ela disse, muito assertivamente, dobras e colas por baixa estatura mas com uma certa pinta. foram passear mas ele, presunçoso e gabarolas, afastou todo o interesse que ela pudesse sentir por ele e foram embora tristes, tropeçamos provavelmente na ternura dos dias quentes e doces dias desejados há muito, mas que ficaram longe de trás para a frente, ou até a fazer o pino! e depois, meu estupor, tu que bates à porta às 3h da manhã, seu poço de vícios, que monopolizas tudo em teu redor e róis maçãs de forma ordinária, ou não, o que me interessa é senti-lo, apalpá-lo, lambe-lo, saboreá-lo, comê-lo, devorá-lo!!! e nós? e apesar de tudo isto, tenho cera nos ouvidos e apetece-me comer penne. rigatti ou argamassa do exército, como lhe chamava o velho hábito de comer tudo até rebentar e sentir a enorme culpa. por minha culpa. por minha tão grande culpa. perdão.
amen.
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
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quinta-feira, 3 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
os cadáveres esquisitos escritos na Pó dos Livros, num dia surrealista (IV)
e se fosses dar uma volta?
todas as mãos e o oscar wilde.
voulez-vous coucher avec moi, ce soir?
é uma pastilha elástica.
porquê fazer perguntas?
isso e muito mais.
porque é que é obrigatório olhar as pessoas nos olhos quando estamos a falar com elas?
não sei.
vamos evoluir para quê?
porque gosto de a sentir a percorrer-me o rosto.
o que é isto?
vou quando eu quiser.
a que cheiram os dias cinzentos?
foi a água que correu muito depressa.
quer um sumo de laranja?
ela quer um cigarro.
todas as mãos e o oscar wilde.
voulez-vous coucher avec moi, ce soir?
é uma pastilha elástica.
porquê fazer perguntas?
isso e muito mais.
porque é que é obrigatório olhar as pessoas nos olhos quando estamos a falar com elas?
não sei.
vamos evoluir para quê?
porque gosto de a sentir a percorrer-me o rosto.
o que é isto?
vou quando eu quiser.
a que cheiram os dias cinzentos?
foi a água que correu muito depressa.
quer um sumo de laranja?
ela quer um cigarro.
os cadáveres esquisitos escritos na Pó dos Livros, num dia surrealista (III)
se eu fosse feliz no futuro as frases seriam todas no passado.
se me vires irás fotografar muitas mãos em cola.
quando é que isto começa? completaremos o dia.
se tudo termina sairei correndo pela rua.
quando o vento sopra haverá chuva.
se chover, amo-te. será no dia em que chegaremos à lua.
se o sol conseguir chover para o ano irás a paris.
quando a chuva parar o mundo acabará em mel.
quanto te vieres avisa! iremos a paris. e depois, meu caro, comeremos o mundo inteiro às dentadas.
se o gato esconder o nome escreverás sempre o tempo verbal errado.
se me vires irás fotografar muitas mãos em cola.
quando é que isto começa? completaremos o dia.
se tudo termina sairei correndo pela rua.
quando o vento sopra haverá chuva.
se chover, amo-te. será no dia em que chegaremos à lua.
se o sol conseguir chover para o ano irás a paris.
quando a chuva parar o mundo acabará em mel.
quanto te vieres avisa! iremos a paris. e depois, meu caro, comeremos o mundo inteiro às dentadas.
se o gato esconder o nome escreverás sempre o tempo verbal errado.
os cadáveres esquisitos escritos na Pó dos Livros, num dia surrealista (II)
quando espreito atrás da porta digo-te o segredo.
e se afinal? vamos continuar a existir.
quando ela põe o vestido azul conta uma história com um tom de amarelo.
quando o mar estiver vermelho o futuro não existirá. mas um dia hei-de lá chegar.
se estiver alguém à minha espera a vida será amada.
quando eu crescer, um dia gostaria de voar.
quando me sento no sofá se calhar vou ficar confortável. e quando o lobo mau chegar diz-lhe que fui dar uma volta... mas não demoro ok?
e se afinal? vamos continuar a existir.
quando ela põe o vestido azul conta uma história com um tom de amarelo.
quando o mar estiver vermelho o futuro não existirá. mas um dia hei-de lá chegar.
se estiver alguém à minha espera a vida será amada.
quando eu crescer, um dia gostaria de voar.
quando me sento no sofá se calhar vou ficar confortável. e quando o lobo mau chegar diz-lhe que fui dar uma volta... mas não demoro ok?
os cadáveres esquisitos escritos na Pó dos Livros, num dia surrealista (I)
o que é o saber?
deus esqueceu-se de programar o despertador.
como ficas depois de dormir?
vai pró caralho.
quem somos?
é um túnel sem fim.
o amor perfeito?
talvez.
conseguirá o mundo livrar-se de mim?
muitas vezes ele chora.
e depois! quem és tu?
nem por isso...
porque me sinto tão mal?
bom gosto.
porquê agora?
porque sou mesmo assim.
oh rosa! vamos sair hoje? como se não houvesse amanhã?
está debaixo do teu pé.
a que horas ficas cansado?
claro que sim meu amor, a partir de hoje todos os pasteis de nata serão azuis.
como é que vais lá ter?
porque não aceito.
deus esqueceu-se de programar o despertador.
como ficas depois de dormir?
vai pró caralho.
quem somos?
é um túnel sem fim.
o amor perfeito?
talvez.
conseguirá o mundo livrar-se de mim?
muitas vezes ele chora.
e depois! quem és tu?
nem por isso...
porque me sinto tão mal?
bom gosto.
porquê agora?
porque sou mesmo assim.
oh rosa! vamos sair hoje? como se não houvesse amanhã?
está debaixo do teu pé.
a que horas ficas cansado?
claro que sim meu amor, a partir de hoje todos os pasteis de nata serão azuis.
como é que vais lá ter?
porque não aceito.
os cadáveres esquisitos
hoje foi o dia do curso em que foram todos surrealistas.
jogar com o acaso objectivo, definição de Breton, significa retirar da formação da obra de arte toda a racionalidade. juntar ao acaso perguntas e respostas, juntar palavras recortadas ou fazer cadáveres esquisitos em papel significa deixar que a nossa razão esquartilhada crie obras de arte que, após completas e já sem rasto da forma como foram feitas, possam trazer ao leitor sentidos que na verdade não possuíam. porque se os surrealistas conseguem ou pretendem conseguir afastar a razão da construção artística os leitores não têm de o fazer procurando e encontrando esse mesmo sentido, que poderá ser diferente para cada um. a arte surrealista multiplica-se assim em diversos sentidos conseguindo uma consistência maior do que uma arte pré-concebida através de pré-conceitos. assim o objectivo surrealista é cumprido - encontrar uma realidade para lá da realidade formatada em que vive a nossa razão.
hoje foi o dia de pormos mãos à obra na Pó dos Livros. os próximos posts do blog serão os textos que saíram dali. são incríveis. foi uma grande noite.
jogar com o acaso objectivo, definição de Breton, significa retirar da formação da obra de arte toda a racionalidade. juntar ao acaso perguntas e respostas, juntar palavras recortadas ou fazer cadáveres esquisitos em papel significa deixar que a nossa razão esquartilhada crie obras de arte que, após completas e já sem rasto da forma como foram feitas, possam trazer ao leitor sentidos que na verdade não possuíam. porque se os surrealistas conseguem ou pretendem conseguir afastar a razão da construção artística os leitores não têm de o fazer procurando e encontrando esse mesmo sentido, que poderá ser diferente para cada um. a arte surrealista multiplica-se assim em diversos sentidos conseguindo uma consistência maior do que uma arte pré-concebida através de pré-conceitos. assim o objectivo surrealista é cumprido - encontrar uma realidade para lá da realidade formatada em que vive a nossa razão.
hoje foi o dia de pormos mãos à obra na Pó dos Livros. os próximos posts do blog serão os textos que saíram dali. são incríveis. foi uma grande noite.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
cesariny lê autografia
cesariny lê o seu poema Autografia, o poema mais perfeito do séc. XX.
audio retirado do doc "Autografia" de Miguel Gonçalves Mendes.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
escritores malditos
andam na boca do mundo. é uma nova polémica. diz-se que os escritores malditos existem como uma nova forma de se promoverem. que a atitude controversa existe para vender livros, para aparecerem nas primeiras páginas dos jornais e para terem o nome na boca do mundo.
acho tudo isto um absurdo. um escritor maldito é-o por convicção, por forma de estar. não porque decidiu sê-lo ou porque os seus objectivos definiram esse caminho.
cesariny dizia sobre os surrealistas que ninguém decide ser surrealista, é-se surrealista. e ser surrealista é ter a postura do escritor maldito. é ser livre de convenções, de preceitos esclerosados, de ideias feitas, de preconceitos literários. é retirar o mais possível a acção da razão sobre a obra de arte se entendermos a razão como a operação racional que busca estas amarras literárias e sociais por forma a que o que escrevemos encaixe numa determinada aceitação.
por norma, e aqui já não falamos de características deles próprios, o escritor maldito vive mal, é mal aceite, pouco lido, passa fome e não procura que a sua obra o recompense financeiramente (o que não quer necessariamente dizer que não quer que a obra chegue ao público).
falo de escritores mas podia falar de artistas no geral. temos poucos artistas malditos hoje em dia. artistas que apenas com o tornar a obra pública nos incomodem e nos tirem do nosso espaço de conforto exactamente por não nos permitirem colocar aquilo a que assistimos em nenhuma das nossas "caixas". cada vez mais nos habituamos a colocar tudo em caixas, modos de vida, ambições, relações humanas e amorosas, trabalho, futuro, arte e literatura. é uma doença da vida moderna. e é difícil sair desse quadrado.
infelizmente temos poucos artistas que o consigam fazer. hoje estamos dentro das caixas. talvez seja porque a seu tempo poucos os conheçam, mas duvido que seja por isso. a lógica de mercado é radical e muitos dos que querem afirmar-se como malditos são apenas réplicas de artistas que em tempos viveram à margem. artistas que escolheram viver assim. e lá está, não se escolhe ser maldito, é-se maldito. e o nosso mundo cultural está desesperadamente a precisar de uma revolução maldita.
acho tudo isto um absurdo. um escritor maldito é-o por convicção, por forma de estar. não porque decidiu sê-lo ou porque os seus objectivos definiram esse caminho.
cesariny dizia sobre os surrealistas que ninguém decide ser surrealista, é-se surrealista. e ser surrealista é ter a postura do escritor maldito. é ser livre de convenções, de preceitos esclerosados, de ideias feitas, de preconceitos literários. é retirar o mais possível a acção da razão sobre a obra de arte se entendermos a razão como a operação racional que busca estas amarras literárias e sociais por forma a que o que escrevemos encaixe numa determinada aceitação.
por norma, e aqui já não falamos de características deles próprios, o escritor maldito vive mal, é mal aceite, pouco lido, passa fome e não procura que a sua obra o recompense financeiramente (o que não quer necessariamente dizer que não quer que a obra chegue ao público).
falo de escritores mas podia falar de artistas no geral. temos poucos artistas malditos hoje em dia. artistas que apenas com o tornar a obra pública nos incomodem e nos tirem do nosso espaço de conforto exactamente por não nos permitirem colocar aquilo a que assistimos em nenhuma das nossas "caixas". cada vez mais nos habituamos a colocar tudo em caixas, modos de vida, ambições, relações humanas e amorosas, trabalho, futuro, arte e literatura. é uma doença da vida moderna. e é difícil sair desse quadrado.
infelizmente temos poucos artistas que o consigam fazer. hoje estamos dentro das caixas. talvez seja porque a seu tempo poucos os conheçam, mas duvido que seja por isso. a lógica de mercado é radical e muitos dos que querem afirmar-se como malditos são apenas réplicas de artistas que em tempos viveram à margem. artistas que escolheram viver assim. e lá está, não se escolhe ser maldito, é-se maldito. e o nosso mundo cultural está desesperadamente a precisar de uma revolução maldita.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
love love love
está decidido só volto a dormir domingo à noite. in love pelos surrealistas e atolada neles até ao pescoço.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
o que é o surrealismo?
"Como definir esta originalidade, este novo estado de espírito que permitirá a estes temperamentos tão diversos comunicar na mesma aventura? O que é ser surrealista? Breton responde: 'Durante séculos ainda, será surrealista em arte tudo o que, por caminhos novos, visar a uma maior emancipação do espírito.' Isto significa, de imediato, um ataque em regra contra a lógica, a moral e o gosto."
O Surrealismo
Gerard Durozoi e Bernard Lecherbonnier
Livaria Almedina, Coimbra
O Surrealismo
Gerard Durozoi e Bernard Lecherbonnier
Livaria Almedina, Coimbra
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Congresso Nacional "Surrealismo(s) em Portugal. Nos 60 anos da morte de António Maria Lisboa"
No sexagenário da morte de António Maria Lisboa, um dos principais
nomes do Surrealismo em Portugal, o CLEPUL, a Galeria Perve e o
Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes promovem
um Congresso Nacional dedicado à exposição do percurso do Surrealismo em
Portugal, num debate que contemplará uma reflexão alargada que se
estenderá dos precurores e influências nacionais e internacionais ao
itinerário dos grupos surrealistas em Portugal, à discussão da
relevância do termo “Abjeccionismo” e às heranças surrealistas em
Portugal.
O Congresso decorrerá nos dias 19 (Galeria Perve) e 20 a 22 (Anfiteatro III da FLUL) de Novembro de 2013. As inscrições (20 euros) estender-se-ão até 15 de Novembro de 2013, podendo quem o desejar fazer uma pré-encomenda das actas (50 euros no total), por via do email do CLEPUL (clepul@gmail.com).
Estarei por lá numa das mesas, mais notícias em breve!
O Congresso decorrerá nos dias 19 (Galeria Perve) e 20 a 22 (Anfiteatro III da FLUL) de Novembro de 2013. As inscrições (20 euros) estender-se-ão até 15 de Novembro de 2013, podendo quem o desejar fazer uma pré-encomenda das actas (50 euros no total), por via do email do CLEPUL (clepul@gmail.com).
Estarei por lá numa das mesas, mais notícias em breve!
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
com o senhor teste é fácil fazer cursos
é que posso andar por aí distraída e os livros caem-me todos no colo. a surrealisticar em comunidade!
terça-feira, 27 de agosto de 2013
CABUUUUUUM!!!
“os prémios literários significam sempre o prémio do bem escrever e são sumamente ridículos pois se, como creio, o génio é incompatível com a habilidade, à humanidade só os génios interessam por muito que se esfreguem os talentos à porta da humanidade” Cesariny
surrealisticando
You are welcome to Elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos a morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Mário Cesariny
Pena Capital
Lisboa, Assírio & Alvim, 1982
domingo, 21 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
cá está o meu mais novo
A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas (António Maria Lisboa)
Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir.
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Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX
O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...








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