já aqui disse muitas vezes que penso muito. saio de casa sozinha ao
fim de semana e ando a pé a ouvir música. penso no sentido da solidão
(assunto para outro texto). penso no que gostaria de estar a fazer se
não estivesse ali. e hoje pensei como muitas vezes penso que a vida tem
de ser um bocadinho mais do que isto. e pela primeira vez isso
aconteceu-me numa altura de conforto. o que normalmente não acontece.
passo
os dias apaixonada. passo os dias a ler, a escrever, a pensar. a pôr o
LEVA a andar. a jantar com amigos, a pôr a minha casa bonita. a estar
com a família, a atravessar o rio para os ver, ou a ir aos subúrbios.
mas há uma coisa que nunca faço, nunca. ser criativa. tenho muita
confiança em muitas áreas da minha vida mas não tenho nesta. tenho muito
medo de que a minha criatividade faça apenas sentido para mim. na
entrevista que dei pelo LEVA ao DN perguntaram-me como ia conseguir
levar isto avante se ia ser como ter outro emprego. pensei que não
custava nada, que com todas as horas que dou a isso, aos cursos e a tudo
o resto de que falei sobra-me tempo e tempo e tempo. onde sou feliz a
olhar para a parede, mas que posso encher com essa criatividade.
e
lembrei-me do boris vian. do espectáculo que estava a construir para o
boris vian. e lembrei-me da vontade gigante de voltar a estar num palco,
não no sentido de lá estar como um produto acabado mas no sentido da
construção. quem já fez teatro comigo sabe que construo o espectáculo
como um todo estético antes de pensar nas palavras. penso nas roupas e
nas maquilhagens, na entrada, no cenário, nas salas, no público. porque
um espectáculo constrói-se como um todo desde o início. eh pá arrisco
tanto a ser agora muito pirosa mas até senti fogo de artifício dentro da
cabeça, do estômago e do coração. o boris vian. não é uma peça de
teatro. é um espectáculo onde mostro quem ele foi, com cenas e textos e
músicas dele. interrompi a construção deste espectáculo quando vim morar
para aqui, precisei de enfiar a cabeça também dentro de caixotes
(malino 2012). e hoje, quando preparei a mochila para as minhas
deambulações pus lá o meu querido boris. e a cabeça a repetir ena pá ena
pá ena pá.
já tenho alguma coisa feita mas falta muito trabalho,
muitas leituras, muitas pesquisas mas ele vai chegar. faço esta parte
mais sozinha para que ninguém me faça desistir. depois pego nos meus
miúdos e vamos todos subir ao palco e vamos borisvianar. vamos
borisvianar. vamos borisvianar. vamos borisvianar. ena pá.
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
então vamos lá Borisvianar
já tenho as ideias a tomar forma. sempre que penso um espectáculo, sempre que tivémos de o fazer sem rede, que o faço ao contrário. penso primeiro no cenário, nas roupas, na postura, no tom de palavras que ainda não existem. e é por aí que a minha cabeça anda. com Boris Vian no metro. com Boris Vian em casa. com Boris Vian em todo o lado.
desde o último post que recebi algumas pistas e ajudas. agora já tenho umas ideias mais concretas do que quero para este espectáculo. a ideia central é o humor negro de Boris Vian. alguém que morre de ataque cardíaco aos 39 anos enquanto assiste a uma adaptação medíocre do seu bombástico livro "J'irai cracher sur vos tombes" não merece outra coisa. um verdadeiro artista até na morte.
para isso já tenho alguns textos seleccionados, sobretudo poemas narrados e citações. o que eu vos queria pedir, oh gentes que escrevem tão melhor do que eu, era que pensassem nas personagens de Boris Vian e escrevessem sobre elas. ao tom borisvianesco se se atreverem. se não ao vosso tom, se se atreverem também. Colin, Chloé, Jacquemort ou os três irmãos Noël, Joël e Citroën, ou ainda o terrível Lee Anderson. queria também que me enviassem alguns textos sobre livros dele. não no tom de crítica literária ou outra comichão dessas. em tom borisviânico ou vosso. como preferirem.
seja como for este é um espectáculo aberto a todos, quero mais gente a borisvianar. quero todos a borisvianar.
aguardo contribuições para o e-mail rosa.b.azev@gmail.com e deixo-vos de presente esta beleza sem fim. é o maior, caramba.
Monsieur le Président,
je vous fais une lettre,
que vous lirez peut-être,
si vous avez le temps.
Je viens de recevoir
mes papiers militaires
pour partir à la guerre
avant mercredi soir.
Monsieur le Président
je ne veux pas le faire,
je ne suis pas sur terre
pour tuer de pauvres gens.
C'est pas pour vous fâcher,
il faut que je vous dise,
ma décision est prise,
je m'en vais déserter.
Depuis que je suis né,
j'ai vu mourir mon père,
j'ai vu partir mes frères,
et pleurer mes enfants.
Ma mère a tant souffert,
qu'elle est dedans sa tombe,
et se moque des bombes,
et se moque des vers.
Quand j'étais prisonnier
on m'a volé ma femme,
on m'a volé mon âme,
et tout mon cher passé.
Demain de bon matin,
je fermerai ma porte
au nez des années mortes
j'irai sur les chemins.
Je mendierai ma vie,
sur les routes de France,
de Bretagne en Provence,
et je crierai aux gens:
refusez d'obéir,
refusez de la faire,
n'allez pas à la guerre,
refusez de partir.
S'il faut donner son sang,
allez donner le vôtre,
vous êtes bon apôtre,
monsieur le Président.
Si vous me poursuivez
prévenez vos gendarmes
que je n'aurai pas d'armes
et qu'ils pourront tirer.
desde o último post que recebi algumas pistas e ajudas. agora já tenho umas ideias mais concretas do que quero para este espectáculo. a ideia central é o humor negro de Boris Vian. alguém que morre de ataque cardíaco aos 39 anos enquanto assiste a uma adaptação medíocre do seu bombástico livro "J'irai cracher sur vos tombes" não merece outra coisa. um verdadeiro artista até na morte.
para isso já tenho alguns textos seleccionados, sobretudo poemas narrados e citações. o que eu vos queria pedir, oh gentes que escrevem tão melhor do que eu, era que pensassem nas personagens de Boris Vian e escrevessem sobre elas. ao tom borisvianesco se se atreverem. se não ao vosso tom, se se atreverem também. Colin, Chloé, Jacquemort ou os três irmãos Noël, Joël e Citroën, ou ainda o terrível Lee Anderson. queria também que me enviassem alguns textos sobre livros dele. não no tom de crítica literária ou outra comichão dessas. em tom borisviânico ou vosso. como preferirem.
seja como for este é um espectáculo aberto a todos, quero mais gente a borisvianar. quero todos a borisvianar.
aguardo contribuições para o e-mail rosa.b.azev@gmail.com e deixo-vos de presente esta beleza sem fim. é o maior, caramba.
Monsieur le Président,
je vous fais une lettre,
que vous lirez peut-être,
si vous avez le temps.
Je viens de recevoir
mes papiers militaires
pour partir à la guerre
avant mercredi soir.
Monsieur le Président
je ne veux pas le faire,
je ne suis pas sur terre
pour tuer de pauvres gens.
C'est pas pour vous fâcher,
il faut que je vous dise,
ma décision est prise,
je m'en vais déserter.
Depuis que je suis né,
j'ai vu mourir mon père,
j'ai vu partir mes frères,
et pleurer mes enfants.
Ma mère a tant souffert,
qu'elle est dedans sa tombe,
et se moque des bombes,
et se moque des vers.
Quand j'étais prisonnier
on m'a volé ma femme,
on m'a volé mon âme,
et tout mon cher passé.
Demain de bon matin,
je fermerai ma porte
au nez des années mortes
j'irai sur les chemins.
Je mendierai ma vie,
sur les routes de France,
de Bretagne en Provence,
et je crierai aux gens:
refusez d'obéir,
refusez de la faire,
n'allez pas à la guerre,
refusez de partir.
S'il faut donner son sang,
allez donner le vôtre,
vous êtes bon apôtre,
monsieur le Président.
Si vous me poursuivez
prévenez vos gendarmes
que je n'aurai pas d'armes
et qu'ils pourront tirer.
quarta-feira, 14 de março de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
vamos fazer um espectáculo oh vamos borisvianar
amigos,
há projectos que passamos a vida a adiar. Eu faço isso muitas vezes, porque nem sempre as razões para os iniciar são as melhores razões.
Faz agora três anos eu e a J. apresentámos um mini espectáculo no bairro alto sobre o Boris Vian. Com uma cortina vermelha, livros e algumas notas falávamos da vida dele, líamos textos, adoptávamos algum do espírito surrealista tão borisvianista, tudo ao som da música dele.
Desde aí que me apetece fazer um espectáculo todo ele Boris Vian mas um bocado mais desenvolvido do que este. Com mais aspectos da vida dele, curiosidades, sentido de humor. Quero perceber melhor a cabeça dele, o génio, o que o levava a escrever assim, quem foi esta personagem ao mesmo tempo tão doce, escatológica, fria, imaginativa e com um sentido de humor irrepetível. Já comecei muitas vezes a pensar este espectáculo, sozinha e com outras pessoas, mas nunca o terminei. Já li muitas coisas, aprendi muitas coisas mas serão sempre mais as que me faltam aprender do que as que sei.
É aí que vocês entram. Decidi escrever este espectáculo sozinha e depois procurar "as minhas pessoas" para o representarem comigo. Mas já sabem que não faço nada realmente sozinha até porque anda certamente por aí muito boa opinião sobre Boris Vian. E imagens, e músicas. E quem o deteste. E quem saiba segredos. E quem queira só falar comigo. Eu quero falar sobre ele. Podemos fazer isso em cafés, em chats, no meu palácio, ou por e-mail (rosa.b.azev@gmail.com), ou pelo blog.
Vamos pensar Boris Vian. Falar de Boris Vian. Ouvir Boris Vian. Vamos borisvianar.
há projectos que passamos a vida a adiar. Eu faço isso muitas vezes, porque nem sempre as razões para os iniciar são as melhores razões.
Faz agora três anos eu e a J. apresentámos um mini espectáculo no bairro alto sobre o Boris Vian. Com uma cortina vermelha, livros e algumas notas falávamos da vida dele, líamos textos, adoptávamos algum do espírito surrealista tão borisvianista, tudo ao som da música dele.
Desde aí que me apetece fazer um espectáculo todo ele Boris Vian mas um bocado mais desenvolvido do que este. Com mais aspectos da vida dele, curiosidades, sentido de humor. Quero perceber melhor a cabeça dele, o génio, o que o levava a escrever assim, quem foi esta personagem ao mesmo tempo tão doce, escatológica, fria, imaginativa e com um sentido de humor irrepetível. Já comecei muitas vezes a pensar este espectáculo, sozinha e com outras pessoas, mas nunca o terminei. Já li muitas coisas, aprendi muitas coisas mas serão sempre mais as que me faltam aprender do que as que sei.
É aí que vocês entram. Decidi escrever este espectáculo sozinha e depois procurar "as minhas pessoas" para o representarem comigo. Mas já sabem que não faço nada realmente sozinha até porque anda certamente por aí muito boa opinião sobre Boris Vian. E imagens, e músicas. E quem o deteste. E quem saiba segredos. E quem queira só falar comigo. Eu quero falar sobre ele. Podemos fazer isso em cafés, em chats, no meu palácio, ou por e-mail (rosa.b.azev@gmail.com), ou pelo blog.
Vamos pensar Boris Vian. Falar de Boris Vian. Ouvir Boris Vian. Vamos borisvianar.
domingo, 5 de abril de 2009
Se os Poetas Fossem Menos Patetas - Boris Vian
Se os poetas fossem menos patetas
E se fossem menos preguiçosos
Faziam toda a gente feliz
Para poderem tratar em paz
Dos seus sofrimentos literários
Construíam casas amarelas
Com grandes jardins à frente
E árvores cheias de zaves
De mirliflautas e lizores
De melfiarufos e toutiverdes
De plumuchos e picapães
E pequenos corvos vermelhos
Que soubessem ler a sina
Havia grandes repuxos
Com luzes por dentro
Havia duzentos peixes
Desde o crusco ao ramussão
Da libela ao papamula
Da orfia ao rara curul
E da alvela ao canissão
Havia um ar novo
Perfumado do odor das folhas
Comia-se quando se quisesse
E trabalhava-se sem pressa
A construir escadarias
De formas antes nunca vistas
Com madeiras raiadas de lilás
Lisas como ela sob os dedos
Mas os poetas são uns patetas
Escrevem para começar
Em vez de se porem a trabalhar
E isso traz-lhes um remorso
Que conservam até à morte
Encantados de ter sofrido tanto
Dedicam-lhes grandes discursos
E são esquecidos num dia
Mas se trabalhassem mais
Só seriam esquecidos em dois
E se fossem menos preguiçosos
Faziam toda a gente feliz
Para poderem tratar em paz
Dos seus sofrimentos literários
Construíam casas amarelas
Com grandes jardins à frente
E árvores cheias de zaves
De mirliflautas e lizores
De melfiarufos e toutiverdes
De plumuchos e picapães
E pequenos corvos vermelhos
Que soubessem ler a sina
Havia grandes repuxos
Com luzes por dentro
Havia duzentos peixes
Desde o crusco ao ramussão
Da libela ao papamula
Da orfia ao rara curul
E da alvela ao canissão
Havia um ar novo
Perfumado do odor das folhas
Comia-se quando se quisesse
E trabalhava-se sem pressa
A construir escadarias
De formas antes nunca vistas
Com madeiras raiadas de lilás
Lisas como ela sob os dedos
Mas os poetas são uns patetas
Escrevem para começar
Em vez de se porem a trabalhar
E isso traz-lhes um remorso
Que conservam até à morte
Encantados de ter sofrido tanto
Dedicam-lhes grandes discursos
E são esquecidos num dia
Mas se trabalhassem mais
Só seriam esquecidos em dois
terça-feira, 24 de março de 2009
borisviana-se clandestinamente
É já na 6a, eu a Joana e Boris Vian, entre o dia do teatro e o da poesia
no Clandestino do Bairro Alto
Rua da Barroca
27 de Março
22h
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Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a Snob e o...



