terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

as novidades todas juntas, para quem não recebeu por e-mail

olá a todos (sem @ nem x)
isto é uma catrefada de novidades por isso vou entrar em modo telegrama para não vos perder (muito) (mais).

primeiro os novos cursos. sempre na querida Pó dos Livros, em Lisboa. o contemporaneidades na literatura portuguesa - da sociedade aos livros todas as 4ªfeiras de Março, às 21h. o curso de literaturas americanas - norte e sul todas as 3ªfeiras de Março, também às 21h. o preço mantém-se, cada um 35€ e 30€ para desempregados e estudantes. inscrições para mim ou para a livraria. acompanhem as novidades como sempre no estórias com livros, etiqueta dos cursos, onde poderão encontrar info da última edição que será semelhante a esta, mais info brevemente.

já andamos a magicar o nosso IV Encontro Livreiro, será dia 7 de Abril como sempre na querida Culsete em Setúbal. mais informação no blog do Encontro ou no facebook.

já esta 6ª vou estar na Livraria Cabeçudos a ler os meus surrealistas. a ideia é que quem quiser ler traga livros surrealistas, quem quiser ouvir vem sem livros surrealistas. a “cena” é vir. toda a info aqui. surrealistiquemos. desvairai-vos.

o LEVA vai lançado por aí, as gravações começaram, mas eu preciso ainda de mais voluntários, se forem pares (leitor + alguém que faça a gravação) perfeito, por questões práticas. mas TODOS os voluntários são importantes. podem seguir a evolução do projecto e notícias nesta etiqueta do estórias com livros ou no facebook.

os mal comportados voltaram ao ataque e agora é que vai ser. das surpresas e do que isto será não posso falar mas têm novo blog e novo facebook, para irem espreitando. tudo a seu tempo.


e é isto, os livros como sempre no estórias com livros, o resto no rosapeixe.

uf.

quem chegou até aqui obrigadinha. quem chegou até aqui e saltou parágrafos shame on you. quem não chegou não estará a ler isto.

beijos e abraços e muitos bem haja por aí,

rosa

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

IV Encontro Livreiro

já estamos de volta do nosso bom momento do ano, o Encontro Livreiro. desta vez e excepcionalmente para fugir à Páscoa, será no primeiro domingo de Abril, dia 7. como sempre na bonita "casa" do nosso Livreiro Velho e da Fátima, a Livraria Culsete, em Setúbal. um encontro para gentes do livro, todas, sejam quais forem, um encontro de portas abertas e cada vez maior. para falar, debater, conhecer pessoas giras e brindar com moscatel.
darei mais notícias por aqui, para informação continuada é ir consultando o Encontro Livreiro, blog e facebook.
o cartaz é do nosso ilustrador sempre ao serviço e bem, Pedro Vieira, Irmão Lúcia.


baú do meu palácio #3


dei por mim a pensar no Mishima. o Mishima que é um autor asiático mas que não é um autor asiático, que também não é um autor de outro sítio. escreve sobre os dilemas mais profundos a partir de histórias muito simples. cria com o nosso imaginário uma relação de amizade e entendimento. fala connosco ao pensar sobre os outros. sempre numa profunda tempestade e numa profunda guerra. nada é fácil com Mishima. nada é linear ou por acao com Mishima.
O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar é, para mim, o seu ponto alto. conta a história de Noboru, 13 anos e da sua relação complicada e próxima com a mãe que se apaixona por um marinheiro, Ryuji. numa medição de forças e conquistas de espaços, numa relação estreita com o mar de cada um deles, num diálogo da natureza com as relações humanas Mishima tem aqui um verdadeiro templo literário. imperdível.

oh Franzen oh Liberdade!


Liberdade de Jonathan Franzen mascara-se de livro comum mas as marcas de diferença surgem a cada uma das muitas páginas do romance. uma das primeiras marcas de um bom romance é aquele que não coloca as personagens em caixas com nomes determinados. onde não há "bons" e "maus". e este livro conta muito mais do que o que aconteceu às personagens, conta a história das personagens. com um pendão existencialista conseguimos ver a profunda transformação de cada uma delas na vivência com os acontecimentos e percebemos que nada é imutável nem intrínseco perante o contacto com os outros e com os acontecimentos.
Patty é a personagem mais perturbada. vive diariamente e uma vida inteira num conflito entre a vontade e a moral que ela própria impôs. entre a lealdade a Walter e a obsessão por Katz. apesar de ser a única personagem que fala em determinados momentos na primeira pessoa o facto de ela escrever essas "memórias" com fins terapêuticos faz-nos questionar a veracidade do que diz. mesmo Walter, ao ler o que esta escreveu não só lê a verdade dos factos, como nós, como lê o que está para além desses factos, lê a forma como Patty sentiu todos os anos de casamento, desde o momento em que o conhece.  nós também conseguimos ler isso, claro, mas na reacção de Walter percebemos que há interpretações que ele terá feito que nós não podemos atingir.
Walter tem tudo para ser uma personagem modelo. pai modelo, marido modelo, até amigo modelo. a forma como Franzen o constrói é fascinante. Walter parece, quando aparece, uma personagem plana e neutra, vista pelos olhos de Patty. Walter não parece alguém que se possa amar mas sim alguém adorável que sabemos que estará sempre do nosso lado se tivermos a sorte de o ter como amigo. falta-lhe inicialmente uma energia que possa fazer com que alguém se possa apaixonar por ele. mas depois com o desenrolar do livro percebemos as falhas, os restos de humanidade, o desequilíbrio que se desenvolve ao mesmo tempo que se desenvolve o desequilíbrio de Patty. e é impossível não sentir essa paixão por esse Walter, que sente uma perturbação imensa mas que a esconde por respeito e amor aos que o rodeiam. que não perdoa Katz mas que se comove com algum histerismo quando Katz lhe faz a supresa do CD. que não perdoa Patty até imaginar que ela possa estar realmente a sofrer e em perigo. na luta da perturbação contra a bondade, em Walter ganha sempre a bondade. mas não sem antes ter ensinado o que tinha a ensinar. com tudo o que lhe acontece Walter sai sempre vitorioso dando uma abada emocional a todos os leitores e a todos os que convivem com ele. fica por esclarecer o porquê da relação complicada com os filhos (no livro há um salto temporal muito grande) ao mesmo tempo que fica por esclarecer o apaziguamento repentino com Joey. fica por esclarecer a passagem do amor que sente por Patty para o amor que sente por Lalitha e a dificuldade que tem em sobreviver à tragédia, altura em que o leitor poderá então perceber que aquilo era real.
fica muito por dizer em Liberdade. Franzen cria uma estrutura narrativa entrecortada por vários pontos de vista, dando o que por vezes pode ser uma exagerada narrativa entrecortada. no entanto há imensos vazios por preencher na narrativa e ninguém terá certamente lido o mesmo livro.
para terminar apenas uma palavra para as últimas páginas do último capítulo. aqui depois de um desenrolar que para alguns poderia ser expectável e previsível e sem chama, o ponto de vista passa para a vizinha de Walter e Patty, que apenas conhece o que vê, que poderá ser, e será, montado por Patty, que sempre soubera muito bem manter as aparências. e Franzen, sem pôr um ponto final que por si só já lança a interrogação num livro qualquer, aqui Franzen deixa-nos mais umas páginas de um ponto de vista desfocado deixando-nos sem perceber que fim foi este, sem perceber o que realmente aconteceu dentro de quatro paredes. é que este não é, de todo, um livro qualquer. é um Franzen.

(tenho muito mais a dizer mas isto depois ficava chato. qualquer questão ou vontade de discutir os livros diferentes que lemos quando lemos o Liberdade, podemos beber um café)

Bárbara Bulhosa e os Diamantes de Sangue

num triste exercício de democracia Bárbara Bulhosa, editora da Tinta da China, foi constituída arguida num processo movido por um grupo de generais angolanos ligados a empresas de extracção mineira contra Rafael Marques, autor do livro Diamantes de Sangue.






com a cortesia do Cadeirão Voltaire deixo AQUI a notícia avançada pela LUSA a 6 de Dezembro do ano passado.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Rosa Maria Martelo sabe falar de poesia

hoje pode-se ler no blog da Documenta, em grande como sempre.



«L’homme est le seul être qui s’intéresse aux images en tant que telles.»
Giorgio Agamben, Image et Mémoire

Que carga e equilíbrio de forças são esses que atravessam o universo lírico, as suas ameaças e imagens, e nos depõem na órbita da palavra, da figuração, da música?

Herberto Helder, «O Nome Coroado»


«Os ensaios reunidos neste livro constituem diferentes tentativas de aproximação aos processos de fazer imagem na poesia moderna e contemporânea. Embora trabalhem obras e questões diferenciadas, todos incidem sobre formas de conceber e articular as imagens na poesia, ou sobre os modos como o texto poético se pensa em diálogo com outras artes da imagem, especialmente o cinema.

[...]
 Ao acentuar a visualidade e o visionarismo das imagens verbais, ou a sua tensão e rapidez, a poesia de tradição moderna apresenta-se muitas vezes como uma espécie de cinema, uma arte na qual o fluxo das imagens desempenha um papel determinante. «O cinema extrai da pintura a acção latente de deslocação, de percurso. Tome-se um poema: não há diferença», escreveu Herberto Helder. Como pensar esta similaridade, esta convergência? Em que consiste o cinematismo da poesia? Os autores estudados neste livro encaminham-nos para algumas respostas.
[…]
Quando são tidos em conta os diálogos da poesia com o cinema, a presença temática do universo cinematográfico é normalmente destacada, pelo que ganham especial relevância os poemas dedicados a filmes, realizadores e actores, ou os poemas que funcionam por processos ecfrásticos e por transposição narrativa.
[…]
Há um outro tipo de relação entre a poesia e o cinema que diz respeito às cumplicidades entre duas artes que partilham uma extensa e multímoda reflexão sobre os processos de fazer imagem. Herberto Helder, Carlos de Oliveira, Luiza Neto Jorge, Al Berto, Luís Miguel Nava, Fernando Guerreiro ou Manuel Gusmão desenvolvem formas de intermedialidade situáveis nesse plano, que este livro procura apreender.»




Rosa Maria Martelo é professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se doutorou em 1996, e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Tem colaborado em diversas revistas e publicou vários livros de ensaios, entre os quais A Forma Informe — Leituras de Poesia (2010). Organizou, com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós, a antologia Poemas com Cinema.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

baú do meu palácio #2

José Donoso é o segundo livro sacado do baú e na verdade é sacado muitas vezes. José Donoso é um escritor chileno e por isso é um dos escritores de que falo no Curso de Literatura Hispano-americana (já com nova edição a espreitar).
Este livro conta uma hisória sem data nem local. Podemos imaginar, pelas descrições, que estamos algures na América Latina, ali pelo início do século passado.
Numa casa de campo passam férias vários casais de uma mesma família com os seus filhos, todos primos ou irmãos entre eles, com idades que vão, sensivelmente, dos 4 aos 17 anos. de manhã os pais saem e deixam as crianças sozinhas. é aí que entramos num não-tempo, apenas dominado pelas crianças e pelo seu entendimento que faz com que aquele tempo que passam sozinhos se estenda por aquilo que parecem ser muitos dias. as crianças, sozinhas com os empregados da casa, organizam-se anarquicamente e de uma forma tão selvática como natural, sempre com o lado de lá do muro da casa como o local proibido e desejado. assistimos nesta organização e vivência anárquica ao desabrochar de pulsões eróticas e violentas, num ambiente febril que se vai enevoando e tornando intransponível. desengane-se quem espera uma história com uma confortável lógica final, este livro constrói-se em espiral e uma vez lançados os dados da auto-gestão e total autonomia do controlo do espaço pelos miúdos dificilmente será possível voltar à ordem estipulada. uma metáfora? claro. e uma metáfora do caraças.

o LEVA no Notícias Magazine


clicar para aumentar

criatividade na primeira pessoa

já aqui disse muitas vezes que penso muito. saio de casa sozinha ao fim de semana e ando a pé a ouvir música. penso no sentido da solidão (assunto para outro texto). penso no que gostaria de estar a fazer se não estivesse ali. e hoje pensei como muitas vezes penso que a vida tem de ser um bocadinho mais do que isto. e pela primeira vez isso aconteceu-me numa altura de conforto. o que normalmente não acontece.
passo os dias apaixonada. passo os dias a ler, a escrever, a pensar. a pôr o LEVA a andar. a jantar com amigos, a pôr a minha casa bonita. a estar com a família, a atravessar o rio para os ver, ou a ir aos subúrbios. mas há uma coisa que nunca faço, nunca. ser criativa. tenho muita confiança em muitas áreas da minha vida mas não tenho nesta. tenho muito medo de que a minha criatividade faça apenas sentido para mim. na entrevista que dei pelo LEVA ao DN perguntaram-me como ia conseguir levar isto avante se ia ser como ter outro emprego. pensei que não custava nada, que com todas as horas que dou a isso, aos cursos e a tudo o resto de que falei sobra-me tempo e tempo e tempo. onde sou feliz a olhar para a parede, mas que posso encher com essa criatividade.
e lembrei-me do boris vian. do espectáculo que estava a construir para o boris vian. e lembrei-me da vontade gigante de voltar a estar num palco, não no sentido de lá estar como um produto acabado mas no sentido da construção. quem já fez teatro comigo sabe que construo o espectáculo como um todo estético antes de pensar nas palavras. penso nas roupas e nas maquilhagens, na entrada, no cenário, nas salas, no público. porque um espectáculo constrói-se como um todo desde o início. eh pá arrisco tanto a ser agora muito pirosa mas até senti fogo de artifício dentro da cabeça, do estômago e do coração. o boris vian. não é uma peça de teatro. é um espectáculo onde mostro quem ele foi, com cenas e textos e músicas dele. interrompi a construção deste espectáculo quando vim morar para aqui, precisei de enfiar a cabeça também dentro de caixotes (malino 2012). e hoje, quando preparei a mochila para as minhas deambulações pus lá o meu querido boris. e a cabeça a repetir ena pá ena pá ena pá.
já tenho alguma coisa feita mas falta muito trabalho, muitas leituras, muitas pesquisas mas ele vai chegar. faço esta parte mais sozinha para que ninguém me faça desistir. depois pego nos meus miúdos e vamos todos subir ao palco e vamos borisvianar. vamos borisvianar. vamos borisvianar. vamos borisvianar. ena pá.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

LEVA no DN

a quem tiver interesse o DN deste Domingo traz uma reportagem sobre o LEVA. na próxima semana vou digitalizar para todos lerem.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

a ler surrealistas com os cabeçudos

pois é, o tempo voa e já falta muito pouco.
a Cabeçudos vai receber os "grandes" (e os pequeninos também que eles adoram surrealisticar) para lermos os meus queridos surrealistas.
então agarrem nos vossos surrealistas, no que para vocês forem surrealistas, que isto os surrealistas adoram não ter muitas regras. eu levo os meus e falo um bocadinho deles, não muito, qb, vá, e ainda vou preparar uns surrealismos para surrealisticarmos surrealisticamente. cliquem aqui para saber o que por este blog já se andou a falar de surrealistas.
podem vir só ler, podem vir só ouvir, podem vir ao contrário, podem não vir.

8 de Fevereiro
22h
Livraria Cabeçudos
Rua António Lopes Ribeiro, 7A - 1750-312 Lisboa
Mapa 
Entrada: 5€

surrealistiquemos!





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

o que já está a correr mal

nas resoluções de ano novo, que podem ver aqui.

etiquetas no blog - check (com uma pequena batota que não interessa a ninguém)
entregar a proposta dos livros no metro à EGEAC (falha apocalíptica)
acabar o Liberdade (falha apocalíptica)
acabar o Lobo Antunes (ahahahahahahahahahahah)
acabar o Banquete (falha apocalíptica)


circunstâncias da vida 4 - 1 rosa

volto no final de fevereiro. duvido que melhore.