
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
a avó e o Steinbeck

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
não, enganei-me, agora é que estou com uma apoplexia
"And don’t worry about losing. If it is right, it happens — The main thing is not to hurry. Nothing good gets away."
Steinbeck a falar ao filho adolescente sobre o amor. Tão sábio, caramba...
O texto todo aqui.
Steinbeck a falar ao filho adolescente sobre o amor. Tão sábio, caramba...
O texto todo aqui.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
caim
Caim não matou Abel por ser mau, ou cruel ou insensível. Foi exactamente pelo contrário, por uma sensibilidade descabida e irracional. Foi a primeira vítima de Deus que não soube amar os seus filhos por igual mesmo que o amor paternal possa ter e tem várias formas. No A Leste do Paraíso de Steinbeck, Caim (aqui Caleb) acaba por ter o destino marcado no nome, tentando sempre não "matar" o irmão, apesar dos impulsos que o perturbam. No entanto aqui o pai tem a crueldade justificada na história e no caminho que percorreu. E sente-se no texto o amor do pai, amor esse que não se sente na leitura da Bíblia. E Deus não tem essa justificativa. Não tem nem justificativa para recusar as oferendas de Caim nem para o preterir a Abel, de forma tão clara e visível. Aqui a Bíblia não mente, só nos dá algumas ferramentas para interpretar o que lá está. Saramago, em Caim, mostra bem esta crueladade do Grande Pai, que deixa o filho sofrer e não lhe permite humanidade. E é isso que Caim mostra ao matar o irmão - que é humano, assim como Adão, pai de Caim, foi humano ao comer a maçã. E Deus não lhes permite essa humanidade nem perdoa ou compreende o erro. O Deus criador é aqui um Deus castrador. No entanto (e vá-se lá saber se era essa a intenção dele) Caim ao ver-se obrigado a errar pela terra ("E o Senhor respondeu-lhe: “Não! Mas aquele que matar Caim será punido sete vezes.” O Senhor pôs em Caim um sinal, para que, se alguém o encontrasse, não o matasse. Caim retirou-se da presença do Senhor, e foi habitar na região de Nod, a Leste do Paraíso.") teve de saber escolher, agora sim, livremente, o seu caminho, com a memória de um crime que, no limite, não seria só seu, seria da raiva que Deus plantou nos seus gestos ao recusar o amor filial.
Se calhar Caim tornou-se existencialista... E ainda bem.
Se calhar Caim tornou-se existencialista... E ainda bem.
terça-feira, 13 de abril de 2010
About Steinbeck
Fui ver as Vinhas da Ira do John Ford e fiquei a pensar no Steinbeck, um dos amores da minha vida.
Há qualquer coisa que ele sabe e que nós não sabemos. E que ele nos ensina, mesmo que nunca o nomeie. Fala dos laços. Da família que pode ser qualquer uma. Nas Vinhas da Ira é a família de sangue, que se une numa sobrevivência cega. No A Um Deus Desconhecido é o amor à terra, à famíla que nasce e morre num só sítio, onde a terra é o sangue. No Ratos e Homens é a amizade e a irmandade tão forte que nos permite escolher pelo nosso "irmão" entre a vida ou a morte, se ele não o consegue fazer sozinho. Em O Inverno do Nosso Descontentamento é a família que nos vê mais do que é desejado. No Batalha Incerta é a união dos trabalhadores numa greve que só termina com a morte ou a vitória, numa união intrinsecamente inquebrável, onde ninguém cede. E no maravilhoso A Leste do Paraíso é o amor fraterno que resiste ao destino de um nome, é Caim que não quer matar Abel mesmo que essa morte esteja escrita à partida. É um pai que não percebe o amor, nem as formas que ele tem.
A arte de Steinbeck está em ver estas ligações tão invisíveis e tão viscerais numa altura em que desacreditamos a resistência da amizade e da família (a nossa e a que escolhemos) a qualquer preço. Em que a insegurança é o mote dos dias e das crenças. Steinbeck conta-nos outra coisa. Ensina-nos sem ser dogmático. Mostra-nos e conta-nos histórias que podiam as histórias da porta ao lado.
Há qualquer coisa que ele sabe e que nós não sabemos. E que ele nos ensina, mesmo que nunca o nomeie. Fala dos laços. Da família que pode ser qualquer uma. Nas Vinhas da Ira é a família de sangue, que se une numa sobrevivência cega. No A Um Deus Desconhecido é o amor à terra, à famíla que nasce e morre num só sítio, onde a terra é o sangue. No Ratos e Homens é a amizade e a irmandade tão forte que nos permite escolher pelo nosso "irmão" entre a vida ou a morte, se ele não o consegue fazer sozinho. Em O Inverno do Nosso Descontentamento é a família que nos vê mais do que é desejado. No Batalha Incerta é a união dos trabalhadores numa greve que só termina com a morte ou a vitória, numa união intrinsecamente inquebrável, onde ninguém cede. E no maravilhoso A Leste do Paraíso é o amor fraterno que resiste ao destino de um nome, é Caim que não quer matar Abel mesmo que essa morte esteja escrita à partida. É um pai que não percebe o amor, nem as formas que ele tem.
A arte de Steinbeck está em ver estas ligações tão invisíveis e tão viscerais numa altura em que desacreditamos a resistência da amizade e da família (a nossa e a que escolhemos) a qualquer preço. Em que a insegurança é o mote dos dias e das crenças. Steinbeck conta-nos outra coisa. Ensina-nos sem ser dogmático. Mostra-nos e conta-nos histórias que podiam as histórias da porta ao lado.
sábado, 16 de agosto de 2008
Batalha Incerta de Jonh Steinbeck

Há livros que têm de ser panfletários. Porque de vez em quando também nós podíamos ser um pouco mais panfletários. Vejo-nos (quase todos) a perder a(s) chama(s) que nos fazia, de certa forma, passar "para lá" do limite do aceitável dentro do nosso idealismo. Steinbeck descreve aqui a história de dois homens, membros do Partido, que se infiltram num acampamento de trabalhadores da apanha da maçã perto da década de trinta do século passado no interior dos Estados Unidos. Aí vão instigar os trabalhadores a fazer a greve para exigirem melhores condições de trabalho. O livro conta a história dessa greve, que envolveu centenas de trabalhadores.
Não existia neles a sensação de inutilidade, de desespero. Estavam calmos e trabalhavam, e na sua mente, lá bem no fundo, havia a convicção de que mais cedo ou mais tarde venceriam, encontrariam o caminho de saída do sistema que odiavam. Acredita, havia naqueles homens uma espécie de tranquilidade.
E por falar em livros panfletários não posso deixar de me lembrar do filme Os Edukadores. Imperdível!
Jule é empregada num restaurante e tem um segredo - um acidente de automóvel obriga-a a fazer pagamentos mensais a Hardenberg, um rico empresário. O namorado Peter e o amigo Jan também guardam um segredo - são os Edukadores, que assaltam as casas
dos mais ricos como acto de rebelião e afirmação política, alterando a ordem dos objectos que têm nas suas casas provando assim que nunca estão a salvo, apesar do dinheiro que possuem. Quando Peter vai de férias, Jan e Jule revelam os seus segredos e a intimidade torna-os muito próximos. Decidem entrar na casa de Hardenberg, mas são surpreendidos pelo empresário. Resta-lhes ligar para Peter e confrontar traições e ideais.
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