segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

temos site!




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e-mail em jeito de carta aberta para os voluntários do LEVA

se é voluntário ou pretende ser e não recebeu este e-mail entre em contacto connosco através do leremvozalta@gmail.com

Caros voluntários do LEVA,
antes de qualquer outra questão quero pedir desculpa pela demora desta resposta. Não me esqueci de vocês, estava só à espera de ter tudo mais certo e de alguma forma ter notícias concretas.
Primeiro esclarecer que recebi e registei todos os pedidos de voluntariado sem ter ainda entrado em contacto com nenhum de vocês.
O nosso primeiro livro vai ser gravado já e as gravações começam já na 3ª. Foi um livro encomendado pela Escola Superior de Dança. Como é o primeiro livro gostaria muito de ser eu a gravar. No entanto assim que as encomendas começarem a ser processadas vou precisar de vocês.
Este e-mail segue para voluntários de todas as áreas por isso seguem agora algumas questões que podem dizer respeito mais a uns do que a outros:
- os direitos de autor serão tratados de forma igual para todos os livros, contacto as editoras a pedir os direitos e forneço-lhes uma declaração onde o cliente se compromete utilizar o livro apenas para uso pessoal. Está salvaguardado no site que não nos comprometemos conseguir direitos de qualquer livro encomendado.
- por enquanto estamos a processar apenas encomendas mas não estão esquecidos os editores e autores que nos cederam gratuitamente os seus direitos. Vou pensar numa segunda fase do projecto onde possamos introduzi-los.
- a ETIC associou-se a este projecto cedendo estúdios e alunos. No entanto não vou deixar de precisar de técnicos. Era interessante e dava alguma dinâmica ao LEVA ter alguns técnicos associados a leitores, por relações de proximidade, de forma a que fosse possível entregar-lhes um livro sabendo que ele seria gravado com agilidade na relação dos dois. Se for o vosso caso informem-me para eu registar. Os que não têm continuam como voluntários e juntam-se consoante a disponibilidade.
- preciso da maior ajuda na comunicação do projecto porque vamos tendo alguma visibilidade mas não muitas encomendas ainda. Agora com o site vou começar a apresentar o projecto a instituições que faça sentido apresentá-lo. Alguns de vocês ofereceram-se para ajudar nessa parte por isso peço que entrem em contacto comigo. Preciso de toda a publicidade possível, e divulgação.
- para os leitores que agarrem um dos livros terei de fazer um teste de leitura, de forma a garantir que tudo corre bem. Depois conforme forem demonstrando disponibilidade para gravar falamos nisso, até porque alguns de vocês ou já enviaram testes ou trabalham na área com qualidade comprovada.
- o nosso site, fresquinho e acabado de sair: www.leremvozalta.org
- sugeriram-me que fizesse uma apresentação pública do projecto. Estou a magicar forma de o fazer. Têm ideias?
- precisamos sempre de voluntários, se conhecerem mais gente escrevam-me.
- as novidades do LEVA continuam a aparecer no blog www.estoriascomlivros.blogspot.com e no nosso facebook.

E acho que é tudo. Desculpem um mail tão grande depois de tanto tempo sem notícias. Não posso desperdiçar o momento de mais uma vez vos agradecer a disponibilidade e o entusiasmo. Estou verdadeiramente feliz por ter tido a possibilidade e privilégio de conhecer e lidar com as dezenas de voluntários que me levaram ao colo desde o início. Um bem haja de verdade. Assim é mais fácil ter fé e vontade de não ficar a ver os dias passar.

Um até já
rosa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

o raio do guito

estou há uns tempos para escrever sobre o dinheiro e os trabalhos remunerados mas tem-me faltado a coragem. coragem é a palavra certa. mas já que entrei numa sequência de batalhas perdidas entro nesta também que não sendo bem uma batalha é polémico qb para dar más respostas ou, pelo menos, silêncios sepulcrais que é o que tenho recebido quando a polémica ultrapassa o risco. tentarei não o fazer. avante.
primeiro vamos ao mote disto. ontem, numa entrevista, perguntavam se o meu objectivo com o LEVA era fazer dinheiro com ele numa fase posterior. gaguejei um bocado e respondi que não, porque se o fizesse, não era o LEVA, era outra coisa. de todos os aspectos do LEVA o que tem sido mais difícil de explicar e até de aceitar (houve quem achasse um verdadeiro disparate, que "assim não pode ser") é o facto de o trabalho não ser remunerado, ser tudo feito com voluntariado. na verdade esta questão tem dois lados, uma que me faz sentido a mim enquanto pessoa que trabalha e não recebe e outra para o cliente, que não paga. não se trata aqui de grandes altruísmos ou sentimentalismos. eu diria que é uma questão de equilíbrio. o facto de termos uma incapacidade qualquer que não resulta de uma opção nossa não deveria limitar-nos mais do que aquilo que seria absolutamente indispensável. era incapaz de dizer que fazia audio-livros por encomenda e cobrar por eles, sabendo que o preço seria um disparate porque, e como exemplo, este livro que vou gravar agora tem 400 páginas e possivelmente umas 30 horas de gravações e sei lá quantas mais de estúdio. seria um produto de luxo e eu não creio que um livro deva ser um produto de luxo para quem não o pode ler em papel uma vez que não o é para quem pode. não posso alimentar esse mercado nem cometer esse género de exploração financeira de um tipo de clientes que não escolheu a razão pela qual necessita desse tipo de luxos.
por outro lado eu não quero receber dinheiro por este trabalho. uma das grandes razões de frustração em relação ao que sou e à vida que tenho hoje é sentir que o dinheiro se tornou em muitos casos um veículo de decisão para aquilo que é a minha vida, uma vez que preciso da independência, autonomia e liberdade que o facto de ter o trabalho que tenho me dá. na verdade faço muitos trabalhos e sempre fiz que não são remunerados, talvez quase a totalidade dos eventos que organizei e projectos em que me envolvi não eram remunerados. e na verdade é interessante ver como o máquina se transforma e aquilo que fazemos passa a ter o único propósito da finalidade do projecto. e isso, posso-vos garantir, é único. o amor que ganhamos ao que fazemos, a dedicação, a alegria de ver os resultados é incomparável.
no entanto não sou fundamentalista nem anti-remuneração. os cursos que dou são sempre pagos e isso tem a ver com uma razão muito simples. quando prestamos um serviço profissional a alguém ele é validado pela remuneração (e nem imaginam o que me choca dizer isto mas tive provas disto muitas vezes). ninguém se choca que uma conferência seja gratuita, ou um concerto, ou algo que entre na categoria dos tempos livres (daí alguns concertos serem obviamente pagos e outros não, mas isso era outra conversa). no entanto quando vamos para aprender alguma coisa, como é o meu caso, o pagamento valida a minha actividade. quem confiaria num dentista gratuito? ou num explicador de matemática? e depois há o outro lado dos pagamentos que nos casos dos meus cursos também se aplica - a sustentabilidade de alguns negócios que por mais válidos que sejam longe da máquina financeira têm de sobreviver - e neste caso faz sentido que um curso feito numa livraria seja pago.
com isto tudo o que quero dizer é que é importante aprendermos a viver à margem da remuneração. sei que para muita gente não é possível, mas não é por isso que não é uma experiência fundamental. o dinheiro é tóxico. aqui não cedo. e se calhar tudo isto que faço é para me esquecer que é o dinheiro quem me prende há muito tempo a uma vida que não gosto e que durante muito tempo me impediu de ter a vida que eu quis o que me marcou de uma forma muito mais violenta do que imaginam. e sabem que não me fico. e fui criando uma forma de estar em que, invariavelmente, não penso que um pedido de ajuda ou uma hipótese de uma organização de evento, ou uma perninha num sítio qualquer seja remunerado. e não digo que não quando o é, claro. e sei que não abdico da minha viagem anual a países cada vez mais estranhos ou dos meus três ou quatro livros por mês e dos infindáveis jantares em minha casa com as oito pessoas que lá cabem. mas isso é porque tento o equilíbrio. porque tenho a sorte de o ter conseguido.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

o LEVA no facebook

e já estamos no Facebook. 

agora só falta o site, a chegar.

o primeiro livro do LEVA

já temos um primeiro livro do LEVA. continuo em infindáveis agradecimentos aos meus voluntários e não me esqueci de vocês mas este primeiro queria mesmo ser eu a gravar. vou mandar um e-mail a todos a dar conta do avanço do projecto e para saberem que não me esqueci de vocês.
o site está um pouco atrasado mas quando estiver pronto espero começar a ter mais encomendas e aí vou precisar de toda a ajuda.

o primeiro livro é este:








agradeço tanto e tanto à orfeu negro que não só cedeu a totalidade dos direitos como se voluntariou para apoiar o projecto no que necessitássemos.

estamos rodeados de gente boa.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

novo ano

ontem foi o último dia do último curso. foram semanas confusas e cansativas de trabalho, eventos e cursos, muitos livros novos e muito pouco tempo para os ler. agora começo a respirar mas sem a ideia de parar mas sim de começar de novo. preciso de trabalho que me alimente que se não sinto-me em absoluto estúpida o que não pode mesmo ser. são estas as resoluções de ano novo do estórias com livros:

(isto parece-me uma lista apocalíptica. em frente a cada tópico está a data na qual me comprometo ter realizado a façanha. vou dando notícias do seu sucesso. tenho tantas dúvidas. tantas.)

- estive a pôr etiquetas no blog (repararam?), não na totalidade do blog (ainda) mas nos dois últimos anos. a resolução é acabar de etiquetar. (fim de Dezembro 2012)
- enquanto etiquetava reparei que já fui muito mais bombástica e emotiva com os meus livros e autores. deu-me saudades. não do sentimento que se mantém, mas de conseguir escrevê-lo (ano 2013)
- vou regressar ao boris vian e terminar de construir o espectáculo que ficou a meio (fim de Abril 2013)
- vou ler mais e fazer recensões de todos os livros que ler (ano 2013)
- entregar a proposta dos livros no metro à EGEAC  (16 de Janeiro 2013)
- vou começar a estudar literatura brasileira e ler muita literatura brasileira para preparar um curso novo  (fim de Maio 2013)
- vou estudar antónio lobo antunes para poder inseri-lo em grande no meu próximo curso (fim Fevereiro 2013)
- vou ler / acabar de ler estes livros:

 (fim de Dezembro 2012)
 (fim de Janeiro 2013)
  (fim de Fevereiro 2013)
  (fim de Dezembro 2012)
  (fim de Fevereiro 2013)

nunca me viram tão organizada pois não? é porque vai correr mal de certeza. 


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Carlos Vaz Marques entrevista Lobo Antunes para o Festival LER

"A amizade não é mais do que uma dedicada atenção."

"A amizade é como o amor. É absoluto e instantâneo. Assim que conhecemos um amigo verdadeiro somos logo amigos de infância."

"Estou muito grato à guerra. Pensava que tudo rodava à minha volta e ali percebi que somos um no meio de muitos."

"Enquanto estivermos de mão dada com alguém nada nos pode acontecer. Quando estava à espera da anestesia na minha operação o cirurgião deu-me a mão em silêncio e percebi que nada de mal me podia acontecer."

"Não podemos viver sem a noção de eternidade. Mesmo que não a tenhamos sempre presente. Um bom médico é o que nos devolve a eternidade"

é difícil falar sobre o que é ouvir Lobo Antunes. a experiência é de tal forma devastadora e rica que fica sempre pouco que dizer. mesmo o Carlos Vaz Marques que tantas vezes é genial na sua forma de abordar os entrevistados aqui não conseguiu sempre ter a estaleca necessária. e o Lobo Anutnes apresentou-se coloquial e descontraído. mas a descontracção dele acaba sempre por ser  um gigante de palco. só pela naturalidade, pelo que pensa e pelo que sente. pelo que diz como quem fala de assuntos coloquiais sem o ser. foi divertido e comovente. o sentido de humor dele é imbatível. e a forma como salta de um frase divertida para uma que nos desfaz em peças é inacreditável.

falou-nos da sua forma de escrever. que não escreve romances, nem poemas, que não há nome para o que escreve. que vem apenas do editor a decisão de escrever "romance" na capa. diz que gostava de escrever mais, outras coisas. "coisas" neste sentido da não definição da forma. queria deixar depois de morrer o mesmo que o pai lhe respondeu que queria deixar aos filhos antes de morrer: "o amor pelas coisas belas".

os seus livros têm muitas vozes femininas. Lobo Antunes cresceu no meio de rapazes e procurou sempre a voz feminina no seu entendimento do mundo. como uma procura por uma irmã que nunca teve. e é aí que se pode considerar este último livro, não é meia-noite quem quer, como um livro autobigráfico - não nos factos mas nessa procura da voz feminina que procurou desde a infância.

parte da entrevista foi aquilo que ele chamou, desagradado, uma abordagem de termos técnicos. disse que os romancistas não deviam usar advérbios de modo nem demasiados adjectivos - que havia quem o fizesse e muito bem mas que deveria ser um génio para o fazer. disse também que um livro não pode pretender estar em altas durante todas as páginas - muitos romancistas novos na minha opinião ignoram esta regra, o que é trágico. o romance deveria crescer e diminuir para que o leitor o possa acompanhar de forma mais orgânica.

Carlos Vaz Marques estava perante um monstro das palavars e podemos dizer que se safou muito bem, como sempre. só no final não levou a dele avante, ele que nunca desiste de uma pergunta, não conseguiu que Lobo Antunes desse conselhos de leitura. Carlos Vaz Marques não desiste de uma pergunta e posso garantir-vos que fez de tudo e deu todas as voltas. mas não conseguiu.


(eduardo salavisa)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vitor Silva Tavares na LER de Dezembro

há várias coisas boas no vítor silva tavares. provoca sem dó nem piedade por ninguém e de alguma maneira faz com que muitos digam que é provocação gratuita. e ele não podia querer saber menos dessas opiniões. nesta entrevista mostra o que é ser editor sem preconceitos, nem mesmo o outro lado do preconceito que é a própria marginalidade. mostra que assumir que ter preconceitos é natural e deve ser vivido com naturalidade acaba por contrariar a própria noção de preconceito.  não aceita todos, edita amigos e pessoas de quem gosta, acha possível não editar alguém ou não gostar de alguém pela cara e aspecto. quando o carlos vaz marques lhe tira o tapete de baixo dos pés mostrando as aparentes incoerências do que diz ele dá-lhe sempre uma segunda volta e justifica sempre as incoerências e com lógica. é uma bela entrevista que mostra que ainda andam pachecos e césar monteiros, que há gerações mal comportadas que ainda não desapareceram e que há mal comportados que o são no mais intrínseco e natural e não por opção apenas, ou escolha.

vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.

"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.

uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados. 



é já esta 2ªfeira

a "nossa" é na Pensão Amor, Rua do Alecrim, 21h30



tragam livros e passagens de Clarice. lemos e falamos sobre ela. vamos claricear!