quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

eu bem queria ser camponesa mas ele é que tem a razão toda

"Deixavam-me vagabundear pela biblioteca e assaltava a sabedoria humana. Foi ela quem me fez. Nunca esgravatei a terra nem andei à caça de ninhos, não herborizei nem atirei pedras aos pássaros. Mas os livros foram os meus passarinhos e os meus ninhos, os meus animais domésticos, o meu estábulo e o meu campo."

J-P Sartre, As Palavras

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

os livros e as férias

sempre que viajo levo cinco tipos de livros (gostava que notassem que já falei de quase todos neste blog o que mostra que, além de os comprar, também os leio. Não é apenas um movimento compulsivo)

o que estou a ler


O que tenho na calha para ler (já a preparar o novo curso de literatura portuguesa...)


Um livro de poesia



Um livro para trabalhar (neste caso é a tentativa de trabalhar um bocadinho com a Joaninha, na montagem do nosso espetáculo)



Um livro que tenho sempre ao pé de mim à espera das férias para o ler. Normalmente não é ficção


E agora acrescento um. O livro que um amigo me entrega quase à porta do comboio, para eu me entreter a caminho da minha Serra. A ganhar pontos, claro, vai ser o primeiro que vou ler.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

amigo + livro


Não há nada que ele diga para eu ler que eu não leia. E este foi uma verdadeira surpresa, uma escrita "à séria" com o peso certo. Bom, bom!
De uma editora a decorar o nome: Ahab

Uma noite na livraria e...

Já se sabe como é e já antes aqui foi dito: o Natal espalha livros por aí. Aos montes. Ontem vi quatro preciosidades, daquelas maravilhosas. Comprei a primeira, deixo as outras para depois. Quase quase voltei a gostar do Natal.



A Servidão Humana, de Somerset Maugham. Tive de comprar. Esgotado há anos era um dos insondáveis mistérios da edição, como a Montanha Mágica. Mais uma vez a a Leya a deixar-me com o coração dividido. Desta vez é da Asa.




É o Possidónio Cachapa. Apesar de ter ficado um bocadinho zangada com ele no último que escreveu ainda o amo de coração. A descrição promete:

"Num mundo coberto de neve e gelo, uma mulher agarra-se à vida, enquanto o seu passado se materializa aos poucos. Noutro local, um rapaz que usa em permanência umas orelhas falsas de coelho procura consumar a sua paixão erótica por uma provocadora rapariga-manga. Por cima de ambos, a sombra daqueles que já foram homens e que percorrem a Terra em busca dos que vão morrer. O Mundo Branco do Rapaz-Coelho é um romance sobre um universo em autodestruição e os limites da condição humana."

Quanto a estes é a Cavalo de Ferro de volta, e tão bem tantas vezes, é só livros preciosos pelas mesas. O último Christensen e o Cortazar em grande, como sempre, mas desta vez talvez um bocadinho melhor ainda...


Encheram-me os olhos!

São eles:

O Modelo
de Lars Saabye Christensen
Cavalo de Ferro

O Mundo Branco do Rapaz-Coelho
de Possidónio Cachapa
Quetzal

A Servidão Humana
de Somerset Maugham
Asa

A Volta ao Dia em 80 Mundos
Júlio Cortazar
Cavalo de Ferro

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

De Profundis

Faltam aos planos das cidades
esfinges aladas
palmas fora de tempo, matagais
pequenos acrescentos a vermelho

Faltam atlas com algum detalhe
para as emissões nocturnas
nos agudos da nossa incerteza
falta uma beleza
a olhar por nós
indiscernível, entreaberta ainda

Talvez a nós próprios falte
essa grande medida
insondáveis cordas na travessia
uma juventude que o mundo possa documentar

os teus olhos são o que resta
dos livros sagrados
e da grande pintura perdida

José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Assírio e Alvim a marcar pontos no mundo da edição




Prova-o este livro delicioso.
"JTM: Mesmo sentindo que a construção que nós somos é provisória, mesmo sentindo-nos profundamente a caminho, inacabados e imperfeitos (uma consciência que a própria idade aprofunda), é verdade que sentimos uma urgência, podemos dizê-lo, quase adolescente. Urgência que é, no fundo, esse alvoroço."

JTM em entrevista a CVM na Ler. Como qualquer outra entrevista do CVM, a não perder.


Se deseja receber regularmente informações sobre edições, lançamentos e outras iniciativas da editora Assírio & Alvim envie um e-mail com o assunto «A&A» para luis.guerra@assirio.com.

Para mais informações sobre a Assírio e Alvim a visite o blogue em http://www.assirioealvim.blogspot.com/ e, se está em Lisboa, passe pelo novo espaço Assírio & Alvim na Baixa / Chiado, Rua do Carmo, nº 29 – Loja 12.

sábado, 5 de dezembro de 2009

os meus livros

Tenho com os livros uma relação obsessiva de amor. E eles não se queixam, é recíproco. Ando obsessivamente com livros dentro da mala que depois não leio, se leio não gosto, corro para apanhar o metro, para o Pingo Doce, para o trabalho, adormeço nos transportes, em casa tenho noites de amigos à espera. Não os leio, não tenho tempo para eles. Mas às vezes leio só uma página e treme-me a alma e o corpo. Estou com o João à janela, imito um polvo que lê, tiro um livro ao acaso (para o dito polvo) e ele mostra-me um poema de Manuel António Pina que ele (como outros, como ele diz) completou. Com o João lá em casa dá-me saudades de Boris Vian e vou à estante e encontro fora do sítio um livro de Sartre que não me lembrava de ter. E lembro-me do livro de Sartre que comprei na Trama e que ainda não li, vou buscá-lo, meto na mala. E ao pensar na Trama lembro-me do Clube do Livro, lembro-me que nunca acabei o Mesmo Mar, do Amos Oz, que como é prosa poética fica ao pé de mim para perto dos livros de poesia que dormem ao meu lado e me mostram um poema por dia, sempre antes de dormir. E vejo a Antologia de Poesia que o Tiago me deu, que está ao lado da Bíblia que leio às vezes, que me fez rir com a história de Abel e Caim, que me faz lembrar o a Leste do Paraíso, do Steinbeck, que parte dessa história, e que foi o livro que mais amei e penso no filme de Kazan.

Os livros são isto para mim, mesmo que não tenha tempo para os ler, já os li quase todos e fazem parte da minha memória, do meu dia, dos meus gestos quotidianos. Sou apaixonada por eles.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

doce na boca

há por aí uma editora que anda escondida pelos cantos, disfarçada de livro e de CD mas que na verdade está cheia de poesia e amor, coragem e ousadia, livros bons de ouvir e de tocar. só bons sentidos na BOCA

fica o convite

"Amanhã, sábado, 5 de Dezembro,a Boca apresenta-se no Brio, o supermercado biológico com milhares de produtos naturais a preços acessíveis e com aconselhamento especializado.
Aos produtos da horta juntam-se, por um dia, audiolivros fresquinhos e a preço de feira, para ouvir enquanto cozinha, no carro e no autocarro, à noite de olhos fechados ou a toda a hora.
Porque as palavras também alimentam.
Serão bem-vindos, entre as 10h e as 18h, na Rua Azedo Gneco, N. 30, ao Campo de Ourique."

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Myra mais uma vez...

... e sempre! Leiam!

Desta feita ganhou o prémio
Prémio de Ficção do PEN e o Máxima.

Yéé!

este mundo editorial que nos calhou na calha

É impossível separar o mundo editorial do mundo dos livros em si. Abri o Público hoje de manhã e irritei-me ainda pela fresca com a cara do Lobo Antunes na capa do Ípsilon. Porque lentamente estes escritores deixaram de ser escritoes para serem os "escritores-do-natal". Se calhar ainda estou de ressaca pelos anos passados a trabalhar na Fnac, mas agora que já lá não estou esta questão torna-se mais forte do que alguma vez foi. O Saramago já não é o Caim, é 16€ e a publicidade gratuita ao livro que abre o Telejornal - "cena dos maus costumes, etc". Mas vou ler, mesmo assim, o que é que hei-de fazer, ainda não me virtuei depois de anos de "desvirtuamento comercial" relativamente aos livros. Mas gosto deles,ainda.

Como diz o nosso manifesto dos mal-comportados (ainda por divulgar, levanto só a ponta do véu), "A poesia não se vende, saboreia-se". E eu tenho saudades desse sabor. Só por isso vou para casa carimbar os meus livros e transportá-los para a casa nova.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mais um romance e um mistério

Gostei do outro, vamos lá ver este. Arrisco a que vale a pena. É ir visitando e lendo, já vai sendo tempo de começarmos a ler "outras coisas".


Fernando Cabral Martins

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Há prémios de se lhe tirar o chapéu


Como amiga e mentora dos mal comportados tenho o meu coração dividido. Não gosto de prémios e definitivamente não gosto da Leya. Mas desta vez o prémio Leya foi para o escritor João Paulo Borges Coelho, que além de ser um escritor de se lhe tirar o chapéu, é um escritor que tem tido alguma dificuldade em ser descoberto e lido por estas bandas. Claro que os mal comportados, neste caso e por causa disso, olharão para ele com bons olhos. É o preconceito. E viva o João Paulo que, com preconceito ou não, vai chegar às almas e olhos desta malta e às montras das nossas livrarias.


sábado, 19 de setembro de 2009

Há livros que fazem comichão

E o A Sombra do Vento é um deles. Não é mau mas também não é bom, não é chato de ler mas não apaixona, não é carne nem peixe, não é boooom nem piroooooso. Eu não li, é puro preconceito. E boatos.

Trama a livraria tramada

é oficial, não dá para entrar naquela livraria sem uma preciosidade. Ou duas neste caso. É que ali chovem preciosidades.


Um é este:



A biografia de Sartre, por ele mesmo.
O outro é uma maravilhosa edição dos contos do Steinbeck, pela Atlântida, de 1958. Eu não sabia da existência deste livro o que inicialmente me irritou um pouco e me encantou de seguida. Viva a Trama. Vou ler, já!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Nova Cooperativa de Tradutores

Eu e outro amigo tradutor estamos a criar uma cooperativa de tradução. Pretendemos criar uma estrutura que seja séria e com qualidade de forma a não se afundar nos milhares de CV's que hoje em dia as editoras e as empresas recebem.
Já temos tradutor de Inglês e Francês (as línguas normalmente mais fáceis de encontrar tradutores) e agora precisamos de tradutores de outras línguas. Por isso, se estiverem interessados ou se conhecerem alguém que esteja, entrem em contacto connosco. Por enquanto pode ser para o rosa.b.azev@gmail.com , a seu tempo teremos e-mail próprio, site, etc. E já agora aceitam-se sugestões de nomes! Ainda não conseguimos escolher.
Se estiverem interessados enviem-nos o vosso CV.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009


"Lê". Foi o que me disseram e eu li. E já nem me lembrava que fosse possível ler um livro assim.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A Phala está de regresso

Para quem a Phala acompanha intrinsecamente a Assírio e Alvim, ela voltou e esta é a nova casa dela!

uma notícia feliz! que este mundo do livro está a precisar de uns abanões!
"A voz pública tem a teimosia como um defeito; crismada perseverança torna-se uma virtude.
Por teimosia (ou perseverança) A Phala regressa.
Concebida em 1986 por Manuel Hermínio Monteiro, prosseguiu, nesse formato inicial, até 2003. De periodicidade irregularmente trimestal foi assegurando o interesse dos leitores. Instrumento, sem dúvida, da construção da editora que a Assírio & Alvim era e da sua evolução, foi bastante mais que isso. Procurou (e é grato pensar que conseguiu) ser observador atento e agente de divulgação do que a cultura portuguesa ia produzindo – em particular da poesia escrita em português ou em português vertida. A que na altura era escrita e publicada e aquela que tinha de ser recuperada e promovida.
A certa altura, este projecto, na forma que adquiriu, pareceu esgotar-se. À procura de um modelo mais ambicioso, menos rotineiro, A Phala sofreu uma transformação, na forma e no conteúdo. O primeiro número foi publicado, com o privilégio de, até agora, se ter revelado único.
Mudam-se os tempos… (que não as vontades) e teimosamente A Phala regressa, adaptada às novas formas de comunicação. Os objectivos são os mesmos. Deseja-se que a qualidade seja a mesma e mereça, de novo, a atenção de antigos leitores e a nova atenção de outros."

José Alberto Oliveira

terça-feira, 9 de junho de 2009

Teatro

Numa tentativa quase suicida de trazer qualidade ao supermercado livreiro onde um dia tive a sorte de trabalhar decidi fazer uma mega campanha de teatro, em Setembro, a ser preparada para já. Livros que nunca cá chegaram, grandes mestres, livros sobre Commedia del'Arte ou Teatro do Absurdo, esses monumentos teatrais de que tão pouco falamos. E depois recuperar as grades peças que em Portugal não se encontram, Jon Fosse, Bernard Marie-Koltés, Martin Crimp... E claro sem esquecer o teatro de marionetas, também tão mal explorado cá. Enviem-me sugestões, de importação ou nacional, para eu preencher a minha lista maravilha! Que se espalhe o teatro por aí!

Chico Buarque tem novo livro



Eu amo o Chico e talvez a imparcialidade seja difícil (está a ser muito comum este problema neste blog). Mas amanhã sai o novo livro dele Leite Derramado.
O último livro dele , Budapeste, foi um arrepio na alma, daqueles que se saboreiam e que surpreendem sempre. Porque ele cantava e bem. E de repente escrevia e bem. Apesar de ser outro Chico. Os outros livros dele já eram uma janela, Budapeste foi um terraço sobre o rio. Amanhã estarei no 1º lugar da fila para ver se este livro é ou não a casa com vista para o mar com que andei a sonhar estes últimos milénios.


Descobri isto

http://www.triplov.com/

e gostei

quinta-feira, 21 de maio de 2009

os Mal Comportados

Ainda não percebi muito bem quem acredita nos mal-comportados. Pedem-se demasiadas explicações. A única explicação possível é que precisamos de uma ruptura. Não vamos, nem temos essa pretensão, retirar o lugar a ninguém. Vamos criar novos lugares. É esse o segredo, encontrar espaços de vácuo, textos reais ainda não lidos. Por enquanto relembramos os antigos, Cesariny, Sylvia Plath, Guy Debord, Vaneigem, Tristan Tzara. E vamos preparando o caminho e aquecendo os espíritos. Antes ser abalado um minuto por um poema do que viver sempre nos carris da literatura.
Não é que não tenha tempo para os ler. É que estão em todo o lado!

segunda-feira, 18 de maio de 2009


Associação Cultural Respigarte e Associação InterCultura Cidade apresentam

CURSO DE LITERATURAS EUROPEIAS
Rosa Azevedo & João Santos




























Uma viagem sem rumo pelos escritores europeus do séc. XX

9 a 30 Junho 2009
3as feiras
19h – 20h


(Sócios 12€ - Não Sócios 17€*)
Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, nº 73 A


Para inscrições e outras informações:
www.respigarte.blogspot.com
respigarte@gmail.com
936584536

*Ser sócio da Respigarte custa 5€ por ano. Inscrição pode ser feita no acto de pagamento do curso.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Clarice Lispector

Pediram-me que desse mais uma oportunidade a Lispector com este livro. E estou sem palavras, é difícil falar de Lispector. Foi como se ela falasse comigo, me contasse uma história que podia ser a minha. Não consigo falar deste livro de outra forma, Lori podia ser eu e é só assim que consigo vê-la, sem distanciamento. É como uma bandeira de esperança e beleza. Cada palavra é uma flor. E uma certa dor, também. Leiam e sintam-na, não tentem entendê-la. Lispector, mais do que ler, saboreia-se.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Paul Celan

Paul Celan é um poeta romeno de língua alemã que nos chega pela tradução de João Barrento. De alemão não percebo nada mas confiando na tradução sinto-me arrebatada de cada vez que o leio. É monumental, daquela poesia que nos revolve as entranhas só de desfilar em frente aos nossos olhos. A ler, sempre, muitas e muitas vezes.

Elogio da Distância

Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui, coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula o baraço.

Paul Celan, in Sete Rosas Mais Tarde
Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mulheres Escritoras (parte V)




ROSA MONTERO








Há muito preconceito à volta de Rosa Montero, apesar de não perceber muito bem porquê. Talvez o facto de escrever em castelhano e a nossa "opinião pública" (???) não gosta muito de mulheres que escrevem em castelhano. Não gosta muito de mulheres que escrevem (ponto). (E quanto a isso não argumentem com esta livreira que atende em média 1786 pessoas por dia mais colegas que, conta a lenda, percebem e gostam muito de livros).


Rosa Montero é uma escritora de excelência. Sabe não só contar uma história como deve ser mas também constrói personagens que são uma e todas as personagens. Sem doçura nem meias palavras as personagens de Rosa Montero são aquilo de mais duro, real e por vezes perverso que todos nós temos. Assim não será de estranhar que as biografias que Rosa escreveu sejam absolutamente imperdíveis, pois contam a história que todos mais ou menos acabamos por conhecer mas que nos surpreendem por contar sempre "aquele" lado da história mais grotesco e inesperado.



Pasiones conta histórias de amor e Historias de Mujeres conta histórias de mulheres, como o nome indica.
No entanto aquele que é mesmo uma obra prima é Historia del Rey Transparente. Em plena época medieval uma rapariga decide partir à procura do namorado que desapareceu numa invasão à aldeia. Para isso tem de se vestir de homem, largar tudo e partir numa viagem iniciática em busca da sua independência e do seu lugar de mulher num mundo misógino. O namorado fica pelo caminho e a viagem dela acaba por ser uma viagem não planeada guiada pelo acaso que a liga às figuras mais estranhas e improváveis num hino à amizade e ao amor real, onde não há princesas nem finais felizes. Onde há outra coisa. Avalon, que só Rosa Montero consegue descrever e, atrevo-me mesmo a dizer, descobrir.

domingo, 26 de abril de 2009

Porque lemos?

Depois de tantas reflexões à volta dos livros e da leitura fiquei com a pergunta às voltas na cabeça: afinal porque é que lemos?
E hoje apetece-me responder sem filosofias, talvez porque já seja tarde e estou demasiadamente cansada, ou porque faz muita falta voltarmos a tratar os livros por tu.
Eu leio porque gosto dos livros. Porque de manhã vou no combóio e estou a caminho de um dia comprido de trabalho e quero viajar um bocadinho antes de lá chegar. Leio porque gosto de histórias, de conhecer pessoas com quem nunca me vou cruzar e sítios a que nunca hei-de ir porque estão na cabeça dos autores e não nos mapas. Leio porque estou e férias e fico mesmo feliz por ter tempo para ler. Leio porque acredito que a escrita é a forma mais pura de falar. De mandar mensagens ao mundo ou só a uma pessoa. Leio porque os livros pelos quais somos loucamente apaixonados são o assunto mais encantador que se pode ter numa conversa de café. Leio porque sou dotada de uma curiosidade doentia (só com os livros). Leio porque muitas vezes fui salva por um livro, quando o real diário se tornava insustentável. Leio também porque os livros são objectos bonitos. E há uns que são mesmo bonitos. E além disso são objectos que podem andar sempre connosco e o conforto é também termos connosco todo o dia o que de nosso é mais bonito. Nunca me vou fartar de ler nem de livros. O facto de trabalhar com livros não me saturou, conseguiu apenas que eles se tornassem a minha casa.
Vou viver com eles e para eles o resto da minha vida.

Um livro precioso

Pedro Páramo

Juan Rulfo (México)





La gente se muere dondequiera. Los problemas humanos son iguales en todas partes. No son temas nuevos el amor, la muerte, la injusticia, el sufrimiento, que están sugeridos en Pedro Páramo. Me han dicho que es "una novela de amor a los desamparados". Yo no sé. Yo narro la búsqueda de un padre, como una esperanza. Como quien busca su infancia y trata de recuperar sus mejores días, y en esa búsqueda no encuentra sino decepción y desengaño. Y al final se derrumba su esperanza "como un montón de piedras".
Juan Rulfo

Eu vou!

Festival Indie Lisboa 2009
30 Abril
19h
Cinema São Jorge
Sala 1

Bartolomeu Cid dos Santos - Por terras devastadas
Jorge Silva Melo

Documentário, Portugal

Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008), gravador, pintor, é um dos grandes artistas do século XX. O seu é o mundo crepuscular do fim do Império, ele que criou as primeiras metáforas contra o Colonialismo Português. E que, com renovada vitalidade, se insurgiu contra a Nova Ordem Mundial. Sabendo, com Eliot, que "tempo passado e tempo futuro estão ambos presentes no tempo presente". Um retrato cúmplice do artista assinado por Jorge Silva Melo.



Manuel Hermínio Monteiro
André Godinho

Documentário, Portugal

O Hermínio gostava de partilhar os seus segredos. Trás os Montes era um segredo, como a noite de Lisboa. A comida era um segredo, como o vinho e os charutos. Os amigos eram um segredo, como os poetas, que também eram os amigos. E os livros eram o maior segredo. Desvendou-os todos na Assírio & Alvim.

Está quase!

A Feira do Livro de Lisboa está quase aí, apesar de quase ninguém saber que, este ano, a Feira não vai ser mesmo na entrada do Verão. De 30 de Abril a 17 de Maio, no sítio do costume!
O horário mudou, as bancas também. Para saber mais - aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cidades Invisíveis


Que livro não vive sem outro livro? Existe o livro?

“- Falta uma de que nunca falas.
Marco Polo baixou a cabeça.
- Veneza – disse o Kan.
Marco sorriu. – E de qual julgavas que eu te falava?
O imperador nem pestanejou. – Mas nunca te ouvi dizer o seu nome.
E Polo: - Sempre que descrevo uma cidade digo qualquer coisa de Veneza.
- Quando te pergunto por outras cidades, quero ouvir-te falar delas. E de Veneza, quando te perguntar por Veneza.
- Para distinguir as qualidades das outras, tenho de partir de uma primeira cidade que está implícita. Para mim é Veneza.”

Italo Calvino
Cidades Invisíveis

Cidades Invisíveis

É claro que a leitura não surge por acaso. E, mesmo que surgisse, deixava de ser um acaso no momento em que existe. Porque a leitura liga sempre a outras leituras, já feitas e, arrisco mesmo a dizer, por fazer. Como uma teia, cada livro muda as leituras futuras e as passadas, e também a nossa leitura interior. Muda porque acrescenta alguma intenção ao Leitor. São cidades em teia, como uma das cidades de Calvino.
O acaso vem do momento em que escolhemos começar a ler um livro. Quando temos em casa aquela pilha de livros não lidos mais a nossa lista interna de livros por ler, surge um outro que, por qualquer razão, vai ser lido antes dos outros. E aí começa a viagem - fazer com que esse acaso acabe por encaixar dentro da nossa cidade. E, atenção, esse encaixe é inevitável. Não há leituras vazias. Há, sim, leituras que constroem partes diferentes das cidades.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Cidades Invisíveis

Faria sentido um mundo só de bons livros?

Um bom livro seria, no limite da sua definição, um livro que cumpre o objectivo que, para cada leitor, o livro tem de ter. Mas que objectivo é esse? Nestas cidades que construímos, será que precisamos sempre de equilíbrio? Ou por vezes precisamos de ruas apertadas e frias e prédios decadentes? Claro que podemos também pensar que essas mesmas ruas pode ser exactamente o que alguns leitores procuram enquanto outros preferem casas baixas e luminosas, pontes, estradas largas. Se procuramos livros e cidades diferentes será sempre difícil definir o que é um bom livro. A não ser que seja possível separar a noção de bom livro da noção do “nosso” bom livro. Uma opção certamente demasiado académica...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Finalmente!

TONI MORRISON EM PORTUGUÊS!

Esgotado há muitos anos em português, o regresso aguardado e desejado de Toni Morrison. Nasce em 1931 e ganha o Prémio Nobel em 1993. Escreve sobre o que é ser mulher nos Estados Unidos, sobre a beleza e a amizade. Dotada de uma sensibilidade incrível e uma escrita tão doce como pungente, traz-nos com a poesia da linguagem a crua realidade americana. A ler!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cidades Invisíveis

Quando lemos constroem-se cidades. Há prédios altos e casas pequenas. Bairros operários e ruas com uma árvore em cada jardim. Há ruas de lodo e mau cheiro. Há aquele recanto secreto que só nós conhecemos e que fazemos questão (por vergonha?) de não dizer a ninguém que existe. É a nossa cidade invisível. Construída de leituras, as primeiras, as que escolhemos, aquelas em que tropeçámos.
As leituras nunca são iguais, mas será que há leituras vazias? Leituras que não constroem nada. Leituras que não entram na nossa cidade. Quando faço mudanças há sempre um livro que encontro e que já não me lembrava nada de ter lido. Muitas vezes quando o folheio a cidade grita e eu lembro-me da rua que ele ajudou a construir. Ou então não. Será porque não construiu nada? Ou porque a cidade está esquecida?

"Mas foi inutilmente que parti em viagem para visitar a cidade: obrigada a permanecer imóvel e igual a si própria para melhor ser recordada, Zora estagnou, desfez-se e desapareceu. A Terra esqueceu-a"
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis

Cidades Invisíveis - Vamos falar de Livros?




"Depois de passar seis rios e três cadeias de montanhas surge Zora, cidade que quem viu uma vez nunca mais pode esquecer. O homem que sabe de cor como é Zora, nas noites em que não consegue dormir imagina que anda pelas ruas e recorda a ordem em que se sucedem o relógio de cobre, o toldo às riscas do barbeiro, o repuxo dos nove esguichos, a torre de vidro do astrónomo." Italo Calvino


22 de Abril


21h30




A propósito do dia do mundial do livro, a 23 de Abril, a Associação Cultural Respigarte e a Livraria Trama quiseram colocar algumas questões àqueles que parecem ter com os livros uma relação que vai muito além do consumo. O livro, produzido e reproduzido em massa, continua a ser objecto de culto. Numa época em que as montras das livrarias se renovam diariamente, ao ritmo incessante das publicações, porque razão se procuram tanto alguns títulos esgotados?Cada livro é um edifício, uma construção no leitor. A cada nova leitura vai-se formando um bairro, com largas avenidas, becos estreitos, pontes, jardins. Como se arquitecta esta cidade invisível? Qual o percurso do leitor, de que modo passa de uma construção para outra e, acima de tudo, como se relaciona a nossa cidade com a cidade do leitor ao nosso lado. Queremos saber qual o ponto de encontro, que caminhos se usaram para chegar a Roma. Todos são possíveis, como se sabe. Serão convidados escritores, músicos, tradutores, editores, encenadores e, acima de tudo, LEITORES.

Diana Mascarenhas vai desenhar ao vivo o mapa da nossa cidade, o roteiro das nossas leituras.


Moderação

Rosa Azevedo


Convidados

Jorge Silva Melo

Pedro Vieira

Francisca Cortesão - Minta

Abel Barros Baptista

Jorge Fallorca

Luís Filipe Cristóvão

José Mário Silva

(outros que tais, ainda por confirmar!)


Actualizações sobre as misteriosas linhas desta conversa:





curso de literaturas americanas


curso de literaturas americanas

rosa azevedo e joão santos


de 21 de Abril a 19 de Maio

3as feiras, das 19h às 20h


Literatura hispano-americana

Realismo Mágico

Juan Rulfo, Júlio Cortázar e Jorge Luís Borges

Literatura norte-americana

Poesia Prosa – Literatura Pós II Guerra Mundial

Sócios 15€ - Não Sócios 20€*

Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, nº 73 A

Para inscrições e outras informações



936584536


*Ser sócio da Respigarte custa 5€ por ano. A inscrição pode ser feita no acto de pagamento do curso.

domingo, 5 de abril de 2009

Novas datas do Clube do Livro

9 Maio - Mistério do Vális , Philip K Dick
20 Junho - Leste do Paraíso, Steinbeck
25 Julho - Lua e cinco tostões, S. Maugham
19 Setembro - Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón
31 Outubro - Mesmo Mar, Amos Oz


Apareçam no mais divertido dos Clubes do Livro, na Trama, como sempre. Basta que tenham lido e podem falar connosco e com a pessoa que escolheu o livro. O meu é, claro, o Steinbeck. Falarei mais dele nessa altura... Até lá!

Livros para encher a alma e os olhos











Livraria Trama

Há em Lisboa uma livraria à séria. Para além de livros tem paredes que nos fazem ter ainda mais vontade de os ler. Mas o que faz mesmo a livraria, o que a torna única nesta estranha cidade, são os que a fazem e que realmente gostam de livros. Porque a Catarina e o Ricardo gostam de livros. E neste meio frenético de amantes de livros poucos são os que realmente são apaixonados por eles.

Além de livros há espetáculos e bom café. A visitar e a voltar. Cinco estrelas.

Edição de Livros na Booktailors


Um livro sobre edição é raro. E este é dos bons.



Saber mais aqui.

Se os Poetas Fossem Menos Patetas - Boris Vian

Se os poetas fossem menos patetas
E se fossem menos preguiçosos
Faziam toda a gente feliz
Para poderem tratar em paz
Dos seus sofrimentos literários
Construíam casas amarelas
Com grandes jardins à frente
E árvores cheias de zaves
De mirliflautas e lizores
De melfiarufos e toutiverdes
De plumuchos e picapães
E pequenos corvos vermelhos
Que soubessem ler a sina
Havia grandes repuxos
Com luzes por dentro
Havia duzentos peixes
Desde o crusco ao ramussão
Da libela ao papamula
Da orfia ao rara curul
E da alvela ao canissão
Havia um ar novo
Perfumado do odor das folhas
Comia-se quando se quisesse
E trabalhava-se sem pressa
A construir escadarias
De formas antes nunca vistas
Com madeiras raiadas de lilás
Lisas como ela sob os dedos
Mas os poetas são uns patetas
Escrevem para começar
Em vez de se porem a trabalhar
E isso traz-lhes um remorso
Que conservam até à morte
Encantados de ter sofrido tanto
Dedicam-lhes grandes discursos
E são esquecidos num dia
Mas se trabalhassem mais
Só seriam esquecidos em dois

terça-feira, 24 de março de 2009

borisviana-se clandestinamente

É já na 6a, eu a Joana e Boris Vian, entre o dia do teatro e o da poesia
no Clandestino do Bairro Alto
Rua da Barroca
27 de Março
22h

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Surrealistas na Cordoaria Nacional


Inaugurou o mês passado na Cordoaria uma exposição dos surrealistas portugueses , uma exposição que merece um destaque no Estórias com Livros porque tem as obras dos nossos grandes escritores portugueses surrealistas, cuja pintura fica, normalmente, esquecida. É o caso de Mário-Henrique Leiria, Pedro Oom ou António Pedro.
Uma viagem fantástica pelo mundo surrealista, com quadros e esculturas que mostram bem as várias facetas deste movimento. Sempre defendi que o surrealismo, ainda que fascinante no seu fundo, era muito escolar, um movimento inventado antes de existir. Esta exposição mostra que o surrealismo escolar ficou pelos anos 50 mas que o surrealismo enquanto movimento artístico se estendeu até hoje. Podemos ver quadros de Cesariny de 1998 ou desenhos de Paula Rego e Ana Hatherly. A não perder, até porque esta será a última exposição da Cordoaria, que passará a ser o Museu dos Coches.








desenho de Mário-Henrique Leiria

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mulheres Escritoras (parte IV)



ROSA ALICE BRANCO


"Palmeiras inclinadas. Ao longe o casario. É na água que o vejo, que sinto a cidade acordar.
Mais uma mulher que olha o rio. Tenho as mãos desatadas, os pés a caminho. As margens alargam quando estou perto, mas do outro lado as mulheres não reflectem o rosto ou mesmo a sua ausência.
São matéria do verbo fazer e caminham junto ao chão, na curva da noite para o marido. Gastos os sonhos por usar. Descorado pano que ficou ao sol. Nelas a cidade não acorda, não regressam os barcos à tardinha.
Vêm pela beira dos caminhos, a tristeza amável, a raiva cega e às vezes um sorriso que sacode os ombros porque até a tristeza tem um custo, uma esperança na sola do sapato. Vejo-as todos os dias e é como se a vida me atasse os pés, me anelasse os dedos. Como eu, outras mulheres olhando o rio, desbordando o pano, descozendo a sopa. Ama-se o homem que vira a esquina connosco e sabe que não podemos fingir que a ferida está fechada. As casas acendem.
E na água que vejo a sua luz descendo o rio. As mulheres passam em silêncio para as casas, atravessam a pele — deixam um retrato puído nas entranhas. Olho o rio e não sei fingir que finjo tanto mar. "

Mulheres Escritoras (parte III)


ANA TERESA PEREIRA
Uma autora discreta, talvez a mais discreta das grandes escritoras portuguesas. Com um escrita que toca a literatura gótica mas que nunca se deixa denominar. As personagens transitam de livro para livro sendo que cada livro é uma parte de uma obra maior, inacabada. Um ambiente único e difícil de descrever. Só lendo, porque nada é sequer parecido com a escrita de Ana Teresa Pereira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mulheres Escritoras (parteII)


PATRÍCIA MELO


Escritora brasileira com grande divulgação no Brasil, P.M. traz-nos a realidade crua das favelas brasileiras. Num discurso alucinado e fervoroso, sentimo-nos entrar dentro da vida das personagens. A impossibilidade de os salvar é real e angustiante e é essa vida do livro, o sentir que estamos lá dentro, que transforma P.M. numa escritora verdadeiramente fascinante. Com ecos do filme Cidade de Deus (baseado na obra de Ruben Fonseca, que a escritora segue e admira) o Inferno é a sua grande obra.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Mulheres Escritoras (parte I)

A pedido de várias pessoas vou deixar aqui alguns exemplos de mulheres que escrevem... bem.


AMÉLIE NOTHOMB



Nasce a 16 de Agosto de 1967, no Japão. É uma escritora belga.


Uma escritora desconhecida em Portugal, mas que vale (muito) a pena ler em Francês. Sob uma máscara de quase normalidade A.N. perverte a natureza humana em histórias curtas que tocam o surrealismo. Num ambiente negro, as histórias de A.N. revelam-se surpreendentes e com um admirável sentido de humor.

Curso de Literatura Infanto-Juvenil

Associação Cultural Respigarte
Apresenta

CURSO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL
(textos e problemáticas)
com Rosa Azevedo


17, 24 e 31 de Março e 7 de Abril

3as feiras
19h – 20h
(Sócios 12€ - Não Sócios 17€*)


Centro InterculturaCidade
Rua dos Poiais de S. Bento, nº 73 A


Para inscrições e outras informações
http://www.respigarte.blogspot.com/
respigarte@gmail.com
936584536

*Ser sócio da Respigarte custa 5€ por ano. Inscrição pode ser feita no acto de pagamento do curso.

Lista de Livros do Clube do Livro da Respigarte

28 Fev – Castelo, Kafka
28 Mar – Levantado do Chão, Saramago
2 Maio – Leste do Paraíso, Steinbeck
30 Maio – Mistério do Vális , Philip K Dick
27 Jun – Lua e cinco tostões, S. Maugham
25 Jul – Mesmo Mar, Amos Oz
26 Set – Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón

Como sempre, na Trama

Nos últimos sábados de cada mês, às 18h!

Estivemos silenciosos

Mas o blog está de volta! Enviem sugestões de leitura, conselhos, dicas de feiras e livrarias e tudo o mais que quiserem para rosa.b.azev@gmail.com

Escritoras esquecidas do séc XX

As leituras que faço levam-me por muitos caminhos, diferentes uns dos outros. E às vezes há sítios onde me deixo ficar, desenvolvendo uma pe...