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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Para Acabar de Vez com a Leitura & Ozon

o nosso ciclo Para Acabar de Vez com a Leitura traz desta vez o incrível filme de François Ozon "Dans la Maison", um filme sobre a escrita e o perturbador poder da ficção. a entrada é livre, a linha de metro é a amarela, estação Ameixoeira, os nossos anfitriões são a Salamandra Dourada. tudo boas razões para um belo fim de tarde juntos, neste próximo Domingo.


SALAMANDRA DOURADA
Casa da Árvore
18 de Maio
19h
entrada livre
Evento facebook




Claude Garcia, um jovem estudante de 16 anos, imiscui-se em casa de um colega de turma com intenção de observar a sua família e usá-la como inspiração para a sua escrita. Quando o ano lectivo se inicia, Germain, o professor de literatura francesa, percebe, através dos trabalhos que pede aos alunos, que aquele rapaz é possuidor de um dom raro. Apesar de introvertido e solitário, a sua personalidade cativa o professor, que considera que as obras literárias por ele criadas possuem uma força fora do comum, que vai muito além da sua idade ou maturidade. Porém, com o passar do tempo, os textos começam a revelar o seu lado "voyeurista" e perverso, com detalhes cada vez mais explícitos sobre a vida privada da família em questão. Dividido entre a decisão de o denunciar ou de o encorajar a continuar, o professor entra num perigoso jogo que porá em causa algo mais do que a sua carreira ou reputação.
 


segunda-feira, 17 de março de 2014

ciclo de cinema PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

O  PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA regressa com um ciclo de cinema em parceria com a Salamandra Dourada, na Ameixoeira. Ameixoeira que parece longe mas é na linha amarela do metro logo depois do Lumiar, nada mais fácil.
A ideia é fazer um ciclo de filmes relacionados com a literatura com toda a abertura que isso permite. Filmes documentais sobre escritores, filmes relacionados com temáticas vizinhas ou irmãs da literatura. Preferíamos, e apenas para não abrir o leque à exaustão, que não fossem filmes adaptados de livros a não ser que a temática o justifique. Depois, no dia em que víssemos o filme, haveria um evento (e aqui o leque é infinito) relacionado com algumas das linhas do filme.

E já temos primeiro filme!   




Autografia
(sobre Mário Cesariny)
de Miguel Gonçalves Mendes

domingo, 23 de Março
17h30

com leitura de poemas surrealistas

evento facebook

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

foi assim mais um Para Acabar de Vez com a Leitura

O Cânone ou a vã glória de ler e escrever

Mais um Chapitô, mais uma quarta-feira, cheio de gente boa e conversa que sem microfone se estenderia pela noite toda. Conversas cruzadas, palavras sussurradas pelas mesas. Cada um com o seu cânone. No jantar houve quem dissesse que este tema não era polémico. Que era aceite por todos quem são os grandes autores canónicos. A questão que logo depois começou a surgir e que nos levou a uma agradável conversa dentro do tanque foi que definição é essa de cânone. Houve quem definisse o cânone com o anti-cânone. Porque a tese tem sempre a sua antítese e falar por contraposição pode tornar o tema muito mais divertido.
Tínhamos nomes de grande gabarito, que se portaram à altura. Estava tudo em harmonia, os intervenientes, o público, o tanque, o Chapitô.
Miguel Real iniciou a conversa fazendo uma viagem pelo cânone português pós 25 de Abril. A partir de 1974 o cânone sofreu uma alteração brusca sendo afastados alguns nomes das leituras obrigatórias nas escolas. Pela primeira vez escrevem-se manuais escolares, com indicações de leitura, trazendo à tona autores proibidos e maltratados até essa data pelo regime anterior. Neste caso assistimos ao Estado a interferir directamente na definição de cânone. Nomes como Sousa Costa, Queirós Ribeiro, D.João da Câmara ou Augusto Gil são afastados do cânone e entram nomes como Ferreira de Castro (um escritor muito lido e respeitado já durante o Salazarismo), Cesariny, O'Neill, Herberto Helder, Fernando Pessoa (até aí só se lia a Mensagem), e neo-realistas como Alves Redol, Manuel da Fonseca, Gomes Ferreira. Muitos destes autores estão vivos em 1974, sendo que até aí se convencionava, salvo algumas excepções, que os autores entravam no cânone depois da sua morte, com a sua obra consolidada. Alguns autores desconhecidos até essa data começam agora a ser lidos como Gabriela Llansol, Ruben A., Nuno Bragança ou Yvette K. Centeno.
No pós 25 de Abril o cânone assentava em duas premissas: reflexão e militância. Interessava menos a história que era contada do que um testemunho e reflexão do que acontecia no país, as transformações necessárias e as consequências da ditadura. Queria-se combater o ruralismo do Estado Novo banindo os livros que reflectiam o homem salazarista. Combatia-se o nacionalismo com o cosmopolitismo, o mundo alarga os horizontes e as realidades culturais de outros países entram na nossa literatura. A partir da década de 80 os romances deixam de reflectir Portugal, podendo ou não reflectir outras realidades se bem que uma grande parte deles reflicta somente realidades alegóricas e abstractas. É também nesta década que o cânone "range". Começam a levantar-se vozes contra o cânone do pós 25 de Abril. Luísa Costa Gomes escreve um livro onde afirma que não vai falar do Império, nem do 25 de Abril, nem da Guerra Colonial. Rui Zink edita o Hotel Lusitano onde ataca autores com Barthes ou Deleuze, inquestionáveis até então. Os escritores desintelectualizam a literatura dando-lhe um tom mais ligeiro, jornalístico. Francisco José Viegas escreve sobre futebol e Dinis Machado policiais.
No séc XXI é a escrita que prevalece a cima da história que é contada. João Tordo, David Machado, Gonçalo M. Tavares, Patrícia Portela ou Afonso Cruz lançam-se numa escrita tabalhada, única e original. Brincam com imagens e realidades. São realistas sem serem fiéis à realidade. É sobre a linguagem que assenta a originalidade. Há menos unidade, mais pluralidade.
Maria do Rosário Pedreira intervém discordando de alguns pontos focados por Miguel Real afirmando que o cânone não tem a ver com o presente mas sim com o passado. Os textos da Bíblia foram os primeiros a ser canonizados, por uma autoridade que lhes estava automaticamente atribuída pelo seu carácter sagrado. Depois disso pluralizam-se mas são sempre canonizados por uma autoridade. Existiam três tipos de autoridade: a crítica, a academia e os professores. Para que uma obra seja canónica esta obra tem de ter qualidade não no momento em que é escrita mas numa fase tardia em que é possível observar que essa qualidade se mantém. Uma obra canónica tem de oferecer uma voz diferente e original que muitas vezes traz influências de outras obras, ainda que o possa fazer de forma inconsciente. A qualidade não é no entanto uma característica que garanta a presença de um livro num cânone futuro. É importante que essa obra seja divulgada e lida, pelo que a não edição de um livro ou a edição de poucos exemplares por uma editora pequena pode impedir a canonização. Para Maria do Rosário Pedreira o cânone é volátil, cresce e diminui, muitas vezes orientado por razões extra literárias. Para se ser um verdadeiro escritor este não deve procurar o cânone, deve sim escrever porque lhe é essencial. E ser realmente um escritor, uma vez que assinar um livro não é ser escritor.
Juva Batella inicia a sua intervenção com uma fábula: o professor grilo dá uma aula e o director grilo passa pela sala e ouve. O professor grilo diz que o canto dos grilos é o mais harmonioso de todos, mais do que os cantos dos pássaros que usam a garganta para cantar, o que não faz sentido. O director grilo fica muito feliz ao perceber que nada mudou. Harold Bloom (a partir de agora conhecido como Sr. Haroldo) é como o director grilo no seu livro O Cânone Ocidental. O Sr. Haroldo acredita que o que interessa é a estética numa lista de autores que lutaram contra o esquecimento, normalmente autores mortos, brancos, europeus, homens. Para o Sr. Haroldo o cânone centra-se em Shakespeare (a partir de agora conhecido como Sr. Guilherme), pois o que ele escreve é real e reconhecível durante os séculos seguintes. O cânone é a origem do que hoje está dito e escrito. Juva Batella cita Paul Valery para ilustar esta afirmação: o leão é feito de carneiro assimilado. Na verdade muitos quiseram lutar contra o cânone acabando também por isso por entrar nele, como é o caso de Borges.
Luís Ricardo Duarte fala do cânone referindo a sua viagem do Verão à Islândia. Antes da viagem procurou alguns livros que deveria ler para conhecer o país e pensou nos livros que daria a um estrangeiro numa visita a Portugal. O cânone dele seriam esses livros, um cânone mais volátil. Uma obra canónica cria o seu espaço, surpreende sempre, permite releituras. Deve ser original e único. Os jornalistas culturais fazem o filtro, são importantes para nos orientar e apresentar leituras ou não leituras. Falar de cânone para Luís Ricardo Duarte é falar dos livros que levaríamos para uma ilha deserta, é portanto um cânone mais pessoal.
Nuno Seabra Lopes, no público, coloca uma questão depois de ouvir todas estas intervenções que colocam o cânone em posições tão díspares. Hoje é difícil estabelecer quem é a autoridade. Existe um cânone? Vários? Quem é a autoridade? Eurídice Gomes, moderadora responde que hoje em dia, com o mercado que existe, é difícil estabelecer um cânone e que o melhor talvez seja pensarmos no cânone temporalmente, à distância, e não nos dias de hoje. Juva Batella defende que não existe uma única autoridade, que o cânone é definido por todos os que hoje em dia falam dele, inclusive nós no tanque do Chapitô. Acrescenta ainda que para entrar no cânone temos de lutar com ele de igual para igual, como Borges fez. Luís Ricardo Duarte defende que deveria ser a Universidade, como foi em tempos, a definir o cânone. No entanto admite que hoje essa canonização está mais díspar. Aníbal Fernandes, tradutor, cria um cânone próprio na selecção de obras a traduzir e estabelece o cânone para aqueles que o admiram e respeitam as suas escolhas. No entanto defende ainda que os livros fazem um caminho que nem sempre depende totalmente da sua autonomia e qualidade. A literatura islandesa não está mais divulgada pela dificuldade da língua.
A sessão terminou com chave de ouro quando Andreia Moreira pede aos cinco do tanque que lhe sugiram um livro do seu cânone. Luís Ricardo Duarte sugeriu a Odisseia ou a Ilíada e O Deserto dos Tártaros de Dino Buzzatti. Maria do Rosário Pedreira sugere as Obras Completas de Yeats. Eurídice Gomes sugere Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira. Miguel Real a Viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares. Juva Batella diz que até podia sugerir livros do Sr. Guilherme mas que não o vai fazer e fala do Sargento Getúlio do escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro e a Ovelha Negra e Outras Fábulas de Augusto Monterroso.
Foi uma noite boa. Descobrimos que a questão é mesmo a referida no início: o que é para cada um o cânone. Quando é que podemos falar de cânone. O cânone é nosso? É instituído por quem?
Como em qualquer boa sessão, não chegámos a nenhuma conclusão, ficámos só a saber mais.
Um bem haja ao Chapitô, mais um. Um bem haja ao  público presente. E um maior bem haja aos nossos queridos convidados que tanto nos fizeram discordar e pensar. É esse o caminho do Para Acabar de Vez com a Leitura.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O CÂNONE OU VÃ GLÓRIA DE LER E ESCREVER - Para Acabar de Vez com a Leitura

"Melhor seria, talvez, que os poetas fossem anónimos, dizia aquele que não nos atrevemos sequer a não citar, não nos caia o céu em cima das cabeças.
O senhor Borges, por questões que se atêm à biologia da espécie, não poderá estar no tanque do Bartô para se defender, mas faremos os possíveis para continuar a citá-lo, com ou sem razão para tal.


Ulisses, Beatriz, Dom Quixote, Madame de Bovary, Gregory Samsa, Leopold Bloom... Água..., oxigénio,carbono, hidrogénio, ficções: uns mais, outros menos, mas todos integramos na nossa constituição, na nossa humanidade, na nossa vitalidade, a necessidade da narrativa. Por ela fizeram-se guerras, revolucionaram-se sociedades, instituíram-se costumes, mudaram-se leis. O cânone literário integra o tecido vivo do legado imaterial da humanidade e ignorá-lo seria como rejeitar o oxigénio que nos dá vida.

Nesta sessão do PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA, perguntamos aos nossos ilustres convidados, Maria do Rosário Pedreira, Miguel Real, Ricardo Duarte e Juva Batella, quem são, afinal, os santinhos da literatura? E como chegaram os ditos ao nosso altar? O que ler e porquê; como sobreviver nesta dupla ficção que é o cânone literário?"
14 de Setembro
21h30
Chapitô

quinta-feira, 14 de julho de 2011

foi assim no chapitô, para acabar de vez com a leitura

ontem falou-se de livros no chapitô. mais uma vez. e de livreiros e de leitores. ali éramos todos leitores, alguns éramos livreiros, outros tínhamos sido livreiros, outros queriam ser para sempre livreiros, um certo tipo de livreiro, o nosso tipo de livreiro.
claro que não houve grandes conclusões, nem era para haver. a leitura está bem e recomenda-se. um grande passo para a leitura é haver livros e esses cada vez há mais. e não é correcto, de todo, dizer que há cada vez mais livros maus. há também cada vez mais livros bons. editoras como a Ahab ou a Cavalo de Ferro vieram transformar todo o panorama. há livros mesmo muito bons, e muitos deles, apesar de discretamente, também chegam ao top.
hoje não me apetece ser fatalista porque, primeiro, tento nunca o ser, e, depois, porque ontem levámos uma lição "daquelas". fatal não é acabarem os livros em papel porque como diz o nosso querido livreiro velho "eu não vendo papel", e, no limite, ao haver livros electrónicos para além dos livros em papel, há mais livros.
agora não me lixem, o livreiro tem uma missão. e se bem que ontem essa missão não tivesse sido directamente lançada para o colo dos espectadores apesar de muito se ter especulado sobre ela, a verdade é que o comentário que um espectador fez ia contra premissas que estavam a ser defendidas no tanque: "queremos dar ao leitor o livro que nós queremos ler ou o livro que ele quer ler?". a resposta só podia ser uma: queremos dar-lhe aquilo que ele quer, que muitas vezes é que lhe demos aquilo que queremos ler.
um livreiro tem de vender, será sempre verdade, mas haverá alguma razão para que o joaquim não venda seguros ou maçãs. "apesar de". haverá sempre um "apesar de". apesar de o mercado estar difícil, de as vendas estarem difíceis, e tudo e tudo e tudo. livros são livros, caramba. e isso ninguém lhes tira. nem nos vencem pelo cansaço, que o cansaço às vezes também alimenta. e isso viu-se ontem naquelas 50 pessoas que ouviam e falavam. há ainda muito a dizer, a discutir, a reflectir. "apesar de".
um bem haja a todos os que estiveram, os que quiseram estar e os que hão-de estar. e até setembro!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Socorro! Onde está o meu livreiro?

13 DE JULHO (próxima 4a feira)
21h30
Bartô do Chapitô, em Lisboa





cá estamos nós na terceira sessão do PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA, desta vez dedicada a isso mesmo, à leitura, com o título Socorro! Onde está o meu livreiro?.
Vai ser uma boa sessão, vou estar entre amigos, adivinha-se uma conversa descontraída com muitas surpresas e boa disposição. Quero-vos todos lá, onde vamos falar disto:

“No metro, nos correios, junto da banca das couves no supermercado, ele é ver livros brotar dos recantos mais insuspeitos e, estranheza maior, leitores que chegam ao balcão dos correios empunhando contas de electricidade e sérios tomos de auto-ajuda.
Restam poucas dúvidas de que pisámos, aqui, uma linha limítrofe. Mas limítrofe de quê? Que princípios culturais são estes que regem a compra e venda de livros?
As vendas tomaram de assalto a indústria do livro e o leitor foi elevado à condição de consumidor. A quantos de nós, leitores, nos perguntaram editores, livreiros ou autores, o que gostaríamos de ler? Será que nos revemos verdadeiramente nos escaparates atolados de novidades ou que as nossas escolhas estão, hoje, mais condicionadas que nunca pela abundância de oferta e ausência de aconselhamento? Onde está o meu livreiro? Quem é o meu editor? Por que comprei este livro?”


Convidados: Ricardo Ribeiro, Joaquim Gonçalves, Pedro Vieira, Luís Guerra
Moderação: Rosa Azevedo

terça-feira, 14 de junho de 2011

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA



















2ª sessão: "Vem aí o e-book... Deito fora os meus livro?"

Carlos da Veiga Ferreira, José Mário Silva e Nuno Seabra Lopes, no tanque do Chapitô, conversam sobre o passado, o presente e o futuro do livro e leitura.

"Que diria Gutemberg do e-reader? Provavelmente, o mesmo que diria da imprensa o escravo egípcio de castigo a gravar hieróglifos na Pedra de Roseta...
...O e-book já chegou e a indústria das estantes não anda doida com a ideia. Que fazer aos livros? Deitá-los fora, e com eles as provas de que, um dia, tentámos perceber alguma coisa do mundo? O advento do livro virtual, diz-se, mudará a forma como se lê e escreve. Mudará a forma de fazer cultura e de a divulgar. Mas o que muda, ao certo? Que tanto nos incomoda e atrai nesta virtualidade que tardava, já, em chegar aos livros.
Um escritor, um jornalista, um editor e um consultor editorial falam-nos de mitos e factos, esperanças e receios associados a esta (ir)realidade. A nós, meros plebeus da cultura, cabe-nos a responsabilidade de perceber o que fazer com os nossos livros."

Já amanhã, dia 15 de Junho, 22h, no Bartô do Chapitô!

sábado, 14 de maio de 2011

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

Chapitô

1a sessão: "É preciso ler uma biblioteca para escrever um livro?"

25 de Maio, 22h

Moderação: Rosa Azevedo

Convidados: Juva Batella, Sara Figueiredo Costa, Rui Zink, Afonso Cruz



O que é isto de escrever? Todos escrevemos, em cadernos, no computador,em guardanapos de papel. Fazemos listas de compras, deixamos recados no frigorífico e no bolso das calças. Escrevemos livros, textos, poemas, cartas de amor. Mas o que faz de nós um escritor? O que é isso de ser "escritor"? Onde está a linha que nos separa de Cervantes, Borges, Pessoa? Será realmente preciso ler uma biblioteca para escrever um livro? Que biblioteca é essa? Qual é a linha que separa um exercício de escrita de um texto que merece ser lido? Vamos pensar a escrita naquilo que ela tem de mais essencial: a comunicação. Vamos tentar perceber qual é o lugar da escrita.