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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

o LEVA na Câmara dos Solicitadores

A revista da Câmara dos Solicitadores fez uma simpática reportagem sobre o LEVA - Ler em Voz Alta. Clicar na imagem para aumentar. E esperem novidades ainda esta semana!




domingo, 24 de agosto de 2014

o LEVA aceita textos propostos pelos autores

o LEVA entra agora numa nova fase e reformula o seu modus operandi, não modificando a sua missão e objectivo. Decidimos que agora é altura de gravar livros sem ser por encomenda aceitando sugestões de textos dadas pelos próprios autores, que nos cederiam os direitos, ou sugestões de editoras. Assim, quando as instituições ou clientes particulares nos contactassem, nós teríamos em carteira diversos textos para ceder, sem contrapartidas. Assim peço aos interessados que enviem as suas histórias (em papel ou gravadas, o que seria ainda melhor) para começarmos a fazer crescer o nosso volume de audio-livros.
no entanto é importante salientar que continuaremos a aceitar encomendas de potenciais clientes, foi e será sempre essa a nossa bandeira e objectivo principal, queremos apenas que mais audio-livros cheguem a quem precisa.

os contactos mantêm-se

rosa azevedo
leremvozalta@gmail.com
936 584 536
www.leremvozalta.org


domingo, 5 de janeiro de 2014

esclarecimento face a uma reclamação de uma voluntária do LEVA - ler e voz alta (www.leremvozalta.org)

Caros voluntários e leitores,
o LEVA recebeu uma reclamação de uma voluntária e creio que se impõe um esclarecimento público para esclarecer a posição do LEVA bem como deixar claro todo o processo que nos trouxe à forma como hoje funcionamos.
O LEVA surgiu em Agosto de 2012 com o plano de, a partir de trabalho voluntário auto-proposto, oferecer a custo zero audio-livros a todos aqueles que não pudessem, por várias razões, aceder ao livro físico estando por isso em desvantagem numa realidade em que o mercado do audio-livro é absurdamente diminuto (apesar da sua grande qualidade) e portanto esses leitores estariam sempre em desvantagem face a quem não tivesse essa limitação. Foi lançada a ideia que foi também apoiada por alguma visibilidade na comunicação social o que facilitou a oferta bastante grande de voluntários. A maioria desses voluntários são leitores, depois temos os técnicos em menor número, e depois várias outras categorias – estúdios profissionais, a designer que fez a imagem,o programador do site, alguns autores e editoras que ofereceram direitos, seja espontaneamente seja contra pedido.
O que tem faltado no LEVA são encomendas. Tenho contactado empresas e instituições, tenho contactado particulares, fizemos o site e o facebook, espalhámos a palavra. Ainda assim as encomendas rareiam. Tivemos apenas duas encomendas que incluíam alguns livros e foi aí que todos os voluntários foram contactados, após termos conseguido o apoio das editoras que infelizmente não se verificou para a totalidade da encomenda. Escolhemos os voluntários e para esta encomenda o critério escolhido foi aceitar leitores que se tivessem oferecido com técnicos uma vez que havia alguma pressa na realização das gravações. Claro que ficou decidido que na próxima encomenda o critério seria outro e os voluntários que gravaram estes livros não estariam no topo da lista para dar oportunidade a outros. Essa segunda encomenda ainda não se verificou.
A reclamação vem no seguimento de um post no facebook que fala da necessidade / vontade de mais voluntários após alguns deles terem ficado sem livro atribuído nessa primeira e única encomenda. A razão para o ter feito prende-se com diversas razões, a saber:

  • havendo mais voluntários pelo país pode aparecer oportunidade de juntar um técnico de uma determinada cidade com um leitor que já lá esteja permitindo assim descentralizar o projecto das grandes cidades, nomeadamente Lisboa
  • os voluntários podem oferecer-se para outras actividades que não a leitura – como exemplo já tive voluntários que se ofereceram para contactar empresas e marcar reuniões ou para fazerem a ligação com meios de comunicação
  • queremos que o LEVA cresça e tenha cada vez mais encomendas. Só com o esforço de todos na divulgação e participação activa o poderemos conseguir, daí que o corpo de voluntários aumentar, logo aumentar o envolvimento das pessoas no desenvolvimento de um projecto que pode ser muito maior do que é, é sempre positivo

A dita reclamação falava também das expectativas criadas nos voluntários. As expectativas são de todos. Quando criei o projecto em 2012 não imaginei que tivéssemos tão poucas encomendas. No entanto estamos todos no mesmo barco e creio que as expectativas que nunca poderemos deixar goradas são as dos nossos leitores, que nos encomendam livros, o que acredito que não tem acontecido, graças ao trabalho de todos. Este projecto é nosso, meu e dos voluntários, e o nosso trabalho e vontade é de os ajudar juntando esforços, criando ideias, pensando em conjunto. Se queremos fazer mais, e sei que se todos o sentirem teremos aqui um grupo muito forte, vamos em conjunto, de forma construtiva, pensar em como poderemos fazer este projecto crescer e não esperar que cresça sozinho. 
A dita voluntária abandonou o projecto por vontade própria. Fica a vontade que tal força e dinâmica possam ser aproveitadas para outros projectos.
A reclamação falava também da falta de organização por ser uma única cabeça à frente do projecto. Aqui, e apenas aqui em nome pessoal, vos digo que desde que comecei o projecto até hoje que não o faço de forma diminuída ou desorganizada mesmo com as naturais adversidades que surgem, porque não sei trabalhar pela metade e tento nunca o fazer. O trabalho conjunto tem permitido que essa minha vontade se mantenha realizável. O que na reclamação surgia como desorganização é apenas a forma escolhida para levar o trabalho avante. Se não concordarem com o método poderemos trabalhá-lo através da construção, em conjunto, de métodos alternativos. 
Quanto aos outros voluntários deixo aqui a minha vontade em ouvi-los, esclarecer as questões que possam ter, pedir toda a ajuda e colaboração no desenvolvimento deste projecto ainda tão recente, sobretudo ao nível das ideias que nos possam fazer ter mais encomendas.
Todos gostávamos que este projecto estivesse a chegar a mais gente. Só nos sobra fazer por isso. Redobro o meu agradecimento a quem o faz comigo, diariamente, no LEVA. Espero poder chegar a todos, um dia. Era apenas sinal que teríamos chegado a mais leitores, de forma mais global e mais eficaz.

Reitero como sempre reiterei a minha total disponibilidade e abertura para esclarecimentos. Os meus contactos estão todos no site www.leremvozalta.org.
Um bem haja a todos,

rosa azevedo

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

novidades do LEVA

hoje é um dia importante para o LEVA, foram distribuídos quatro livros pelos voluntários. o primeiro foi gravado "em casa" por isso agora foi assim como que a "maioridade" do projecto o que dá algumas borboletas no estômago.
não dá para explicar o entusiasmo e emoção dos voluntários que se ofereceram para gravar. custa não poder dar livros a todos mas havemos de o fazer. 
estamos ainda a precisar de técnicos, sobretudo, por isso gente, aceitamos sempre voluntários (leitores também). é só enviar e-mail para leremvozalta@gmail.com

site 
e facebook (divulgar! divulgar!)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

o primeiro livro do LEVA seguiu!

prontíssimo, o nosso primeiro livro. e quando os outros quinze estão a trazer tantas dificuldades este é mesmo um grande feito.
obrigada Orfeu Negro por terem percebido sem qualquer dúvida e cheios de fé o nosso objectivo e terem cedido os direitos de olhos fechados, e obrigada Kisiwane Productions por um trabalho de uma qualidade muito acima da imaginada, um profissional medalha de ouro!
e claro, obrigada às dezenas de voluntários que estão a postos. espero dar notícias ainda esta semana. bem haja a vocês todos.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

help

estou de volta de férias absolutas e claro que, como tantas outras vezes, preciso de vir aqui pensar um bocado o trabalho. não vou voltar a entrar nas antigas ansiedades por isso vou espalhar tudo aqui e esperar as vossas reacções e comentários. fico-vos mui agradecida, já sabem que "finjo" gostar de trabalhar sozinha mas é uma grande treta.

- o boris vian está parado não por falta de vontade mas por medo. medo é a palavra certa. não sei por onde atacar nem o que fazer. sei que vou fazer mas não consigo avançar. estou paralisada. preciso começar a montar o espectáculo e nem sei por onde começar.

- ando a criar o curso surrealista. é o que está a andar mais depressa, mas continuo a aceitar todas as ajudas - inputs, autores, poemas, influências, autores paralelos. está a ficar giro, giro!

- estou a planear uma cena-super-secreta da qual saberão mais tarde do que se trata - preciso para já que me falem de documentários sobre escritores. assim, só. vago, vago.

- o LEVA continua à espera de encomendas mas está já à espera das primeiras reuniões. decidi conhecer pessoalmente algumas instituições e descobrir lá, com as pessoas, que livros poderiam ter interesse - isto não muda o propósito inicial, claro, mas aumenta a área de ataque. estou muito feliz por ter a possibilidade de conhecer de perto pessoas que por várias razões (e as razões são mais do que eu própria imaginei) não podem ler e poder com elas e com as pessoas que as acompanham descobrir a melhor forma de introduzir o LEVA nas vidas e quotidianos de todos eles. ando a preparar as apresentações e a marcar reuniões. vou brevemente precisar de voluntários para gravar, se bem que recebo sempre voluntários para ler. as gravações que aí vêm serão curtas por isso os voluntários podem gravar mesmo que com pouco material ou experiência. continua a achar importante (por questões práticas) que os técnicos se juntem com leitores amigos,  para agilizar a gravação dos pequenos textos.

sou uma menina eu sei mas ando sempre à procura de ajuda. amo cada um destes projectos e prometo que os levo avante para não pensarem que sou uma dilentante!
isto divide-se em mil listas já todas escritas. agora é atacar isto à séria. começo sábado. amanhã não dá que vou comer caracóis e gravar livrinhos. e hoje tenho de estender roupa e lavar a loiça. é verdade. mas de sábado não passa. até têm tempo de dar sugestões, vejam lá, só vantagens!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

o LEVA&etc no Edição Exclusiva

acedendo a um simpático pedido do Hugo Xavier e do blog Edição Exclusiva escrevi um texto sobre  a minha visão relativamente ao papel dos audio-livros. deixo-o aqui.

Penso constantemente no conceito de leitura. Passamos o dia a ler. A ler textos, a ler reacções, a ler o nosso próprio pensamento. Lemos com os sentidos todos (as mãos lêem, os ouvidos lêem) e lemos com a cabeça, com a intuição, com a interpretação. A leitura é sempre uma transformação de algo que nos é oferecido. Nada nunca é lido da forma como é recebido. Ninguém lê o que lhe é passado recebendo-o sem o transformar com o poder da interpretação. Ainda assim, é comum que a leitura – se nos perguntarem o que é e não perdermos tempo a reflectir numa resposta – seja apenas vista como a leitura de textos com a visão, textos impressos ou digitais.
Foi o pensar tanto a leitura que me fez criar o LEVA – Ler em Voz Alta, um projecto que grava, em suporte sonoro, livros em papel, encomendados por clientes individuais. As razões para validar a encomenda podem ser as mais variadas, mas a condição essencial é que o cliente final não possa mesmo aceder ao livro impresso, por incapacidade. A ideia surgiu do culminar de diversas histórias que me foram contando e que relatavam casos de familiares ou amigos que, devido à idade ou problemas de saúde, iam deixando de conseguir ler.
Em muitos outros países, nomeadamente em alguns países do Norte da Europa, os audio-livros são objectos com uma produção muito cuidada que acompanham o livro físico e o cliente pode optar por um dos dois. Assim, qualquer pessoa pode ouvir um livro que escolheu enquanto faz exercício físico, enquanto executa tarefas domésticas ou conduz. Nesses países, um audio-livro pertence ao universo da leitura, o que não acontece aqui.
A diferença do nosso país para outros, prende-se sobretudo com o facto de que aqui o mercado do audio-livro não complementa um livro físico, cria sim um objecto de raiz. Ou seja, é um objecto autónomo relativamente a um livro impresso relembrando, como tal, que estamos perante um livro audio e não um livro lido em voz alta, apenas.
Para os invisuais a opção de ler um livro tem apenas dois caminhos – o audio-livro e o braille. O braille tem muito pouco circuito comercial, limitando-se, embora não exclusivamente, a invisuais de nascença. O audio-livro tem uma oferta escassa. As possibilidades são, portanto, muito limitadas.
Com o LEVA pretende-se que qualquer pessoa que tenha uma limitação na capacidade de ler o livro físico, veja essa mesma limitação diminuída tanto quanto possível. Neste caso, pretendemos que a oferta seja igual à que temos quando entramos numa livraria, sem que esse serviço tenha os custos de um serviço de luxo, apenas ao alcance de uma minoria. Com o trabalho de voluntários pretendemos que a leitura esteja acessível a custo zero.
O mercado do audio-livro, a meu ver, teria mais hipóteses de vingar do que o e-book, apesar do crescimento que temos assistido relativamente a este último, uma vez que o audio-livro acrescenta possibilidades de leitura enquanto que o e-book apresenta poucas vantagens relativamente ao livro físico. Não digo que um tenha necessariamente de se substituir ao outro, digo apenas que a energia que as editoras gastam a concentrar-se nos e-books poderia ser gasta em audio-livros que teriam, garanto, muito mais sucesso e cumpririam assim um objectivo socialmente mais rico e positivo, pois, para além de porem a ler quem não tem tempo (e hoje em dia há tantos que o afirmam com tanta displicência), aumentando as possibilidades da própria leitura, permitiam a leitura a quem não pode aceder a um livro físico. E, neste contexto, não posso deixar de referir o importantíssimo papel das grandes cadeias livreiras (uma vez que as independentes fazem um trabalho muito mais cuidado nesta área) no dar visibilidade ao tão pequeno mercado de audio-livros que temos por cá, valorizando, assim, o trabalho destas editoras que resolveram arriscar num mercado difícil porque não se relaciona apenas com a mudança de hábitos – é um mercado que, para vingar, tem de revolucionar a forma como as pessoas vêem a leitura. E aí voltamos ao início deste texto.
Rosa Azevedo

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

LEVA no DN

a quem tiver interesse o DN deste Domingo traz uma reportagem sobre o LEVA. na próxima semana vou digitalizar para todos lerem.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

temos site!




clicar na imagem

e-mail em jeito de carta aberta para os voluntários do LEVA

se é voluntário ou pretende ser e não recebeu este e-mail entre em contacto connosco através do leremvozalta@gmail.com

Caros voluntários do LEVA,
antes de qualquer outra questão quero pedir desculpa pela demora desta resposta. Não me esqueci de vocês, estava só à espera de ter tudo mais certo e de alguma forma ter notícias concretas.
Primeiro esclarecer que recebi e registei todos os pedidos de voluntariado sem ter ainda entrado em contacto com nenhum de vocês.
O nosso primeiro livro vai ser gravado já e as gravações começam já na 3ª. Foi um livro encomendado pela Escola Superior de Dança. Como é o primeiro livro gostaria muito de ser eu a gravar. No entanto assim que as encomendas começarem a ser processadas vou precisar de vocês.
Este e-mail segue para voluntários de todas as áreas por isso seguem agora algumas questões que podem dizer respeito mais a uns do que a outros:
- os direitos de autor serão tratados de forma igual para todos os livros, contacto as editoras a pedir os direitos e forneço-lhes uma declaração onde o cliente se compromete utilizar o livro apenas para uso pessoal. Está salvaguardado no site que não nos comprometemos conseguir direitos de qualquer livro encomendado.
- por enquanto estamos a processar apenas encomendas mas não estão esquecidos os editores e autores que nos cederam gratuitamente os seus direitos. Vou pensar numa segunda fase do projecto onde possamos introduzi-los.
- a ETIC associou-se a este projecto cedendo estúdios e alunos. No entanto não vou deixar de precisar de técnicos. Era interessante e dava alguma dinâmica ao LEVA ter alguns técnicos associados a leitores, por relações de proximidade, de forma a que fosse possível entregar-lhes um livro sabendo que ele seria gravado com agilidade na relação dos dois. Se for o vosso caso informem-me para eu registar. Os que não têm continuam como voluntários e juntam-se consoante a disponibilidade.
- preciso da maior ajuda na comunicação do projecto porque vamos tendo alguma visibilidade mas não muitas encomendas ainda. Agora com o site vou começar a apresentar o projecto a instituições que faça sentido apresentá-lo. Alguns de vocês ofereceram-se para ajudar nessa parte por isso peço que entrem em contacto comigo. Preciso de toda a publicidade possível, e divulgação.
- para os leitores que agarrem um dos livros terei de fazer um teste de leitura, de forma a garantir que tudo corre bem. Depois conforme forem demonstrando disponibilidade para gravar falamos nisso, até porque alguns de vocês ou já enviaram testes ou trabalham na área com qualidade comprovada.
- o nosso site, fresquinho e acabado de sair: www.leremvozalta.org
- sugeriram-me que fizesse uma apresentação pública do projecto. Estou a magicar forma de o fazer. Têm ideias?
- precisamos sempre de voluntários, se conhecerem mais gente escrevam-me.
- as novidades do LEVA continuam a aparecer no blog www.estoriascomlivros.blogspot.com e no nosso facebook.

E acho que é tudo. Desculpem um mail tão grande depois de tanto tempo sem notícias. Não posso desperdiçar o momento de mais uma vez vos agradecer a disponibilidade e o entusiasmo. Estou verdadeiramente feliz por ter tido a possibilidade e privilégio de conhecer e lidar com as dezenas de voluntários que me levaram ao colo desde o início. Um bem haja de verdade. Assim é mais fácil ter fé e vontade de não ficar a ver os dias passar.

Um até já
rosa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

o raio do guito

estou há uns tempos para escrever sobre o dinheiro e os trabalhos remunerados mas tem-me faltado a coragem. coragem é a palavra certa. mas já que entrei numa sequência de batalhas perdidas entro nesta também que não sendo bem uma batalha é polémico qb para dar más respostas ou, pelo menos, silêncios sepulcrais que é o que tenho recebido quando a polémica ultrapassa o risco. tentarei não o fazer. avante.
primeiro vamos ao mote disto. ontem, numa entrevista, perguntavam se o meu objectivo com o LEVA era fazer dinheiro com ele numa fase posterior. gaguejei um bocado e respondi que não, porque se o fizesse, não era o LEVA, era outra coisa. de todos os aspectos do LEVA o que tem sido mais difícil de explicar e até de aceitar (houve quem achasse um verdadeiro disparate, que "assim não pode ser") é o facto de o trabalho não ser remunerado, ser tudo feito com voluntariado. na verdade esta questão tem dois lados, uma que me faz sentido a mim enquanto pessoa que trabalha e não recebe e outra para o cliente, que não paga. não se trata aqui de grandes altruísmos ou sentimentalismos. eu diria que é uma questão de equilíbrio. o facto de termos uma incapacidade qualquer que não resulta de uma opção nossa não deveria limitar-nos mais do que aquilo que seria absolutamente indispensável. era incapaz de dizer que fazia audio-livros por encomenda e cobrar por eles, sabendo que o preço seria um disparate porque, e como exemplo, este livro que vou gravar agora tem 400 páginas e possivelmente umas 30 horas de gravações e sei lá quantas mais de estúdio. seria um produto de luxo e eu não creio que um livro deva ser um produto de luxo para quem não o pode ler em papel uma vez que não o é para quem pode. não posso alimentar esse mercado nem cometer esse género de exploração financeira de um tipo de clientes que não escolheu a razão pela qual necessita desse tipo de luxos.
por outro lado eu não quero receber dinheiro por este trabalho. uma das grandes razões de frustração em relação ao que sou e à vida que tenho hoje é sentir que o dinheiro se tornou em muitos casos um veículo de decisão para aquilo que é a minha vida, uma vez que preciso da independência, autonomia e liberdade que o facto de ter o trabalho que tenho me dá. na verdade faço muitos trabalhos e sempre fiz que não são remunerados, talvez quase a totalidade dos eventos que organizei e projectos em que me envolvi não eram remunerados. e na verdade é interessante ver como o máquina se transforma e aquilo que fazemos passa a ter o único propósito da finalidade do projecto. e isso, posso-vos garantir, é único. o amor que ganhamos ao que fazemos, a dedicação, a alegria de ver os resultados é incomparável.
no entanto não sou fundamentalista nem anti-remuneração. os cursos que dou são sempre pagos e isso tem a ver com uma razão muito simples. quando prestamos um serviço profissional a alguém ele é validado pela remuneração (e nem imaginam o que me choca dizer isto mas tive provas disto muitas vezes). ninguém se choca que uma conferência seja gratuita, ou um concerto, ou algo que entre na categoria dos tempos livres (daí alguns concertos serem obviamente pagos e outros não, mas isso era outra conversa). no entanto quando vamos para aprender alguma coisa, como é o meu caso, o pagamento valida a minha actividade. quem confiaria num dentista gratuito? ou num explicador de matemática? e depois há o outro lado dos pagamentos que nos casos dos meus cursos também se aplica - a sustentabilidade de alguns negócios que por mais válidos que sejam longe da máquina financeira têm de sobreviver - e neste caso faz sentido que um curso feito numa livraria seja pago.
com isto tudo o que quero dizer é que é importante aprendermos a viver à margem da remuneração. sei que para muita gente não é possível, mas não é por isso que não é uma experiência fundamental. o dinheiro é tóxico. aqui não cedo. e se calhar tudo isto que faço é para me esquecer que é o dinheiro quem me prende há muito tempo a uma vida que não gosto e que durante muito tempo me impediu de ter a vida que eu quis o que me marcou de uma forma muito mais violenta do que imaginam. e sabem que não me fico. e fui criando uma forma de estar em que, invariavelmente, não penso que um pedido de ajuda ou uma hipótese de uma organização de evento, ou uma perninha num sítio qualquer seja remunerado. e não digo que não quando o é, claro. e sei que não abdico da minha viagem anual a países cada vez mais estranhos ou dos meus três ou quatro livros por mês e dos infindáveis jantares em minha casa com as oito pessoas que lá cabem. mas isso é porque tento o equilíbrio. porque tenho a sorte de o ter conseguido.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

o LEVA no facebook

e já estamos no Facebook. 

agora só falta o site, a chegar.

o primeiro livro do LEVA

já temos um primeiro livro do LEVA. continuo em infindáveis agradecimentos aos meus voluntários e não me esqueci de vocês mas este primeiro queria mesmo ser eu a gravar. vou mandar um e-mail a todos a dar conta do avanço do projecto e para saberem que não me esqueci de vocês.
o site está um pouco atrasado mas quando estiver pronto espero começar a ter mais encomendas e aí vou precisar de toda a ajuda.

o primeiro livro é este:








agradeço tanto e tanto à orfeu negro que não só cedeu a totalidade dos direitos como se voluntariou para apoiar o projecto no que necessitássemos.

estamos rodeados de gente boa.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

finalmente notícias do LEVA


finalmente algumas semanas depois estamos de volta com notícias do LEVA. não esteve parado, nada, estava antes à espera de todas estas boas novas. depois da imagem o site está a sair. aí podemos fazer um lançamento "oficial" da coisa.

para além de todos os voluntários que já tinha ontem fui a uma reunião com a ETIC através da simpática mediação de um dos alunos e consegui a parceria deles. como ainda não tinha site ainda não tinha procurado parceiros em empresas e instituições, esta caiu-me ao colo pelos olhos de uma pessoa atenta. cedem estúdios e técnicos consoante marcação e disponibilidade.

esta é a boa notícia. que nos leva a outra boa notícia. se juntarmos a ETIC aos leitores e aos técnicos que se ofereceram para gravar em casa (e que ainda vão ser precisos) podemos dizer que este projecto está pronto. faz agora três meses que tive esta ideia pela primeira vez a falar com uma amiga sentada no sofá do meu palácio. em três meses o projecto existe e está pronto para começar, mesmo sem site. o que gostava de vos dizer é que tenho a sensação de que não fiz nada. foram centenas as pessoas que pegaram nisto em braços. centenas. ainda estou um bocado espantada com isto. ontem na ETIC perguntaram-me quantas encomendas esperava ter. eu ri-me e disse-lhes "isto está tão fora das minhas expectativas que não sei o que isto vai ser, não arrisco fazer previsões porque até hoje falhei em todas."

quero ser eu a gravar o primeiro livro mas depois começo a entrar em contacto com os meus voluntários.

não quero continuar a ser pirosa mas quero mesmo mais uma vez agradecer-vos de coração e tudo o que tenho por terem permitido que uma ideia nascida numa noite de verão seja agora, no início do outono, um projecto real. é raro podermos acreditar que uma coisa que achamos que pode "ter piada" traga atrás tanta gente e tanta energia. por isso deixem-me lá ser pirosa só neste agradecimento e acreditem que não o digo por dizer quando afirmo que este projecto não é meu, tens as vossas mãos, pés, caras e vozes.  nada foi custoso ou cansativo. tudo aconteceu assim. naturalmente.

por isso já está. vamos começar a gravar livros?



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

novidades do LEVA

caríssimos todos,
já temos logotipo se bem que ainda muito bem guardado...
confesso que hesitei no nome outra vez mas não posso ceder cada vez que alguém não gosta. tenho de ser forte. por isso tenham cuidado com as críticas ao meu LEVA que eu sou uma pessoa tendencialmente sensível a este género de observações.
reuni ontem com os amigos voluntários que vão fazer a programação do site por isso estamos com essa parte também resolvida. contrariamente ao que tinha sido falado incialmente não teremos disponíveis on line os CD's que gravámos. poderemos ter uma lista dos CD's já gravados e pode haver um segundo pedido para o mesmo livro que funciona como o primeiro pedido mas mais rápido. isto para salvaguardar os direitos de autor.
os direitos de autor têm sido das questões mais levantadas. por um lado podemos ler no código dos direitos de autor (pág. 21) que: "Será sempre permitida a reprodução ou qualquer espécie de utilização, pelo processo Braille ou outro destinado a invisuais, de obras licitamente publicadas, contanto que essa reprodução ou utilização não obedeça a intuito lucrativo." para além disso conto pedir a cada editora para gravar cada um dos livros pedidos comprometendo-me a assinar juntamente com o cliente uma declaração em como não utilizaremos aquele texto para nenhum fim comercial, público ou lucrativo.
qualquer dúvida já sabem, gritem. 
podia passar os agradecimentos desta vez mas não é possível. os voluntários continuam a aparecer, pessoas dirigem-se a mim em eventos e no trabalho e na rua porque sabem do projecto (true story). tenho passado muito tempo a tentar responder a toda a gente, peço mais uma vez desculpa se alguém ficou sem resposta. não tive de todo essa intenção.
está quase. mais umas semanas e damos à luz o nosso primeiro CD. bem hajam. de coração. 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ponto da situação dos audio-livros II

caríssimos,
apesar do silêncio nada está parado. continuo a receber e-mails e ofertas de voluntariado, sugestões para alargar o projecto, empresas e instituições que aceitaram ser parceiras, e até já tenho dois livros para gravar.
os técnicos continuam a aparecer mesmo que de forma irregular e com pouco tempo. no entanto estamos prontos para nos lançarmos na primeira gravação que espero que aconteça já no início do próximo mês.
o logotipo estará pronto por estes dias e o site está a caminho. depois disso fazemos uma apresentação bonita e podemos com isso avançar para parcerias que possam efectivar e terminar todo este processo.
a grande novidade é que temos nome. Vai chamar-se

LEVA - Ler em voz alta

não estava muito convencida ao início mas o tom de festival dá-lhe um potencial gigante.

resta-me continuar a agradecer a ajuda de todos. mais uma vez e sempre. é como passar o dia a ouvir palavras simpáticas, partilhas do meu entusiasmo. e no meio "disto tudo" é bom. a ideia do voluntariado não é boa só por si. é bom haver um trabalho que não envolve dinheiro, nem facturas, nem impostos, nem privilegiados. mostra que é mesmo possível fazer alguma coisa que é oferecida a outra pessoa só porque sim. porque ler é bom. e essa vontade de oferecer leituras não é minha. é das centenas de pessoas que me têm contactado. isto é um projecto gigante cheio de pessoas. e as boas vontades dão várias voltas ao mundo.

um bem haja a todos.