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quinta-feira, 26 de abril de 2012

hoje que faz um ano que fui sozinha para a argentina pensar nos meus livros

recebo no e-mail mensagens de entusiasmo do meu miúdo n. a dizer que vamos lá, estamos operacionais para relançar o tão aguardado Curso de Literaturas Americanas. até senti borboletas de excitação. quero tanto voltar ao meu cortázar, borges, sabato. ao meu realismo mágico. ao meu donoso. e o n. sempre com ideias mirabolantes para as sessões dele e eu a querer ser como ele. e também de manhã aparece mais uma livraria a querer os nossos cursos. há dias assim, dias bons.
por isso estejam atentos, está a voltar! yeah!




 (argentina, argentina, argentina, argentina)


sábado, 7 de maio de 2011

Hasta luego, Buenos Aires

Faltam poucas horas para deixar a cidade. Lá fora anoitece cedo. Desci a cidade a pé, em silêncio, e fui dizendo este texto para dentro, muitas vezes. Viajar sozinha permite-nos muitas coisas boas, uma delas é pensar a cidade continuamente enquanto vivemos dentro dela. É tentar entendê-la de alguma forma diferente da que poderíamos pensar à partida.
Vim para Buenos Aires sem imagens da cidade. Não sabia o que ia encontrar. Da Argentina tinha os livros e mais nada. E já era muito. Os livros transportam-se de uma forma inigualável para dentro de um país. De alguma forma acredito que já conhecia Buenos Aires, alguns detalhes, algumas ruas. Foi como um reconhecimento em imagens de ideias que fui lendo. As palavras nunca são iguais às imagens e a magia vem mesmo dessa complementaridade.
Foi uma viagem de contínuas surpresas. Tantas que até o corpo se cansava às vezes. Mas a alegria nunca falhou na Argentina. Conheci pessoas felizes. As pessoas na Argentina são mais felizes quando se encontram na rua, quando se falam numa loja, quando te dão uma informação. Em Buenos Aires as pessoas são frenéticas, a cidade é frenética. Com uma energia inigualável.
Falei muito de livros na Argentina. Cruzei-me com muitas pessoas que me falaram de livros. Que me disseram que livros tinha mesmo de ler. Imperativos sempre os argentinos. "Tens de ler". E conheci o cinema argentino, o bocadinho que consegui conhecer. Um cinema poético, com aquele toque de realismo mágico que os livros também têm: difícil de descrever mas muito fácil de perceber quando o encontramos. O realismo mágico é a alma dos hispano-americanos. E tem essa mágica característica de só se sentir, não se exprimir.
A arte argentina tem um progresso interessante, começa numa arte indígena, andina, e vai-se misturando lentamente com a arte mundial (com as influências mundiais da pintura pós 1800), mantendo sempre o seu lado da terra, sempre. O seu realismo mágico, mais uma vez. De todos encantou-me Antonio Berni, com a sua profunda mistura cultural.
Depois o tango. Ouve-se tango em todo o lado. Vêm-se silhuetas de Tango em todas as esquinas. Em Buenos Aires claro. Fui ouvir e dançar tango num bar pequenino aqui no bairro de San Telmo. Uma miúda como eu sozinha num bar de tango até altas horas da noite só podia atrair as maiores simpatias por parte destes argentinos de velha guarda como eram todos na La Cumparsita. Dançámos, cantámos, conversámos. Sempre acompanhados do maravilhoso vinho argentino. Não há igual, se bem que vinho mesmo do melhor é em Mendoza, onde também passei cinco dias, à beira da Cordilheira dos Andes.
E o que mais em encantou foi mesmo Buenos Aires. Esta cidade. Aterrorizante no primeiro dia. Grande, barulhenta, confusa. Perdi o Norte. E encontrei-o devagar. Agora que me vou embora já tenho o desenho da cidade debaixo dos pés. Fui vendo os detalhes, as pessoas todas. As livrarias por todo o lado, a música. As manifestações por todo o lado, todos os dias. Os acampamentos permanentes permanentemente a reivindicar qualquer coisa. O sol desta cidade. O rio de La Plata. Os portos. Os prédios. O sotaque argentino. A mistura cultural, os tons de pele todos diferentes. O tanto tanto tanto que fica por fazer e por dizer sobre Buenos Aires.
Caramba, fui mesmo feliz na Argentina.
Hasta luego Buenos Aires.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os livros da Argentina

Aqui fica a lista das minhas recentes aquisições nesta cidade dos livros. Para empréstimos se quiserem, que alguns destes são impossíveis de arranjar em Portugal, na língua original...

Aquí vivieron, Manuel Mujica Laínez
El Aleph, Jorge Luís Borges
Soy paciente, Ana Maria Shua
Sobre Heroes y Tumbas, Ernesto Sabato
El escritor e sus fantasmas, Ernesto Sabato
Trabajos, Juan José Saer
Maldición eterna a quien lea estas páginas, Manuel Puig
El beso de la mujer araña, Manuel Puig
Las repeticiones, Silvina Ocampo
Toda Mafalda, Quino
Vagamundo, Eduardo Galeano
Misteriosa Buenos aires, Manuel Mujica Laínez
En cinco minutos levántate María, Pablo Ramos
Tres por cinco, Luisa Valenzuela
El jorobadito, Roberto Arlt
El juguete rabioso, Roberto Arlt
Acerca de Roderer, Guillermo Martínez
La cuidad de las palabras, mentiras políticas, verdades literarias, Alberto Manguel

Em Buenos Aires

Caros todos, terei decerto quando chegar a Lisboa tempo para vos falar mais destas minhas viagens livrescas na grande Buenos Aires. Mas posso dizer-vos desde já que esta é uma cidade para leitores e escritores. E não porque os guias turísticos o dizem (e dizem muito bem!). É porque há gente a ler em todos os cafés. E há cafés, muitos, lindos. Porque todos falam dos seus escritores. Porque há muitos escritores. Porque apetece escrever. Porque há livrarias em todo o lado. Na avenida Corrientes são mais de 100. E não são grandes livrarias, são livrarias que escolhem o que querem vender. Há livros para crianças. Para viagens. Sobre Buenos Aires. Sobre Borges. De Borges. De Puig. De Sábato. De Cortázar. De Pablo Ramos. De Arlt. De Ocampo. De tantas mulheres. De outros escritores que conheci aqui pela doce mão de professoras de literatura que encontrei. De amigos novos.
Estou encantada com esta cidade e não quero ir embora. Quero ler mais. Ficar aqui a ler mais. Esta é uma cidade do caraças...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Feira do Livro em Buenos Aires e eu com ela

Pois é! Já está comprada e na mão a minha viagem a Buenos Aires. E calha bem, calha mesmo a tempo da Feira do Livro de Buenos Aires, este ano em que a cidade é a Capital Mundial do Livro!

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...