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terça-feira, 26 de novembro de 2013

poetolatry, n.


[‘ The worship or immoderate veneration of poets.’]
Pronunciation: Brit. /ˌpəʊᵻˈtɒlətri/,  U.S. /ˌpoʊəˈtɑlətri/
Etymology: <  poet n. + -olatry comb. form. Compare earlier bardolatry n.
Apparently coined by C. S. Lewis (see quot 1936 at main sense).
 rare.
The worship or immoderate veneration of poets.
1936  C. S. Lewis in Ess. & Stud. 21 165 There is yet another way in which Personal Heresy offends against personality;..I am referring to the growth of what may be called Poetolatry.
1939  E. M. W. Tillyard  & C. S. Lewis Personal Heresy v. 104 Naturalism..wants poets to be a separate race of great souls or mahatmas. Poetolatry is the natural result, for if there were such a race..those who know no higher deity would do well to worship them.
2000  E. Alsen New Romanticism iii. 241 Romantic ‘poetolatry’ has produced a tradition of phoney..individuality.
Derivatives
 
 poeˈtolater n. a person who practises poetolatry; a worshipper of poets.
1936  C. S. Lewis in Ess. & Stud. 21 167 Most poetolaters hold that a dead man has no consciousness.
 
 

OED Online Word of the Day

 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

cesariny lê autografia



cesariny lê o seu poema Autografia, o poema mais perfeito do séc. XX.
audio retirado do doc "Autografia" de Miguel Gonçalves Mendes.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

o nosso poeta

o meu primeiro poeta que morreu foi o antónio gedeão. é verdade. eu era pequena e adorava-o, andava com ele para cima e para baixo, achava que ele tinha um poder qualquer de me dar respostas quando eu andava desorientada. quando ele morreu eu tinha 15 anos e chorei a noite toda. eu era uma bomba emocional na altura mas aquilo custou-me como se o conhecesse. era uma relação de intimidade e proximidade que só se tem com os poetas.
hoje foi o dia do ramos rosa. tive desde muito cedo também uma relação de intimidade com este meu poeta. o meu primeiro blog de poesia tinha o nome de um verso dele. citava-o sempre em ocasiões que parecia que não era ele quem se esperava. aproximou-me de muitos amigos que o conheciam como eu. foi o primeiro livro que me angustei de ter perdido e que era um livro de um equilíbrio perfeito, Viagem através duma nebulosa. os livros dele foram das melhores prendas que fui recebendo sempre em dias importantes. há sempre qualquer coisa que vai com eles, com os nossos poetas que não ficam. secam as palavras, as deles e as deles nos nossos olhos. a obra cristaliza. fica a poesia que se desmultiplica. deixou-nos dezenas de livros, um deles perfeito. é, para mim, o maior legado. deixo-vos o poema dele que muitos dias me ecoa na cabeça. foi meu muitas vezes e oferecido por ele a mim e por mim a tantos.

perdoem-me se puderem o excesso de emoção, mas há poucas outras formas para dias como o de hoje.

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol. 



terça-feira, 6 de agosto de 2013

quarta-feira, 5 de junho de 2013

quando este herberto helder me andava a deixar ligeiramente ansiosa pela falta de bombas eis que esta rebenta no meu colo


nunca mais quero escrever numa língua voraz,
porque já sei que não há entendimento,
quero encontrar uma voz paupérrima,
para nada atmosférico de mim mesmo: um aceno de mão rasa
abaixo do motor da cabeça, 
tanto a noite caminhando quanto a manhã que irrompe,
uma e outra só acham
a poeira do mundo:
antes fosse a montanha ou o abismo -
estou farto de tanto vazio à volta de nada,
porque não é língua onde se morra,
esta cabeça não é minha, dizia o amigo do amigo, que me disse,
esta morte não me pertence, 
este mundo não é o outro mundo que a outra cabeça urdia
como se urdem os subúrbios do inferno
num poema rápido tão rápido que não doa
e passa-se numa sala com livros, flores e tudo,
e não é justo, merda!
quero criar uma língua tão restrita que só eu saiba,
e falar nela de tudo o que não faz sentido
nem se pode traduzir no pânico de outras línguas,
e estes livros, estas flores, quem me dera tocá-los numa vertigem
como quem fabrica uma festa, um teorema, um absurdo,
ah! um poema feito sobretudo de fogo forte e silêncio

Herberto Helder 
Servidões
2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

arquitectos&poesia


Uma pedra na cabeça da mulher; e na cabeça
da casa, uma luz violenta.
Anda um peixe comprido pela cabeça do gato.
A mulher senta-se no tempo e a minha melancolia
pensa-a, enquanto
o gato imagina a elevada casa.
Eternamente a mulher da mão passa a mão
pelo gato abstracto,
e a casa e o homem que eu vou ser
são minuto a minuto mais concretos.

A pedra cai na cabeça do gato e o peixe
gira e pára no sorriso
da mulher da luz. Dentro da casa,
o movimento obscuro destas coisas que não encontram
palavras.
Eu próprio caio na mulher, o gato
adormece na palavra, e a mulher toma
a palavra do gato no regaço.
Eu olho, e a mulher é a palavra.

Palavra abstracta que arrefeceu no gato
e agora aquece na carne
concreta da mulher.
A luz ilumina a pedra que está
na cabeça da casa, e o peixe corre cheio
de originalidade por dentro da palavra.
Se toco a mulher toco o gato, e é apaixonante.
Se toco (e é apaixonante)
a mulher, toco a pedra. Toco o gato e a pedra.
Toco a luz, ou a casa, ou o peixe, ou a palavra.
Toco a palavra apaixonante, se toco a mulher
com seu gato, pedra, peixe, luz e casa.
A mulher da palavra. A Palavra.

Deito-me e amo a mulher. E amo
o amor na mulher. E na palavra, o amor.
Amo com o amor do amor,
não só a palavra, mas
cada coisa que invade cada coisa
que invade a palavra.
E penso que sou total no minuto
em que a mulher eternamente
passa a mão da mulher no gato
dentro da casa.

No mundo tão concreto.

Herberto Helder

arquitectos&poesia


P O V O A M E N T O


No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera

Ruy Belo

arquitectos&poesia



 
 
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.

Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.

MuIheres que eu amo com um des-
espero .fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.

Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.

Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.




Herberto Helder

arquitectos&poesia




Oh as casas as casas as casas


Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Na folha de São Paulo

"Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas
(clicar para ler a página)


Ler autores clássicos, como Shakespeare, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool publicado nesta terça-feira (15).
Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a "linguagem coloquial".
Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico "Daily Telegraph", mostram que a atividade do cérebro "dispara" quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.
Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin.
Os especialistas descobriram que a poesia "é mais útil que os livros de autoajuda", já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.
"A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças", explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.
Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens."

sexta-feira, 13 de abril de 2012

piolho 008

há uns tempos o r. disse-me que gostava de publicar uns poemas meus. depois de algumas tentativas falhadas disse-me que a piolho queria publicar dois poemas. nunca acreditei muito no que escrevo, talvez por acreditar demais neles quando os escrevo e achar pouco depois que roçam o piroso, ou o emocional no que o emocional tem de exagero. mas a piolho escolheu bem, e escolheu, sem saber, dois poemas que fazem parte do que eu sou, mais do que da altura em que foram escritos. é assim que eu sou. um bem haja ao r. e ao a.
e voilá:




Escrevia-te

mas demoro demais a encaixar a tua imagem
e, no fim, fica sempre um espaço de tempestade





Desfaço-me em pó
E nos tectos altos da ausência
Tomo lentamente o poder das paredes e escureço a vista da janela
Sou invisível por paixão
Tenho nas mãos a solidão como uma arma 


mais poemas aqui.

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...