na próxima semana, dia 6 de Fevereiro, vou estar à conversa com o escritor Afonso Cruz
sobre o seu último livro. no entanto aproveitei o privilégio para poder
desenvolver com ele o tema da viagem, a metáfora mais poderosa de todos
os seus livros e do seu percurso.
em Setúbal, na Casa da Cultura, programação Muito cá de casa do José Teófilo Duarte. conto como sempre com o apoio da minha querida livraria Culsete e da livreira Fátima Ribeiro de Medeiros.
O livro é da Editora Objectiva.
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
terça-feira, 25 de março de 2014
V ENCONTRO LIVREIRO é já no Domingo
A maior forma de resistência é ainda a palavra. Todos os anos, em Setúbal, reunimo-nos para falar do que implica o livro, a leitura e as livrarias. Em cada ano que passa o encontro torna-se mais necessário e multiplicam-se as ideias, as revoltas, a certeza de que o moscatel e a amizade ajudam a tirar algumas conclusões. Este foi o ano em que se falou de livrarias independentes.O mais importante e que tornou este ano particular no que se relaciona com este tema foi percebermos que se começou a falar de livrarias independentes com pessoas que nunca sequer tinham pensado no tema. Colocaram-se a todas as pessoas questões que nunca antes tinham sido colocadas, tornando claro que a deslealdade da concorrência perturba quem detém o negócio mas também o consumidor final. É altura assim de o Encontro Livreiro pensar estas questões e encontrar uma forma de manter dinâmico este diálogo. Neste V Encontro vamos tentar saber como podemos continuar a justificar a necessidade de manter livrarias independentes não apenas através do discurso sentimental (tão válido quanto fundamental, não nos entendam mal) mas através da prova clara que o fim das livrarias independentes bem como a asfixia cultural por que atravessamos não torna este país um país sustentável e possível.
V ENCONTRO LIVREIRO
30 de Março, 15h30
Culsete, em Setúbal
toda a informação
V ENCONTRO LIVREIRO
30 de Março, 15h30
Culsete, em Setúbal
toda a informação
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
domingo, 1 de dezembro de 2013
a propósito do dia dos livreiros e das livrarias
"O Encontro Livreiro
pediu-me que escrevesse este texto neste dia e eu não sou livreira.
Aceitei sem hesitar, como sempre, sobretudo porque acredito que este
dia não deverá ser, no limite, sobre os livreiros e sim sobre os
leitores. É essa a minha condição aqui, de leitora. No entanto há
uma definição que o Manel Medeiros dava dos livreiros onde dizia
que estes publicam a leitura. Nesse sentido considero-me livreira
sim, porque quando me é impossível definir o meu projecto com os
livros a única definição possível é que tento criar leitores.
Vários tipos de leitores, diferentes tipos de leitores. Mas nunca
maus leitores. E não me venham dizer que não há isso de maus
leitores, há, claro que sim. Os livros têm connosco um papel
fundamental na nossa formação, no nosso pensamento, na nossa forma
de agir. Essa responsabilidade é de tal forma gigante e sagrada que
seria, no mínimo, um desrespeito dizermos que se pode ler seja o que
for que é igualmente bom.
Começa a ser raro
vermos quem sinta a verdadeira importância do livreiro nos seus
quotidianos. A própria profissão é desconhecida, ainda, para
muitos. Na verdade é também difícil de definir, há livreiros que
não trabalham em livrarias e há vendedores de livros que não são
livreiros. Na verdade os leitores começam a deixar de acreditar que
precisam de intermediários para a leitura. Num mundo tão cheio de
estímulos, com a internet inundada de opiniões que se dão com a
facilidade de um clique, nem sempre os livreiros são vistos como
mediadores da leitura. Não podemos esquecer que há mais leitores e
mais diversificados. Esse facto também leva a que muitos destes se
tenham formado longe da figura do livreiro. Noutros sítios.
Vender livros não é
igual a vender outro produto qualquer. Não o é em nenhum dos
sentidos. Um livreiro não vende um produto apenas. Vende ligações
a esse produto, vende outros livros. Vende um livro que corresponde a
uma ideia, um anseio, uma vontade de conhecimento, uma dúvida
pequena. Um livreiro fará um bom negócio (e não podemos esquecer
que uma livraria é um negócio) se conseguir que um cliente passe a
leitor. Para isso é preciso ensinar a um cliente que nada se lê
isoladamente, os livros não existem entre a capa e a contra-capa. Um
livreiro torna-se um bom livreiro se for um agente de ligações, se
funcionar como o motor que instala no leitor esse vírus das
ligações. Quem o consegue são por vezes pessoas improváveis, em
livrarias improváveis, noutros sítios que não são livrarias, por
pessoas que não vendem livros. Nas estantes dos desconhecidos, nas
estantes dos amigos. Em blogs, nas redes sociais ou nas conversas de
cafés.
Ser livreiro é
criar leitores. Só assim as livrarias podem sobreviver enquanto
negócio. Posto isto é fácil afirmar que as livrarias são sítios
de crescimento, de criação e aprendizagem. Daí a nossa
responsabilidade em mantê-las vivas e a funcionar, quando pensamos
onde vamos comprar um livro. São os leitores que as fazem existir
mas por trás de cada uma há livreiros que são a porta da livraria.
Os nossos agentes de ligações. Aqui na Culsete há dois, a Fátima
e o Manel. Hoje esta mais que merecida homenagem é a eles e aos
leitores que eles criaram. Não temos de ter muitas palavras porque
são 40 anos a mostrar, com esta porta aberta, com o reconhecimento
dos subscritores do diploma Livreiro da Esperança Especial, com o
nome que tão facilmente é reconhecido em qualquer lado, com o
Encontro Livreiro que nasceu aqui, que são livreiros à séria, que
deixam e continuam a deixar o melhor de todos os legados, uma fila
interminável de leitores."
texto lido na Culsete, a 30 de Novembro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Livreiro Velho, este ano, nas comemorações dos 40 anos da Culsete
"se as pessoas forem inteligentes percebem que eu tenho pouca importância mas que nós valemos a pena. e que nós somos eu e tu."
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
a despedida do livreiro velho
hoje em setúbal o assunto era o mesmo - o que tu querias ou pensavas ou dizias. rimo-nos e deixamo-nos no abraço. falámos sem constrangimentos. ouvimos a fátima a fazer planos devagar, mas sem medo. o dia mais triste de outono foi tudo menos o final de algum ciclo. sim, manuel, tens razão, tiveste um fim de vida incrível. e de certeza que adoraste a tua despedida. saímos de lá com ideias e com a reformulação das tuas. saímos de lá com histórias e memórias. eu saí de lá mais família, mais livreira, mais amiga. sinto-me estupidamente sortuda por ter feito parte disto. um velório é triste triste triste. espero que sejam todos como o teu. houve alguma coisa que começou hoje, na tua despedida. e poucas pessoas teriam conseguido isso, mas de ti, não me surpreende.
perder um amigo como quem perde parte de todos os quotidianos
a primeira vez que vi o manuel foi à porta da Culsete. ele olhou para mim com aquele ar malandro e disse "ah tu é que és a rosa!" e eu disse "e tu é que és o livreiro velho.". a primeira de muitas visitas ao manuel e à fátima, em poucos anos, que parecem mesmo poucos.
a última vez que o vi foi em casa dele. sentámo-nos no meio dos livros e falámos um bocado. falámos de surrealistas e da leitura, como sempre. falámos de como era importante não deixar cair o Dia da Livraria e do Livreiro, não sabendo ele que era nesse dia, 30 de Novembro, que teríamos uma grande homenagem preparada.
tenho poucas palavras e sei que com o tempo terei muitas. desde que soube que ele estava pior e que teria pouco tempo que me tenho lembrado de muitos episódios. há um que é para mim o mais bonito e que tenho de falar aqui. o manuel foi o primeiro a ligar-me quando saí do hospital na véspera de Natal. disse-me que uma vez, das muitas vezes que já tinha estado internado, também tinha saído naquele dia. e disse-me que no final não eram as más memórias que interessavam, era o voltar para casa.
o manuel era e é imortal, ia sempre sobrevivendo e nós íamos rindo com ele. ele que dizia e garantia que já tinha estado morto umas três vezes mas que pregava sempre partidas ao destino. há notícias que não acreditamos que cheguem nunca, esta era uma delas.
agora quero ir para setúbal dar um abraço à família-maravilha. porque hoje não há outro sítio para estar.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Livreiro da Esperança "Especial Culsete - 40 Anos"
Manuel Medeiros chegou a Setúbal vindo dos Açores, sua terra natal, para logo se envolver em projectos de animação e divulgação da leitura. Um ano antes do 25 de Abril, aproveitando o balanço de uma cooperativa de livros que a Pide não tinha conseguido encerrar, funda com Fátima Ribeiro de Medeiros a livraria Culsete, que permanece hoje como uma das mais activas livrarias independentes do país.
Ao longo destes 40 anos, Manuel e Fátima Medeiros fizeram crescer a Culsete no espaço das suas estantes – onde se encontra um fundo de catálogo completo e escolhido com o cuidado de quem conhece as páginas que vende, para além das novidades que vão chegando ao mercado –, tanto como para fora dos metros quadrados que delimitam a livraria. Pela Culsete têm passado escritores, ilustradores, editores, promotores da leitura, jornalistas, outros livreiros, muitos leitores, enfim, gentes do livro. É na Culsete que se realiza o Encontro-Livreiro e tem sido na Culsete que várias gerações de leitores setubalenses encontram o seu alimento em letra de forma, sempre bem aconselhados pelos dois livreiros.
Nos 40 anos da Culsete, e porque é de elementar justiça fazê-lo (esta é a primeira decisão que, no âmbito do Encontro-Livreiro, não conta com a participação do Manuel e da Fátima), decidimos atribuir o diploma
LIVREIRO DA ESPERANÇA
"ESPECIAL CULSETE - 40 ANOS"
a
Manuel Medeiros e Fátima Ribeiro de Medeiros
a
Manuel Medeiros e Fátima Ribeiro de Medeiros
e convidar todos quantos se queiram associar a esta singela homenagem a subscrevê-la, até ao dia 1 de Outubro de 2013 (dia em que se completam os 40 anos da abertura da livraria), enviando para encontro.livreiro@gmail.com uma mensagem com indicação de NOME, PROFISSÃO/EMPRESA e LOCALIDADE. Apelamos ainda a que, por esta via ou directamente no blogue, nos façam chegar depoimentos e comentários.
Bem hajam, Manuel e Fátima!
Sara Figueiredo Costa - Blogue «Cadeirão Voltaire», jornalista e crítica literária (Lisboa)
Joaquim Gonçalves - Livreiro, A das Artes (Sines)
Rosa Azevedo - Blogue «Estórias com Livros», ex-livreira, produtora na Ordem dos Arquitectos (Lisboa)
António Alberto Alves - Livreiro, Traga-Mundos (Vila Real)
José Teófilo Duarte - Designer gráfico (Lisboa)
Luís Guerra - Sistema Solar (Lisboa)
1 de Agosto de 2013
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