade) pegou em mim debaixo da asa e deu-me de beber. Cresci em força e sabedoria, mas continuava tão feio como sempre, embora ornado por um sistema piloso descontínuo mas sempre muito desenvolvido. Na verdade era igual à Vitória de Samotrácia.
Tenho um metro e 86 pés descalços, peso bastante e escolho antes de qualquer outra coisa as obras de Alfred Jarry, a fornicação, Un Rude Hiver e a minha bem amada esposa. Não esqueço, embora só venham depois, a música da Nova Orleães, Duke Ellington, Lana Turner, Ann Sheridan, as sinfonias do Commodore W. Spotlight para sino duplo e bicicleta a petróleo, a pintura a óleo que pratico com raro prazer, o bigode do meu venerado Jean Rostand, as raparigas do Jazz-Club-Universitário (sobretudo uma loura de vestido verde... mas não insistamos), o two-beat (isto não é uma alusão sexual), e a mére Chaput. Detesto o Paul Claudel (já o disse, mas é agradável dizê-lo, e é por isso que nunca li nada dele), Le Grand Meaulnes, Alain (não o meu irmão, que é um tipo completamente maluco), Péguy, o violino de jazz tal como o praticam os franceses, as obras da imaginação, as mentiras e os aparelhos de pequeno formato, Ivan o Terrível, Leonard Father, Edgar Jackson, Le Dictateur, Dumont d'Urville, Monseigneur Suhard, o papa; do Barbotin até gosto. Também não gosto de peitos rasos (para as mulheres), de endívias e de merda, a não ser quando estão bem temperados.
Procuro um apartamento de cinco assoalhadas, com todo o conforto. Tenho uma vida movimentada mas estou pronto a recomeçar. 

Boris Vian

dos prémios literários

Pour parodier le prix de La Pléiade, [Boris Vian] crée ainsi un prix du Tabou. [...]
Interrogé à l'issue de cette cérémonie, Boris déclare, imperturbable, au Canard Enchaîne:
1. Qu'il n'avait pas lu le livre concerné.
2. Que le lauréat avait été tiré au sort.
3. Que le Prix du Tabou n'était qu'une occasion de boire gratuitement l'apéritif.
"Nous le remercions de son honnêteté intellectuelle, comme alors l'hebdomadaire satirique. Ce qu'il a dit est valable pour tous les prix littéraires. Mais Boris Vian est le seul à le dire."*

*Le Canard Enchaîné, 12 janvier 1948, cité par Jacques Duchateau dans Boris Vian ou les Facéties du destin.  



Boris Vian
Claire Julliard
Folio biographies
Éditions Gallimard, 2007

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...