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terça-feira, 12 de abril de 2011

um até já pela Trama

A Trama vai fechar. E é triste triste triste. Pela ideia que era a melhor do mundo. Era vender livros em bom. Era saber vendê-los, conhecê-los pelo nome próprio. Era a Catarina e o Ricardo. Era os todos bons momentos. Todos sempre bons. As tertúlias, o Clube do Livro, as Cidades Invisíveis, os cursos de Literatura. Enfim, foi o guito. O sacana do guito. Sempre o sacana do guito. Mas como dizem os nossos miúdos foi um belo erro. Que os belos erros nos corroam os espíritos, sempre. Quando for grande quero ser como eles e errar assim e assim espalhar-me ao comprido também. Seria de certeza uma pessoa muito melhor.
Aqui o texto dos traminhas:

"Exmos. Senhores

A Trama Livraria, Lda. entrou em insolvência há escassos dias. Durante os próximos tempos entrará numa espécie de período de "liquidação" que tem por objectivo escoar todos os livros que foram adquiridos (em segunda mão, maioritariamente) ao longo de mais ou menos três anos de trabalho.

Suponho que o nosso encerramento seja uma surpresa para muitos - sobretudo para aqueles que não têm aparecido mas, para dizer a verdade, estava na cara.

Como todos sabemos, nenhum negócio vive de amigos, primos, vizinhos ou entusiastas. Um negócio, qualquer que ele seja, precisa de clientes para poder cumprir com um sem fim de obrigações que passam pela renda, pelos impostos, pelas contas (água, luz, net, telefone, essas coisas) e, com sorte (não a nossa, convenhamos), pelos ordenados.

Como podem ver não fomos bem sucedidos - isto se acreditarmos nesse conceito misterioso chamado "sucesso". A meu ver - e se nos seguem há tempo suficiente bem sabem que aquilo que acho serve de pouco ou nada - fomos muito, muito bem sucedidos. Falhou o guito. Falharam várias coisas, todas passando pelo guito.

Durante três anos fizemos tudo quanto podia ser feito - concertos, leituras, conversas, edição de dois livros, teatro, festarolas, cinema, actividades infantis e sabe-se lá mais o quê. Todas estas coisas foram feitas, essencialmente, por acreditarmos que eram necessárias, pese embora nunca tenham sido lucrativas. Mas que se lixe, não estávamos nisto pelo lucro e, imaginem, nem sequer somos de esquerda. O objectivo sempre foi o mesmo, desde essa tarde de 2007 em que concebemos a Trama, até há uns meses atrás: fazer aquilo de que gostávamos e em que tínhamos alguma experiência, continuar a aprender e... partilhar. Fúria juvenil, ímpeto irracional, inexperiência, falta de jeito para o negócio, chamem-lhe o que quiserem.

Não queremos que lamentem, que tenham pena, que nos consolem. Não estamos arrependidos e, creio, fazíamos tudo outra vez. Talvez agora soubéssemos uma ou duas coisas que tornariam este desfecho diferente... mas a verdade é que se as tivéssemos sabido há mais tempo, a Trama, como a conhecem, nunca teria existido.

Um erro, sim
mas belo

belo
belo
belo

Não queremos que se sintam culpados. Mas se se sentirem também não faz mal.

Até já"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Curso Literatura Portuguesa séc. XX

Livraria Trama
Rua São Filipe Nery, 51-A (perto do Largo do Rato)
Inscrições para livraria.trama@gmail.com ou rosa.b.azev@gmail.com

17 Jan a 7 Mar 2011
(todas as 2as feiras à noite)
21h às 22h
65€

PROGRAMA

17 Janeiro
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
24 Janeiro
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
31 Janeiro
surrealismo: surrealismo a tempo (Cesariny)
7 Fevereiro
surrealismo tardio (Mário Henrique Leiria), surrealismo disfarçado (Alexandre O'Neill), outros surrealismos (Luiz Pacheco)
14 Fevereiro
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara (Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira).
21 Fevereiro
anos 50 a 70: literatura sem marca. Vergílio Ferreira e o Existencialismo.
28 Fevereiro
nova literatura: novos autores, consagrados e outros, revistas literárias, consagradas e outras
7 Março
balanço

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A nossa Trama vai viajar! Sábado vamos todos despedir-nos do 25B.


Consumo mínimo 1 livro! Vamos "aliviá-los" da tralha dos bons livros e ajudá-los a abrir as portas rapidinho num sítio pertinho de nós.

sábado, 19 de setembro de 2009

Trama a livraria tramada

é oficial, não dá para entrar naquela livraria sem uma preciosidade. Ou duas neste caso. É que ali chovem preciosidades.


Um é este:



A biografia de Sartre, por ele mesmo.
O outro é uma maravilhosa edição dos contos do Steinbeck, pela Atlântida, de 1958. Eu não sabia da existência deste livro o que inicialmente me irritou um pouco e me encantou de seguida. Viva a Trama. Vou ler, já!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cidades Invisíveis


Que livro não vive sem outro livro? Existe o livro?

“- Falta uma de que nunca falas.
Marco Polo baixou a cabeça.
- Veneza – disse o Kan.
Marco sorriu. – E de qual julgavas que eu te falava?
O imperador nem pestanejou. – Mas nunca te ouvi dizer o seu nome.
E Polo: - Sempre que descrevo uma cidade digo qualquer coisa de Veneza.
- Quando te pergunto por outras cidades, quero ouvir-te falar delas. E de Veneza, quando te perguntar por Veneza.
- Para distinguir as qualidades das outras, tenho de partir de uma primeira cidade que está implícita. Para mim é Veneza.”

Italo Calvino
Cidades Invisíveis

Cidades Invisíveis

É claro que a leitura não surge por acaso. E, mesmo que surgisse, deixava de ser um acaso no momento em que existe. Porque a leitura liga sempre a outras leituras, já feitas e, arrisco mesmo a dizer, por fazer. Como uma teia, cada livro muda as leituras futuras e as passadas, e também a nossa leitura interior. Muda porque acrescenta alguma intenção ao Leitor. São cidades em teia, como uma das cidades de Calvino.
O acaso vem do momento em que escolhemos começar a ler um livro. Quando temos em casa aquela pilha de livros não lidos mais a nossa lista interna de livros por ler, surge um outro que, por qualquer razão, vai ser lido antes dos outros. E aí começa a viagem - fazer com que esse acaso acabe por encaixar dentro da nossa cidade. E, atenção, esse encaixe é inevitável. Não há leituras vazias. Há, sim, leituras que constroem partes diferentes das cidades.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Cidades Invisíveis

Faria sentido um mundo só de bons livros?

Um bom livro seria, no limite da sua definição, um livro que cumpre o objectivo que, para cada leitor, o livro tem de ter. Mas que objectivo é esse? Nestas cidades que construímos, será que precisamos sempre de equilíbrio? Ou por vezes precisamos de ruas apertadas e frias e prédios decadentes? Claro que podemos também pensar que essas mesmas ruas pode ser exactamente o que alguns leitores procuram enquanto outros preferem casas baixas e luminosas, pontes, estradas largas. Se procuramos livros e cidades diferentes será sempre difícil definir o que é um bom livro. A não ser que seja possível separar a noção de bom livro da noção do “nosso” bom livro. Uma opção certamente demasiado académica...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cidades Invisíveis

Quando lemos constroem-se cidades. Há prédios altos e casas pequenas. Bairros operários e ruas com uma árvore em cada jardim. Há ruas de lodo e mau cheiro. Há aquele recanto secreto que só nós conhecemos e que fazemos questão (por vergonha?) de não dizer a ninguém que existe. É a nossa cidade invisível. Construída de leituras, as primeiras, as que escolhemos, aquelas em que tropeçámos.
As leituras nunca são iguais, mas será que há leituras vazias? Leituras que não constroem nada. Leituras que não entram na nossa cidade. Quando faço mudanças há sempre um livro que encontro e que já não me lembrava nada de ter lido. Muitas vezes quando o folheio a cidade grita e eu lembro-me da rua que ele ajudou a construir. Ou então não. Será porque não construiu nada? Ou porque a cidade está esquecida?

"Mas foi inutilmente que parti em viagem para visitar a cidade: obrigada a permanecer imóvel e igual a si própria para melhor ser recordada, Zora estagnou, desfez-se e desapareceu. A Terra esqueceu-a"
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis

Cidades Invisíveis - Vamos falar de Livros?




"Depois de passar seis rios e três cadeias de montanhas surge Zora, cidade que quem viu uma vez nunca mais pode esquecer. O homem que sabe de cor como é Zora, nas noites em que não consegue dormir imagina que anda pelas ruas e recorda a ordem em que se sucedem o relógio de cobre, o toldo às riscas do barbeiro, o repuxo dos nove esguichos, a torre de vidro do astrónomo." Italo Calvino


22 de Abril


21h30




A propósito do dia do mundial do livro, a 23 de Abril, a Associação Cultural Respigarte e a Livraria Trama quiseram colocar algumas questões àqueles que parecem ter com os livros uma relação que vai muito além do consumo. O livro, produzido e reproduzido em massa, continua a ser objecto de culto. Numa época em que as montras das livrarias se renovam diariamente, ao ritmo incessante das publicações, porque razão se procuram tanto alguns títulos esgotados?Cada livro é um edifício, uma construção no leitor. A cada nova leitura vai-se formando um bairro, com largas avenidas, becos estreitos, pontes, jardins. Como se arquitecta esta cidade invisível? Qual o percurso do leitor, de que modo passa de uma construção para outra e, acima de tudo, como se relaciona a nossa cidade com a cidade do leitor ao nosso lado. Queremos saber qual o ponto de encontro, que caminhos se usaram para chegar a Roma. Todos são possíveis, como se sabe. Serão convidados escritores, músicos, tradutores, editores, encenadores e, acima de tudo, LEITORES.

Diana Mascarenhas vai desenhar ao vivo o mapa da nossa cidade, o roteiro das nossas leituras.


Moderação

Rosa Azevedo


Convidados

Jorge Silva Melo

Pedro Vieira

Francisca Cortesão - Minta

Abel Barros Baptista

Jorge Fallorca

Luís Filipe Cristóvão

José Mário Silva

(outros que tais, ainda por confirmar!)


Actualizações sobre as misteriosas linhas desta conversa:





domingo, 5 de abril de 2009

Livraria Trama

Há em Lisboa uma livraria à séria. Para além de livros tem paredes que nos fazem ter ainda mais vontade de os ler. Mas o que faz mesmo a livraria, o que a torna única nesta estranha cidade, são os que a fazem e que realmente gostam de livros. Porque a Catarina e o Ricardo gostam de livros. E neste meio frenético de amantes de livros poucos são os que realmente são apaixonados por eles.

Além de livros há espetáculos e bom café. A visitar e a voltar. Cinco estrelas.