quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O meu curso de Literatura Portuguesa do Séc XX está de volta

Cartaz ©Menina Limão

CURSO DE LITERATURA PORTUGUESA SÉC XX
com rosa azevedo
1, 8, 15, 22, 29 Março . 19h30 . 5 sessões (90min). 50€

Cossoul
Av. D. Carlos I, 61
Lisboa

O curso vai debruçar-se sobre a literatura portuguesa do séc. XX, de um ponto de vista generalista num caminho pela eclética e contrastante história da nossa literatura, sempre com o foco no leitor e na importância que a estreita relação do autor com o seu leitor teve no desenrolar dessa mesma história. As cinco sessões pretendem dar uma visão alargada do que se passou em Portugal no séc. XX até aos dias de hoje, procurando um paralelismo com os principais movimentos artísticos mundiais.





❐ PROGRAMA
▸ 1ª SESSÃO
realismo, naturalismo, simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o modernismo
▸ 2ª SESSÃO
modernismo, contexto cultural da época: os intelectuais e a literatura
▸ 3ª SESSÃO
surrealismo
▸ 4ª SESSÃO
neo-realismo: movimento revolucionário com máscara
anos 50 a 70: literatura sem marca
▸ 5ª SESSÃO
dos anos 80 aos nossos dias

✦ AUTORES
Eça de Queirós, Cesário Verde, Ângelo de Lima, Fernando Pessoa e heterónimos, Mário de Sá-Carneiro, Mário Cesariny, António José Forte, Mário Henrique-Leiria, António Maria Lisboa, Manuel de Lima, Herberto Helder, Manuel da Fonseca, Manuel de Castro, Luiz Pacheco, Alexandre O’Neill, Carlos de Oliveira, Mário Dionísio, Maria Velho da Costa, Rui Nunes, Vergílio Ferreira, Jorge de Sousa Braga, Maria Gabriela Llansol, Nuno Bragança, José Saramago, João Miguel Fernandes Jorge, Ana Teresa Pereira, Teresa Veiga, António Ramos Rosa, Valério Romão, Gonçalo M. Tavares, entre outros.

✦ ROSA AZEVEDO
Nasceu em 1982 em Lisboa. Terminou em 2004 a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, maior em variante de estudos portugueses, franceses e menor em Literaturas do Mundo, em 2008 o mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e da edição independente. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte. Mantém o blog estórias com livros. Foi livreira e hoje é produtora, formadora, revisora e dinamizadora / divulgadora da área dos livros.

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

As irmãs Brontë

Em 1847 a editora Smith, Elder & Co recebe três romances assinados por três nomes quase deconhecidos da literatura inglesa, nomes que até aí tinham apenas publicado um livro conjunto de poemas que tinha sido um verdadeiro fracasso comercial. Eram eles o Jane Eyre de Currer Bell, The Wuthering Heights de Ellis Bell e Agnes Grey de Acton Bell.

Os três romances tinham sido escritos por três irmãs que, reféns da sociedade vitoriana do séc XIX, acharam melhor assiná-los com nomes de homens e só após a sua publicação darem a conhecer a sua identidade. São elas Charlotte, Emily e Anne Brontë. 

É sempre possível lermos um livro sem contexto, aliás é essa uma das grandes lutas dos leitores de todo o mundo, a defesa mais ou menos convicta de que o texto vale por si, dizem uns, e de que o contexto enriquece o texto, dizem outros. No entanto, aqui vamos, para já (e verão que faz sentido), deter-nos na vida das irmãs Brontë, que não altera o texto de cada um dos livros mas sim acrescenta um contexto que é em si próprio uma lição e um pensamento sobre a resiliência destas escritoras num mundo onde as mulheres começavam a poder escrever mas não podiam, nunca, escrever nenhum destes livros.

As três irmãs pertenciam a uma família de cinco irmãs e um irmão. As duas irmãs mais velhas morreram ainda crianças vítimas de tuberculose, com poucas semanas de diferença. O pai, responsável único pela educação das crianças, não conseguindo lidar com a dor e a culpa de saber que o internato onde as irmãs se encontravam era o grande responsável por estas mortes, traz as outras filhas para casa. Essa casa encontrava-se ao fundo de uma povoação, rodeada por montes ventosos e frios, uma terra inóspita e escura. O pai, obcecado com os incêndios, não tem cortinas ou tapetes em casa. É uma casa sóbria e cinzenta. Chama para educar as filhas uma irmã, severa ainda que justa, tia que substitui para as Brontë a mãe que lhes morrera muito cedo. 

É neste ambiente que as irmãs e o irmão mais velho, Branwell, crescem selvagens, com a sua criatividade como único utensílio artístico. Uns soldados de madeira eram os únicos brinquedos e serviram como ponto de partida para histórias fantásticas, mundos partilhados entre eles, histórias detalhadamente descritas. Todos os irmãos eram extremamente dotados de uma sensibilidade artística fora do comum e passavam os seus dias a vivê-la intensamente, numa obrigatória mas cada vez mais desejada solidão.

As irmãs Brontë cresceram quase sem conhecer ou ter contacto com a sociedade patriarcal da Inglaterra do séc. XIX. Aprenderam a desenvolver a imaginação como lugar de conforto. Criaram um mundo onde elas tivessem o lugar que queriam ter. E foi assim que escreveram estes três livros. Não o fizeram por serem radicais, eram antes feministas antes do tempo por terem decidido que, se criavam figuras femininas, elas iam poder exercer o poder que a literatura traz em si - o poder de modificar e influenciar o leitor.


Emily Brontë
The Wuthering Heights
Este livro exerce sobre o leitor do séc XXI o fascínio da intemporalidade. É um livro que mesmo escrito hoje poderia ser considerado intemporal. Um dos boatos que corre sobre o livro é de que é um livro gótico com fantasmas. Mas não é um livro de fantasmas, é um livro sobre o poder da obsessão, sobre a ideia da memória dos nossos mortos, de como podemos transformar essa memória e esse ideal de alguém que já cá não está numa assombração. Ouve-se também dizer que esta é a história de amor de Heathcliff e Catherine mas também não é isso que o livro conta (como afirma Charlotte no prefácio à segunda edição) - o livro conta-nos como a obsessão de Heathcliff pela Catherine possibilitou que se tornasse numa personalidade com um nível de maldade e acidez próprio de um monstro não humano. Catherine, por sua vez, vive a vida sem ideais de amor, como um vendaval, aproveitando e tirando da vida o que esta lhe vai dando, sem grande plano. É uma história sem heróis numa altura em que a própria literatura era feita de heróis. 
A estrutura narrativa é também muito invulgar, complexa e perfeita. É invulgar alguém escrever um livro destes sem nunca ter escrito nada antes. Claramente, percebemos que toda a vida da Emily tinha sido um intrincado e complexo mundo de imaginação e criação de ficções.
O livro foi um fracasso (e, claramente, só podia ser). O mundo não estava preparardo para a genialidade de Emily. Esta morreu sem ver uma segunda edição e esmagada pelas críticas, até da própria irmã, que achava inconcebível alguém criar um Heathcliff.

Charlotte Brontë
Jane Eyre 
Confesso que, depois de muito pesquisar, parti para este livro com a sensação (justificada) de que a Charlotte era, das três, a mais conservadora e a que fugia mais do risco na criação literária. E este livro acabou, também por isso, por ser surpreendente. A narrativa é até linear, sem distorção, mas mais nada é linear dentro do livro. Jane Eyre, orfã, é criada por uma tia e três primos que não lhe têm qualquer amor. Até aos dez anos, idade em que é internada num colégio de beneficiência, Jane não tem memória de qualquer tipo de afeição. A partir daí percebe que tentar agradar às pessoas não lhe traz frutos e percebe que só há uma forma de nos fazermos amar: através da honestidade. E é nesta honestidade que reside o ponto forte do livro e da Jane. Ela cresce tendo sempre por princípio que será transparente com os que a rodeiam, e com as opções que toma na vida. É um livro sobre a verdade. Jane cresce e vive sempre de acordo com a verdade. Sem ser moralista (ela não vive de acordo com a moral e sim com a verdade), Jane vive sem plano pré-definido. Rejeita a igreja por amar a ideia de Deus, rejeita o amor por não se sentir confortável na posição em que este a coloca. Procura apenas a ideia de família enquanto ligação ao mundo, laço que desde cedo percebeu que tinha de recuperar, nunca o teve por adquirido. É um livro e uma Jane (eles são uma e a mesma coisa) como nunca mais encontraremos na literatura. E uma verdadeira homenagem a esta verdade tão pouco querida aos floreados da literatura europeia daquela época. 


Anne Brontë

Agnes Grey
The Tenant of Wildfell Hall
Agnes Grey é um livro menos intenso que os outros, bastante diferente aliás, e conta a história de uma mulher, Agnes Grey, que resolve sair de casa e ir trabalhar como perceptora, tornando-se independente perante uma família e uma sociedade que tinham outros planos para ela.

Coloco aqui os dois livros de Anne porque o segundo, The Tenant of Wildfell Hall, é muito mais interessante do que o primeiro. A primeira edição do The Tenant of Wildfell Hall esgotou em seis meses tendo sido considerado por muitos um livro ofensivo, exagerado na forma como tratava a personagem masculina, imoral. No prefácio à 2ª edição Anne diz que vai republicar o livro exactamente como o escreveu apesar das duras críticas, porque acredita que a maldade aos olhos dos leitores pode abrir muito mais horizontes do que experienciá-la ao longo da vida. Diz, também, que mostra um homem despótico e violento, e uma mulher que se soube insurgir na defesa dela e do seu filho, tentando influenciar jovens mulheres a não aceitarem este tipo de vida e de tratamento. Diz que se mudar para melhor apenas a vida de uma mulher já terá valido a pena toda a sua vida de escritora. Anne aqui quebrou todas as convenções da sua época, enfrentando espíritos susceptíveis, facilmente impressionáveis, que preferiam que não se fizesse tanto alarido à volta da situação da mulher que, relembro, era, na Inglaterra do séc XIX, propriedade do homem com quem tinha casado. 
Charlotte fala com desagrado deste livro dizendo que Anne teria exagerado na criação desta personagem.  Ela responde que só terá exagerado no dia em que um leitor se sentir aborrecido com os seus livros. Nunca antes. Nunca por fazer com que os leitores vissem o que era a realidade de muitas mulheres do seu tempo. Charlotte poderá ter sido responsável por Anne Brontë não estar, da mesma forma, entre os grandes escritores mundiais, como estão as irmãs, ao repudiar este segundo livro. Anne Brontë foi por muitos considerada a primeira escritora feminista.


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O último livro de Cortázar

Cortázar pode e deve ser lembrado como um escritor que criava as próprias regras da literatura. Não o fazia por qualquer tipo de radicalismo mas porque procurava na vida uma ideia e à volta dela criava um livro que fizesse sentido, que recriasse literariamente essa mesma ideia.

Nos últimos anos da sua vida Córtazar decide viajar durante 33 dias numa auto-estrada, de Paris a Marselha, uma viagem de mais de 700km, numa Volkswagen a que chamava Dragon. A viagem seria levada a cabo com a sua última mulher, Carol Dunlop, em Maio de 1982, após cinco anos de sucessivos adiamentos. Para os dois a auto-estrada era o sítio mais efémero de todos, onde só existiam viajantes e todos de passagem. Eles iam inverter essa lógica escrevendo durante esses 33 dias (duas estações de serviço por dia) um diário de viagem ao estilo dos grandes escritores de viagens mundiais, que Córtazar leu extensiva e intensamente. Iam observar os viajantes, escrever sobre eles, parar em sítios onde todos os outros passam sem olhar.

Foi o último livro de ambos, Carol adoece e morre seis meses depois, Córtazar fica mais dois anos. E como não podia deixar de ser é um livro positivo, de caminho e viagem, cheio de humor e companheirismo. Foi a melhor das despedidas.


 Imagem e ler mais aqui.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A minha canção podia arder-me

17 de Novembro
21h30
Cossoul
Av. D. Carlos I 61
Lisboa 


Há vários conceitos de escrita, o difícil é reconhecê-los sem cair em frases feitas. Só o leitor com a sua intuição consegue distinguir um escritor artífice de um escritor cuja canção lhe pode arder. Falamos de uma escrita sombria, interior, orgânica e visceral. Que revela um segredo que nunca conhecemos na totalidade. Que levanta pontas de véu criando no leitor uma sensação de desassossego e inquietação. Como se a escrita pudesse não ser resposta mas sim criação de dúvida constante. 


Autores
Maria Zambrano
Antonin Artaud
Ulla Hahn
Maria Gabriela Llansol
Clarice Lispector
Ernesto Sampaio
Leonora Carrington

Com
Cláudio Henriques e Inês Lago
Coordenação artística
Carolina Amaral 
Produção e textos
Duarte Pereira e Rosa Azevedo


A Snob foi convidada pela Casa Fernando Pessoa e Fundação José Saramago para participar no bonito programa do Dias do Desassossego. Duas datas, duas casas, dois escritores: entre 16 e 30 de Novembro, a Casa Fernando Pessoa e a Fundação José Saramago programam em conjunto os Dias do Desassossego’17 com música, poesia, prosa, passeios literários e arte urbana. Entre o dia de nascimento de José Saramago e o dia da morte de Fernando Pessoa, a leitura e os seus efeitos são pretexto para nos encontrarmos, entre a Casa Fernando Pessoa e a Fundação José Saramago, mas também noutros locais da cidade.



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Nós no Festival Silêncio, com a Cossoul

Este ano a Cossoul junta-se ao Festival Silêncio enquanto Parceiro Estratégico. Assim, o nosso espaço recebe parte da programação do Festival Silêncio e, simultaneamente, produz alguns eventos próprios, que terão lugar nos nossos diversos espaços, bem como organiza a Feira do Livro juntamente com a Livraria da Cossoul / Snob. A Feira do Livro traz também consigo uma série de eventos de editores independentes com curadoria Snob. De 28 de Setembro a 1 de Outubro.


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QUINTA, 28 SET
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✶ 16h00 — 2h00 
❒ FEIRA DO LIVRO 
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 19h00
❒ LEITURAS
✶ Vão de Escada, com Gonçalo Waddington
Gonçalo Waddington traz-nos as suas leituras do momento ou da vida, dando-as a conhecer em voz própria num pequeno trânsito pelos espaços da Cossoul, numa edição especial que o Vão de Escada traz ao Festival Silêncio.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Cossoul

✶ 21h00
❒ EDITORAS | Artefacto
Apresentação e leitura de poetas irlandeses e norte-americanos, por Sara M. Felício e Paulo Tavares, a partir dos livros “Estradas Secundárias: doze poetas irlandeses” (tradução, organização e prefácio de Hugo Pinto Santos) e “Uma fonte no quintal”, de Eric Weinstein, Jeremy Schmall, Katherine Larson, Stephen Motika e Tracy K. Smith (tradução de Hugo Pinto Santos, Ricardo Marques e Sara M. Felício), ambos publicados pela editora Artefacto.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 22h00
❒ CONCERTO
✶ Bicho de 7 Cabeças
Quarteto liderado pelo saxofonista e compositor Gonçalo Prazeres.
✶ Sala Raul Solnado
Curadoria: Cossoul


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SEXTA, 29 SET
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✶ 16h00 — 2h00
❒ FEIRA DO LIVRO
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 18h30
❒ EDITORAS | não edições
Lançamento do livro “Plantas Humanas”, de Rita Natálio, o #8 da colecção Mutatismutandis da não edições, com a presença da autora, do artista Mattia Denisse (desenhos e capa) e do editor, João Concha. Apresentação de José Maria Vieira Mendes.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 19h00 — 21h
❒ CICLO DE POETRY FILM
✶ “Isto Não é um Filme. É um Poema”
Organizado por Alexandre Braga e pelo Festival Silêncio, inclui uma secção de competição nacional e internacional. Os filmes em competição são uma manifestação de linguagem poética audiovisual, que utiliza a narrativa cinematográfica para se afirmar como mensagem. Nesta competição serão atribuídos os prémios Poetryfilm Festival Silêncio 2017 e Prémio do Público Festival Silêncio 2017.
✶ 19h00 | Mostra Competitiva Nacional 1
✶ 20h00 | Mostra Competitiva Internacional 1
✶ 20h30 | Mostra Competitiva Internacional 2
✶ Sala Raul Solnado

✶ 19h45
❒ EDITORAS | Dois Dias
A Dois Dias edições junta todos os seus autores, vivos e mortos, para uma leitura encenada em torno do catálogo completo da editora intitulada de "Medley". No final, pode ser que se entreveja uma linha editorial.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 20h45
❒ EDITORAS | A Tua Mãe*
Lançamento do livro fictício "Soft Split" de Szilvia Molnar, que conta com a presença da tradutora e editora Joana Neves, mas que só existirá depois de ser lançado; e lançamento de “Do Que Se Conclui Que” de Marta Navarro, um lançamento vídeo, em forma de booktrailler, pela editora A Tua Mãe*.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob


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SÁBADO, 30 SET
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✶ 16h00 — 2h00
❒ FEIRA DO LIVRO
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 17h00
❒ EDITORAS | Do Lado Esquerdo
O 5º aniversário da editora Do Lado Esquerdo é assinalado no Festival Silêncio com leituras por diversos autores e alguns leitores convidados e um showcase dos Photomaton com canções inspiradas em poemas publicados pela editora.
Do catálogo da editora constam nomes tão díspares como Adolfo Luxuria Canibal, José Carlos Soares, Jesus Jiménez Domínguez, Miguel Martins e Rui Knopfli.
✶ Sala Raul Solnado
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 18h45
❒ EDITORAS | Snob
Lançamento do livro “Teatro Vertical”, de Manuel Alberto Vieira, editado pela Snob.
Exposição de Sebastião Peixoto, com as ilustrações que integram o livro.
Apresentação por Alexandre Andrade.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 19h00 — 20h30
❒ CICLO DE POETRY FILM
✶ “Isto Não é um Filme. É um Poema”
Organizado por Alexandre Braga e pelo Festival Silêncio, inclui uma secção de competição nacional e internacional. Os filmes em competição são uma manifestação de linguagem poética audiovisual, que utiliza a narrativa cinematográfica para se afirmar como mensagem. Nesta competição serão atribuídos os prémios Poetryfilm Festival Silêncio 2017 e Prémio do Público Festival Silêncio 2017.
✶ 19h00 | Mostra Competitiva Nacional 2
✶ 20h00 | Mostra Competitiva Internacional 3
✶ 20h30 | Mostra Competitiva Internacional 4
✶ Sala Raul Solnado

✶ 21h15
❒ EDITORAS | Flop
Apresentação de "145 Poemas", de Konstantínos Kaváfis, uma edição bilingue com tradução, apresentação e notas de Manuel Resende, que estará à conversa com o encenador Jorge Silva Melo a propósito de Kaváfis, do trabalho de tradução a partir do grego e do imaginário poético do autor. Segue-se uma leitura encenada de alguns dos 145 poemas de Kaváfis, por José Luís Costa. E porque o livro ainda não existe fisicamente, será distribuído um micro-livro, preparado de forma artesanal pela Flop.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob


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DOMINGO, 1 OUT
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✶ 16h00 — 2h00
❒ FEIRA DO LIVRO
Com especial enfoque nos editores independentes, alfarrábio e uma extensa bibliografia de Maria Gabriela Llansol
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 17h00
❒ PERFORMANCE
✶ “Palestra sobre o _________”, de Ana Vilela da Costa
Performance meta-teatral (e musical) a partir da "Lecture on Nothing", de John Cage. Os textos e as palestras de John Cage constituem um instrumento fundamental para a compreensão da sua obra. São também uma notável ferramenta para questionar e abordar questões permanentes da criação artística: estrutura, forma e conteúdo. O inato e o cultural. O aleatório e a contrução.
✶ Sala Raul Solnado

✶ 17h30
❒ CONFERÊNCIA
✶ “Realismo Mágico?”, com Rosa Azevedo
Que realismo mágico é este de que tanto se fala? Será este o termo mais justo? Nesta conferência damos os primeiros passos pelo sul da América e visitamos alguns dos seus autores.
✶ Bistrô da Cossoul
Curadoria: Livraria da Cossoul / Snob

✶ 20h30
❒ CICLO DE POETRY FILM
✶ “Isto Não é um Filme. É um Poema”
Organizado por Alexandre Braga e pelo Festival Silêncio, inclui uma secção de competição nacional e internacional. Os filmes em competição são uma manifestação de linguagem poética audiovisual, que utiliza a narrativa cinematográfica para se afirmar como mensagem. Nesta competição serão atribuídos os prémios Poetryfilm Festival Silêncio 2017 e Prémio do Público Festival Silêncio 2017.
✶ 20h30 | Competição Final
✶ Sala Raul Solnado


☞ Toda a informação e mais programação em Festival Silêncio

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Curso de Surrealismo Português

Grupo Surrealista de Lisboa, Portugal 1949. Na foto, da esquerda para a direita : Henrique Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Pedro Oom, Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Carlos Eurico da Costa e Fernando Alves dos Santos. I Exposição dos Surrealistas, Junho/Julho, 1949.
A Bertrand Livreiros convidou-me para andar metida nos surrealismos novamente.

Este curso pretende mostrar que surrealismo foi este em Portugal através de poemas, pinturas e exercícios práticos de acaso objectivo e escrita automática.

Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. 

Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos inventados por nós. Vamos conviver surrealisticamente. Vamos pensar surrealisticamente. 

Vamos surrealisticar. 


Deixo-vos as datas dos cursos, para já Lisboa e Porto:

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Escritoras esquecidas do séc XX

As leituras que faço levam-me por muitos caminhos, diferentes uns dos outros. E às vezes há sítios onde me deixo ficar, desenvolvendo uma pequena obsessão que começa, normalmente, por desfazer um novelo que depois chega a uma multiplicidade de fios entrelaçados com os quais perco ainda mais tempo. Foi assim que cheguei a esta vontade de perceber porque é que há tantas mulheres escritoras de que pouco mais se sabe do que o nome, no séc. XX.

Foi preciso ouvir dizer que Maria Judite de Carvalho era a única mulher existencialista em Portugal, perceber que a Celeste Andrade tem um livro que já ninguém lê, que Isabel da Nóbrega é ainda vista como a musa abandonada por Saramago (na verdade muitas delas são referenciadas como mulheres de alguém), que a Natércia Freire recebeu muito mais aplausos que a Sophia no Teste do Fernando Ribeiro de Melo. Foi preciso começar a encontrar as muito poucas pessoas que falam delas, normalmente com a nostalgia que cabe aos esquecidos: era a Maria Archer, a Natália Nunes, a Fernanda Botelho, a Irene Lisboa, a Maria Ondina Braga, a Graça Pina de Morais.

E que conceito de "esquecidas" é este? Tem sido comum encontrar pessoas com conceitos diferentes do meu. Podem ser apenas referidas muito ao de leve nas conceituadas publicações académicas da Literatura Portuguesa mas podiam andar nos olhos dos leitores, e não estão. Há pessoas que discretamente as lêem avidamente, numa esfera privada. São escritoras que criaram com os leitores relações íntimas, silenciosas. Quem me conhece sabe que prezo essa relação silenciosa e não pretendo com isto que ela se quebre. Pretendo alargá-la. Resgatar este imaginário feminino de um séc XX profundamente preconceituoso artisticamente e tentar encontrar as perguntas certas (as perguntas são sempre o caminho certo, e depois encontrar alunos que tragam as respostas): será verdade que estas escritoras foram abafadas por uma sociedade centrada no homem escritor e intelectual? seria tão difícil sair da esfera privada onde as mulheres iam sendo, desde o séc XIX, intelectualmente aceites? quereriam estas mullheres uma visibilidade diferente? para quem escreviam elas e porquê? o que mudou para a escrita no feminino, hoje? o que as distingue das mulheres que marcaram o cenário literário do séc. XX? bastará um editor lembrar-se de as publicar para que elas tenham o lugar merecido?

As perguntas são muitas, com respostas que, apesar de parecer, não são nada óbvias, e chega aqui o meu pedido de ajuda. Para 2018 vou lançar um novo curso sobre as escritoras esquecidas do séc XX. Vou falar delas e tentar encontrar um caminho para estas dúvidas. Como nos outros cursos que dou vou tentar criar com os vários grupos um mapa de questões e apresentar-lhes cada uma delas, pedindo-lhes que, enquanto leitores, façam com elas o que acharem por bem.

Para isso preciso da vossa ajuda. Como já vem sendo hábito as minhas pequenas obsessões desenvolvem-se à volta de temas onde não há praticamente nada escrito. Preciso que me falem das vossas escritoras esquecidas, que me enviem textos, cópias, links, tudo o que tiverem sobre elas ou sobre esta temática. Fico desde já tão agradecida e vou dando notícias dos avanços da investigação neste blog. 

O meu curso de Literatura Portuguesa do Séc XX está de volta

Cartaz ©Menina Limão CURSO DE LITERATURA PORTUGUESA SÉC XX com rosa azevedo 1, 8, 15, 22, 29 Março . 19h30 . 5 sessões (90min). 5...