há qualquer coisa de inacreditável neste meu poeta. sempre admirei pessoas que se posicionam em sítios diferentes dos meus e que me encantam exactamente por esses posicionamentos. nunca é demais ouvir o Tolentino a falar da relação dele com a religião. a sua convicção e entrega fazem com que não nos seja possível não nos envolvermos no que ele diz. e depois gosto daquelas pessoas que fazem poesia até em listas de supermercado. deixo aqui três partes imperdíveis de uma entrevista que o Tolentino deu ao Sol. não é o melhor contexto mas enfim, fechemos os olhos.
1ª parte da entrevista
"Disse que tal como precisamos de pão precisamos do belo. Continua a dizê-lo?
Absolutamente.
Há um slogan de um sindicato americano: ‘Precisamos de pão mas também
de rosas’. No actual contexto de crise, de redução, de austeridade, de
restrição, temos de dizer: precisamos de pão mas também de rosas. Falar
da arte não é falar de bens supérfluos de que possamos abdicar. Tem a
ver com o nosso projecto de pessoas, com o que queremos ser, o que nos
faz felizes. Os bens não valem apenas pelo seu valor comercial. Se assim
for o ser humano vale de facto 30 dinheiros. O que torna a nossa vida
incalculável é sermos guardadores de coisas sem preço. Como dizia Keats,
uma coisa bela é uma alegria para sempre.
É primeiro padre e depois poeta, é primeiro poeta e depois padre, ou a poesia e o sacerdócio são indissociáveis?
Perante
uma folha em branco nós não somos nada. A folha em branco exige-nos
esse exercício de ignorância. Estamos sempre a começar. O que somos não
interessa, o que escrevemos não interessa. Interessa escrever a primeira
palavra como se fosse a primeira palavra do mundo. Essa é a experiência
da poesia."
2ª parte da entrevista
"O seu primeiro poema junta a Bíblia e Helberto Helder. É uma relação improvável?
As
melhores relações são as improváveis, que existem sempre dentro de mim.
A Bíblia é uma espécie de pátria. Mas a ela junto aquilo a que Borges
chamava os novos textos sagrados, que são escritos hoje e transportam a
ressonância mais íntima e transparente, a onda mais alta. São o ressoar
dos nossos passos.
Quais são para si esses textos?
Gosto
de Tertuliano a Blanchot, de Santo Agostinho a Michel Foucault ou a
Michel de Certeau, da Bíblia a Herberto Helder, a Simone Weil, a Ruy
Belo. De Gonçalo M. Tavares e Ana Teresa Pereira a Pavese, Natalia
Ginzburg. A literatura e a escrita do mundo são uma espécie de alforges,
andam sempre comigo.
Nas ditas relações improváveis.
Acredito
que o que é pedido a cada um de nós é que sejamos originais. Acho que
Deus nos vai perdoar tudo, as asneiras que fizemos, as incertezas, uma
cretinice ou outra. Acho que Deus nos vai perdoar tudo. Só não nos vai
perdoar não termos sido nos próprios. É tão importante. O Cristianismo
precisa de pessoas originais, que vivam a sua vida, a sua singularidade.
O meu sonho é que o mundo se encha de mulheres e de homens improváveis.
Essa é a minha utopia."
3ª parte da entrevista
"Diz que é à noite que o bosque deixa de ser cegueira. Precisa do escuro?
A
noite é um lugar muito importante na minha reflexão e na minha poesia.
Não é por acaso que o título da minha obra reunida é A Noite Abre Meus
Olhos. A noite torna-se a representação melhor daquilo que é a procura, o
questionamento, a nossa condição. Não apenas a noite física mas aquilo
que a noite pode significar, como contraposição, ou ligação, ao que é o
dia, à nossa vida sistematizada ou organizada de um determinado modo. A
noite é um campo aberto, fundamental para que a vida respire."
Não faças Terrorismo Poético para outros artistas, fá-lo para pessoas que não perceberão que o que acabaste de fazer é arte. Hakim Bey
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Carlos Vaz Marques entrevista Lobo Antunes para o Festival LER
"A amizade não é mais do que uma dedicada atenção."
"A amizade é como o amor. É absoluto e instantâneo. Assim que conhecemos um amigo verdadeiro somos logo amigos de infância."
"Estou muito grato à guerra. Pensava que tudo rodava à minha volta e ali percebi que somos um no meio de muitos."
"Enquanto estivermos de mão dada com alguém nada nos pode acontecer. Quando estava à espera da anestesia na minha operação o cirurgião deu-me a mão em silêncio e percebi que nada de mal me podia acontecer."
"Não podemos viver sem a noção de eternidade. Mesmo que não a tenhamos sempre presente. Um bom médico é o que nos devolve a eternidade"
é difícil falar sobre o que é ouvir Lobo Antunes. a experiência é de tal forma devastadora e rica que fica sempre pouco que dizer. mesmo o Carlos Vaz Marques que tantas vezes é genial na sua forma de abordar os entrevistados aqui não conseguiu sempre ter a estaleca necessária. e o Lobo Anutnes apresentou-se coloquial e descontraído. mas a descontracção dele acaba sempre por ser um gigante de palco. só pela naturalidade, pelo que pensa e pelo que sente. pelo que diz como quem fala de assuntos coloquiais sem o ser. foi divertido e comovente. o sentido de humor dele é imbatível. e a forma como salta de um frase divertida para uma que nos desfaz em peças é inacreditável.
falou-nos da sua forma de escrever. que não escreve romances, nem poemas, que não há nome para o que escreve. que vem apenas do editor a decisão de escrever "romance" na capa. diz que gostava de escrever mais, outras coisas. "coisas" neste sentido da não definição da forma. queria deixar depois de morrer o mesmo que o pai lhe respondeu que queria deixar aos filhos antes de morrer: "o amor pelas coisas belas".
os seus livros têm muitas vozes femininas. Lobo Antunes cresceu no meio de rapazes e procurou sempre a voz feminina no seu entendimento do mundo. como uma procura por uma irmã que nunca teve. e é aí que se pode considerar este último livro, não é meia-noite quem quer, como um livro autobigráfico - não nos factos mas nessa procura da voz feminina que procurou desde a infância.
parte da entrevista foi aquilo que ele chamou, desagradado, uma abordagem de termos técnicos. disse que os romancistas não deviam usar advérbios de modo nem demasiados adjectivos - que havia quem o fizesse e muito bem mas que deveria ser um génio para o fazer. disse também que um livro não pode pretender estar em altas durante todas as páginas - muitos romancistas novos na minha opinião ignoram esta regra, o que é trágico. o romance deveria crescer e diminuir para que o leitor o possa acompanhar de forma mais orgânica.
Carlos Vaz Marques estava perante um monstro das palavars e podemos dizer que se safou muito bem, como sempre. só no final não levou a dele avante, ele que nunca desiste de uma pergunta, não conseguiu que Lobo Antunes desse conselhos de leitura. Carlos Vaz Marques não desiste de uma pergunta e posso garantir-vos que fez de tudo e deu todas as voltas. mas não conseguiu.
"A amizade é como o amor. É absoluto e instantâneo. Assim que conhecemos um amigo verdadeiro somos logo amigos de infância."
"Estou muito grato à guerra. Pensava que tudo rodava à minha volta e ali percebi que somos um no meio de muitos."
"Enquanto estivermos de mão dada com alguém nada nos pode acontecer. Quando estava à espera da anestesia na minha operação o cirurgião deu-me a mão em silêncio e percebi que nada de mal me podia acontecer."
"Não podemos viver sem a noção de eternidade. Mesmo que não a tenhamos sempre presente. Um bom médico é o que nos devolve a eternidade"
é difícil falar sobre o que é ouvir Lobo Antunes. a experiência é de tal forma devastadora e rica que fica sempre pouco que dizer. mesmo o Carlos Vaz Marques que tantas vezes é genial na sua forma de abordar os entrevistados aqui não conseguiu sempre ter a estaleca necessária. e o Lobo Anutnes apresentou-se coloquial e descontraído. mas a descontracção dele acaba sempre por ser um gigante de palco. só pela naturalidade, pelo que pensa e pelo que sente. pelo que diz como quem fala de assuntos coloquiais sem o ser. foi divertido e comovente. o sentido de humor dele é imbatível. e a forma como salta de um frase divertida para uma que nos desfaz em peças é inacreditável.
falou-nos da sua forma de escrever. que não escreve romances, nem poemas, que não há nome para o que escreve. que vem apenas do editor a decisão de escrever "romance" na capa. diz que gostava de escrever mais, outras coisas. "coisas" neste sentido da não definição da forma. queria deixar depois de morrer o mesmo que o pai lhe respondeu que queria deixar aos filhos antes de morrer: "o amor pelas coisas belas".
os seus livros têm muitas vozes femininas. Lobo Antunes cresceu no meio de rapazes e procurou sempre a voz feminina no seu entendimento do mundo. como uma procura por uma irmã que nunca teve. e é aí que se pode considerar este último livro, não é meia-noite quem quer, como um livro autobigráfico - não nos factos mas nessa procura da voz feminina que procurou desde a infância.
parte da entrevista foi aquilo que ele chamou, desagradado, uma abordagem de termos técnicos. disse que os romancistas não deviam usar advérbios de modo nem demasiados adjectivos - que havia quem o fizesse e muito bem mas que deveria ser um génio para o fazer. disse também que um livro não pode pretender estar em altas durante todas as páginas - muitos romancistas novos na minha opinião ignoram esta regra, o que é trágico. o romance deveria crescer e diminuir para que o leitor o possa acompanhar de forma mais orgânica.
Carlos Vaz Marques estava perante um monstro das palavars e podemos dizer que se safou muito bem, como sempre. só no final não levou a dele avante, ele que nunca desiste de uma pergunta, não conseguiu que Lobo Antunes desse conselhos de leitura. Carlos Vaz Marques não desiste de uma pergunta e posso garantir-vos que fez de tudo e deu todas as voltas. mas não conseguiu.
(eduardo salavisa)
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Vitor Silva Tavares na LER de Dezembro
há várias coisas boas no vítor silva tavares. provoca sem dó nem piedade por ninguém e de alguma maneira faz com que muitos digam que é provocação gratuita. e ele não podia querer saber menos dessas opiniões. nesta entrevista mostra o que é ser editor sem preconceitos, nem mesmo o outro lado do preconceito que é a própria marginalidade. mostra que assumir que ter preconceitos é natural e deve ser vivido com naturalidade acaba por contrariar a própria noção de preconceito. não aceita todos, edita amigos e pessoas de quem gosta, acha possível não editar alguém ou não gostar de alguém pela cara e aspecto. quando o carlos vaz marques lhe tira o tapete de baixo dos pés mostrando as aparentes incoerências do que diz ele dá-lhe sempre uma segunda volta e justifica sempre as incoerências e com lógica. é uma bela entrevista que mostra que ainda andam pachecos e césar monteiros, que há gerações mal comportadas que ainda não desapareceram e que há mal comportados que o são no mais intrínseco e natural e não por opção apenas, ou escolha.
vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.
"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.
uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados.
vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.
"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.
uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Alberto Manguel defende como ninguém a leitura. Vale mesmo a pena ler.
Todo o artigo aqui.
Mas nem toda a gente é leitora...
Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.
A proporção de leitores numa dada sociedade nunca foi muito grande – seja na Idade Média, seja no Renascimento ou no século XX. Os leitores nunca foram a maioria. Se, por exemplo, todos os espectadores de um único jogo de futebol comprassem um livro, uma tarde, esse livro passaria a ser o best-seller mais espectacular da História da literatura.
Pensa que, para além de não haver muitos leitores, a leitura está a perder terreno neste momento?
O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso.
Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual.
É reversível?
Espero bem que sim. Mas receio que piore antes de melhorar. Falando apenas em livros e literatura, as grandes empresas internacionais tomaram posse da indústria editorial e transformaram o acto literário num modelo de supermercado. Mas continua a haver escritores, pequenos editores, há uma espécie de movimento de resistência – que também passa, por exemplo, pela tecnologia electrónica. Isso faz-me pensar que vamos sobreviver... mas não sei se o meu optimismo se justifica.
Mas nem toda a gente é leitora...
Nem toda a gente é leitora, mas acho que, no fundo, é porque as circunstâncias fazem que não sejamos todos leitores. A possibilidade está em todos nós. O que quero dizer é que suponho que há pessoas que nunca se apaixonam, suponho que há pessoas que nunca viajam, suponho que há pessoas que não têm uma certa experiência do mundo. E da mesma maneira, existem muitas pessoas que não são leitoras. Mas a possibilidade está dentro de nós.
A proporção de leitores numa dada sociedade nunca foi muito grande – seja na Idade Média, seja no Renascimento ou no século XX. Os leitores nunca foram a maioria. Se, por exemplo, todos os espectadores de um único jogo de futebol comprassem um livro, uma tarde, esse livro passaria a ser o best-seller mais espectacular da História da literatura.
Pensa que, para além de não haver muitos leitores, a leitura está a perder terreno neste momento?
O que está a perder terreno é a inteligência. Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso.
Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual.
É reversível?
Espero bem que sim. Mas receio que piore antes de melhorar. Falando apenas em livros e literatura, as grandes empresas internacionais tomaram posse da indústria editorial e transformaram o acto literário num modelo de supermercado. Mas continua a haver escritores, pequenos editores, há uma espécie de movimento de resistência – que também passa, por exemplo, pela tecnologia electrónica. Isso faz-me pensar que vamos sobreviver... mas não sei se o meu optimismo se justifica.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
mais uma pérola do nosso querido valter hugo mãe
Em entrevista à revista OS MEUS LIVROS deste mês:
Tens um poema intitulado "valter hugo mãe" que começa assim: "o rapaz dotado de três mortes / tem o nome exactamente igual ao meu". Por acaso sabes quantas ele já gastou?
As três. Não pode gastar mais nenhuma. Mas quer morrer menos do que nunca. No meio da confusão, talvez me sinta mais feliz do que nunca. Enfim, uma felicidade assim consciente, porque vejo em meu redor tanta coisa a desmoronar que é impossível ser-se feliz à grande. Já não corro para a morte. Faço caso e deixo que seja ela a vir apanhar-me, se assim o entender. agradeço que me ignore um pouco, anseio sempre pelo Verão.
Tens um poema intitulado "valter hugo mãe" que começa assim: "o rapaz dotado de três mortes / tem o nome exactamente igual ao meu". Por acaso sabes quantas ele já gastou?
As três. Não pode gastar mais nenhuma. Mas quer morrer menos do que nunca. No meio da confusão, talvez me sinta mais feliz do que nunca. Enfim, uma felicidade assim consciente, porque vejo em meu redor tanta coisa a desmoronar que é impossível ser-se feliz à grande. Já não corro para a morte. Faço caso e deixo que seja ela a vir apanhar-me, se assim o entender. agradeço que me ignore um pouco, anseio sempre pelo Verão.
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