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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

e já temos LIVREIRO DA ESPERANÇA 2014

O diploma «Livreiros da Esperança» — uma homenagem das gentes do livro aos livreiros portugueses que reconhece o papel central que esta classe profissional desempenha na «publicação» da leitura — é uma iniciativa do movimento Encontro-Livreiro e foi instituído e atribuído pela primeira vez em 2012.

Em 2014, o Encontro-Livreiro homenageia o livreiro 
ANTERO BRAGA 
Livraria Lello / Prólogo Livreiros | Porto 

O diploma «Livreiro da Esperança 2014» será entregue no 

V ENCONTRO LIVREIRO
a realizar na tarde do dia 30 de Março, domingo, na 
LIVRARIA CULSETE | SETÚBAL


Antero Braga é natural da freguesia do Bonfim, no Porto, onde nasceu no dia 17 de Agosto de 1950. 

Desde 1968, ano em que começou a trabalhar na Bertrand da 31 de Janeiro, na sua cidade natal, desempenhou diversas funções naquela empresa editorial, distribuidora e livreira (no Porto, em Aveiro e em Lisboa, assumindo responsabilidades tanto a nível local e regional como a nível nacional), tendo sido gerente de loja, chefe do departamento de lojas e agências, director-geral e administrador. 



Entre uma saída e um regresso à Bertrand, trabalhou ainda na distribuidora Jardim (grupo brasileiro Abril Cultural), como responsável do departamento de promoções e publicidade, tendo neste âmbito colaborado no programa televisivo «O Passeio dos Alegres», de Júlio Isidro. 
Mas a grande aposta de vida de Antero Braga — contra a opinião de muitos, mesmo dos mais próximos — foi a criação da Prólogo Livreiros, em 1994, e a renovação e dinamização da Livraria Lello, a emblemática livraria do Porto, reconhecida internacionalmente como uma das melhores e mais belas livrarias do mundo. 
Trocando, a nível profissional, o certo pelo incerto, mas dando asas aos seus sonhos e transformando-os quotidianamente em realidade, Antero Braga fez e continua a fazer de uma livraria que encontrou decadente e em grandes dificuldades uma referência incontornável no conjunto das livrarias portuguesas. 
Antero Braga é, para nós, um exemplo de persistência e um sinal de esperança para o futuro. E é merecedor desta singela homenagem das gentes do livro e do Encontro-Livreiro. 

Obrigado, Antero Braga!


Para sempre merecedores da nossa gratidão, fazem agora parte da galeria dos «Livreiros da Esperança» os seguintes livreiros: 


Livreiro da Esperança 2012 
Jorge Figueira de Sousa 
Livraria Esperança | Funchal 
Livreiro da Esperança 2013 
Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira 
Livraria Galileu | Cascais 
Livreiro da Esperança Especial Culsete - 40 Anos 
Manuel Medeiros e Fátima Ribeiro de Medeiros 
Livraria Culsete | Setúbal 
Livreiro da Esperança 2014 
Antero Braga 
Livraria Lello / Prólogo Livreiros | Porto 


Obrigado, Livreiros da Esperança! 





Encontro-Livreiro 

Setúbal, 27 de Fevereiro de 2014


http://encontrolivreiro.blogspot.pt/2014/02/livreiro-da-esperanca-2014.html

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

I Encontro Os livreiros e o seu património

Daniel Melo e Nuno Medeiros têm o prazer de vos convidar para o I Encontro Os livreiros e o seu património, no qual intervirão Fátima Ribeiro de Medeiros (docente e investigadora de literatura, mediadora e animadora de leitura na Livraria Culsete, Setúbal) e Pedro Oliveira (livreiro e alfarrabista, ex-livreiro da Livraria Sá da Costa).

Luís Bernardo (subdirector do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa) apresentará um número da revista Cultura com dossiê sobre a edição e o seu património.

O evento visa contribuir para a preservação, estudo e divulgação da memória e património dos livreiros e da edição portuguesa do período contemporâneo.

O Encontro é promovido pelo Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa com o apoio da Biblioteca Municipal Camões e da Livraria Culsete.

O Encontro decorre na Biblioteca Municipal Camões, em Lisboa, no dia 22 de Outubro, terça-feira, às 18h15. Eu vou!


sábado, 30 de março de 2013

ser livreira & as profissões

já aqui escrevi sobre o ser livreira e vou tentar não me repetir. tenho reflectido muito sobre a minha postura perante o trabalho e tenho pensado num sentido para isto que ando aqui a fazer. é incrivelmente assustador termos um trabalho com o qual não nos identificamos mas que por pagar relativamente bem, a horas, com um bom horário e ter uma situação estável se torna um trabalho a manter. eu sempre tive uma postura muito emotiva perante o trabalho e sou incrivelmente ambiciosa. preciso sentir que há um sentido para o que faço. e do LEVA aos cursos, aos eventos, até aos textos que tenho escrito consigo complementar de forma muito eficiente esta lacuna. mas como afirmei tantas vezes a estabilidade e a normalidade fazem-me alguma comichão por isso estes questionamentos são constantes. "isso é muito bom" dirão alguns. sim, pode ser, mas é um sofrimento muito grande muitas vezes. se tivesse 20 anos e estivesse a começar um percurso talvez não me sentisse assim. quando desisti de ser professora e por isso não terminar o estágio profissional fiquei de repente desempregada e sem qualquer visão do que poderia fazer a partir daí. mas não tinha obrigações, rendas para pagar, objectivos a curto prazo. o início dos vintes é a época de possibilidades e a energia é inigualável e os questionamentos muito mais inconsequentes.
muitas vezes penso no que gostava de fazer se pudesse escolher sem as condicionantes que me deixam neste papel em que vivo hoje. e acho que escolhia ser livreira. já fui, sim, com as condicionantes (que são gigantes) que descrevi no link que disponibilizei em cima. mas se sacarmos o melhor do que isso é fico com o emprego perfeito. ser a ponte entre os livros e as pessoas, estar em contacto com livros desconhecidos todos os dias, saber que cada pessoa que se dirige a mim naquele espaço está a pensar os livros.
por isso sinto-me tão encaixada a preparar o Encontro Livreiro (que não é de livreiros, insisto, mas de gentes dos livros) e com tanta vontade de preparar o Dia das Livrarias que me passou tão ao lado o ano passado. portanto decidi viver como livreira sem livraria. sou livreira, pronto. faço quando posso a ponte entre as pessoas e os livros, tento saber as novidades e os livros desaparecidos, passo o dia no meio deles. portanto serve este texto para vos informar que a partir de hoje a minha profissão é livreira, que se querem ser preconceituosos comigo é a essa caixa que têm de recorrer, e que se em papéis oficiais virem outra profissão é porque o mundo tem pouco sentido de paixão e, disparate dos disparates, a nossa profissão é ainda aquela que nos paga as contas. e para que isto faça ainda mais sentido vim escrever este texto para uma livraria. para verem que estou muito convicta desta minha decisão.    

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

não culpem os livreiros que os ignorantes são os outros

Chegámos ao tempo dos exageros, potenciado pelas redes sociais e novas tecnologias. Os amantes dos livros têm o pêlo eriçado por tudo o que ameaça o livro na sua forma tradicional. As piores ameaças apontadas são os e-books e a morte das chamadas livrarias tradicionais ou de bairro, sendo que esta última é claramente mais trágica do que a primeira. Esta vem muitas vezes acompanhada pela equiparada morte do “livreiro”, essa profissão tantas vezes menosprezada. Associa-se com facilidade o bom livreiro à livraria tradicional e o mau livreiro às livrarias de grupo.
O meu primeiro emprego assim à séria foi como livreira na fnac. Tinha estudado literatura e achava que sabia tudo. Mas afinal sabia um canto ínfimo daquilo que tinha para aprender. Na entrevista perguntaram-me se tinha força nos braços e energia. Um dia nosso era passado a carregar caixas com muitos quilos de livros, a desmanchar paletes em armazéns, a arrumar os livros na loja. A pensar a loja, a ver qual era a melhor forma de vender. A escolher os melhores livros e a pô-los mais à frente às escondidas “deles”. A falar com pessoas, a esconder o pó das mãos, a pôr a melhor cara possível. Nos primeiros 15 dias cheguei a casa a achar que não ia conseguir voltar, angustiada e com dores no corpo. Mas depois conheci as melhores pessoas e penso nelas muitas vezes. Conheci também as pessoas piores, mais arrogantes, antipáticas, agressivas. Chamaram-me ignorante, disseram-me para ir estudar, ao mesmo tempo que outras pessoas liam cegamente o que eu lhes dizia para ler e voltavam para conversar. Caíram-me pilhas de livros em cima (literalmente), ao mesmo tempo que morri de amor por outros livros. Li como nunca, comprei livros como nunca, conheci um mundo de coisas. Demorei mais ou menos dois anos a começar a perceber daquilo. Demorou algum tempo. Demora sempre ao contrário do que se pensa ou do que parece a olho nu. Depois comecei a ajudar a escolher livros para a minha secção, comecei a comprar livros, a conhecer os distribuidores, a falar com eles. E depois quando consegui finalmente ter uma secção para mim fui-me embora. Porque tinha um trabalho “melhor”. Que me deixava viver aos fins-de-semana. Que me pagava o dobro (nunca quis na vida que o dinheiro fosse um argumento e aqui teve mesmo de ser). Onde eu tinha uma secretária, um computador.
E depois comecei a conhecer pessoas dos livros, não livreiros, e conheci pessoas fantásticas. Que sabem muito e que percebem muito. Mas nunca mais conheci pessoas como os meus colegas da fnac. Ainda hoje é só nelas que eu confio para me ajudar a escolher livros. Não são snobs porque um colete verde, um ordenado mínimo e nódoas negras não dão espaço para isso. Mas estão ali as melhores cabeças, mais inteligentes, mais cultas, mais loucas, claro, de todas. A um nível que não dá para explicar, só mesmo estando lá todos os dias.
Meus caros, o problema não está nos livreiros. Claro que são miúdos, mas hão-de ser grandes. Hão-de ser os nossos Livreiros Velhos (não como o querido Manel Medeiros, mas nessa linha). Todos os dias me esforço aqui por não perder esse contacto com os livros que tinha na fnac, mas não é fácil. A fnac empresa não interessa nada. Nunca aparecem, não percebem de livros, nem querem saber. E são burros, é isso que eles são. Porque não percebem que seria melhor pagar um bocadinho mais, valorizar o livreiro, dar-lhe vontade de ficar, dar-lhe responsabilidades, valorizar as suas vontades e escolhas. Que investir na qualidade é investir financeiramente num negócio como o dos livros. Na fnac vivíamos revoltados com o ordenado miserável e as condições miseráveis de trabalho. Vivíamos revoltados com o termos a livraria a nosso cargo e um lápis azul do lado de lá. Estávamos sempre contra a corrente. E depois tínhamos a convenção social também contra nós que nos via como miúdos acabados de sair da faculdade (que a fnac dava-se a este luxo, tudo licenciado ou mais, ah pois!). E a família ligeiramente desapontada. E os amigos.
Só posso sugerir que peguemos nestas pessoas, nesta sabedoria toda, meia dúzia de tostões para abrir uma livraria, e eu prometo-vos um negócio de sucesso. Mas como não há tostões por enquanto eu fico aqui no meu belo computador e na minha bela secretária que não me servem para nada a relembrar as primeiras manhãs da fnac, antes de a loja abrir, que eram hi-la-ri-an-tes. Eu ia a correr para o comboio, antes das 8h da manhã. Durou pouco que o corpo não perdoa. Mas não tem preço.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Socorro! Onde está o meu livreiro?

13 DE JULHO (próxima 4a feira)
21h30
Bartô do Chapitô, em Lisboa





cá estamos nós na terceira sessão do PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA, desta vez dedicada a isso mesmo, à leitura, com o título Socorro! Onde está o meu livreiro?.
Vai ser uma boa sessão, vou estar entre amigos, adivinha-se uma conversa descontraída com muitas surpresas e boa disposição. Quero-vos todos lá, onde vamos falar disto:

“No metro, nos correios, junto da banca das couves no supermercado, ele é ver livros brotar dos recantos mais insuspeitos e, estranheza maior, leitores que chegam ao balcão dos correios empunhando contas de electricidade e sérios tomos de auto-ajuda.
Restam poucas dúvidas de que pisámos, aqui, uma linha limítrofe. Mas limítrofe de quê? Que princípios culturais são estes que regem a compra e venda de livros?
As vendas tomaram de assalto a indústria do livro e o leitor foi elevado à condição de consumidor. A quantos de nós, leitores, nos perguntaram editores, livreiros ou autores, o que gostaríamos de ler? Será que nos revemos verdadeiramente nos escaparates atolados de novidades ou que as nossas escolhas estão, hoje, mais condicionadas que nunca pela abundância de oferta e ausência de aconselhamento? Onde está o meu livreiro? Quem é o meu editor? Por que comprei este livro?”


Convidados: Ricardo Ribeiro, Joaquim Gonçalves, Pedro Vieira, Luís Guerra
Moderação: Rosa Azevedo