"Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas
(clicar para ler a página)
Ler autores clássicos, como Shakespeare, William Wordsworth e T.S.
Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos
do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de
Liverpool publicado nesta terça-feira (15).
Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da
universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que
leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas
passagens traduzidas para a "linguagem coloquial".
Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico "Daily
Telegraph", mostram que a atividade do cérebro "dispara" quando o leitor
encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica
complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com
fórmulas de uso cotidiano.
Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do
indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses
como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip
Larkin.
Os especialistas descobriram que a poesia "é mais útil que os livros de
autoajuda", já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas
as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e
entendê-los desde outra perspectiva.
"A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de
experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao
conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças", explica o
professor David, encarregado de apresentar o estudo.
Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como
afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos
da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de
Charles Dickens."
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
a morte do autor
Temos os nossos livros viciados. A leitura viciada. Os hábitos viciados. A escrita viciada. Escreve-se nas normas, andámos para trás. Há normas para escrever, para ler, para criticar. Não somos livres. Temos ideias feitas de escritores e poetas, ficção, ensaio, sabemos de cada autor o que diz, o que pensa, orientação política, vida privada. Nem sempre sabemos o que escreve.
Estamos viciados na ideia de autor. Na caixa do autor. No estilo inconfundível do autor. O autor assassinou os seus próprios textos ao criar uma caixa muito bem decorada e se ter enfiado nela. O autor tem capas bonitas e paginação bonita. O autor vive de prémios e telejornais. O autor veste-se bem e apresenta-se com os seus amigos e editores em lançamentos de livros sem história. O autor dorme bem. Come bem. Dedica algumas horas por dia à escrita, outras à família, outras à vida social. O autor nem precisa muito de escrever mas escrever “abriu-lhe portas”. E isso é bom para o autor. Fica feliz e assim ainda dorme melhor e escreve melhor.
As normas escondem os monumentos de papel, os poemas que cravam espinhos na pele, os livros necessários. Com a morte do autor talvez a arte se reveja melhor em si mesma. Se liberte e se autonomize. Se amantize consigo própria. Se revele revolucionária para dentro. Mude vidas, visões, posturas. Nos dê respostas, nos faça formular perguntas.
Eu não queria matar o autor. Coitado. Mas se tiver que ser, seja.
Com a morte do autor permitimo-nos refazer juntos a ideia de criação. Se não assinamos o papel ele não é nosso, é de quem o apanhar. A arte vira-se para “o outro” e “o outro” reutiliza-a. Cria outra história. A arte cresce e multiplica-se. E aí o autor também dorme melhor, come melhor. Mas por uma boa razão. Vá, uma razão melhor.
Estamos viciados na ideia de autor. Na caixa do autor. No estilo inconfundível do autor. O autor assassinou os seus próprios textos ao criar uma caixa muito bem decorada e se ter enfiado nela. O autor tem capas bonitas e paginação bonita. O autor vive de prémios e telejornais. O autor veste-se bem e apresenta-se com os seus amigos e editores em lançamentos de livros sem história. O autor dorme bem. Come bem. Dedica algumas horas por dia à escrita, outras à família, outras à vida social. O autor nem precisa muito de escrever mas escrever “abriu-lhe portas”. E isso é bom para o autor. Fica feliz e assim ainda dorme melhor e escreve melhor.
As normas escondem os monumentos de papel, os poemas que cravam espinhos na pele, os livros necessários. Com a morte do autor talvez a arte se reveja melhor em si mesma. Se liberte e se autonomize. Se amantize consigo própria. Se revele revolucionária para dentro. Mude vidas, visões, posturas. Nos dê respostas, nos faça formular perguntas.
Eu não queria matar o autor. Coitado. Mas se tiver que ser, seja.
Com a morte do autor permitimo-nos refazer juntos a ideia de criação. Se não assinamos o papel ele não é nosso, é de quem o apanhar. A arte vira-se para “o outro” e “o outro” reutiliza-a. Cria outra história. A arte cresce e multiplica-se. E aí o autor também dorme melhor, come melhor. Mas por uma boa razão. Vá, uma razão melhor.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
que isto são sensações de angústia
que isto são sensações de angústia. cansaço de palavras como flores. vida calma, paz e tranquilidade na escrita. é preciso outras coisas. é preciso artaud, al berto, valery, rimbaud. preciso de rimbaud e de pensar nas vontades que ele teve com aquelas mãos e que pôs tudo impiedosamente em papéis soltos e iluminados. é preciso testar. e é tão preciso saber dizer como LER. LER LER LER LER. não passar os olhos sobre manchas de tinta. é preciso emprestar livros, manchá-los de café, ouvir as capas a rasgar, colar lentamente as capas com fita-cola barata ao som da música de todos os dias. é preciso inventar carimbos para os livros para os ir escrevendo até à última leitura que treme por uma que será, aí sim, quem sabe, a última.
temos de nos desconfortar. amantizar. problematizar. desconformar. desrealizar. des-saber. desdizer.
angustiar. desensinar. desescrever.
porque escrever não é juntar letras. é saber dar horas de conversa com uma garrafa de vinho, e perder um pouco do sono de noite. e de dia. escrever é pedir-nos desesperadamente que percebamos todas as palavras mesmo que para isso tenhamos de desaprender cada uma das letras.
insaciem-se.
temos de nos desconfortar. amantizar. problematizar. desconformar. desrealizar. des-saber. desdizer.
angustiar. desensinar. desescrever.
porque escrever não é juntar letras. é saber dar horas de conversa com uma garrafa de vinho, e perder um pouco do sono de noite. e de dia. escrever é pedir-nos desesperadamente que percebamos todas as palavras mesmo que para isso tenhamos de desaprender cada uma das letras.
insaciem-se.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
ler como viajar e ao contrário também dá
Não pensem que isto de gostar tanto de livros é pacífico. Não é. Se calhar era mais fácil gostar de carros, porque nos transportam, de roupa porque a vestimos, de casas porque vivemos nelas, de cães porque nos fazem companhia, e tantos etceteras por aí fora. Gosto de tudo isso, mas gosto mesmo é de livros. E de viagens. Ao regressar da Argentina, numa longa e solitária viagem de avião + escalas + avião (e o medo que eu tenho...) pensei muito nesta paixão. Na dos livros, que de alguma forma era a mesma das viagens mas que eu não conseguia perceber muito bem. Não consegui pôr em palavras. Como se faz nos livros.
Então descobri. É a capacidade de me encantar. E é como um vício, viver a vida encantada. Descobrir ainda o que nos surpreende e comove e diverte. E encanta mais uma vez. E é isso que eu amo nos livros e nas viagens. É que nada é igual e somos sempre pequenos e estamos sempre a descobrir. A encantarmo-nos, mais uma vez. E tantas outras. Talvez tenha alguma alergia ao quotidiano, ou medo da repetição. E é por isso que estou feliz com esta descoberta. Ai, estou, estou. Porque quando descobri que o que amava nos livros e nas viagens era a surpresa boa, essa surpresa começou a estar presente também no quotidiano. E então não fui só feliz na Argentina. Sou feliz em todo o lado, todos os dias. É como uma fórmula mágica.
Então descobri. É a capacidade de me encantar. E é como um vício, viver a vida encantada. Descobrir ainda o que nos surpreende e comove e diverte. E encanta mais uma vez. E é isso que eu amo nos livros e nas viagens. É que nada é igual e somos sempre pequenos e estamos sempre a descobrir. A encantarmo-nos, mais uma vez. E tantas outras. Talvez tenha alguma alergia ao quotidiano, ou medo da repetição. E é por isso que estou feliz com esta descoberta. Ai, estou, estou. Porque quando descobri que o que amava nos livros e nas viagens era a surpresa boa, essa surpresa começou a estar presente também no quotidiano. E então não fui só feliz na Argentina. Sou feliz em todo o lado, todos os dias. É como uma fórmula mágica.
quarta-feira, 30 de março de 2011
O que dizer do nosso Encontro
Tenho pensado muito no nosso Encontro Livreiro, em Setúbal, na Livraia Culsete. Foi importante a tantos níveis e em tantos sítios do coração. Ouvir o Livreiro Velho, o Manuel Medeiros, foi bom bom bom e tenho algumas frases dele ainda a ecoar na memória. "Temos de deixar de pintar folhas verdes e começar a regar as raízes". Em época de turbulência política onde a revolução parece urgente e essencial creio que o meu papel (e o dos nossos amigos dos livros, que correram a Setúbal) é muito mais ajudar a uma revolução interior, cultural, que nos direccione a caminho de um conhecimento maior de nós. É isso que os livros fazem, como se concluiu (entre muitas outras coisas) neste Encontro. Que temos de ler, porque é urgente sair das rotinas que o corpo faz sozinho, sem nós, que adormecem o espírito crítico, o discernimento pessoal. Os livros ajudam-nos a escolher quem queremos ser e com isso dão-nos liberdade.
No encontro foi isso que o livreiro velho e todos os outros disseram num ou noutro tom. Que ler é bom, que não é bom ler todos os livros (neste ponto alguns discordaram). Que é bom falarmos uns com os outros com um copo de moscatel. Que temos de saber quem somos porque temos coisas a dizer, muitas coisas. E saímos todos de lá com vontade de ficar, porque ficou um mundo de histórias para contar.
Um bem haja a quem "nos" inventou, Encontro Livreiro. E a quem esteve e a quem se deixou revolucionar, mais um pouco.
No encontro foi isso que o livreiro velho e todos os outros disseram num ou noutro tom. Que ler é bom, que não é bom ler todos os livros (neste ponto alguns discordaram). Que é bom falarmos uns com os outros com um copo de moscatel. Que temos de saber quem somos porque temos coisas a dizer, muitas coisas. E saímos todos de lá com vontade de ficar, porque ficou um mundo de histórias para contar.
Um bem haja a quem "nos" inventou, Encontro Livreiro. E a quem esteve e a quem se deixou revolucionar, mais um pouco.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A Literatura
Ontem disseram-me assim: A Literatura é o que eu gostar de ler.
Discutível, insólito, quase errado.
Mas eu roí-me de inveja.
Discutível, insólito, quase errado.
Mas eu roí-me de inveja.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
o gasolineiro dos açores devorador de clássicos
Pronto, está uma pessoa a trabalhar nos livros a vida toda a tentar não ler pouco, a sofrer porque não lê mais e vai o Onésimo Teotónio Almeida de encontrar um gasolineiro nos Açores que lê mais e melhor que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido até hoje. E que lê porque isso lhe faz bem à alma. Só.
O senhor dá pelo nome de Ângelo Bento Melo e é uma delícia. Passo o preconceito de todos acharem que uma pessoa com a vida do Ângelo não lê. Mas já agora aproveito para passar o preconceito de que assim, ninguém lê. Mas que este lê, lê, nada no discurso dele nos faz duvidar. E tem uma lista com os Prémio Nobel e vai riscando os que lê. E já leu 21. E já leu muito mais e muito bem.
Estou encantada e comovida com o Ângelo. E com a chapada que o artigo me deu. Que eu sempre fui muito boa a receber chapadas e a saber aproveitá-las muito bem. Li o artigo (Revista Ler deste mês, imperdível como sempre) e foi logo um Borges e um Millas de seguida. Por causa das tosses...
O senhor dá pelo nome de Ângelo Bento Melo e é uma delícia. Passo o preconceito de todos acharem que uma pessoa com a vida do Ângelo não lê. Mas já agora aproveito para passar o preconceito de que assim, ninguém lê. Mas que este lê, lê, nada no discurso dele nos faz duvidar. E tem uma lista com os Prémio Nobel e vai riscando os que lê. E já leu 21. E já leu muito mais e muito bem.
Estou encantada e comovida com o Ângelo. E com a chapada que o artigo me deu. Que eu sempre fui muito boa a receber chapadas e a saber aproveitá-las muito bem. Li o artigo (Revista Ler deste mês, imperdível como sempre) e foi logo um Borges e um Millas de seguida. Por causa das tosses...
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Os tantos e tantas que falam de livros
Há por cá uma grande falta de pessoas que façam cursos de Literatura e que gostem de falar de Literatura. Falar de livros, só. E quando se fala, fala-se sempre de forma quadrada, controlada, académica. E esta abordagem terá sempre alguns fãs, claro. Eu não.
Anda aí um grupo literário / editorial / outros que faz cursos que custam dez vezes mais do que o curso que eu dei na Trama, o que fecha ainda mais o círculo e o público alvo. O que faz falta é falar a quem não costuma pensar e viver com os livros. É preciso que os livros saiam de vez do seu tétrico mundo intelectual para cair nas mãos de todos. E com isto refiro-me, claro, a bons livros.
Tenho as melhores e mais emocionantes experiências das vezes em que conseguimos falar verdadeiramente sobre livros. Falar de livros na mão. Livros e pessoas reais.
É preciso que exista também alguma emoção. Se não os livros deixam de fazer sentido.
Anda aí um grupo literário / editorial / outros que faz cursos que custam dez vezes mais do que o curso que eu dei na Trama, o que fecha ainda mais o círculo e o público alvo. O que faz falta é falar a quem não costuma pensar e viver com os livros. É preciso que os livros saiam de vez do seu tétrico mundo intelectual para cair nas mãos de todos. E com isto refiro-me, claro, a bons livros.
Tenho as melhores e mais emocionantes experiências das vezes em que conseguimos falar verdadeiramente sobre livros. Falar de livros na mão. Livros e pessoas reais.
É preciso que exista também alguma emoção. Se não os livros deixam de fazer sentido.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Andamos rodeados de livros e pensamentos sobre a poesia quando a verdade pode ser tão mais esta
Hay en el mundo poetas que jamás escribieron versos. Y tampoco los leyeron. Poco saben de leer, y aún menos de escribir. Mi idioma ellos no hablan, pero nombran los pajaros las hierbas del campo... Con los árboles conversan, a su sombra agradecen y sus memorias escuchan.
Saben el rumbo del viento y el color de la lluvia, el tiempo de la sembradura y el tiempo de los frutos. Las huellas de las fieras reconocen y cuidan.
Nunca entraron en una iglesia. Rezan al sol y a la tierra, saben cantos de otras eras, pieles tocan y maderas. No hay cuerdas que no desvelen, sus ojos mirando en la danza no el cielo sino la arena.
Y cuando alfin acaban sus andares en los días, de todo se despiden sin amargura y sin pena. Sabiendo que serán tierra luz hojas semillas ojos de niños abrazos agua del río panteras.
Y los versos que escribieron son sus pasos en la vida, marcas que no tienen olvido.
Anna Fresu
Saben el rumbo del viento y el color de la lluvia, el tiempo de la sembradura y el tiempo de los frutos. Las huellas de las fieras reconocen y cuidan.
Nunca entraron en una iglesia. Rezan al sol y a la tierra, saben cantos de otras eras, pieles tocan y maderas. No hay cuerdas que no desvelen, sus ojos mirando en la danza no el cielo sino la arena.
Y cuando alfin acaban sus andares en los días, de todo se despiden sin amargura y sin pena. Sabiendo que serán tierra luz hojas semillas ojos de niños abrazos agua del río panteras.
Y los versos que escribieron son sus pasos en la vida, marcas que no tienen olvido.
Anna Fresu
quarta-feira, 17 de março de 2010
Esta semana é a escondida polémica dos livros - mais uma vez a Leya a protagonizar a visão do livro como mercadoria
Pode-se ler no último JL:
"José da Cruz Santos denunciou recentemente a destruição de 40 mil exeplares de 96 títulos por si publicados na ASA ao longo da última década. Entre eles contam-se obras de autores tão importantes como Vasco Graça Moura (12 títulos), António Ramos Rosa (8), Eugénio de Andrade (5), Urbano Tavares Rodrigues (5), Maria Helena Rocha Pereira (2), Fernão Lopes, Almeida Garret, Eduardo Lourenço, Jorge de Sena, Paulo Quintela, Mário Cláudio, Albano Martins, Manuel António Pina, J. M. Fernandes Jorge, Maria Alzira Seixo, etc. etc., etc..
(...) José da Cruz Santos afirma que a Leya lhe terá enviado uma carta, em Março de 2008, com uma proposta de livros para abate, a que o editor respondeu criticando a medida e sugerindo a oferta das obras a instituições como escolas, prisões e hospitais. "Provavelmente não o quiseram fazer devido aos problemas fiscais e económicos que isso representaria. Mas com o tamanho e importância que o grupo tem, poderiam ter negociado com o Ministério das Finanças." Vasco Graça Moura é um dos autores que viu as suas obras guilhotinadas. Ouvido pelo JL, revelou-nos que não foi avisado pela editora, ficando impossibilitado de comprar os livros que quisesse."
"José da Cruz Santos denunciou recentemente a destruição de 40 mil exeplares de 96 títulos por si publicados na ASA ao longo da última década. Entre eles contam-se obras de autores tão importantes como Vasco Graça Moura (12 títulos), António Ramos Rosa (8), Eugénio de Andrade (5), Urbano Tavares Rodrigues (5), Maria Helena Rocha Pereira (2), Fernão Lopes, Almeida Garret, Eduardo Lourenço, Jorge de Sena, Paulo Quintela, Mário Cláudio, Albano Martins, Manuel António Pina, J. M. Fernandes Jorge, Maria Alzira Seixo, etc. etc., etc..
(...) José da Cruz Santos afirma que a Leya lhe terá enviado uma carta, em Março de 2008, com uma proposta de livros para abate, a que o editor respondeu criticando a medida e sugerindo a oferta das obras a instituições como escolas, prisões e hospitais. "Provavelmente não o quiseram fazer devido aos problemas fiscais e económicos que isso representaria. Mas com o tamanho e importância que o grupo tem, poderiam ter negociado com o Ministério das Finanças." Vasco Graça Moura é um dos autores que viu as suas obras guilhotinadas. Ouvido pelo JL, revelou-nos que não foi avisado pela editora, ficando impossibilitado de comprar os livros que quisesse."
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Acabei a minha noite de ontem a discutir com um amigo que livro lhe ia eu emprestar, eu que nunca antes lhe emprestara um livro. Espinhosa missão.
Iniciámos um jogo que mais parecia aquele jogo dos miúdos, de que agora não me lembro o nome, onde íamos eliminando bonequinhos com perguntas tipo "usa chapéu?" ou "usa bigode"?
Então era assim:
É português? ("usa óculos?") click
É sul americano? ("é ruivo?") click
É mulher? ("é mulher?") click (esta é igual!)
É poesia? ("tem barba?") click
Bem, a diferença é que no jogo eliminamos os "nãos" e ele queria que eu eliminasse os "sins". Saiu de lá com uma mulher e um sul americano, seis meses de prazo para ler, uma promessa minha de ler um livro "dos dele", e alguma má vontade. Vamos lá ver quem ganha esta batalha. Duvido que seja eu. O preconceito é um adversário cheio de boas armas.
Iniciámos um jogo que mais parecia aquele jogo dos miúdos, de que agora não me lembro o nome, onde íamos eliminando bonequinhos com perguntas tipo "usa chapéu?" ou "usa bigode"?
Então era assim:
É português? ("usa óculos?") click
É sul americano? ("é ruivo?") click
É mulher? ("é mulher?") click (esta é igual!)
É poesia? ("tem barba?") click
Bem, a diferença é que no jogo eliminamos os "nãos" e ele queria que eu eliminasse os "sins". Saiu de lá com uma mulher e um sul americano, seis meses de prazo para ler, uma promessa minha de ler um livro "dos dele", e alguma má vontade. Vamos lá ver quem ganha esta batalha. Duvido que seja eu. O preconceito é um adversário cheio de boas armas.
sábado, 5 de dezembro de 2009
os meus livros
Tenho com os livros uma relação obsessiva de amor. E eles não se queixam, é recíproco. Ando obsessivamente com livros dentro da mala que depois não leio, se leio não gosto, corro para apanhar o metro, para o Pingo Doce, para o trabalho, adormeço nos transportes, em casa tenho noites de amigos à espera. Não os leio, não tenho tempo para eles. Mas às vezes leio só uma página e treme-me a alma e o corpo. Estou com o João à janela, imito um polvo que lê, tiro um livro ao acaso (para o dito polvo) e ele mostra-me um poema de Manuel António Pina que ele (como outros, como ele diz) completou. Com o João lá em casa dá-me saudades de Boris Vian e vou à estante e encontro fora do sítio um livro de Sartre que não me lembrava de ter. E lembro-me do livro de Sartre que comprei na Trama e que ainda não li, vou buscá-lo, meto na mala. E ao pensar na Trama lembro-me do Clube do Livro, lembro-me que nunca acabei o Mesmo Mar, do Amos Oz, que como é prosa poética fica ao pé de mim para perto dos livros de poesia que dormem ao meu lado e me mostram um poema por dia, sempre antes de dormir. E vejo a Antologia de Poesia que o Tiago me deu, que está ao lado da Bíblia que leio às vezes, que me fez rir com a história de Abel e Caim, que me faz lembrar o a Leste do Paraíso, do Steinbeck, que parte dessa história, e que foi o livro que mais amei e penso no filme de Kazan.
Os livros são isto para mim, mesmo que não tenha tempo para os ler, já os li quase todos e fazem parte da minha memória, do meu dia, dos meus gestos quotidianos. Sou apaixonada por eles.
Os livros são isto para mim, mesmo que não tenha tempo para os ler, já os li quase todos e fazem parte da minha memória, do meu dia, dos meus gestos quotidianos. Sou apaixonada por eles.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
este mundo editorial que nos calhou na calha
É impossível separar o mundo editorial do mundo dos livros em si. Abri o Público hoje de manhã e irritei-me ainda pela fresca com a cara do Lobo Antunes na capa do Ípsilon. Porque lentamente estes escritores deixaram de ser escritoes para serem os "escritores-do-natal". Se calhar ainda estou de ressaca pelos anos passados a trabalhar na Fnac, mas agora que já lá não estou esta questão torna-se mais forte do que alguma vez foi. O Saramago já não é o Caim, é 16€ e a publicidade gratuita ao livro que abre o Telejornal - "cena dos maus costumes, etc". Mas vou ler, mesmo assim, o que é que hei-de fazer, ainda não me virtuei depois de anos de "desvirtuamento comercial" relativamente aos livros. Mas gosto deles,ainda.
Como diz o nosso manifesto dos mal-comportados (ainda por divulgar, levanto só a ponta do véu), "A poesia não se vende, saboreia-se". E eu tenho saudades desse sabor. Só por isso vou para casa carimbar os meus livros e transportá-los para a casa nova.
Como diz o nosso manifesto dos mal-comportados (ainda por divulgar, levanto só a ponta do véu), "A poesia não se vende, saboreia-se". E eu tenho saudades desse sabor. Só por isso vou para casa carimbar os meus livros e transportá-los para a casa nova.
sábado, 19 de setembro de 2009
Há livros que fazem comichão
E o A Sombra do Vento é um deles. Não é mau mas também não é bom, não é chato de ler mas não apaixona, não é carne nem peixe, não é boooom nem piroooooso. Eu não li, é puro preconceito. E boatos.
domingo, 26 de abril de 2009
Porque lemos?
Depois de tantas reflexões à volta dos livros e da leitura fiquei com a pergunta às voltas na cabeça: afinal porque é que lemos?
E hoje apetece-me responder sem filosofias, talvez porque já seja tarde e estou demasiadamente cansada, ou porque faz muita falta voltarmos a tratar os livros por tu.
Eu leio porque gosto dos livros. Porque de manhã vou no combóio e estou a caminho de um dia comprido de trabalho e quero viajar um bocadinho antes de lá chegar. Leio porque gosto de histórias, de conhecer pessoas com quem nunca me vou cruzar e sítios a que nunca hei-de ir porque estão na cabeça dos autores e não nos mapas. Leio porque estou e férias e fico mesmo feliz por ter tempo para ler. Leio porque acredito que a escrita é a forma mais pura de falar. De mandar mensagens ao mundo ou só a uma pessoa. Leio porque os livros pelos quais somos loucamente apaixonados são o assunto mais encantador que se pode ter numa conversa de café. Leio porque sou dotada de uma curiosidade doentia (só com os livros). Leio porque muitas vezes fui salva por um livro, quando o real diário se tornava insustentável. Leio também porque os livros são objectos bonitos. E há uns que são mesmo bonitos. E além disso são objectos que podem andar sempre connosco e o conforto é também termos connosco todo o dia o que de nosso é mais bonito. Nunca me vou fartar de ler nem de livros. O facto de trabalhar com livros não me saturou, conseguiu apenas que eles se tornassem a minha casa.
Vou viver com eles e para eles o resto da minha vida.
E hoje apetece-me responder sem filosofias, talvez porque já seja tarde e estou demasiadamente cansada, ou porque faz muita falta voltarmos a tratar os livros por tu.
Eu leio porque gosto dos livros. Porque de manhã vou no combóio e estou a caminho de um dia comprido de trabalho e quero viajar um bocadinho antes de lá chegar. Leio porque gosto de histórias, de conhecer pessoas com quem nunca me vou cruzar e sítios a que nunca hei-de ir porque estão na cabeça dos autores e não nos mapas. Leio porque estou e férias e fico mesmo feliz por ter tempo para ler. Leio porque acredito que a escrita é a forma mais pura de falar. De mandar mensagens ao mundo ou só a uma pessoa. Leio porque os livros pelos quais somos loucamente apaixonados são o assunto mais encantador que se pode ter numa conversa de café. Leio porque sou dotada de uma curiosidade doentia (só com os livros). Leio porque muitas vezes fui salva por um livro, quando o real diário se tornava insustentável. Leio também porque os livros são objectos bonitos. E há uns que são mesmo bonitos. E além disso são objectos que podem andar sempre connosco e o conforto é também termos connosco todo o dia o que de nosso é mais bonito. Nunca me vou fartar de ler nem de livros. O facto de trabalhar com livros não me saturou, conseguiu apenas que eles se tornassem a minha casa.
Vou viver com eles e para eles o resto da minha vida.
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Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX
O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...