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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Curso de Surrealismo Português

Grupo Surrealista de Lisboa, Portugal 1949. Na foto, da esquerda para a direita : Henrique Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Pedro Oom, Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Carlos Eurico da Costa e Fernando Alves dos Santos. I Exposição dos Surrealistas, Junho/Julho, 1949.
A Bertrand Livreiros convidou-me para andar metida nos surrealismos novamente.

Este curso pretende mostrar que surrealismo foi este em Portugal através de poemas, pinturas e exercícios práticos de acaso objectivo e escrita automática.

Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. 

Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. 

Vamos surrealisticar. 


Deixo-vos as datas dos cursos, para já Lisboa e Porto:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Curso de Surrealismo Português










4 sessões à segunda-feira, entre as 19h e as 20h.
15, 22 e 29 de Fevereiro + 7 de Março

Preço: 50€
Inscrições até 8 de Fevereiro: 45€

geral@leituria.com ou rosa.b.azev@gmail.com


«A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas.»

António Maria Lisboa












Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir


Rosa Azevedo é formada em Literatura Portuguesa e Francesa com curso minor em Literaturas do Mundo e tem mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e da edição independente. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte e do grupo teatral A Mancha. É produtora do Reverso – encontro de autores, artistas e editores independentes, do Colectivo Prisma e do Muito Cá de Casa da Casa da Cultura de Setúbal, para as questões da literatura, onde é também moderadora. Colabora com a direcção da Cossoul em questões de produção, programação e associativismo. Mantém o blog estórias com livros.

Foi livreira e hoje é produtora, formadora, revisora e dinamizadora / divulgadora da área dos livros.


Evento facebook.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Cruzeiro Seixas no Congresso Internacional Surrealismo(s) em Portugal



do muito que se disse isto é o que fica de fundamental. porque quem faz não tem de falar sobre isso e se querem saber do surrealismo têm de ler os textos. cruzeiro seixas diz isto tudo e significa muito mais. percam, por favor, estes 25minutos. imprescindível.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

curso com novas datas, inscrições abertas



Pó dos Livros // podoslivros@gmail.com // 217 959 339
Av. Marquês de Tomar, Lisboa

4as feiras de Fevereiro' 14
21h
35€ (descontos estudantes e desempregados)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O Grupo Surrealista de Lisboa: da formação às dissidências

resumo da comunicação proferida no Congresso Surrealismo(s) em Portugal, Nov 2013
  
Começo por avisar que a minha comunicação pretende desmistificar ou mesmo desvalorizar o seu próprio conteúdo. A existência de um grupo Surrealista é sobrevalorizada face ao cenário surrealista português muito maior e mais abrangente. 

O Grupo Surrealista Português existe apenas porque surgiu a determinada altura a necessidade de trazer para Portugal o termo surrealismo, passando o surrealismo a existir quase por decreto. António Pedro já se tinha envolvido com o movimento surrealista inglês (1936) e começa a referir o movimento em Portugal. Publica em 1941 Apenas uma narrativa uma antologia de textos automáticos, algo absolutamente inédito no país. Para além disso alguns dos futuros membros do movimento surrealista português conhecem Breton e trazem as ideias do surrealismo francês para cá.

O grupo de alunos da escola António Arroio que por volta de 1942 se começa a juntar no café Hermínius tinha já em comum uma série de ideias que se aproximavam das ideias dos surrealistas franceses, sobretudo. Acreditavam na necessidade da criação de uma supra-realidade porque a realidade existente não era material artístico satisfatório. Para aí chegar teriam de afastar a razão para chegar a uma arte pura, longe de estereótipos e preconceitos. Preconizavam o fim da ditadura da razão. Ramos Rosa definia esta poesia como “ilegível mas não inaudível”, ou seja, imagens que não fazendo um sentido real e palpável criassem através do acaso ou da sensação um poema significante no leitor transformando-o numa parte fundamental e imprescindível da escrita.

Estes artistas não acreditavam que a arte fosse de elites, estaria por isso ao alcance de todos. Não queriam uma elite, não acreditam na separação entre arte e pessoas, não se queriam fechar em regras de arte ou dogmas relacionados com a história da literatura – ser surrealista era uma forma de ser e de estar na arte, não algo que se decida ser. Cesariny: "Eu acho que se se é surrealista, não é porque se pinta uma ave, ou um porco de pernas para o ar. É-se surrealista porque se é surrealista!"
Em 1942 já se reuniam algumas pessoas no café Herminius, alunos da António Arroio e em 1947 forma-se o primeiro grupo surrealista, o Grupo Surrealista de Lisboa. Em 1948 deram-se as primeiras discussões dissidentes. Havia vários surrealismos, mas Cesariny defendia nesta altura que o Grupo não parecia defender o que ele denominava surrealismo literário que defendia a absoluta liberdade de criação, a autonomia de cada um face à supra-realidade que procurava e o não prender-se a qualquer convenção. Este surrealismo torna-se então incompatível com a ideia da existência de um grupo, ou seja, a existência de um grupo não trazia nada de novo, apenas impedia a livre criação, sem preconceitos, onde cada artista deveria ser absolutamente diferente do outro. A revolução possível seria sempre uma revolução interior e pessoal e não uma revolução exterior, só assim seria possível chegar à revolução exterior que almejavam.

Em 1949 dá-se a separação e criam-se dois grupos. Por um lado o já existente, Grupo Surrelista de Lisboa de onde faziam parte O'Neill, Dacosta, António Pedro, Fernando de Azevedo, João Moniz Pereira, José Augusto-França e Vespeira. Destes afastaram-se os Dissidentes ou os Surrealistas (uma melhor definição para que não se identifiquem por oposição) com Cesariny, Pedro Oom, António Maria Lisboa, Henrique Risques Pereira.

O surrealismo não pode ser datado, nem podemos falar de percursores e herdeiros. Apenas o conceito e o seu entendimento fez com que se criassem estes grupos que aparentemente queriam o mesmo. No entanto ser-se surrealista era uma forma de estar na arte por isso teriam existido antes e depois e sempre.

Os grupos tiveram sobretudo a função de os pôr a pensar, reflectir, ainda que muitas vezes fosse pela negativa, daí o tão grande número de discussões, problemas e querelas. Os Surrealistas formaram-se pela negação de uma postura artística com a qual não se identificavam, nem eles nem o surrealismo bretoniano. Durante as dissidências os surrealistas puderam perceber que liberdade era esta. Não “inventaram” o surrealismo, pensaram-no e reflectiram-no.

É preciso perceber o que é ser surrealista, em que é que isso acrescenta o autor, o transforma, o melhora, o torna consistente. É isso que importa discutir e entender e espero que este congresso esta semana sirva para nos aproximarmos mais desse entendimento do que é o surrealismo, nos termos em que os próprios tentaram entender, e menos fecharmo-nos em discussões históricas e factuais.

Que sirva também este congresso para reflectir no que os surrealistas ainda podem significar e que sentido nos fazem (que é tanto) na nossa contemporaneidade. Que o congresso não nos feche em academismos e sirva para nos tornar o pensamento mais livre como os surrealistas quereriam, que nos tire do nosso espaço de conforto e nos liberte. De outra forma estaríamos a ser os nossos próprios inimigos.

Para tudo isto o importante é ler os surrealistas, para compreender esta revolução interior, não podemos entender o surrealismo em textos e comunicações.  Só nos livros e nos poemas e nos quadros essa revolução poderá ser não só entendida como atingida em absoluto. Não há outra forma.

domingo, 1 de dezembro de 2013

de volta à maratona


inscrever e divulgar como se não houvesse amanhã!




"A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas" (António Maria Lisboa)

Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. Vamos surrealisticar. Podem vir a horas ou chegar atrasados. Podem vir ao contrário. Podem não vir.


Pó dos Livros
inscrições: podoslivros@gmail.com // 21 795 93 39
Av. Marquês de Tomar, Lisboa

4as feiras de janeiro' 14
21h
35€ (descontos para desempregados e estudantes)
(o pagamento pode ser feito no primeiro dia do curso ou antes) 


evento facebook para aderir e divulgar. obrigada!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

perfecto cuadrado em lisboa

por ocasião do congresso surrealismos em portugal Perfecto Cuadrado veio falar do que é isto do surrealismo. pediu como seria de esperar que parássemos um pouco na palavra "surrealismo". com o tempo a palavra banalizou-se, o sentido desviou-se. o surrealismo é, para Perfecto, uma revolução total que deverá transformar o homem. uma revolução interior que não permite a historiografia do movimento. como dizia Cesariny "entre nós e as palavras o nosso dever falar", falando dessa mesma revolução interior. Perfecto Cuadrado diz que o surrealismo quer descobrir a luz na caverna. essa aventura não se fecha em datas, é uma aventura constante e sem limite. os valores de hoje são a abjecção moral, as trevas são negras. por isso sobramos nós, as pessoas, à procura da luz. apenas nessa procura podemos encontrar um acordar. Perfecto Cuadrado apela a que este congresso e o falar-se e pensar-se o surrealismo mostre a necessária resistência contra o real quotidiano que resiste a ser reabilitado.

domingo, 10 de novembro de 2013

Congresso Surrealismos em Portugal

uma malta gira e totalmente crente convidou-me para botar palavra neste congresso. lá estarei dia 18 ao pé de estrelas que me fazem inchar. espreitem o programa todo. clicar para aumentar.











quinta-feira, 7 de novembro de 2013

surrealistas a rockar há 60 anos e hoje ainda (pensamento fresco como uma alface)



"notamos a necessidade dum maior desenvolvimento da 'consciência individual' como forma de evolução duma 'consciência colectiva' que, por si mesma, mantenha a liberdade de acção-movimento a cada um dos seus componentes. A transformação social (meio em que o homem vive) depende fundamentalmente da transformação do homem." 

Mário Henrique Leiria, 1952

terça-feira, 29 de outubro de 2013

ainda sobre o ser surrealista, que não se escolhe, é-se, como dizia o outro

A actividade surrealista não é como Jorge de Sena quer (e outros também) uma simples libertação de coisas que chateiam, mas um golpe fundo, e de cada vez que é dado na realidade presente. Não é mero exercício para se dormir melhor na noite seguinte, mas esforço demoníaco para se dormir de maneira diferente.
António Maria Lisboa



Porquê a adesão ao surrealismo? Porque ao sórdido amor mesa-de-família-cama-de-casal e às convenientes - e, muitas vezes, adversárias - instituições que o servem e que serve, oponho, tanto em mim como nos outros, a feroz realidade do DESEJO.
Alexandre O'Neill

domingo, 27 de outubro de 2013

"Chamo-me Luiz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco, ou só Luiz Pacheco, se preferem. Tenho trinta e sete anos, casado, lisboeta, português. Estou na cama de uma camarata, a seis paus a dormida. É asseado, mas não recebo visitas. Também não me apetece fazer visitas. A Ninguém. Estou bastante só. Perdi muito. Perdi quase tudo.
Perdi mãe e perdi pai, que estão no cemitério de Bucelas. Perdi três filhos – a Maria Luísa, o João Miguel, o Fernando António –, que estão vivos, mas me desprezam (e eu dou-lhes razão). Perdi amigos. Perdi o Lisboa; a mulher, a Amada, nunca mais a vi. Perdi os meus livros todos! Perdi muito tempo, já. Se querem saber mais, perdi o gosto da virilidade; se querem saber tudo, perdi a honra. Roubei. Sou o que se chama, na mais profunda baixeza da palavra, um desgraçado. Sou, e sei que sou.
Mas, alto lá! sou um tipo livre, intensamente livre, livre até ser libertino (que é uma forma real e corporal de liberdade), livre até à abjecção, que é o resultado de querer ser livre em português.
Até aos trinta e sete anos, até há bem pouco tempo ainda, portanto, julguei que podia, era possível, ser livre e salvar-me sozinho, no meio de gente que perdeu a força de ser (livre e sozinha), e já não quer (ou mui pouca quer) salvar-se de maneira nenhuma. Julgava isto, creiam, e joguei-me todo e joguei tudo nisto. Enganava-me. Estou arrependido. Fui duro, fui cruel, fui audaz, fui desumano. Fui pior, porque fui (muitas vezes) injusto e nem sei bem ao certo quando o fui. Fui, o que vulgarmente se chama, um tipo bera, um sacana. Não peço que me perdoem. Não quero que me perdoem nada. Aconteceu assim.
Eu para mim já não quero nada, não desejo nada. Tenho tido quase tudo que tenho querido, lutei por isso (talvez o merecesse). Agora, já não quero nada, nada. Já tudo, tanto me faz; tanto faz.
Agora, oiçam: tenho dois filhos pequenos, o Luís José, que é o meu nome, e a Adelina Maria, que era o nome de minha Mãe. O mais velho tem 4, a pequenita dois, feitos em Fevereiro, a 8. Durmo com uma rapariga de 15 anos, grávida de sete meses, e sei que ela passa fome. É natural que alguns de vocês tenham filhos. Que haja, talvez, talvez por certo, mães e pais nesta sala. Não sei se já ouviram os vossos filhos dizerem, a sério, que estão com fome. É natural que não. Mas eu digo-lhes: é essa uma música horrível, uma música que nos entra pelos ouvidos e me endoidece. Crianças que pedem pão (pão sem literatura, ó senhores!) pão, pãozinho, pão seco ou duro, mas pão, senhores do surrealismo, e do abjeccionismo, e do neo-realismo e mesmo do abstraccionismo! Este mês de Março que vai acabar ou já acabou, pela primeira vez, eu ouvi os meus filhos com fome. E pela primeira vez, não tive que lhes dar. Perdi a cabeça, para lhes dar pão (ainda esta semana). Já não tenho que vender, empenhei dois cobertores, e um nem era meu. Tenho uma máquina de escrever, que é a minha charrua, e não a posso empenhar porque não a paguei; e tenho uma samarra, que no prego não aceitam porque agora vai haver calor e a traça também vai ao prego... Já não tenho mais nada. Tenho pedido trabalho a amigos e a inimigos. Humilhei-me, fiz sorrisos. Senti na face, expelido com boas palavras e sorrisos, o bafo da esperança, da venenosa esperança; promessas; risinhos pelas costas. Pedi trabalho aos meus amigos: Luís Amaro, da Portugália Editora; Rogério Fernandes, de Livros do Brasil; Artur Ramos; Eduardo Salgueiro, da Inquérito; dr. Magalhães, da Ulisseia; e Bruno da Ponte, da Minotauro, aqui presente, decerto. Alguns têm-me ajudado; mas tão devagarinho! tão poucochinho!
Sim, porque eu não faço (já agora, na minha idade!) todos os trabalhos que vocês querem! Só faço, já agora, coisas que sei e gosto: escrever umas larachas; traduzir o melhor que posso; mexer em livros, a vendê-los ou a fazê-los.
Nem quero vê-los a vocês, todos os dias! Ah! Não! Era o que me faltava! Vocês têm uma caras! Meu Deus, que caras que nós temos! Conhecem a minha? Vão vê-la ali ao canto, na folha rasgada do meu passaporte (sim, porque viagens ao estrangeiro (uma...) também já por cá passaram...) Viram? É horrível!... A mim, mete-me medo! Mas é uma cara de gente. E isso não é fácil.
Dizia eu: eu quero trabalhar na minha máquina, sozinho, ou rodeado da minha Tribo: os miúdos, uma mulher-criança, grávida. E, às tardes, ir passear pela Avenida Luísa Todi ou na ribeira do Sado. Acho que nem era pedir muito. E para mim, é tudo.
Já pedi trabalho a tanta gente, que já não me custa (envergonha) pedir esmola. Confesso-lhes: até já o fiz, estendi a mão à caridade pública, recebi tostões de mãos desconhecidas, de gente talvez pobre. E tenho pedido emprestado, com a convicção feita que não o poderei pagar. É assim.
Eu para o Luiz Pacheco, repito, não quero nada, não desejo nada, não preciso de nada; mas para os bambinos! E para o bebé que vai nascer! Roupas; leite; pão; um brinquedo velho... Dêem-me trabalho! Ou: dêem-me mais trabalho.
E para findar esta Comunicação, remato já depressa:

Peço uma esmola."

(Alocução de Luís Pacheco numa conferência pública)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

+ surrealismos





com amigos como o sr. teste e a querida Fátima que tanto entusiasmo me mostrou ao falar dos nossos surrealistas, é mesmo fácil fazer tudo pelo caminho mais incrível. isto está tudo a ser incrível.

merci

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

sobre o surrealismo

A poesia não necessita de "ser salva" porque o que nós entendemos por poesia não necessita de espécie alguma de salvação. Todo o acto de revolta ou de rebeldia, todo o processo de violentar "a natureza" e de desconhecer o direito e a moral é para nós poesia embora não se plasme, não se fixe, não se possa generalizar - e aqui está, implícita, a recusa terminante de amarrar o poeta a uma técnica, seja ela qual for, mesmo a mais actual, a mais opurtuna, porque, precisamente, o que o distingue do homem da técnica é um sentido de não oportunidade, de inoportunidade, que lhe advém de uma clarividência total e duma insubmissão permanente ante os conceitos, regras e princípios estabelecidos. Com isto não queremos dizer (Deus nos livre!) que o poeta seja um louco, um visionário, mas que, se ele tem de possuir uma estética e uma moral é, sem sombra de dúvida, uma estética e uma moral próprias.
Pedro Oom

“[o surrealismo] nunca vai acabar. Quem leu o André Breton com atenção percebe isso, não só não vai acabar como não teve começo. Claro. A investigação do Breton na literatura e na pintura refere os povos primitivos, os quadros de areia dos índios, as pinturas rupestres, de uma maneira que influenciaram muito depois a chamada arte moderna. A única coisa que o Breton fez foi reunir numa espécie de teoria, ou de filosofia ou de bloco, o que parecia que ao longo dos tempos não fazia sentido. Numa altura chamou-se Romantismo, depois noutra altura chamou-se não-sei-quê, depois outra coisa... Ainda há e há-de haver sempre Surrealismo” 
Cesariny

A actividade Surrealista não é [...] uma simples acção libertadora das coisas que chateiam, mas um golpe fundo de cada vez que é dado na realidade presente. Não é de facto uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas. Não é um mero exercício para se dormir melhor na noite seguinte, mas esforço demoníaco para se dormir de maneira diferente.
António Maria Lisboa

O único fim que eu persigo / é a fusão rebelde dos contrários as mãos livres os grandes transparentes.
Cesariny

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

os cadáveres esquisitos escritos na Pó dos Livros, num dia surrealista (VII)






os cadáveres esquisitos escritos na Pó dos Livros, num dia surrealista (VI)

o início de um poema é possivelmente o mais desinteressante era aquela conversa de café, as banalidades de outro dia igual, as queixas do costume, os planos nunca concretizados os desejos deverá haver um bom sentimento antes de vos ter era incompleta depois irei a correr até ver o sol nascer momento de libertação olhando o infinito e o universo inteiro e vasto, feito também dessas desilusões e efeitos especiais é o que se espera. Mas não estou para isso porque não quero partir, a mudança assusta e a rotina conforta. mas o arrependimento, esse, impele a agir, a deixar marca magia como milho cozido entre as tuas pernas, pele de pêssego mas também marmelo e avelã. aliás, toda ela era uma orgia de frutas... aquelas que são mais doces e ficam com o sabor no céu da boca a conversar com o palato. mas agora deixa-me degustar este copo de vinho e pastéis de bacalhau com sabor a colher de pau! o marx queria ter um fax que insiste em não chegar. horas e horas à espera de notícias que não chegam. passam os segundos, os minutos, as horas em que leio os pensamentos daqueles que não amam, como se eu fosse um débil mental.