segunda-feira, 18 de abril de 2016

REVERSO | 02



Entre a Rua da Esperança e a Calçada Marquês de Abrantes, a Cossoul abrirá este ano as suas portas a mais uma edição do REVERSO – ENCONTRO DE AUTORES, ARTISTAS E EDITORES INDEPENDENTES.
Nos dias 12, 13 e 14 de Maio de 2016, o n.º 61 da Avenida D. Carlos I, em Santos, volta a receber editores e criadores das diversas áreas artísticas – da poesia e da literatura ao teatro, da música às artes plásticas, passando pela arquitectura e pelo cinema.
Mais abrangente, mas idêntica no seu propósito, a 2.ª edição do Reverso pretende promover o encontro e a partilha de projectos e ideias independentes, contando com um conjunto variado de iniciativas: apresentações de projectos, mesas redondas, debates, lançamentos de livros, concertos, leituras, performances, exposições e projecções de curtas-metragens e documentários.Por gosto, e por um pouco mais de cultura.

quinta-feira, 31 de março de 2016

o segundo primeiro dia da livraria Snob


Ana Christelo
a Snob fecha daqui a minutos a porta do seu espaço físico, em Guimarães. durante este ano e meio mostrou à cidade que a cidade precisa de livros, e criou naquele espaço uma comunidade. leitores que se conheceram, que beberam uns copos de vinho juntos, que se tornaram amigos para além do espaço da livraria. ali nasceram projectos, fizeram-se lançamentos de livros, leituras de teatro, concertos. com o tempo a Snob foi ficando autónoma, deixou de ter horário fixo, acompanhava as pessoas quando elas precisavam de ali estar noite dentro.

quando hoje tendemos a lamentar o fecho deste espaço físico, percebemos com um pensamento mais profundo que o que tornava aquele espaço o que ele era, era na verdade essa comunidade. não eram as paredes, as estantes, no limite quase nem eram os livros, pelo menos não necessariamente aqueles livros. era, isso sim, a ideia do leitor. o leitor que ali encontrava o único espaço fora da solidão que a leitura merece. junto a esse leitor e a essa comunidade estavam os livreiros, e aqui quero falar do Duarte, o livreiro que neste últimos meses teve de perceber o que era a Snob. e chegou às conclusões que aqui vos descrevo. que a Snob era maior, era outro espaço que não só aquele.

o Duarte gosta de livros, gosta de vender livros. gosta de procurar, de ler, de falar com as pessoas, de encontrar leitores insuspeitos, encontrar quem ainda não saiba bem que é um leitor. gosta de estar ao pé das pessoas. gosta de ter o carro um caos, livros, caixas, pó e envelopes, sempre a caminho de outros sítios. gosta de viajar. e foi assim que o Duarte entendeu que o sítio da Snob era outro, e que o seu sítio nunca poderia ser um só, enraizado. 

e aqui nada se perdeu, tanto pelo contrário. podemos e devemos entender que o que a Snob fez foi tornar-se maior e, queremos acreditar, melhor. passando a estar em feiras, em cafés com leitores, em vários espaços em Guimarães com selecções de livros, on-line, no site e no facebook. e desde que o Duarte e a Snob tomaram essa decisão, há poucas semanas, a livraria começou a vender mais e melhor.

creio que todos ganhamos por ter o Duarte e a Snob mais perto. mais disponível para cada um dos leitores. a Snob terá, ainda mais agora, uma cara, uma ideia de si mais real. a Snob vai poder pesquisar mais, dedicar-se a cada um dos leitores, ler muito mais. e a livraria vai continuar em Guimarães, com o vinho, os lançamentos, as leituras, a ternura e dedicação do Duarte, mas vai também estar em Lisboa, no Porto, em Braga, em Paredes de Coura, em Coimbra e em muitos outros sítios. 

por isso é preciso continuarmos a ter na Snob a nossa livraria, a encomendar livros novos e raridades, a organizar eventos, a contar com o Duarte para feiras itinerantes.  porque este é o primeiro dia da Snob, um outro primeiro dia. que traz numa memória próxima e real todos e cada um dos incríveis dias passados na Rua D. João I. chegou apenas a hora de continuar essas memórias, em novos sítios. com todas as mesmas pessoas e tantas outras que começam a chegar.

para encomendas, conversas e questões
mail: livrariasnob@gmail.com

sexta-feira, 18 de março de 2016

da não leitura da crítica à entrada do fim-de-semana

continuamos a viver a ditadura do bem comportado. os livros são produzidos em massa e procuramos sempre perceber as falhas, os sítios onde o livro não cumpriu. é neste ponto que a crítica literária falha, a procura do erro. o terrível encontro entre a perfeição e a harmonia como um dos sítios da boa literatura.

há excepções, não só no livro como no leitor. o que sabe encontrar o sítio do desconforto e perceber o sítio em carne exposta da literatura. e não há leitores e críticos imaculados, vai existindo é quem consiga perceber que a escrita sem erros e sem falhas estruturais é uma literatura que engana.

há umas semanas o Gonçalo M Tavares dizia-me na conversa que tivemos em Setúbal que o erro na nossa forma de ler vem da escola que nos apresenta desafios por fases, só avançando para a fase seguinte se tivermos percebido a anterior. culturalmente habituamo-nos a isso: a perceber, a ver na dúvida um inimigo. literariamente habituamo-nos a ficar "viciados" nos livros, a "amar" os livros. a amar os livros que nos "agarram", que não conseguimos largar.  a ditadura do conforto, do descanso.

não podemos perder o sítio incrível que é aquele que nos desconforta. esse conceito de desconforto e incompreensão desapareceu dos jornais. mas ainda não desapareceu das conversas nem do silêncio. porque é no silêncio que esse sítio se desenvolve, porque os processos de entendimento são sempre processos íntimos, como deveria ser a leitura. 


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

a avó e o Steinbeck





há vinte anos a minha avó ofereceu-me este livro da biblioteca dela. li-o e depois ela chegou a minha casa com os outros livros do Steinbeck e ofereceu-mos. li-os todos e fui comprando os poucos os que ela não tinha. hoje recomecei a ler este que como foi o primeiro começa a fugir da memória, e porque hoje a minha avó já não lê livros mas ainda quer muito que vá lendo os livros que hoje já não consegue ler. e penso que a literatura é a minha história e que não há história que eu seja que não seja a literatura. neste caso a literatura que é também a história da minha avó.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Curso de Surrealismo Português










4 sessões à segunda-feira, entre as 19h e as 20h.
15, 22 e 29 de Fevereiro + 7 de Março

Preço: 50€
Inscrições até 8 de Fevereiro: 45€

geral@leituria.com ou rosa.b.azev@gmail.com


«A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas.»

António Maria Lisboa












Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir


Rosa Azevedo é formada em Literatura Portuguesa e Francesa com curso minor em Literaturas do Mundo e tem mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e da edição independente. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte e do grupo teatral A Mancha. É produtora do Reverso – encontro de autores, artistas e editores independentes, do Colectivo Prisma e do Muito Cá de Casa da Casa da Cultura de Setúbal, para as questões da literatura, onde é também moderadora. Colabora com a direcção da Cossoul em questões de produção, programação e associativismo. Mantém o blog estórias com livros.

Foi livreira e hoje é produtora, formadora, revisora e dinamizadora / divulgadora da área dos livros.


Evento facebook.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Gonçalo M Tavares em Setúbal

é já esta 6ª que terei o imenso privilégio de conversar com o Gonçalo sobre a sua obra. na Casa da Cultura em Setúbal, 22h.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

curso de Literatura Portuguesa do séc XX on-line

o meu curso de Literatura Portuguesa do séc XX, na versão das oito sessões, já se encontra on-line na EC.ON. Os cursos online da EC.ON são individuais e baseados em acompanhamento personalizado. Estes cursos não possuem datas de realização: estão permanentemente disponíveis e os interessados podem iniciar a sua formação assim que o entendam. Habitualmente, iniciam-se no momento em que a propina é paga.

Toda a informação aqui.  



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

"El miedo manda" por Eduardo Galeano


Habitamos un mundo gobernado por el miedo, el miedo manda, el poder come miedo, ¿qué sería del poder sin el miedo? Sin el miedo que el propio poder genera para perpetuarse.

El miedo al silencio que aturde las calles. 
El miedo amenaza. 
Si usted ama tendrá sida. 
Si fuma tendrá cáncer. 
Si respira tendrá contaminación. 
Si bebe tendrá accidentes. 
Si come tendrá colesterol. 
Si habla tendrá desempleo. 
Si camina tendrá violencia. 
Si piensa tendrá angustia. 
Si duda tendrá locura. 
Si siente tendrá soledad.

Apareció el demonio en forma de mujer. Una mujer que rugía arrastrándose por los suelos. Y el Papa Juan Pablo II, libro un combate cuerpo a cuerpo contra el maligno, conjurando al intruso con exorcismos que provenían de otro papa que había logrado arrancar de Galileo Galilei la diabólica idea de que el mundo giraba alrededor del sol.
Cada pelo que pierdo, cada uno de mis últimos cabellos es un compañero que cae y que antes de caer a tenido nombre o por lo menos número.

El hambre desayuna miedo. 
El miedo global

Los que trabajan tienen miedo de perder el trabajo.
Y los que no trabajan tienen miedo de no encontrar nunca trabajo.
Quien no tiene miedo al hambre, tiene miedo a la comida.
Los automovilistas tienen miedo a caminar y los peatones tienen miedo de ser atropellados.
La democracia tiene miedo de recordar y el lenguaje tiene miedo de decir.
Los civiles tienen miedo a los militares. Los militares tienen miedo a la falta de armas.
Las armas tienen miedo a la falta de guerra.
Es el tiempo del miedo.
Miedo de la mujer a la violencia del hombre y miedo del hombre a la mujer sin miedo.
Miedo a los ladrones y miedo a la policía.
Miedo a la puerta sin cerradura.
Al tiempo sin relojes.
Al niño sin televisión.
Miedo a la noche sin pastillas para dormir y a la mañana sin pastillas para despertar.
Miedo a la soledad y miedo a la multitud.
Miedo a lo que fue.
Miedo a lo que será.
Miedo de morir.
Miedo de vivir.
Indicios
No se sabe si ocurrió hace un rato o hace siglos o nunca.
A la hora de ir a trabajar un leñador descubrió que le faltaba el hacha.
Observó a su vecino. El vecino tenía todo el aspecto de un ladrón de hachas. Estaba claro: la mirada, los gestos, la manera de hablar.
Unos días después el leñador encontró el hacha que había perdido. Y cuando volvió a observar a su vecino, comprobó que no se parecía para nada a un ladrón de hachas, ni en la mirada ni en los gestos ni en la manera de hablar.
El Diablo es extranjero
El culpómetro indica que el inmigrante viene a robarnos el empleo. Y el peligrosímetro lo señala con luz roja. Si el intruso, el venido de afuera, es joven y pobre y no es blanco, está condenado a primera vista por indigencia o inclinación al caos o portación de piel. Pero si no es joven ni pobre, ni oscuro, de todos modos merece la malvenida porque ha venido a trabajar el doble a cambio de la mitad.
El pánico a la pérdida del empleo es uno de los miedos más poderosos en estos tiempos del mundo gobernado por el miedo.
Y la verdad es que el inmigrante está siempre situado a primera mano, ahí no más, a la vista, a la hora de encontrar culpables del desempleo, de la inseguridad y de otras muchas temibles desgracias.
Antes Europa derramaba sobre el mundo, sobre el mundo entero: soldados, presos, campesinos muertos de hambre... que eran protagonistas de las aventuras coloniales y han pasado a la historia como mensajeros de Dios. Era la civilización lanzada al rescate de la barbarie.
Ahora el viaje ocurre al revés. Eso quiere ser la invasión de los invadidos. Los que llegan o intentan llegar desde el sur al norte son protagonistas de las desventuras coloniales que pasan a la historia como mensajeros del Diablo. Es la barbarie lanzada al asalto de la civilización.
El arte de mandar
Un emperador de China, no se sabe su nombre ni su dinastía ni su tiempo, llamó una noche a su consejero principal y le confió la angustia que le impedía dormir. Le dijo: “Nadie me teme”. Como nadie le temía nadie lo respetaba. Y como nadie lo respetaba nadie le obedecía. El consejero principal meditó un ratito y opinó: “Falta castigo”. Y el emperador sorprendido dijo que castigo no faltaba, porque él mandaba a la horca a todo el que no se inclinara a su paso. Y el consejero principal le advirtió: “Pero esos, esos son los culpables. Si solo se castiga a los culpables, solo los culpables sienten miedo”. El emperador chino pensó y pensó... y llegó a la conclusión de que el consejero principal tenía razón. Y le mandó cortar la cabeza. La ejecución ocurrió en una gran plaza pública, la plaza celestial, la plaza principal del imperio. Y el consejero fue el primero de una larga lista.
Fábricas
Corría el año 1964. Y el dragón del comunismo internacional abría sus siete fauces para comerse a Chile.
La publicidad, sobre todo la publicidad en la televisión, bombardeaba a los chilenos mostrando imágenes de iglesias quemadas, de tanques rusos, de guerrilleros barbudos que secuestraban a los niños y se los llevaban lejos.
Y hubo elecciones. Y el miedo venció.
Y Salvador Allende, el candidato derrotado me contó qué era lo que más le había dolido de esa experiencia dolorosa.
La empleada de la casa de al lado, la casa de al lado de su casa, en el barrio de Providencia, era una pobre mujer que trabajaba veinte horas por día ocupándose de los niños, lavando y planchando la ropa, fregando, haciendo la comida... del día a la noche trabajando sin parar, esa pobre mujer que había envuelto su ropa en una bolsa de plástico y la había enterrado en el jardín, porque tenía miedo de que si ganaban los Rojos le expropiaran su propiedad.
Seguridad
Durmiendo nos vio. En el sueño de Elena estábamos los dos haciendo fila con muchos otros pasajeros en algún aeropuerto, quién sabe cual, porque todos los aeropuertos son más o menos todos iguales. Y cada pasajero llevaba una almohada bajo el brazo. Rumbo a una máquina, que nos esperaba, pasaban las almohadas bajo la máquina y la máquina leía los sueños de la noche anterior.
Era una máquina detectora de sueños peligrosos para el orden público.
Invasión
Tiene pánico a la invasión el país que nadie ha invadido jamás, y que sin embargo tiene la mala costumbre de invadir a los demás.
En los años 80, el peligro se llamaba Nicaragua.
El presidente Ronald Reagan asustaba a la población. Y denunciaba el ¡inminente peligro, la amenaza! de la invasión que iba corriéndose desde América Central, México, vía Texas entrando en los Estados Unidos y apoderándose del país... mientras a espaldas del presidente un mapa mostraba esa Gran mancha roja que avanzaba.. La teleaudiencia espantada no tenía la menor idea de dónde quedaba Nicaragua... Ni sabía que ese pobre país había sido arrasado por una dictadura de medio siglo, fabricada en Washington. Y después, por un terremoto que no dejó nada en pie...
Y esa teleaudiencia asustadísima, tampoco sabía que ese “País Feroz” tenía en total cinco ascensores y una sola escalera mecánica, que no funcionaba.
Diabladas
Hace ya algunos siglos, Martín Lutero advirtió que Satán no está solamente entre los moros, entre los turcos, sino que habita nuestra propia casa. Que satán está en el pan que comemos y en el agua que bebemos.
Y pasaron los siglos y así siguió siendo.
En el año 1982, el demonio tuvo la osadía de visitar al Papa en el Vaticano.
Y cuando el Demonio apareció en forma de becaria en el salón obal de la Casa Blanca... El presidente Bill Clinton no lo conjuró usando ninguno de esos anticuados métodos catolicos de exorcismo, sino que Clinton explusó al maligno arrasando Yogoslavia en una guerra de tres meses.
Guerras mentidas
Las guerras se venden mintiendo, como se venden los autos. Son operaciónes de marketing y la opinión pública es el target.
En el año 1964, el presidente Lyndon Johnson, denunció que los Vietnamitas habían atacado dos buques de los Estdos Unidos en el Golfo de Tonkin. Y entonces el presidente Johnson invadió Vietnam.
Cuando ya la guerra había destripado a una gran multitud de vietnamitas, en su mayoría mujeres y niños, el ministro de defensa de Johnson, Robert Mac Namara, confesó que el ataque del Golfo de Tonkin nunca había existido.
Los muertos no resucitaron. Y en Marzo del año 2003, el presidente George Bush denunció que Irak estaba a punto de aniquilar el planeta con sus armas de destrucción masiva. Eran, según él, las armas más letales jamás inventadas.Y entonces el presidente invadió Irák, cuando ya la guerra había destripado una buena multitud de irakies, en su mayoría mujeres y niños. El propio presidente Bush confesó que las armas de destrucción masiva no habían existido, que esas armas más letales jamás inventadas habían sido inventadas por él.
Cuando, hace ya unos cuantos años, mi mamá me daba instrucciónes para vivir, entre otras cosas me aseguró que la mentira tenía patas cortas.
Pero la mentira tiene patas larguísimas, porque en las elecciónes siguientes el pueblo recompensó al presidente Bush reeligiéndolo.
Un caso muy común
Doña Chila Monti ya tenía unos cuantos años y estaba más cerca del arpa que de la guitarra. Bien lo sabía su hijo Horacio, pero se pegó tremendo susto cuando la vio como la vio: las manos tembleques, los ojos salidos, las piernas flojas que no podían caminar... ¿Qué pasó? ¿Qué pasó?, preguntó el hijo. Y la madre con un resto de voz, la poca voz que le quedaba, alcanzó a musitar: “Me robaron”. El hijo quiso saber qué cosas le habían robado. Y ahí ella pegó un salto y resucitó, furiosa, indignadísima, “Vos bien sabés que no tengo nada yo, ¿Qué cosas me iban a robar? ¡Ninguna! Cómo se te ocurre semejante barbaridad...¿Tengo cosas yo? Bien sabe Dios que cuando me llegue la hora subiré sin nada...” Bueno, bueno, dijo Horacio, pero si decís que te robaron... “Sí, me robaron” ¿Y qué se llevaron? “Las ideas”.
Yo, mutilado capilar
Los peluqueros me humillan cobrándome la mitad. 
Me consuelo recordando la frase de un amigo piadoso que me dijo alguna vez: “Si el pelo fuera importante estaría adentro de la cabeza, no afuera”.
Y también me consuelo comprobando que en todos estos años se me ha caído mucho pelo... pero ninguna idea... Lo que es una ventaja si se compara con tanto arrepentido que anda por ahí.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

editores no Festival Literário de Óbidos

no fim-de-semana passado juntaram-se no Folio, Festival Literário Internacional de Óbidos, quatro editores para uma conversa que deveria ser uma reflexão sobre a edição hoje em dia num contexto de concentração editorial. Os convidados foram Manuel Alberto Valente, Porto Editora, João Paulo Cotrim, Abysmo, Bárbara Bulhosa, Tinta da China e Zeferino Coelho pela Caminho, hoje parte do grupo Leya.

as expectativas não eram muito altas, num contexto daqueles a probabilidade era que a conversa fosse bem comportada, com alguns clichés sobre a importância dos pequenos e médios editores para colmatar espaços dos grandes editores. mas na verdade esta conversa acabou por ser uma rampa de lançamento para algum pensamento crítico sobre o lugar de cada um dos intervenientes e, por analogia, dos outros editores que hoje convivem no panorama editorial nacional.

Manuel Alberto Valente começa a sua intervenção dizendo que a concentração editorial é um fenómeno global, não apenas nacional e que é indiscutível afirmar que esta concentração afecta a produção literária sobretudo em autores novos. na verdade, e creio que isso acabou por ficar claro com as intervenções posteriores do João Paulo Cotrim e da Bárbara Bulhosa, o facto de as concentrações retirarem espaço a novos autores criou um gigante espaço exterior que possibilitou e incentivou a criação de pequenos editores que têm como objectivo a publicação desses autores. editoras como a Abysmo e a Tinta da China são prova disso mesmo.

João Paulo Cotrim e Bárbara Bulhosa intervieram no sentido de clarificar que uma editora independente não o é apenas por uma questão financeira. João Paulo Cotrim começou por deixar claro que a criação do chamado best seller não está ligado à produção literária e sim ao mercado e à indústria do livro. há um ponto que muitas vezes escapa neste tipo de abordagens - a diferença entre o leitor e o cliente. acredito que o que o João Paulo quis dizer aqui, e que a Bárbara Bulhosa acabou por corroborar, é que a estes editores interessa-lhes, claro, vender muito, o mais possível, mas numa lógica de angariação de leitores. o objectivo do editor deverá ser sempre a procura de leitores reais para os autores. é nessa relação real que está o objectivo destes editores, e, adjacentemente, de todas as possíveis campanhas de marketing ou de divulgação do livro.

o que está aqui em causa é efectivamente uma questão de ética, ou, usando as palavras de João Paulo Cotrim, uma questão de cidadania. considerar-se a produção massiva do sistema capitalista a única forma de trabalhar os livros como sendo uma consequência natural é um profundo disparate. em todos os negócios em que nos envolvemos temos sempre a possibilidade de nos posicionarmos de duas formas - conscientes das consequências éticas da nossa acção ou não. dentro de uma postura consciente e ética podemos ou não vender muito. ou podemos vender muito sem esse posicionamento ético. uma não exclui a outra.

por exemplo:
se um editor como o Zeferino Coelho afirma que a concentração editorial não trouxe diferenças à sua vida porque continua a poder editar os seus autores e, ainda por cima, consegue dinheiro para fazer campanhas na Fnac ou na Bertrand ou em supermercados com grandes cartazes e outros meios publicitários o Zeferino está a dizer que não conhece, ou não é importante para ele, que um leitor que compre um livro por ter visto a fotografia num cartaz não é propriamente um leitor novo para aquele livro. por outro lado, e aqui também se coloca um sério problema ético, quando um editor faz campanhas na Fnac ou na Bertrand ou num supermercado fá-lo contra condições (margens de desconto abusivas) destas "livrarias", margens essas que impelem o editor a aumentar o preço do livro para além de que dão legitimidade às mesmas para limitar a entrada de editores mais pequenos e independentes por não poderem fazer face a essas condições ou por não terem distribuição. desta forma vão assassinando os pequenos livreiros, diminuindo a possibilidade de um leitor real ter um espaço físico onde fomentar a relação íntima leitor - autor. desta forma, com a morte e asfixiamento das pequenas livrarias os editores que não querem ceder às condições dos grandes grupos acabam por ter um espaço limitado de distribuição. perdem os leitores e perde a literatura. num sentido ético perdem todos os que lêem e vivem dentro do negócio dos livros.

a maior falta de cidadania é fecharmos os olhos ao que não nos toca a nós directamente, achando que o único mundo que devemos proteger é o nosso. nesse sentido o João Paulo Cotrim e a Bárbara Bulhosa mostraram o que é ser uma editora que está comprometida com os seus leitores e que não abdica dessa relação por nenhuma lógica comercial. e mostraram a todos que para isso não é preciso não vender. é só preciso viver convictamente dentro dos seus princípios e acreditar que apesar de ser um caminho muito mais trabalhoso é o único caminho que pode, no final, ter alguma luz. os leitores agradecem.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

lançamento Uma História da Curiosidade



ouvi o Manguel pela primeira vez há uns doze anos, não fazia ideia quem ele era. ouvi-o a falar do percurso de vida dele, de como foi leitor do Borges quando ele cegou, de como se foi aproximando de forma crescente dos livros e da ideia de biblioteca labirinto tão querida aos hispano-americanos e aos borgeanos. a partir daí fui lendo os livros todos, as entrevistas, vi os vídeos, andei em Buenos Aires à procura também da infância dele. o que é diferente em Manguel é que consegue juntar um conhecimento enciclopédico a uma emoção e ternura sem igual. aos livros, sim, mas sobretudo à ideia de leitura.
hoje ele vem a Lisboa, e vai ser, sem qualquer dúvida, um privilégio poder ouvi-lo. às 18h30, no auditório da Gulbenkian, em Lisboa. entrada livre.

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX

O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas ár...