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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Nós no Festival Silêncio, com a Cossoul

Este ano a Cossoul junta-se ao Festival Silêncio enquanto Parceiro Estratégico. Assim, o nosso espaço recebe parte da programação do Festival Silêncio e, simultaneamente, produz alguns eventos próprios, que terão lugar nos nossos diversos espaços, bem como organiza a Feira do Livro juntamente com a Livraria da Cossoul / Snob. A Feira do Livro traz também consigo uma série de eventos de editores independentes com curadoria Snob. De 28 de Setembro a 1 de Outubro.


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QUINTA, 28 SET
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✶ 16h00 — 2h00 
❒ FEIRA DO LIVRO 
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 19h00
❒ LEITURAS
✶ Vão de Escada, com Gonçalo Waddington
Gonçalo Waddington traz-nos as suas leituras do momento ou da vida, dando-as a conhecer em voz própria num pequeno trânsito pelos espaços da Cossoul, numa edição especial que o Vão de Escada traz ao Festival Silêncio.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Cossoul

✶ 21h00
❒ EDITORAS | Artefacto
Apresentação e leitura de poetas irlandeses e norte-americanos, por Sara M. Felício e Paulo Tavares, a partir dos livros “Estradas Secundárias: doze poetas irlandeses” (tradução, organização e prefácio de Hugo Pinto Santos) e “Uma fonte no quintal”, de Eric Weinstein, Jeremy Schmall, Katherine Larson, Stephen Motika e Tracy K. Smith (tradução de Hugo Pinto Santos, Ricardo Marques e Sara M. Felício), ambos publicados pela editora Artefacto.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 22h00
❒ CONCERTO
✶ Bicho de 7 Cabeças
Quarteto liderado pelo saxofonista e compositor Gonçalo Prazeres.
✶ Sala Raul Solnado
Curadoria: Cossoul


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SEXTA, 29 SET
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✶ 16h00 — 2h00
❒ FEIRA DO LIVRO
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 18h30
❒ EDITORAS | não edições
Lançamento do livro “Plantas Humanas”, de Rita Natálio, o #8 da colecção Mutatismutandis da não edições, com a presença da autora, do artista Mattia Denisse (desenhos e capa) e do editor, João Concha. Apresentação de José Maria Vieira Mendes.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 19h00 — 21h
❒ CICLO DE POETRY FILM
✶ “Isto Não é um Filme. É um Poema”
Organizado por Alexandre Braga e pelo Festival Silêncio, inclui uma secção de competição nacional e internacional. Os filmes em competição são uma manifestação de linguagem poética audiovisual, que utiliza a narrativa cinematográfica para se afirmar como mensagem. Nesta competição serão atribuídos os prémios Poetryfilm Festival Silêncio 2017 e Prémio do Público Festival Silêncio 2017.
✶ 19h00 | Mostra Competitiva Nacional 1
✶ 20h00 | Mostra Competitiva Internacional 1
✶ 20h30 | Mostra Competitiva Internacional 2
✶ Sala Raul Solnado

✶ 19h45
❒ EDITORAS | Dois Dias
A Dois Dias edições junta todos os seus autores, vivos e mortos, para uma leitura encenada em torno do catálogo completo da editora intitulada de "Medley". No final, pode ser que se entreveja uma linha editorial.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 20h45
❒ EDITORAS | A Tua Mãe*
Lançamento do livro fictício "Soft Split" de Szilvia Molnar, que conta com a presença da tradutora e editora Joana Neves, mas que só existirá depois de ser lançado; e lançamento de “Do Que Se Conclui Que” de Marta Navarro, um lançamento vídeo, em forma de booktrailler, pela editora A Tua Mãe*.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob


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SÁBADO, 30 SET
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✶ 16h00 — 2h00
❒ FEIRA DO LIVRO
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 17h00
❒ EDITORAS | Do Lado Esquerdo
O 5º aniversário da editora Do Lado Esquerdo é assinalado no Festival Silêncio com leituras por diversos autores e alguns leitores convidados e um showcase dos Photomaton com canções inspiradas em poemas publicados pela editora.
Do catálogo da editora constam nomes tão díspares como Adolfo Luxuria Canibal, José Carlos Soares, Jesus Jiménez Domínguez, Miguel Martins e Rui Knopfli.
✶ Sala Raul Solnado
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 18h45
❒ EDITORAS | Snob
Lançamento do livro “Teatro Vertical”, de Manuel Alberto Vieira, editado pela Snob.
Exposição de Sebastião Peixoto, com as ilustrações que integram o livro.
Apresentação por Alexandre Andrade.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 19h00 — 20h30
❒ CICLO DE POETRY FILM
✶ “Isto Não é um Filme. É um Poema”
Organizado por Alexandre Braga e pelo Festival Silêncio, inclui uma secção de competição nacional e internacional. Os filmes em competição são uma manifestação de linguagem poética audiovisual, que utiliza a narrativa cinematográfica para se afirmar como mensagem. Nesta competição serão atribuídos os prémios Poetryfilm Festival Silêncio 2017 e Prémio do Público Festival Silêncio 2017.
✶ 19h00 | Mostra Competitiva Nacional 2
✶ 20h00 | Mostra Competitiva Internacional 3
✶ 20h30 | Mostra Competitiva Internacional 4
✶ Sala Raul Solnado

✶ 21h15
❒ EDITORAS | Flop
Apresentação de "145 Poemas", de Konstantínos Kaváfis, uma edição bilingue com tradução, apresentação e notas de Manuel Resende, que estará à conversa com o encenador Jorge Silva Melo a propósito de Kaváfis, do trabalho de tradução a partir do grego e do imaginário poético do autor. Segue-se uma leitura encenada de alguns dos 145 poemas de Kaváfis, por José Luís Costa. E porque o livro ainda não existe fisicamente, será distribuído um micro-livro, preparado de forma artesanal pela Flop.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob


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DOMINGO, 1 OUT
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✶ 16h00 — 2h00
❒ FEIRA DO LIVRO
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 17h00
❒ PERFORMANCE
✶ “Palestra sobre o _________”, de Ana Vilela da Costa
Performance meta-teatral (e musical) a partir da "Lecture on Nothing", de John Cage. Os textos e as palestras de John Cage constituem um instrumento fundamental para a compreensão da sua obra. São também uma notável ferramenta para questionar e abordar questões permanentes da criação artística: estrutura, forma e conteúdo. O inato e o cultural. O aleatório e a contrução.
✶ Sala Raul Solnado

✶ 17h30
❒ CONFERÊNCIA
✶ “Realismo Mágico?”, com Rosa Azevedo
Que realismo mágico é este de que tanto se fala? Será este o termo mais justo? Nesta conferência damos os primeiros passos pelo sul da América e visitamos alguns dos seus autores.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 20h30
❒ CICLO DE POETRY FILM
✶ “Isto Não é um Filme. É um Poema”
Organizado por Alexandre Braga e pelo Festival Silêncio, inclui uma secção de competição nacional e internacional. Os filmes em competição são uma manifestação de linguagem poética audiovisual, que utiliza a narrativa cinematográfica para se afirmar como mensagem. Nesta competição serão atribuídos os prémios Poetryfilm Festival Silêncio 2017 e Prémio do Público Festival Silêncio 2017.
✶ 20h30 | Competição Final
✶ Sala Raul Solnado


☞ Toda a informação e mais programação em Festival Silêncio

quarta-feira, 15 de abril de 2015

basta editar para sermos editores?

estamos numa época cinzenta, numa fase transitória para aprendermos a lidar com as facilidades que nos trouxe a globalização e a difusão monumental do fenómeno da internet e das suas múltiplas possibilidades. agora é mais fácil ter acesso ao conhecimento, o mundo fica pequeno, as distâncias relativizam-se. a comunicação alastra e temos acesso uns aos outros e às actividades de cada um de forma rápida e eficiente. estamos mais próximos, mais comprometidos e envolvidos.

no que respeita à edição creio que este fenómeno tem características muito interessantes. é tudo mais fácil. conhecer autores e editores em rede, partilhar textos, comunicar novas edições, gravações audio dos textos para além de textos escritos. como tenho referido recentemente, este fenómeno onde todos escrevem e todos publicam não tem mal nenhum, dá é mais trabalho a um leitor real. porque tem de ler cem para encontrar cinco muito bons e três destes se calhar não teriam publicado se não fosse este fenómeno.

no entanto há também pontos negativos. e esses pontos negativos devem ser bem observados e bem pensados, de forma mais crítica do que antes, antes do fenómeno. o nosso sentido crítico tem de ser mais trabalhado e mais assertivo.

esta velocidade furiosa traz-nos muitas vezes textos pouco maturados, de autores que não lêem porque acreditam que a inspiração escreve livros. mas este meu texto não é sobre eles. é sobre os editores. e aqui gostava que este texto se transformasse mais num questionamento. onde está a linha que diz que alguém é realmente um editor? uma questão que podia ser simples, não o é. hoje em dia qualquer pessoa pode pegar em alguns poemas de um amigo, imprimir de forma barata numa gráfica e afirmar-se como editor de revista ou de um livro. se pintar um quadro não sou pintora, se me puser na rua a cantar em voz alta não sou fadista (a sério que não seria...), dar uma aula a uma criança em casa não me torna professora e daí por diante. onde está a linha?

não acredito em formações académicas, se bem que é a única que dá diplomas. não acredito em absoluto (eu tenho um diploma de edição e estou longe de o ser). os melhores editores que conheço e que o são com toda a propriedade são editores que aprenderam a ser editores a ler, muito, a criar critérios, a envergonharem-se de alguns livros, a trabalhar, a pensar, a conviver com escritores. se calhar com isto estou a afirmar que conheço a minha linha ténue, ainda que não a consiga definir. será que há alguma forma de o fazer?

terça-feira, 29 de abril de 2014

as pequenas editoras e a alteração do mercado editorial português

nos últimos vinte anos assistimos a uma profunda e marcante alteração do panorama editorial português. não só no meio editorial em si mas na nossa forma de nos posicionarmos perante a edição de um livro. há vinte anos atrás publicar era considerado um passo fundamental no caminho da escrita mas a escrita antecedia a publicação muitas vezes (arrisco mesmo a afirmar que na maioria) durante largos anos. o escritor amadurecia, aprendia, lia e escrevia muito antes de poder publicar.
com a difusão da Internet, no final do século passado, democratizou-se a escrita passando a ser possível dar a ler. esta facilidade com que se dava a ler não só a nossa obra como aquilo que pensávamos e queríamos que fosse ouvido transformou-nos em leitores mais ricos e com mais incentivos literários de sítios nem sempre prováveis. com as redes sociais nomeadamente com o facebook essa democratização expandiu-se.
a esta expansão democrática da escrita podemos associar uma guetização da publicação, da edição de livros. pondo de lado um mundo paralelo e apenas comercial, de que me vou escusar a falar por agora, vou centrar-me nas edições de autores reais, aqueles que não escrevem fora do intuito da própria escrita. esta democratização da escrita acabou por tornar o livro um objecto mais raro, uma vez que não era necessário para que a obra fosse lida, ainda que este fenómeno não fosse óbvio. podíamos aliás pensar que se passaria algo oposto, como um crescente desinteresse pelo livro impresso. no entanto o livro sacralizou-se, tornou-se uma assinatura do autor por fora e a cima de todas as outras publicações em rede.
a falta de poder de compra trazida pela crise poderia ser também vista como um entrave a esse crescimento do livro impresso, mas é aqui que, a meu ver, se opera o mais incrível movimento literário associado ao mundo editorial destes nossos últimos vinte anos. começaram a surgir editoras pequenas, sem fins lucrativos, que têm no seu centro apenas a publicação do autor enquanto autor e do seu texto enquanto texto. acompanhando esta mesma sacralização as editoras formaram-se sabendo que estavam a acompanhar uma vontade de publicação para além de outro interesse que não fosse o assinar por fora e acima das publicações em rede de um autor. a publicação tornou-se um ritual de vida literária e as editoras a sua ponte. um ritual acarinhado e fundamental, mas ao contrário do que se passava antes, já não necessário à vida pública de um texto.
falo-vos deste fenómeno porque acho este movimento um grande salto da nossa forma de viver a literatura e que me parece que, aparentemente, ainda não é reconhecida por muitos leitores. é um fenómeno, infelizmente, mais ligado à poesia. digo infelizmente não por desprimor à poesia, claro, mas porque creio que seria interessante ver o mesmo acontecer com a prosa, a filosofia e outras áreas literárias ou científicas. mas termos isto a acontecer na poesia é uma forma de termos maior e mais bela poesia. porque é uma poesia que tem vontade de ser lida e de existir dentro do livro impresso como uma marca de eternização. e são editores que percebem que o que recebem de volta dessa mesma leitura da poesia que dão a ler valoriza, justifica e credibiliza todo o trabalho editorial que sobrevive longe de uma lógica de lucro.
foram vinte anos de grandes mudanças no panorama editorial. muito continua igual, claro, a leitura também se democratizou, muita gente bastante improvável passou a publicar, multiplicaram-se as razões para se publicar um livro. mas num mercado pequeno, paralelo e alternativo, há editoras sem distribuição, dinheiro para promoção e com pouca tiragem que fazem pela poesia neste pequeno país muito mais do que tantas outras editoras com tantos outros recursos conseguiram fazer.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vitor Silva Tavares na LER de Dezembro

há várias coisas boas no vítor silva tavares. provoca sem dó nem piedade por ninguém e de alguma maneira faz com que muitos digam que é provocação gratuita. e ele não podia querer saber menos dessas opiniões. nesta entrevista mostra o que é ser editor sem preconceitos, nem mesmo o outro lado do preconceito que é a própria marginalidade. mostra que assumir que ter preconceitos é natural e deve ser vivido com naturalidade acaba por contrariar a própria noção de preconceito.  não aceita todos, edita amigos e pessoas de quem gosta, acha possível não editar alguém ou não gostar de alguém pela cara e aspecto. quando o carlos vaz marques lhe tira o tapete de baixo dos pés mostrando as aparentes incoerências do que diz ele dá-lhe sempre uma segunda volta e justifica sempre as incoerências e com lógica. é uma bela entrevista que mostra que ainda andam pachecos e césar monteiros, que há gerações mal comportadas que ainda não desapareceram e que há mal comportados que o são no mais intrínseco e natural e não por opção apenas, ou escolha.

vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.

"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.

uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados. 



terça-feira, 7 de junho de 2011

o nosso hermínio







não escrevi sobre ele mas não me esqueci. dia 3 de Junho fez 10 anos de um desaparecimento tão precoce. todas as homenagens são poucas, sempre com a poesia no horizonte. é para ele todo o nosso surrealismo. e muito mais.