domingo, 25 de outubro de 2020

Mulheres Raras (agora na Snob)




MULHERES RARAS
Cultura Feminina na literatura feminina

com Rosa Azevedo
versão digital 
25 e 27 de Novembro 
2 e 4 Dezembro
21h30
50€
Mínimo: 10 alunos
Inscrições: mulheres.raras.info@gmail.com


Nas publicações de referência da História da Literatura Portuguesa do séc. XX escasseiam mulheres. Por um lado podemos afirmar sem estar longe da verdade que as mulheres escreviam menos que os homens. Mas porquê? E será que se justifica que os nomes de mulheres ao longo da primeira metade do século se contem pelos dedos de uma mão? Neste curso vamos falar de uma cultura feminina, por oposição a uma escrita feminina, revelar o que se passou no século XX em Portugal, falar de escritoras, do meio onde elas tiveram de se afirmar, pensar em conjunto que fenómeno de apagamento foi este. E, acima de tudo, vamos devolver à literatura alguns destes livros e destas autoras.

AUTORAS
Maria Judite de Carvalho, Maria Ondina Braga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Celeste Andrade, Maria Archer, Isabel Meyrelles, Graça Pina de Morais, Isabel da Nóbrega, Irene Lisboa, 
Maria Cecília Correia, entre muitas outras.

ROSA AZEVEDO
É formada em Literatura Portuguesa e Francesa com curso minor em Literaturas do Mundo e tem mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e da edição independente. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte e do grupo teatral A Mancha. É programadora cultural e editora na Livraria Snob. Pertence à direcção da RELI - Rede de Livrarias Independentes. Mantém o blog estórias com livros.


 

domingo, 13 de setembro de 2020

A Cláudia e a Leonor




Acabei hoje de ler o Tatuagens de Luz da Cláudia Clemente, editado pela Sistema Solar / Documenta sobre o processo de pesquisa e encontro da figura da poeta Leonor de Almeida. Com os anos fui conhecendo esta forma única que a Cláudia tem de entrega absoluta ao que quer fazer. Isso que quer fazer pode ter a as mais variadas formas de arte mas também pode ser amizade, amor, família. Este livro tem um misto de todas estas características da Cláudia. Primeiro é um tipo de livro que não terão visto muito por aí. A Cláudia ouve falar da Leonor de Almeida por ser a esteticista da avó que lhe tinha vendido um quadro surrealista e que também escrevia poemas. Depois, por diversos episódios pessoais, decide saber mais sobre a poeta. E começa um caminho, descrito no livro, cheio de coincidências (o fascinante acaso objectivo de Breton), obstáculos, estradas que se bifurcam em caminhos insondáveis. E durante todo o livro vamo-nos envolvendo com a Cláudia que conta a história e com a Cláudia que resolve trazer a poeta para o seu círculo de proximidade. O que está neste livro é um acto de generosidade da Cláudia para com a memória e para com a literatura. Eu egoisticamente acho que esse acto de generosidade é para mim, e creio que essa relação de proximidade pode ser sentida por mais pessoas. O que está neste livro é uma história de amor. E desengane-se quem ache que este livro podia ter sido escrito por qualquer pessoa, só podia ter sido escrito pela Cláudia porque só ela tem esta forma de viver as suas obsessões. Como um furacão, sem parar, sem medos, ou melhor, alimentando-se desses medos.

A par com este livro a Ponto de Fuga publicou a obra completa da poeta. A Cláudia prometeu à Leonor de Almeida que ela não continuaria a ser esquecida. E agora arrisco dizer, eu que trabalho tanto as escritoras portuguesas esquecidas do séc. XX, que não conheço nenhuma tão bem como conheço a Leonor de Almeida. Não percam nenhum dos livros. Um é um monumento à poesia da Leonor. O outro é a dádiva da Cláudia à poesia portuguesa e, intrinsecamente, à Leonor.









sexta-feira, 10 de abril de 2020

O Meu Suicídio / Rui Caeiro

|SNOB ALERT| |NOVO LIVRO|
O Meu Suicídio de Henri RoordaCapa sobre pintura de Rui Cunha VianaDesign e paginação de Pedro SimõesRevisão de Sara VeigaEdição Snob

O livro está em pré-venda até dia 30 de Abril. O nome de todos os que o comprarem antecipadamente figurará na última página do livro. É nosso e vosso. O livro estará disponível no início de Dezembro.Encontra-se em pré-venda pelo valor de 7€ (preço do livro após pré-venda: 9€) com portes de envio incluídos para Portugal Continental. Mas também enviamos para qualquer parte do mundo.Para isso deverão transferir o valor de 7€ para o IBAN: PT50 0035 0995 00674695530 36 (José Duarte da Silva Pereira), ou através de MBWay para o número 936 584 536 (colocando na descrição o nome de quem transfere), enviando comprovativo e nome para figurar nos agradecimentos para editorasnob@gmail.com. Podem também comprar através do nosso site (https://www.livrariasnob.pt/product/o-meu-suicidio). Podem também manifestar a vossa vontade na caixa de comentários, que teremos o vossos nome em conta.
Henri Roorda Van Eysinga (1870-1925), que também assinava Balthasar, foi, na sua vida de pacato cidadão suíço, professor de matemática. E porque além de ensinar gostava de escrever, não produziu apenas este derradeiro livrinho, que anuncia e explica o seu suicídio. Escreveu também ensaios sobre pedagogia e ainda teatro, poesia e diversos escritos de circunstância, a que ele próprio chamava “prosas de almanaque”.[…]Dizem que o último a rir é quem ri melhor. Mas provavelmente é falso. O homem que for último a rir não vai rir quase nada. O seu riso leve será muito pouco ao lado do riso homérico das primeiras idades”. Pensamento extraído do seu ensaio “О riso e os que riem”. Última frase desse ensaio: “A minha avó tinha razão: não estamos cá na terra para nos divertirmos”. A 7 de Novembro de 1925 Roorda despede-se dos amigos no café, vai para casa, bebe meia garrafa de vinho do Porto e dispara uma bala no coração. Era um homem que amava apaixonadamente a vida, ele mesmo o diz nesta confissão “in articulo mortis”, que é O Meu suicídio. Mas, acontece, vem também nos livros: aquele que ama apaixonadamente mata aquele a quem ama. Ou aquilo que ama. No caso concreto, a vida. do prefácio de Rui Caeiro
Excerto:São as pessoas bem comportadas, os amigos da ordem, que fazem a estabilidade do edifício social. É preciso que sejam em grande número. São eles que fundam famílias. Fazem filhos à sua imagem e semelhança, os quais, por seu turno, se reproduzirão; e, assim, a vida vai continuar. Disseram-lhes: “Crescei e multiplicai-vos!”. E eles obedecem. Devemos admirar sem reserva esses seres respeitosos que tão bem desempenham o seu papel de bons cidadãos? Que sabor teria a vida se a sociedade fosse formada apenas por tais seres? É talvez a sua falta de imaginação que lhes permite serem tão uniformemente virtuosos. Vivem com prudência; na sua existência cabem apenas as pequenas coisas permitidas; vigiam os seus gestos e palavras; nunca têm grandes impulsos; não conhecem a exaltação e a adoração. E o respeito torna-os frequentemente estúpidos.É necessário que no mundo aconteça, de tempos a tempos, uma desordem, para que as coisas novas possam nascer. A desordem é sempre provocada por maus cidadãos, por entusiastas que se embebedaram de palavras.A esses eu compreendo. Sou indulgente com as suas fraquezas. Como eles, tenho necessidade de viver com exaltação. A minha vida precisa de ter muitos minutos deslumbrantes. A poesia e a música podem proporcionar-mos. Também me exalto ao pensar no trabalho que vou começar. Será que daríamos início a alguma coisa se primeiro não estivéssemos emocionados pela beleza do que vamos criar? As boas comidas e o vinho também me proporcionaram momentos de alegria profunda. Há vinhos tão nobres que ao bebê-los sinto necessidade de agradecer a alguém.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

CURSO MULHERES RARAS

Cultura Feminina e escritoras portuguesas no séc XX
com Rosa Azevedo
versão digital adaptada a cada aluno
21 e 28 de Abril
5 e 12 de Maio
50€
Mínimo: 10 alunos
Inscrições: mulheres.raras.info@gmail.com

Neste curso em versão digital as aulas tomam diversas formas. Todas as 3ª feiras do curso, depois das 21h, são disponibilizados textos teóricos, textos literários e outros suportes de comunicação dos temas do curso. São designadas actividades que os alunos deverão realizar até à 6ª feira seguinte sendo que nos quatro dias seguintes as actividades são comentadas pela formadora. Também às 3ª feiras estão previstas conversas em vídeo-conferência para quem quiser e tiver as plataformas disponíveis. O curso será adaptado a cada aluno de acordo com as suas especificidades e preferências.


Nas publicações de referência da História da Literatura Portuguesa do séc. XX escasseiam mulheres. Por um lado podemos afirmar sem estar longe da verdade que as mulheres escreviam menos que os homens. Mas porquê? E será que se justifica que os nomes de mulheres ao longo da primeira metade do século se contem pelos dedos de uma mão? Neste curso vamos falar de uma cultura feminina, por oposição a uma escrita feminina, revelar o que se passou no século XX em Portugal, falar de escritoras, do meio onde elas tiveram de se afirmar, pensar em conjunto que fenómeno de apagamento foi este. E, acima de tudo, vamos devolver à literatura alguns destes livros e destas autoras.

AUTORAS
Maria Judite de Carvalho, Maria Ondina Braga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Celeste Andrade, Maria Archer, Isabel Meyrelles, Graça Pina de Morais, Isabel da Nóbrega, Irene Lisboa, 
Maria Cecília Correia, Maria Eulália de Macedo, entre muitas outras.

ROSA AZEVEDO
É formada em Literatura Portuguesa e Francesa com curso minor em Literaturas do Mundo e tem mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e da edição independente. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte e do grupo teatral A Mancha. É assistente de produção do Muito Cá de Casa da Casa da Cultura de Setúbal, para as questões da literatura, onde é também moderadora. É programadora cultural e editora na Livraria Snob. Mantém o blog estórias com livros.







sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Maria Lamas e o papel activista da mulher na sociedade portuguesa do séc. XX


O séc XXI ainda nos pede para falarmos da condição da mulher nas artes. Ainda que seja possível verificar muitos avanços, há algumas áreas onde a dificuldade persiste. O facto de estarmos numa época de avanços culturais e sociológicos no que respeita as categorias de género, apenas dificulta o diagnóstico, muitas vezes é dentro de quatro paredes e na intimidade que as dificuldades se criam. Apesar disso, um olhar mais atento consegue descobrir alguns indicativos com facilidade. Por exemplo, nas áreas artísticas, na esmagadora maioria das vezes, as mulheres não têm trabalhos tradicionais, com horários e facilidades na gestão da doença ou dos cuidados familiares, e é inegável que são essas as funções ainda destinadas à mulher – seja por contexto e pressão social, seja por, e cada vez com mais força, uma dificuldade relacionada com a interpretação de géneros em que qualquer um deles, homens ou mulheres, não se consegue, naturalmente, desprender do papel que lhe foi atribuído ao longo de séculos. 
Assim é importante olharmos para a evolução do papel da mulher nas artes, nomeadamente na literatura, ao longo do século XX para melhor percebermos o sítio onde estamos. A literatura portuguesa escrita por mulheres, no séc. XX, passou por muitas mudanças e alterações, as mesmas que a própria história das mulheres em Portugal, inegavelmente ligada à história do feminismo em Portugal. O movimento feminista português foi sempre um movimento moderado, nunca declaradamente subversivo nem violento, mais atento à satisfação das suas reivindicações pela força da persuasão, do direito e da educação do que pela força da violência e das manifestações. Houve muitas e diferentes reivindicações mas a grande luta feminista do início do séc XX era uma luta sobretudo pela liberdade de escolha da mulher. Eliana Guimarães, no II Congresso Feminista Português (1928), afirma: “O que queremos nós para as mulheres? Muito simplesmente isto: o pleno desenvolvimento da sua personalidade. Que, criança, ela seja instruída para que, adulta, ela possa exercer a sua actividade de harmonia com as suas aptidões sem que o ensino lhe seja negado ou o seu campo de acção cerceado apenas porque é mulher. E queremos também que o seu esforço seja reconhecido e recompensado como merece.”
A forma como o séc XX vê e condiciona a mulher vem de muito para trás. Segundo a cultura ocidental a mulher identifica-se com o lado biólogico do ser humano, enquanto o homem surge como um animal cultural. Esta ideia foi bem ilustrada por Baudelaire que afirmava que la femme est naturelle, c’est à dire abominable. A imagem da mulher esteve desde sempre ligada à ideia de introspecção, emoção descontrolada, irracionalidade e desordem por oposição ao racional, génio criador, inteligência, atributos ligados à ideia de masculinidade. A juntar a esta ideia o séc. XIX trouxe à mulher as suas tarefas de esposa e mãe, em exclusividade, mesmo nas classes mais baixas que tinham de juntar essas funções ao trabalho que não podiam dispensar. 
Quando falamos de mulheres escritoras do séc. XX temos ainda de ter presente que durante todo o século as mulheres eram muito pouco instruídas, eram poucas as que sabiam sequer ler e escrever. Assim, temos de ter presente que estamos a falar de um grupo restrito e pequeno, de uma classe instruída, muitas vezes mulheres que por via do casamento ou familiar já viviam num meio literário, com hábitos culturais ligados à escrita e à leitura. Cedo muitas dessas mulheres perceberam a importância de ter uma voz activa, perceberam qual o papel da literatura, bem como a responsabilidade que acarretava o facto de a publicação dos seus textos ter uma necessária repercussão em todos os que as liam. Essas escritoras, que para publicar tinham não poucas vezes de ser inteligentes e publicar livros que aparentemente não questionavam a ordem vigente, tornaram-se exímias a questionar essa mesma ordem entre linhas, passando muitas vezes mensagens subliminares e, outras vezes, através de uma descrição realista do que era o papel da mulher e a sua incapacidade em, dado o contexto, conseguirem usar da sua livre escolha, sendo autónomas. Através da escrita elas incentivavam as leitoras a procurarem essa autonomia, empoderando-se e confiando nas suas capacidades enquanto figura responsável pelos seus actos. Na verdade a função daquelas mulheres quando escreviam era cumprir um papel que a cultura muito mais tarde vai assumir de forma mais aberta, nomeadamente durante o neo-realismo dos anos 40 ou 50, ou, de forma mais alargada, em grande parte da literatura do pós II Guerra Mundial – um papel de denúncia e aberta comunicação com o leitor, assumindo a responsabilidade que essa comunicação acarreta.
Era importante então criar estratégias para chegar ao maior número de mulheres, e não apenas através da literatura. E efectivamente não foi só com a literatura que este propósito se cumpriu. Exemplo disso foi a escritora Maria Lamas (1893 – 1983). Maria Lamas foi uma activista feminista, pelos direitos das mulheres, nomeadamente pela sua autonomia face a qualquer tipo de domínio externo – seja de sustento, familiar ou cultural. Maria Lamas foi jornalista da revista Modas e Bordados do Jornal O Século de 1928 a 1947, sendo sua directora a partir de 1930. A sua acção concentrava-se numa rúbrica chamada O Correio de Joaninha, uma espécie de consultório sentimental, absolutamente anónimo, onde as mulheres colocavam todo o género de perguntas. Era sempre Maria Lamas quem respondia, com o pseudónimo de Tia Filomena. Era aqui que Maria Lamas chegava com mais facilidade às mulheres disfarçando os seus conselhos de conselhos vagos e generalistas que iam dos bordados à vida íntima. Foi naquele ambiente aparentemente inócuo e feminino que durante quase 20 anos Maria Lamas influenciou centenas de mulheres a tornarem-se mais livres, autónomas, responsáveis pelo seu caminho. A revista teve um sucesso estrondoso, autonomizou-se do jornal, inspirou um programa de rádio e, inclusivé, deu origem em 1946 ao  Movimento de Acção Juvenil Joaninha. No ano seguinte Maria Lamas resolve organizar na Sociedade Nacional de Belas-Artes em Lisboa uma exposição intitulada Livros de Escritoras de Todo o Mundo, o que ditou o fim da sua colaboração com a revista, ordenado pelo Estado, dando-se início a uma perseguição política de que Maria Lamas escapara, de forma surpeendente, durante duas décadas à frente da revista. 
O trabalho do activismo feminista na cultura está ainda a meio do caminho, ainda que agora a censura esteja sobretudo ao nível privado, o que torna muito mais difícil perceber qual o caminho a tomar. Para isso são certamente importantes as mesmas mulheres que assumem a defesa da autonomia e igualdade de oportunidades para todos os géneros, tanto num nível público como privado, numa descoberta do que ainda falta fazer nos mais diversos níveis da acção da mulher e da sua vida enquadrada social e culturalmente. Porque a história não se repete porque não é igual, mas é possível assistirmos a retrocessos civilizacionais se não soubermos estar atentos e percebermos que por mais que possa a muitos parecer desarticulado e descontextualizado o feminismo tem ainda muito caminho para fazer. 



Rosa Azevedo
Artigo publicado na revista Venduta 13, em Dezembro de 2019







terça-feira, 16 de julho de 2019


Hoje é um dia muito especial para nós, cá está o livro em que andamos a trabalhar há tanto tempo. Foi o primeiro livro que a Snob e o Duarte (essas duas bonitas entidades inseparáveis) quiseram publicar, e por isso não temos palavras para esta alegria de editores! Tenho a certeza que vão gostar por isso lancem-se na pré-venda e ajudem-nos a editar este livro.
Um obrigada aos compinchas snobes Pedro Simões e Sara I. Veiga por terem embarcado nesta maluqueira de história!
Em Açúcar de Melancia
de Richard Brautigan
Ilustrações de Pedro Simões
Tradução de Sara Veiga
O livro está em pré-venda até dia 28 de Julho. O nome de todos os que o comprarem antecipadamente figurará na última página do livro. São nossos e vossos. O livro estará disponível no fim de Agosto!
O livro está em pré-venda pelo valor de 12€ (30% de desconto) e oferta de colecção de postais com as ilustrações de Pedro Simões e portes de envio incluídos para Portugal Continental. Mas também enviamos para qualquer parte do mundo. Para isso deverão transferir o valor de 12€ para o IBAN: PT50 0035 0995 00674695530 36 (José Duarte da Silva Pereira), enviando comprovativo e nome para figurar nos agradecimentos para os livreiros por mensagem facebook ou para editorasnob@gmail.com. Podem também manifestar a vossa vontade na caixa de comentários.
Podem também pagar através de MBWay com o número 968 752 147.
Richard Brautigan (30 de Janeiro de 1935 - 16 de Setembro de 1984) foi um romancista americano, poeta e contista. As suas obras são incomparáveis pelos mundos que inventa, as personagens satíricas, os universos nunca alcançados por outro escritor.
O livro que a Snob agora publica, Em Açúcar de Melancia, fala-nos de euMORTE e de um narrador que narra as suas experiências neste local utópico (será?), num mundo pós-apocalíptico, onde o sol tem uma cor diferente conforme os dias, onde tudo é feito de açúcar de melancia, onde a vida se vive em paz e tranquilidade, com referência às comunas experimentais dos anos 60, sempre contraposta com a violência latente de inBOIL. Brautigan parece aqui sugerir um outro sítio onde experienciar a vida, testando a imaginação e piscando o olho à geração da contra-cultura. É na negação do real que aqui se encontram alternativas, no convívio com personagens que não deixam de ser, no limite, profundamente reais.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rui Caeiro, pela mão de João Oliveira Duarte





(carregar na imagem para aumentar)


O nosso Rui Caeiro, na Colóquio Letras 201, por João Oliveira Duarte. Livro à venda em livrariasnob@gmail.com ou www.livrariasnob.com

terça-feira, 2 de abril de 2019

Curso MULHERES RARAS



CURSO MULHERES RARAS
Cultura Feminina e escritoras portuguesas no séc XX
com Rosa Azevedo

4 e 11 de Maio (sábados)
15h–18h30
50€

Mínimo: 8 alunos
Inscrições: rosa.b.azev@gmail.com

Nas publicações de referência da História da Literatura Portuguesa do séc. XX escasseiam mulheres. Por um lado podemos afirmar sem estar longe da verdade que as mulheres escreviam menos que os homens. Mas porquê? E será que se justifica que os nomes de mulheres ao longo da primeira metade do século se contem pelos dedos de uma mão? Neste curso vamos falar de uma cultura feminina, por oposição a uma escrita feminina, revelar o que se passou no século XX em Portugal, falar de escritoras, do meio onde elas tiveram de se afirmar, pensar em conjunto que fenómeno de apagamento foi este. E, acima de tudo, vamos devolver à literatura alguns destes livros e destas autoras.

AUTORAS

Maria Judite de Carvalho, Maria Ondina Braga, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Celeste Andrade, Maria da Graça Azambuja, Maria Archer, Isabel Meyrelles, Graça Pina de Morais, Isabel da Nóbrega, Irene Lisboa, entre muitas outras.

ROSA AZEVEDO

É formada em Literatura Portuguesa e Francesa com curso minor em Literaturas do Mundo e tem mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e da edição independente. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte e do grupo teatral A Mancha. É produtora do Reverso – encontro de autores, artistas e editores independentes e do Muito Cá de Casa da Casa da Cultura de Setúbal, para as questões da literatura, onde é também moderadora. É livreira e programadora cultural da Livraria Snob. Mantém o blog estórias com livros.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

PRÉ-VENDA / INÚTIL, colecção de poesia da Snob




Apresentamos agora a nossa nova colecção de poesia, colecção INÚTIL, com o lançamento de dois livros de dois autores fundamentais do séc XX. O Maiakowski traz consigo a voz e participação do tradutor Adolfo Luxúria Canibal, e o Rilke chegou-nos pela mão do querido amigo Rui Caeiro, que infelizmente não viu esta nova edição, mas que carinhosamente saudou a sua chegada. Traduziu este livro com a amiga de longa data, Ana Diogo, é uma tradução a quatro mãos. Um livro traz-nos o grito, o outro o silêncio.

Os livros estão em pré-venda até dia 28 de Fevereiro. O nome de todos os que o(s) comprarem antecipadamente figurará na última página do(s) livro(s). São nossos e vossos. Os livros estão em pré-venda pelo valor de 15€ os dois (Maiakowski 8€ / Rilke 7€ se quiserem apenas um deles)*, com portes de envio incluídos para Portugal Continental. Mas também enviamos para qualquer parte do mundo. Para isso deverão transferir o valor pretendido para o IBAN: PT50 0035 0995 00674695530 36 (José Duarte da Silva Pereira), enviando comprovativo e nome e título do livro pretendido - para figurar nos agradecimentos - para os livreiros por aqui ou para editorasnob@gmail.com. Podem também manifestar a vossa vontade na caixa de comentários.

Podem levantar os vossos livros a partir de 15 de Março nos vários lançamentos ou nas nossas livrarias (Livraria da Cossoul ou Almanaque 23).

Obrigado por serem leitores tão snobes como nós.



Mais sobre nós no nosso site: http://www.livrariasnob.pt/

* Preço de venda ao público após pré-venda: 22€ os dois (Maiakowski 12€ / Rilke 10€)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Córtazar e o erotismo

Hoje é o dia de se falar de Cortázar, desaparecido para ser eternamente cronópio há 35 anos.

Toco a tua boca.
Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.
Olhas-me, de perto me olhas, cada vez mais de perto, e então brincamos aos ciclopes, olhando-nos cada vez mais de perto. Os olhos agigantam-se, aproximam-se entre si, sobrepõem-se, e os ciclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam sem vontade, mordendo-se com os lábios, quase não apoiando a língua nos dentes, brincando nos seus espaços onde um ar pesado vai e vem com um perfume velho e um silêncio. Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água.



O Jogo do Mundo (Rayuela), de Julio Cortázar, tradução de Alberto Simões, Cavalo de Ferro, 2008

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Charlotte Delbo e o Terror

Costumo dizer que dos livros espero a verdade do que lá estiver dito, seja o que for. Os textos fragmentários, descontextualizados do sítio onde estamos a lê-los, pertencem de uma forma mais intuitiva a esse espaço, uma vez que a linearidade não nos pertence em nenhum domínio.

Falo de verdade como quem diz que do ponto de vista do livro o universo criado é um universo que deve ser apreendido como real, não do ponto de vista conceptual e em linha com a nossa realidade mas do ponto de vista interior do próprio livro. Daí que a literatura não deva funcionar de uma forma meramente referencial correndo o risco de nos tornarmos responsáveis pela diluição do livro em nós antes de termos tempo de perceber que história ele nos conta.

Charlotte Delbo foi uma activista da Resistência Francesa. Delbo juntou-se à Resistência mais do que por missão, por empatia com o sofrimento do outro e incapacidade em não agir perante as atrocidades a que França assistia no início dos anos 40 do século passado. Em 1942 foi presa juntamente com o seu marido, George Dudach, assassinado na prisão uns meses depois. Em Janeiro de 1943 Delbo e 229 outras mulheres francesas, presas por actividades ligadas à Resistência, foram levadas para Auschwitz, um campo que raramente recebia não-judeus. Delbo sobreviveu ao campo porque, devido à educação que recebera juntamente com algumas das outras prisioneiras comunistas, foi destacada para algumas funções no campo que apenas algumas pessoas conseguiam executar. Mas muitas outras não tiveram essa sorte e grande parte da obra de Delbo até ao fim da vida passou por perpetuar a sua memória e as suas ideias.

No fim da Guerra e com a sua libertação escreveu a obra Auschwitz e Depois, que inclui três livros, agora publicada na nova editora de João Brito, BCF. Esperou até 1965 para a publicar em França, para perceber como agia o tempo sobre aquelas memórias.

Já muito vimos e ouvimos sobre Auschwitz. O excesso imagético arrisca a nossa indiferença perante o terror. Aliás, muitas vezes damos por nós a perceber fragmentariamente o que se passou e a ter dificuldade em ver o todo. Aqui neste livro Delbo descreve Auschwitz de uma forma que mistura a profunda empatia que ela sente ao ver o sofrimento do outro, amor mesmo, e uma dureza de estilo e de tom que denotam, talvez, algum medo de ver a história e os acontecimentos a que assistiu subvalorizados. Aqui Delbo não mostra ter qualquer cuidado com o leitor. Como se tivesse dedicado todo o cuidado aos seus companheiros de campo. É que nós não precisamos desse cuidado. Porque quando se demonstra este terror tudo o que havia para cuidar ficou para trás.

Ainda não terminei o livro, falo da visão de quem ainda está a ler. Porque para ler a Delbo precisamos de ir tendo a estrutura necessária para a deixar falar. Para não sentirmos no espaço de leitor que aquilo nos é insuportável. É uma leitura lenta, com múltiplas variações (neste livro não há só três livros, há muitos livros dentro de cada um), onde nunca deixamos de investir enquanto leitores. É-nos absolutamente vedada a passividade.

Se vamos falar de verdade a Delbo usou a verdade de milhares de pessoas com quem se cruzou em Auschwitz. E dentro daquilo que Delbo acreditou que seria a sua missão não usou a verdade parcialmente. Por isso saibam que quando pegarem neste livro nunca mais nada será igual na vossa visão do terror. Mas que estarão, de facto, sem medos, diante da mais verdadeira visão do terror.



sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Curso de Literatura Portuguesa séc. XX e XXI

cartaz de Menina Limão

Este curso organiza-se em quatro módulos independentes:

17 NOV
Movimentos finesseculares e início do séc XX

24 NOV
Surrealismo 

1 DEZ
Anos 50 a 70 

8 DEZ
Literatura Contemporânea 

Sábados
11h-17h
oferta de almoço (vegetariano)
Os módulos podem ser seleccionados sem sequência obrigatória, podem fazer os módulos que quiserem. 

1 módulo: 60€
2 módulos: 100€
3 módulos: 130€
4 módulos: 150€

Sócios da Cossoul têm 10% de desconto*.
Inscrições e informações rosa.b.azev@gmail.com (Rosa Azevedo)

*Ser sócio da Cossoul custa 18€ por ano + 2€ de inscrição no primeiro ano


Movimentos finesseculares e início do séc XX

O curso vai debruçar-se sobre a literatura portuguesa do início do séc. XX, de um ponto de vista generalista num caminho pela eclética e contrastante história da nossa literatura, sempre com o foco no leitor e na importância que a estreita relação do autor com o seu leitor teve no desenrolar dessa mesma história. Neste primeiro módulo vamos um pouco para trás pois a história de cada século começa uns anos anos e o séc XX começou a desenhar-se a partir de 1870. Vamos falar de Realismo, Naturalismo, Simbolismo, revoluções culturais do início do século, abertura para o Modernismo, Presença e do Neo-realismo.

Surrealismo Português
 
«A actividade surrealista não é uma simples purga seguida de um dia de descanso a caldos de galinha, mas revolta permanente contra a estabilidade e cristalização das coisas.»
António Maria Lisboa


Vamos ter Cesariny, Pacheco, O'Neill, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e outros. Vamos ter surrealismos e dadaísmos e outros ismos. Vamos perceber onde começou e para onde foi aquele que Breton considerou o mais completo surrealismo mundial. 

Anos 50 a 70 

A partir de 1950 a história da literatura Portuguesa começa a ramificar-se por caminhos ecléticos e diferenciados. A escolha neste módulo recai na literatura que rasgou as convenções e anunciou as imensas possibilidades da literatura a partir desta época. Vamos falar da Poesia experimental, da escrita fragmentária, da literatura proibida e do nascimento do romance. Falaremos de Vergílio Ferreira, Maria Velho da Costa, Nuno Bragança, Maria Gabriela Llansol, os poetas do Cartuxo, entre muitos outros. Falaremos também de muitas mulheres que não vingaram nos livros de História da Literatura Portuguesa pelas mais diversas razões: Maria Judite de Carvalho, Graça Pina de Morais, Celeste Andrade, entre muitas outras.
 
Literatura Contemporânea 

Falar sobre literatura contemporânea é apenas uma forma de partilhar leituras. Não há forma de nos apoiarmos nos anos que passam sobre esta escrita, não há cânones, história, preconceitos. Não há filtros. Estamos sempre perante uma visão de uma literatura que muito longe de estar terminada está não só em crescimento como em profunda transformação. 
É um imenso privilégio sabermos acompanhar a literatura no momento em que ela acontece. Com tudo o que isso implica, a responsabilidade de estarmos a viver a história da literatura juntamente com a possibilidade de nos obrigarmos a mudar de rumo enquanto leitores ou apenas de nos deixarmos surpreender. 
Este módulo pretende abrir o leque de possibilidades de leituras, reflectindo sobre o que é escrever hoje numa sociedade mais imediata, mais informada, numa época em que publicar é mais fácil, em que a escrita se democratizou, obrigando-nos a ser mais criteriosos e exigentes. Vamos falar dos autores que estão no circuito comercial, dos que sofrem por ele, dos que lhe são parasitas e dos que apenas lhe são indiferentes. Vamos também falar de livros, editores, movimentos, ideias e vamos ler, pensar, discutir, num curso que é muito mais um sítio onde a partilha de leituras dita o caminho da conversa.

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