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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

o valter / Valter hugo mãe / Hugo Mãe

O último JL traz um magnífico texto de valter hugo mãe, que o coloca numa melancolia e pessoalidade íntima que não tenho visto há uns tempos.
Tenho pensado nele como tenho pensado em "todos" eles. Tenho pensado qual será o sítio dele enquanto escritor. A editora dele e ele próprio trabalharam uma imagem que despoletou no FLIP com uma plateia de 2000 pessoas emocionadas. E com outros tantos mil emocionados por todos o mundo. E essa imagem tem-se tornado maior do que o escritor. A imagem do escritor que comove, que tem 40 anos e quer ter um filho. Não é uma imagem necessariamente negativa, é ternurenta e real. Mas não é mais do que uma imagem. E falar dele não deveria ser falar da sua capacidade de comover o público ou a sua vontade de ter um filho. É a velha discussão do que é mais importante: a vida ou o escritor. E eu nem acredito em importâncias desmesuradas. Nem me incomoda que alguns escritores sejam mediáticos. Talvez isto seja quase uma saudade dos tempos em que era eu e o meu valter. Naquele segredo dos livros dele, na intensidade, nas personagens que nos entram em casa e jantam connosco. Na carne viva. Se calhar é só uma questão de maiúsculas. Se calhar isto são só saudades, deve ser isso. Eu que esmiúço este meio até não poder mais reparo que o valter começa a ser daqueles escritores que alguns não querem ler porque estão cansados da "imagem". Como aconteceu com o Peixoto, como estranhamente (ou não) nunca aconteceu com o Gonçalo M. Tavares.
Vingo-me no Filho de Mil Homens, tão diferente dos outros, e no texto do JL onde ele diz como é que ele é enquanto escritor, sozinho, longe da ribalta, dos lançamentos sem cheiro nem gosto. É um piscar de olho aos leitores.
Em breve falarei do livro mas digo-vos desde já que está a ser em grande. Em bom. Em valter. Ou em Valter.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Esta semana é a escondida polémica dos livros - mais uma vez a Leya a protagonizar a visão do livro como mercadoria

Pode-se ler no último JL:

"José da Cruz Santos denunciou recentemente a destruição de 40 mil exeplares de 96 títulos por si publicados na ASA ao longo da última década. Entre eles contam-se obras de autores tão importantes como Vasco Graça Moura (12 títulos), António Ramos Rosa (8), Eugénio de Andrade (5), Urbano Tavares Rodrigues (5), Maria Helena Rocha Pereira (2), Fernão Lopes, Almeida Garret, Eduardo Lourenço, Jorge de Sena, Paulo Quintela, Mário Cláudio, Albano Martins, Manuel António Pina, J. M. Fernandes Jorge, Maria Alzira Seixo, etc. etc., etc..
(...) José da Cruz Santos afirma que a Leya lhe terá enviado uma carta, em Março de 2008, com uma proposta de livros para abate, a que o editor respondeu criticando a medida e sugerindo a oferta das obras a instituições como escolas, prisões e hospitais. "Provavelmente não o quiseram fazer devido aos problemas fiscais e económicos que isso representaria. Mas com o tamanho e importância que o grupo tem, poderiam ter negociado com o Ministério das Finanças." Vasco Graça Moura é um dos autores que viu as suas obras guilhotinadas. Ouvido pelo JL, revelou-nos que não foi avisado pela editora, ficando impossibilitado de comprar os livros que quisesse."