neste livro Michel Onfray fala com os viajantes. com os que viajam a vida inteira e passam os intervalos das viagens a pensar voltar a sair. para quem gosta deste estilo de vida nómada, este livro é um diálogo pessoal. uma conversa. um assentimento de tudo o que já vimos e experienciámos. a viagem solitária que me levou aos meus dias em Buenos Aires, a viagem com um amigo que me levou à Capadócia. e no livro há o nosso espaço de resposta porque Onfray sugere experiências e a nossa resposta é o assentimento ou o questionamento de volta. será que as viagens não são para se repetir, como ele afirma? saí de Buenos Aires, de Nova York e de Paris com um até já, mas saí do Niger ou de Banguecoque com a nostalgia da despedida. e não foi por acaso. há sítios que ainda têm segredos para nos contar ou segredos que partilhamos com os sítios e que queremos contar a outras pessoas. a esses sabemos que vamos regressar.
e como em todas as viagens há o regresso. é disso que Michel Onfray fala
neste livro. fala do ciclo fechado da nossa vontade de sair. o estar, sair, ver, viver e regressar. regressar diferente e com vontade de sair outra vez para depois regressar. fala da casa, dos nossos sítios.
(acho mesmo que a certa altura falou da minha janela.)
a viagem é erroneamente considerada um momento com início e fim. a viagem é, na verdade, um estado de viagem onde podemos habitar continuamente. esse é um dos segredos que Onfray nos revela neste livro, mesmo sem o nomear.
[descobri este livro na melhor e maior de todas as viagens. as viagens também marcam os livros que lemos e o contrário é também tão verdade. por isso, para mim, agora, este livro está marcado, de alguma forma, como o primeiro. imprescindível para qualquer leitor-viajante. para mim imprescindível desde que soube que existia.]
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
o LEVA na Câmara dos Solicitadores
A revista da Câmara dos Solicitadores fez uma simpática reportagem sobre o LEVA - Ler em Voz Alta. Clicar na imagem para aumentar. E esperem novidades ainda esta semana!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
a condição da edição independente [entre aspas], hoje
![]() |
| Zona Autónoma Temporária Hakim Bey |
publicar em pequenas editoras terá sempre dois lados de uma só questão - a independência perante as rigorosas leis do mercado cada vez mais castradoras. por um lado isto permite-nos delinear em absoluto a nossa linha editorial, escolher os autores e os textos. por outro lado retira-nos alguns anti-corpos contra a contaminação dos grupos, amigos e inter-influências contra as quais estamos desarmados. o mercado como qualquer outra forma de autoridade ajuda-nos a delinear de forma externa a nós um esquema de actuação. a liberdade editorial permite que não tenhamos de viver sob esse jugo mas que então sejamos absolutamente responsáveis pelos leitores que formamos, pelos autores que escolhemos editar. esta liberdade é fascinante por estar a delinear um futuro absolutamente incerto do que será o panorama editorial dos primeiros vinte anos deste século mas à liberdade vem sempre associada uma grande dose de responsabilidade, já o diziam os existencialistas que tanto admiravam estes autónomos movimentos culturais. e o que tenho descoberto e aprendido com os piores e mais negativos discursos relativos a esta gente toda é que é fácil cair numa lógica que envolve à volta do livro tudo o que está para além do texto, perdendo assim o que realmente importa. a um livro ligamos um lançamento, as críticas dos amigos, fotografias nas redes sociais, problemas de distribuição, questões financeiras, encontros e outros eventos. e o carácter sagrado do texto e da sua criação perde-se no meio de um mar contaminado de outros focos de luz.
não quero com este texto mostrar uma postura negativa, não foi isso que ganhei com estes primeiros seis meses de investigação. o que percebi foi que é também dos leitores a responsabilidade que vem da liberdade do meio editorial. que os leitores estão mais próximos destes livros e destes autores, que os conhecem de perto, podem ler os textos com uma luz diferente e mais esclarecida. e que um leitor atento pode assim perceber as excepções ao que acabei a dizer - aliás se interessa a alguém perceber estas questões é mesmo ao leitor porque é o texto que lhe chega que pode vir contaminado. e percebemos rapidamente que quando descobrimos um editor que se foca no texto e no autor e posteriormente no leitor, desfocando-se de tudo o que está para além disso, sabemos que estamos perante um editor raro. e perante um autor raro e tornamo-nos assim leitores profícuos e maiores. e tudo isto porque acredito fortemente que um texto que recebe estas contaminações não nos chega nas condições que poderia chegar se não as tivesse - ainda que seja questionável esta afirmação.
o tão falado amor aos livros tem de ser substituído pelo amor ao texto. e é necessário recuperar nessa relação de amor a intimidade nossa, leitores, com o texto. e não estou com isto a abolir as leituras públicas, os lançamentos e as festas, estou só a dizer que não é aí que está o foco. e felizmente para muitos dos meus editores (e muitos dos que estão agora a nascer) aquilo que estou a dizer é absolutamente linear. e é com esses livros que ando na mochila.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
[do fim das formas literárias]
Em todos esses arautos da modernidade se assiste ao nascimento do poema
sem eu e sem arroubos expressivos, do "drama-poesia" no sentido que a
expressão ganha em alguém como Maria Gabriela Llansol, que, rejeitando a
poesia como forma de expressão, assimila totalmente ao seu texto de
prosa esta postura do sujeito posto à distância, numa escrita muitas
vezes referida como "poética", mas que recusa os excessos da emoção
("sem perda de sensibilidade") e da
projecção (auto)biográfica, através do trabalho, antimimético, de
(trans)figuração na linguagem. E aqui, como em tanto poema
autenticamente moderno, figurar, criar figura, é objectivar a expressão.
Para Llansol, é esse "o poema que vai adiante": o de uma linguagem com
um alto grau de originalidade, numa busca incessante da energia do "sexo
do texto", incomparavelmente criativa e carregada de interrogações, mas
também da densidade do novo que forma uma trama cerradíssima, numa
escrita sempre fragmentária, completa e sempre sem resto.
Geografia Imaterial
João Barrento
Documenta, 2014
Geografia Imaterial
João Barrento
Documenta, 2014
[do acontecimento na poesia]
O poema é quase sempre mais uma
construção (e, sendo assim, o meu acesso a ele não é imediato nem
espontâneo, tenho de aprender a desconstruí-lo), construção essa que
permite, a quem escreve, agir com as palavras, dar a ver e ouvir o mundo
de uma forma que a civilização e a razão sublimam ou recalcam; e a quem
lê, ter acesso, talvez mais profundo e luminoso, ao que está a
acontecer.
João Barrento
Geografia Imaterial
Documenta, 2014
João Barrento
Geografia Imaterial
Documenta, 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
no sorriso louco das mães
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
Herberto Helder
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Bachelard e a poesia
De fora a poesia parece desordenada. Não há escolas, não há poetas
arrastando atrás de si poetas mais jovens. Os jovens poetas querem a
independência. Por conseguinte, estamos num tempo de poesia verdadeira,
de poesia que não imita, é um facto. Não salta à vista? Não tem
importância nenhuma. É preciso procurar as pedras preciosas; escondidas
ainda são mais preciosas. Gostaria de lhe transmitir a minha impressão
de que estamos num tempo de poesia exuberante. Não se trata de grandes
tiragens. Aliás tenho a impressão de que as grandes tiragens seriam
perigosas porque correriam o risco de passar por uma imitação da poesia
do século passado.
As pessoas têm medo dos poetas e têm razão. Um poeta é alguém que perturba uma porção de coisas, é muito inquietante a poesia.
[...]
Depois [de Lautréamont] houve todos os outros, todos aqueles [poetas] que me mandaram os seus livros. Os meus amigos poetas. Fazem a felicidade da minha vida.
Gaston Bachelard
entrevistado em Os escritores e a literatura, Madeleine Chapsal
As pessoas têm medo dos poetas e têm razão. Um poeta é alguém que perturba uma porção de coisas, é muito inquietante a poesia.
[...]
Depois [de Lautréamont] houve todos os outros, todos aqueles [poetas] que me mandaram os seus livros. Os meus amigos poetas. Fazem a felicidade da minha vida.
Gaston Bachelard
entrevistado em Os escritores e a literatura, Madeleine Chapsal
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
terça-feira, 18 de novembro de 2014
o Parto de Manuel Cintra
apresentei ontem no Povo o novo livro do Manuel Cintra, Parto, editado na editora do próprio, Palavras por Dentro.
Vou a muitos lançamentos mas este foi especial, não só pelo convite que o Manuel me fez mas por perceber que ele juntou os amigos que viviam dentro da poesia e da obra dele para fazerem parte deste dia. foi por isso um enorme privilégio este convite.
ouvi algumas vezes o Manuel falar deste livro. o que foi sempre claro em todas as conversas é que era necessário que este livro saísse agora, mais de 30 anos depois de ter começado a ser escrito. foi um parto lento e certeiro. é o livro que faz sentido nesta altura, no percurso que o Manel fez, na obra que foi escrevendo que se confunde tanto com a vida que viveu.
o livro apresenta-nos Pedro, que ao longo dos anos se transforma em Anjo ao mesmo tempo que parece enlouquecer. a personagem de Pedro tem a mesma evolução que o próprio Manuel vai tendo na sua escrita ao longo deste últimos 30 e tantos anos - um caminho que indica loucura, desumanização, fim da lógica narrativa. Pedro e o Manuel querem voar. e este livro é o grande e belo voo do Manuel.
chama-se a este livro o primeiro romance de Manuel Cintra. mas nem este é só um romance nem o que foi escrito até agora foi só poesia. esta é a obra do Manuel, do poeta errante da cidade de Lisboa. este é o livro que se segue aos outros livros. assim como a vida do poeta não se enquadra em categorias também a sua obra não se pode fechar em nenhuma caixa.
mas é importante que se preparem. este é um livro violento, escatológico. é-o sobretudo porque faz com que questionemos e nos deparemos com alguns dos nossos piores tabus e fantasmas. se não fosse por mais nada este livro já valia por isso. mas vale por uma enormidade de outras razões. e merece cada um dos leitores que tiver.
há uns meses o José Anjos escreveu sobre o poeta o texto que transcrevo em baixo. sem ter lido o Parto o Zé soube explicar melhor do que eu conseguiria o que é o parto, não só neste livro como em toda a obra e vida do Manuel Cintra.
"Na semana passada tive a honra de abrir o lançamento do livro do Manuel Cintra dizendo um poema dele. Um de que gosto particularmente. Há vários, aliás. Mas ficou algo por dizer acerca do Manuel. Sem caganças. O Manuel Cintra é um dos meus poetas preferidos de sempre. Mas é acima de tudo - e de muitos também e de lado e por vezes por todo o lado - um poeta do presente, o poeta do agora em todos os sentidos e com todos os sentidos que cabem no agora. E os que não cabem também, que o Manuel Cintra é muito maior do que o seu próprio traço, talvez até maior do que a liberdade de quem é mãe e filha ao mesmo tempo. E os poemas que caem no berço do seu regaço de escaravelho em papel de placenta são dores, dores furiosas desse parto repetido, a cada momento, agora e agora outra vez, da liberdade. Das mais belas e bem sofridas dores de parto, digo eu, que não sou parteira. A prova que o ser humano existe e respira nesta cidade e nasceu outra vez e neste preciso momento. E Agora. Um abraço pintado Manuel."
José Anjos
Vou a muitos lançamentos mas este foi especial, não só pelo convite que o Manuel me fez mas por perceber que ele juntou os amigos que viviam dentro da poesia e da obra dele para fazerem parte deste dia. foi por isso um enorme privilégio este convite.
ouvi algumas vezes o Manuel falar deste livro. o que foi sempre claro em todas as conversas é que era necessário que este livro saísse agora, mais de 30 anos depois de ter começado a ser escrito. foi um parto lento e certeiro. é o livro que faz sentido nesta altura, no percurso que o Manel fez, na obra que foi escrevendo que se confunde tanto com a vida que viveu.
o livro apresenta-nos Pedro, que ao longo dos anos se transforma em Anjo ao mesmo tempo que parece enlouquecer. a personagem de Pedro tem a mesma evolução que o próprio Manuel vai tendo na sua escrita ao longo deste últimos 30 e tantos anos - um caminho que indica loucura, desumanização, fim da lógica narrativa. Pedro e o Manuel querem voar. e este livro é o grande e belo voo do Manuel.
chama-se a este livro o primeiro romance de Manuel Cintra. mas nem este é só um romance nem o que foi escrito até agora foi só poesia. esta é a obra do Manuel, do poeta errante da cidade de Lisboa. este é o livro que se segue aos outros livros. assim como a vida do poeta não se enquadra em categorias também a sua obra não se pode fechar em nenhuma caixa.
mas é importante que se preparem. este é um livro violento, escatológico. é-o sobretudo porque faz com que questionemos e nos deparemos com alguns dos nossos piores tabus e fantasmas. se não fosse por mais nada este livro já valia por isso. mas vale por uma enormidade de outras razões. e merece cada um dos leitores que tiver.
há uns meses o José Anjos escreveu sobre o poeta o texto que transcrevo em baixo. sem ter lido o Parto o Zé soube explicar melhor do que eu conseguiria o que é o parto, não só neste livro como em toda a obra e vida do Manuel Cintra.
"Na semana passada tive a honra de abrir o lançamento do livro do Manuel Cintra dizendo um poema dele. Um de que gosto particularmente. Há vários, aliás. Mas ficou algo por dizer acerca do Manuel. Sem caganças. O Manuel Cintra é um dos meus poetas preferidos de sempre. Mas é acima de tudo - e de muitos também e de lado e por vezes por todo o lado - um poeta do presente, o poeta do agora em todos os sentidos e com todos os sentidos que cabem no agora. E os que não cabem também, que o Manuel Cintra é muito maior do que o seu próprio traço, talvez até maior do que a liberdade de quem é mãe e filha ao mesmo tempo. E os poemas que caem no berço do seu regaço de escaravelho em papel de placenta são dores, dores furiosas desse parto repetido, a cada momento, agora e agora outra vez, da liberdade. Das mais belas e bem sofridas dores de parto, digo eu, que não sou parteira. A prova que o ser humano existe e respira nesta cidade e nasceu outra vez e neste preciso momento. E Agora. Um abraço pintado Manuel."
José Anjos
as Edições Guilhotina quando ainda não o eram
Foi
apenas uma ocasião feliz que me tenha encontrado numa noite quente
de Verão com as que viriam a ser as editoras da Guilhotina: Diana
Pimentel, Maria Quintans e Cláudia Lucas Chéu. Todas têm caminhos
editoriais variados quer enquanto editoras ou enquanto autoras para
além de viverem as três dentro da realidade editorial pelo percurso
pessoal que foram formando. Conhecem o meio, as formas e os livros
que querem defender. Sabem que caminho fazer, têm convicção, bons
princípios e ideias claras. E assim depois de percursos diversos
chegaram as três juntas à Guilhotina. Uma editora que promete
muitas surpresas e um caminho único, do qual falarei (muito,
acredito) nos próximos tempos.
Quando
conversamos à volta de um copo de vinho branco o discurso das
editoras flutua entre o positivo e o negativo, de forma apesar disso
equilibrada. Admitem que os editores já não trazem prestígio aos
autores como há uns anos atrás. Procura-se uma marca que prestigie.
E isso não acontece por acaso – não se procura o editor porque
essa figura foi desaparecendo. Diana Pimentel acredita que o que
distingue esses editores dos outros é que o interesse ao receber uma
proposta de livro para editar se centra apenas no texto. Apesar de
esta formulação parecer clara, a verdade é que não o é. A
construção de um escritor passa hoje por um gigante leque de
condicionantes contextuais, os leitores têm exigências diferentes
na procura do livro para ler, muitos são clientes e não leitores.
Muitas vezes os editores regem-se por estas fórmulas tentando assim
obter sucessos nas vendas. As figuras que medeiam a leitura já não
são as mesmas, já não se procura um texto como se procurava há
uns anos atrás quando os escritores não estavam envoltos numa teia
de contextos tão complexa como esta - notoriedade, figura pública,
prémios, polémicas, relações externas ao livro, entre outros.
É
assim fundamental focarmo-nos na realidade do leitor. Podemos pensar
esta questão das editoras pequenas ou editoras independentes de
vários pontos de vista mas o do leitor é pouco reflectido. As
editoras mais pequenas, ao serem dependentes do texto para o fazer
vender – não podendo recorrer a estratégias comerciais para as
quais não têm fundo de maneio e para as quais, no limite, nem têm
interesse (uma vez que os objectivos passam apenas por tornar os
livros sustentáveis por si) – apresentam-nos o texto de forma
inócua, deixando-nos livremente a escolha do mesmo, que vive assim,
ainda de forma mais presente, a força do próprio texto. Quem
escolhe o que vai ler é o leitor e não o mercado, os livros são
disponibilizados e não impostos por uma lógica comercial. Assim a
Guilhotina promete uma escolha criteriosa de textos aos quais teremos
acesso de forma activa enquanto leitores e, (posso apenas acreditar
porque ainda não os li) de forma absolutamente apaixonada.
A editora Guilhotina será apresentada esta sexta-feira, 21 de Novembro, no Primeiro Andar em Lisboa e serão lançados os três primeiros livros:
aerogramas, de Diana Pimentel, com apresentação de Fernanda Freitas e leituras de Raquel Marinho.
A Mala, de Valério Romão, com apresentação de Frederico Pedreira e leituras de Paula Lobo Antunes.
Trespasse, Cláudia Lucas Chéu, com apresentação de Miguel Real e leituras de Albano Jerónimo.
A Mala, de Valério Romão, com apresentação de Frederico Pedreira e leituras de Paula Lobo Antunes.
Trespasse, Cláudia Lucas Chéu, com apresentação de Miguel Real e leituras de Albano Jerónimo.
sábado, 15 de novembro de 2014
o Imediatismo de Hakim Bey
No seu livro Zona Autónoma Temporária, Hakim Bey defende que toda a experiência é mediada por tudo o que está entre ela e nós. A arte é a manifestação dessa mesma experiência.
Há artes mais mediadas que outras - ouvir um CD, ou ver televisão é mais mediada do que ver um ballet ao vivo por exemplo.
A forma como o que Hakim Bey chama de "Capitalismo Moderno" conduz a arte leva a formas extremas de mediação. Este facto deve-se sobretudo a um fosso maior que se cria entre a produção e o consumo da arte. O consumo da arte é levado a sítios tão extremos que vamos mesmo perdendo a noção do que originalmente nos entusiasma na arte: a experiência imediata, a honestidade e franqueza, o que vem da nossa natureza animal.
Enquanto artistas devemos então procurar esse imediatismo, devendo procurá-lo para nós e para os outros sem dar a entender que o fazemos para que essa experiência artística seja assim o menos mediada possível. A arte tem de entrar na vida quotidiana de forma discreta e absoluta, não em forma de arte, algo que não pareça nunca passível de acção comercial. Desta forma a arte está dependente do contexto e não de um programa estético que valha por si. Se a arte está no quotidiano então não vale isoladamente.
Desta forma a figura do artista é também eliminada. todos são participantes e todos são actores da obra de arte em medidas iguais.
Há artes mais mediadas que outras - ouvir um CD, ou ver televisão é mais mediada do que ver um ballet ao vivo por exemplo.
A forma como o que Hakim Bey chama de "Capitalismo Moderno" conduz a arte leva a formas extremas de mediação. Este facto deve-se sobretudo a um fosso maior que se cria entre a produção e o consumo da arte. O consumo da arte é levado a sítios tão extremos que vamos mesmo perdendo a noção do que originalmente nos entusiasma na arte: a experiência imediata, a honestidade e franqueza, o que vem da nossa natureza animal.
Enquanto artistas devemos então procurar esse imediatismo, devendo procurá-lo para nós e para os outros sem dar a entender que o fazemos para que essa experiência artística seja assim o menos mediada possível. A arte tem de entrar na vida quotidiana de forma discreta e absoluta, não em forma de arte, algo que não pareça nunca passível de acção comercial. Desta forma a arte está dependente do contexto e não de um programa estético que valha por si. Se a arte está no quotidiano então não vale isoladamente.
Desta forma a figura do artista é também eliminada. todos são participantes e todos são actores da obra de arte em medidas iguais.
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Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX
O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...






