quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

o LEVA no facebook

e já estamos no Facebook. 

agora só falta o site, a chegar.

o primeiro livro do LEVA

já temos um primeiro livro do LEVA. continuo em infindáveis agradecimentos aos meus voluntários e não me esqueci de vocês mas este primeiro queria mesmo ser eu a gravar. vou mandar um e-mail a todos a dar conta do avanço do projecto e para saberem que não me esqueci de vocês.
o site está um pouco atrasado mas quando estiver pronto espero começar a ter mais encomendas e aí vou precisar de toda a ajuda.

o primeiro livro é este:








agradeço tanto e tanto à orfeu negro que não só cedeu a totalidade dos direitos como se voluntariou para apoiar o projecto no que necessitássemos.

estamos rodeados de gente boa.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

novo ano

ontem foi o último dia do último curso. foram semanas confusas e cansativas de trabalho, eventos e cursos, muitos livros novos e muito pouco tempo para os ler. agora começo a respirar mas sem a ideia de parar mas sim de começar de novo. preciso de trabalho que me alimente que se não sinto-me em absoluto estúpida o que não pode mesmo ser. são estas as resoluções de ano novo do estórias com livros:

(isto parece-me uma lista apocalíptica. em frente a cada tópico está a data na qual me comprometo ter realizado a façanha. vou dando notícias do seu sucesso. tenho tantas dúvidas. tantas.)

- estive a pôr etiquetas no blog (repararam?), não na totalidade do blog (ainda) mas nos dois últimos anos. a resolução é acabar de etiquetar. (fim de Dezembro 2012)
- enquanto etiquetava reparei que já fui muito mais bombástica e emotiva com os meus livros e autores. deu-me saudades. não do sentimento que se mantém, mas de conseguir escrevê-lo (ano 2013)
- vou regressar ao boris vian e terminar de construir o espectáculo que ficou a meio (fim de Abril 2013)
- vou ler mais e fazer recensões de todos os livros que ler (ano 2013)
- entregar a proposta dos livros no metro à EGEAC  (16 de Janeiro 2013)
- vou começar a estudar literatura brasileira e ler muita literatura brasileira para preparar um curso novo  (fim de Maio 2013)
- vou estudar antónio lobo antunes para poder inseri-lo em grande no meu próximo curso (fim Fevereiro 2013)
- vou ler / acabar de ler estes livros:

 (fim de Dezembro 2012)
 (fim de Janeiro 2013)
  (fim de Fevereiro 2013)
  (fim de Dezembro 2012)
  (fim de Fevereiro 2013)

nunca me viram tão organizada pois não? é porque vai correr mal de certeza. 


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Carlos Vaz Marques entrevista Lobo Antunes para o Festival LER

"A amizade não é mais do que uma dedicada atenção."

"A amizade é como o amor. É absoluto e instantâneo. Assim que conhecemos um amigo verdadeiro somos logo amigos de infância."

"Estou muito grato à guerra. Pensava que tudo rodava à minha volta e ali percebi que somos um no meio de muitos."

"Enquanto estivermos de mão dada com alguém nada nos pode acontecer. Quando estava à espera da anestesia na minha operação o cirurgião deu-me a mão em silêncio e percebi que nada de mal me podia acontecer."

"Não podemos viver sem a noção de eternidade. Mesmo que não a tenhamos sempre presente. Um bom médico é o que nos devolve a eternidade"

é difícil falar sobre o que é ouvir Lobo Antunes. a experiência é de tal forma devastadora e rica que fica sempre pouco que dizer. mesmo o Carlos Vaz Marques que tantas vezes é genial na sua forma de abordar os entrevistados aqui não conseguiu sempre ter a estaleca necessária. e o Lobo Anutnes apresentou-se coloquial e descontraído. mas a descontracção dele acaba sempre por ser  um gigante de palco. só pela naturalidade, pelo que pensa e pelo que sente. pelo que diz como quem fala de assuntos coloquiais sem o ser. foi divertido e comovente. o sentido de humor dele é imbatível. e a forma como salta de um frase divertida para uma que nos desfaz em peças é inacreditável.

falou-nos da sua forma de escrever. que não escreve romances, nem poemas, que não há nome para o que escreve. que vem apenas do editor a decisão de escrever "romance" na capa. diz que gostava de escrever mais, outras coisas. "coisas" neste sentido da não definição da forma. queria deixar depois de morrer o mesmo que o pai lhe respondeu que queria deixar aos filhos antes de morrer: "o amor pelas coisas belas".

os seus livros têm muitas vozes femininas. Lobo Antunes cresceu no meio de rapazes e procurou sempre a voz feminina no seu entendimento do mundo. como uma procura por uma irmã que nunca teve. e é aí que se pode considerar este último livro, não é meia-noite quem quer, como um livro autobigráfico - não nos factos mas nessa procura da voz feminina que procurou desde a infância.

parte da entrevista foi aquilo que ele chamou, desagradado, uma abordagem de termos técnicos. disse que os romancistas não deviam usar advérbios de modo nem demasiados adjectivos - que havia quem o fizesse e muito bem mas que deveria ser um génio para o fazer. disse também que um livro não pode pretender estar em altas durante todas as páginas - muitos romancistas novos na minha opinião ignoram esta regra, o que é trágico. o romance deveria crescer e diminuir para que o leitor o possa acompanhar de forma mais orgânica.

Carlos Vaz Marques estava perante um monstro das palavars e podemos dizer que se safou muito bem, como sempre. só no final não levou a dele avante, ele que nunca desiste de uma pergunta, não conseguiu que Lobo Antunes desse conselhos de leitura. Carlos Vaz Marques não desiste de uma pergunta e posso garantir-vos que fez de tudo e deu todas as voltas. mas não conseguiu.


(eduardo salavisa)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vitor Silva Tavares na LER de Dezembro

há várias coisas boas no vítor silva tavares. provoca sem dó nem piedade por ninguém e de alguma maneira faz com que muitos digam que é provocação gratuita. e ele não podia querer saber menos dessas opiniões. nesta entrevista mostra o que é ser editor sem preconceitos, nem mesmo o outro lado do preconceito que é a própria marginalidade. mostra que assumir que ter preconceitos é natural e deve ser vivido com naturalidade acaba por contrariar a própria noção de preconceito.  não aceita todos, edita amigos e pessoas de quem gosta, acha possível não editar alguém ou não gostar de alguém pela cara e aspecto. quando o carlos vaz marques lhe tira o tapete de baixo dos pés mostrando as aparentes incoerências do que diz ele dá-lhe sempre uma segunda volta e justifica sempre as incoerências e com lógica. é uma bela entrevista que mostra que ainda andam pachecos e césar monteiros, que há gerações mal comportadas que ainda não desapareceram e que há mal comportados que o são no mais intrínseco e natural e não por opção apenas, ou escolha.

vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.

"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.

uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados. 



é já esta 2ªfeira

a "nossa" é na Pensão Amor, Rua do Alecrim, 21h30



tragam livros e passagens de Clarice. lemos e falamos sobre ela. vamos claricear!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

cortázar em vídeo (ouvir este cronópio a falar é uma experiência necessária)

Julio Cortazar fala sobre os Cronópios e os Famas


Julio Cortázar diz o seu texto Me Caigo y Me Levanto


 Cortázar fala sobre o realismo e o fantástico

estamos na net a viajar e bum

pérolas!

um dossier com 600 páginas de cortazar cortazar cortazar. contos, livros completos, críticas, entrevistas. bom em potência.

descarregar o pdf AQUI.





segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ler Clarice Lispector

10 de Dezembro, local a definir (preciso de ajuda nisso!), 21h30


"O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços?" 

Preciso de leitores de Clarice Lispector. Preciso que a leiam e a oiçam. Se a conhecem tragam passagens que nos queiram ler. Os outros venham ouvir.

O Projecto Clarice pediu-me que organizasse em Lisboa uma leitura que terá lugar simultaneamente em várias cidades do mundo. Aceitei de olhos fechados mas com a certeza de precisar que me ajudem. Preciso de pessoas e de ideias para sítios. Preciso de pessoas que me tragam partes do livro para ler e outras para ouvir. Preciso de Clariceanos. Que eu digo a tudo sim de olhos fechados mas depois preciso sempre de muitos braços.

Tive uma relação ambígua com a Clarice. Detestei-a na primeira leitura como só os grandes escritores nos conseguem fazer odiar. Depois, como prenda de aniversário a uma amiga gigante, dei à Clarice uma nova hipótese. E foi fogo de artifício. A Clarice escreve de dentro de nós, não é poesia nem romance é mais visceral do que isso. Durante uns meses depois de a ler essa segunda vez não consegui falar dela. E ainda ando a tentar.

Por isso venham ler a Clarice. Vamos falar da Clarice.

Mais informações sobre o projecto: http://projectoclarice.blogspot.pt/

"Há 4 anos que comemoro, na companhia de amigos, o aniversário de Clarice Lispector. A comemoração, divulgada em 2011 nas notícias do Projeto Clarice, consiste em, no dia 10 de dezembro, reunir a uma mesa de um café ou livraria um grupo de pessoas que leia/ouça algumas das suas passagens. Para este ano, pensei em alargar a ideia e, ainda sem cartaz final, é com muito gosto que lhes digo que a tradição será levada, graças à ajuda dos amigos que vivem longe, a vários lugares para além do Porto. Entre eles, Belém do Pará, Lisboa, Recife, Aveiro, Campo Grande, Covilhã e Rio de Janeiro. E estes são - sorriam comigo - apenas exemplos.

Se alguém quiser juntar-se a nós, de modo a informação constar no programa, que me escreva, por favor, nos próximos dias para patriciasmlino@gmail.com."


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

finalmente notícias do LEVA


finalmente algumas semanas depois estamos de volta com notícias do LEVA. não esteve parado, nada, estava antes à espera de todas estas boas novas. depois da imagem o site está a sair. aí podemos fazer um lançamento "oficial" da coisa.

para além de todos os voluntários que já tinha ontem fui a uma reunião com a ETIC através da simpática mediação de um dos alunos e consegui a parceria deles. como ainda não tinha site ainda não tinha procurado parceiros em empresas e instituições, esta caiu-me ao colo pelos olhos de uma pessoa atenta. cedem estúdios e técnicos consoante marcação e disponibilidade.

esta é a boa notícia. que nos leva a outra boa notícia. se juntarmos a ETIC aos leitores e aos técnicos que se ofereceram para gravar em casa (e que ainda vão ser precisos) podemos dizer que este projecto está pronto. faz agora três meses que tive esta ideia pela primeira vez a falar com uma amiga sentada no sofá do meu palácio. em três meses o projecto existe e está pronto para começar, mesmo sem site. o que gostava de vos dizer é que tenho a sensação de que não fiz nada. foram centenas as pessoas que pegaram nisto em braços. centenas. ainda estou um bocado espantada com isto. ontem na ETIC perguntaram-me quantas encomendas esperava ter. eu ri-me e disse-lhes "isto está tão fora das minhas expectativas que não sei o que isto vai ser, não arrisco fazer previsões porque até hoje falhei em todas."

quero ser eu a gravar o primeiro livro mas depois começo a entrar em contacto com os meus voluntários.

não quero continuar a ser pirosa mas quero mesmo mais uma vez agradecer-vos de coração e tudo o que tenho por terem permitido que uma ideia nascida numa noite de verão seja agora, no início do outono, um projecto real. é raro podermos acreditar que uma coisa que achamos que pode "ter piada" traga atrás tanta gente e tanta energia. por isso deixem-me lá ser pirosa só neste agradecimento e acreditem que não o digo por dizer quando afirmo que este projecto não é meu, tens as vossas mãos, pés, caras e vozes.  nada foi custoso ou cansativo. tudo aconteceu assim. naturalmente.

por isso já está. vamos começar a gravar livros?



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

os mal comportados

tivemos um blog. já não temos, vamos voltar a ter. até lá estamos no FB, aqui (apesar de estar só no FB não seja política...) e estamos a precisar de divulgação, muita. vamos ser mal comportados! até já. fica a lista dos ditos.

Cesariny
Rimbaud
Mário Henrique Leiria
Luiz Pacheco
Henry Miller
Sylvia Plath
Antonin Artaud
Hunter S. Thompson

Bukowski
Boris Vian
Dorothy Parker
William Burroughs
Samuel Beckett
José Gomes Ferreira
Almada Negreiros
Alexandre O'Neill
Jack Kerouac
Oscar Wilde
Jonh Fante
Pier Paolo Pasolini
Marquês de Sade
Mallarmé
Anais Nin
Dinis Machado
Harold Pinter
Machado de Assis
Irvine Welsh
Dostoievski
Brecht
Tony O'Neill
Lydia Lynch
Cortázar
Kurt Vonnegut
Flannery O'Connor
Verlaine
Byron
Shakespeare
Allen Ginsberg
Simone de Beauvoir
J. L. Borges
Edgar Allan Poe
Jack London
Ary dos Santos
J. P. Sartre
Camus
Vitor Sanches
Gorki
Gogol
António Gancho
Herberto Helder
Niccolò Ammaniti
Dante
Rulfo
Mishima
George Orwell
Majakovsky
Jean Genet
Aldous Huxley
Chuck Palahniuk
Nick Cave
Norman Mailer   




segunda-feira, 5 de novembro de 2012

obrigada melhor alfarrabista do mundo

 
http://senhor-teste.blogspot.pt/
claro

novos sistema solar e documenta

ler é uma tarefa árdua. entre tantos giros à volta dos livros os livros falam-nos muitas vezes como distantes paraísos. passo o dia com eles de um lado para o outro e questiono-me o que farão os que não andam quando têm de esperar por alguém ou apanhar um autocarro.
isto tudo para dizer que sim, tenho livros que não leio e ando sempre à procura de mais. há coisas piores. os da sistema solar e documenta nunca mas nunca desiludem. quem anda ali por trás é esperto como um alho. e a sistema solar e documenta acabam por, pelo menos a mim, saber dar alento. é que estas coisas dos livros (acho que não preciso de dizer o que são "estas coisas") entristecem uma alma fraquinha. é bom existir editoras assim, que nascem de algo que considerámos trágico. e nascem em força e bem.
estes são os títulos fresquinhos a sair:
(clicar para aumentar)













terça-feira, 30 de outubro de 2012

CURSO DE LITERATURA AMERICANA





4ª feira, 21h
Livraria Pó dos Livros


Literatura Sul Americana - 21 e 28 de Novembro
Literatura Norte
Americana - 5 e 12 de Dezembro
(o curso é a totalidade das quatro sessões)
35€
descontos para estudantes e desempregados: 30€

inscrições: podoslivros@gmail.com

 

Este curso apresenta uma visão transversal da literatura norte-americana e sul-americana em dois momentos distintos. Apesar de se localizarem no mesmo continente estas duas literaturas mostram realidades completamente distintas e têm em comum o facto de retratarem a cultura e a sociedade dos seus países, mostrando como as fronteiras tanto se esbatem em zonas delimitadas como é a América do Sul e do Norte como depois são tão marcadas quando saltamos do Norte para o Sul mostrando que muitas vezes a questão dos continentes é meramente geográfica.



Com Rosa Azevedo: nasceu em 1982 em Lisboa. Terminou em 2004 a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, maior em variante de estudos portugueses, franceses e menor em Literaturas do Mundo, em 2008 o mestrado em Edição de Texto. Tem realizado desde 2007 diversos cursos de literatura portuguesa e hispano-americana, para além de outros trabalhos de produção ligados à literatura, nomeadamente na área do surrealismo e dos novos autores portugueses. Fundou e foi presidente da Associação Cultural Respigarte. Foi livreira e hoje é produtora, formadora, revisora e dinamizadora e divulgadora da área dos livros.


E Nuno Marques: Após ter saído da Marinha Portuguesa onde foi tradutor e correspondente do jornal de bordo do Navio Escola Sagres licenciou-se em Estudos Norte-Americanos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tendo grande interesse pela obra da Geração Beat orientou o seu percurso académico para o estudo das obras destes autores do qual tem dado conta nos encontros anuais da Associação Portuguesa de Estudos Norte-Americanos; sendo agora Mestrando nessa área. Foi bolseiro ao abrigo da Bolsa da Universidade de Lisboa / Fundação Amadeu Dias. Livreiro nos últimos anos, ganhou o prémio de poesia Jovens Escritores 2006.

Curso CONTEMPORANEIDADES NA LITERATURA PORTUGUESA - dos anos 80 aos nossos dias

Cá está ele, depois de tantos pedidos. Novinho e cheio de ansiedade para ver se corre bem. E que me dá um gozo daqueles. Entre teoria, reflexão, livros e autores vamos passar umas boas horas juntos. Na Pó dos Livros, como sempre. Adoptámo-nos mutuamente.







20 e 27 de Novembro, 4 e 11 de Dezembro
3as feiras
35€
descontos para estudantes e desempregados: 30€

inscrições: podoslivros@gmail.com

com rosa azevedo
 

Quem são os novos autores portugueses? O que os une e o que os separa? Em que nome escrevem e em que nome surgem em público? Numa época de novas tecnologias, novas formas de aparecer em público, crise económica, intelectual e ideológica, o que é preciso para se ser um escritor?

O século XXI trouxe novos paradigmas à literatura. A passagem de século é uma passagem temporal como outra qualquer mas a verdade é que foi neste início de século até aos nossos dias que assistimos à explosão da Internet com as redes socias, blogs e meios de divulgação. Com isto os escritores saem do desconhecido para se tornarem figuras públicas facilmente reconhecidas na rua e cuja vida privada acaba por ser conhecida e confundida com a sua obra de forma mais perversa do que antes porque o meio é, arrisco dizer, mais selvagem. Mas há excepções. E há diferentes tipos de leitores e, no limite, são os leitores que fazem uma grande parte do que um escritor é.
Depois podemos ainda reflectir sobre a razão da escrita. O que faz um escritor? Que tipos de escritores existem? O que nos confere autoridade para avaliar as intenções de um escritor? De que forma as intenções de um escritor alteram a forma como recebemos o texto e como o lemos?
Em Portugal proliferam novos escritores. Sofrem em bloco da “angústia da influência” procurando, a cima de tudo, a originalidade. A que custo? Em que nome escrevem eles?


Evento facebook

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

a a das artes em sines

há uma livraria em sines, a a das artes. tem livros e pessoas boas atrás do balcão. é uma livraria onde não há mais livrarias e mesmo assim não rebenta pelas costuras.





havia muitas coisas boas a dizer da a das artes mas vamos passar a questões práticas. a livraria envia os livros, sem portes de envio, para qualquer zona do país. isto só pode ser vantajoso. temos o livro ao mesmo preço que numa livraria qualquer que por razões tantas vezes debatidas neste blog não merece os nossos poucos tostões e ajudamos a a das artes e o joaquim e ao mesmo tempo temos o livro em casa ou na secretária do trabalho quando começa o dia.

por isso aqui fica. entrem em contacto com ele através dos seguintes contactos:

Av. 25 de Abril, 8 - loja C
7520-107 SINES
T.: 269630954
F.: 269630955
adasartes@bluemel.pt
http://adasartes.blogspot.com
https://www.facebook.com/pages/A-Das-Artes-Livraria/322734321128754

acreditem que ajudar o joaquim a manter esta livraria de pé nos tempos que correm já nos compõe o dia um bocadinho. eu vou já encomendar um.






sexta-feira, 19 de outubro de 2012

manuel antónio pina

perdemos hoje manuel antonio pina. 
de tanto para dizer só consigo lembrar-me do tepluquê como um texto que sou eu e as minhas crianças e que é um texto sobre a tolerância. e precisamos tanto de tolerância. e de caramelo na língua que mostre aos nossos miúdos que os defeitos podem ser doces.


"Era uma vez um menino que tinha um defeito de pronúncia. Não era capaz de dizer tê: dizia quê. Trocava o tê pelo quê. Trocava o têpluquê. Em vez de dizer tasa, como toda a gente, dizia casa; em vez de dizer tão, dizia cão; em vez de dizer tapete, dizia carpete (às vezes deixava uns tês para trás, deixava uns quês para crás). E assim por diante: em vez de dizer tábua, dizia cábula; em vez de dizer tu, dizia (rabo); em vez de dizer Tomé, dizia Comé; em vez de dizer taxímetro, dizia caxímetro, etc. (em vez de dizer etc., dizia ecc.).

Esta história (em vez de dizer esta história, dizia esca escória) tem uma moral, é das que têm: é que todos os defeitos de pronúncia (como os outros defeitos todos, há uma história para cada defeito) têm também virtudes de pronúncia, senão eram defeitos perfeitos. Ao menino, como a toda a gente que tem defeitos de pronúncia, ENTARAMELAVA-SE-LHE a língua; este menino tinha sorte porque, como as letras do defeito dele eram o tê e o quê, a língua ENCARAMELAVA-SE-LHE e o menino gostava muito (goscava muico).
"


foste um mágico das palavras. 



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

e já temos logo. confesso que este momento me enche de alegria.

um grande obrigada à maria margarida

www.margaridaalmeida.net

é um orgulho termos gente tão boa a trabalhar connosco.



eles insistem em ser muito bons...


e é tão bom que eles existam. das poucas boas notícias que vamos tendo. tempos negros mas sempre com bons livros no final do dia. 

http://blogue-documenta.blogspot.pt/search/label/Sistema%20Solar

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

novidades do LEVA

caríssimos todos,
já temos logotipo se bem que ainda muito bem guardado...
confesso que hesitei no nome outra vez mas não posso ceder cada vez que alguém não gosta. tenho de ser forte. por isso tenham cuidado com as críticas ao meu LEVA que eu sou uma pessoa tendencialmente sensível a este género de observações.
reuni ontem com os amigos voluntários que vão fazer a programação do site por isso estamos com essa parte também resolvida. contrariamente ao que tinha sido falado incialmente não teremos disponíveis on line os CD's que gravámos. poderemos ter uma lista dos CD's já gravados e pode haver um segundo pedido para o mesmo livro que funciona como o primeiro pedido mas mais rápido. isto para salvaguardar os direitos de autor.
os direitos de autor têm sido das questões mais levantadas. por um lado podemos ler no código dos direitos de autor (pág. 21) que: "Será sempre permitida a reprodução ou qualquer espécie de utilização, pelo processo Braille ou outro destinado a invisuais, de obras licitamente publicadas, contanto que essa reprodução ou utilização não obedeça a intuito lucrativo." para além disso conto pedir a cada editora para gravar cada um dos livros pedidos comprometendo-me a assinar juntamente com o cliente uma declaração em como não utilizaremos aquele texto para nenhum fim comercial, público ou lucrativo.
qualquer dúvida já sabem, gritem. 
podia passar os agradecimentos desta vez mas não é possível. os voluntários continuam a aparecer, pessoas dirigem-se a mim em eventos e no trabalho e na rua porque sabem do projecto (true story). tenho passado muito tempo a tentar responder a toda a gente, peço mais uma vez desculpa se alguém ficou sem resposta. não tive de todo essa intenção.
está quase. mais umas semanas e damos à luz o nosso primeiro CD. bem hajam. de coração. 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ponto da situação dos audio-livros II

caríssimos,
apesar do silêncio nada está parado. continuo a receber e-mails e ofertas de voluntariado, sugestões para alargar o projecto, empresas e instituições que aceitaram ser parceiras, e até já tenho dois livros para gravar.
os técnicos continuam a aparecer mesmo que de forma irregular e com pouco tempo. no entanto estamos prontos para nos lançarmos na primeira gravação que espero que aconteça já no início do próximo mês.
o logotipo estará pronto por estes dias e o site está a caminho. depois disso fazemos uma apresentação bonita e podemos com isso avançar para parcerias que possam efectivar e terminar todo este processo.
a grande novidade é que temos nome. Vai chamar-se

LEVA - Ler em voz alta

não estava muito convencida ao início mas o tom de festival dá-lhe um potencial gigante.

resta-me continuar a agradecer a ajuda de todos. mais uma vez e sempre. é como passar o dia a ouvir palavras simpáticas, partilhas do meu entusiasmo. e no meio "disto tudo" é bom. a ideia do voluntariado não é boa só por si. é bom haver um trabalho que não envolve dinheiro, nem facturas, nem impostos, nem privilegiados. mostra que é mesmo possível fazer alguma coisa que é oferecida a outra pessoa só porque sim. porque ler é bom. e essa vontade de oferecer leituras não é minha. é das centenas de pessoas que me têm contactado. isto é um projecto gigante cheio de pessoas. e as boas vontades dão várias voltas ao mundo.

um bem haja a todos.
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ponto da situação dos nossos audio-livros

acho que é altura de fazer um ponto de situação para responder às muitas perguntas que me chegam todos os dias.

desde que lancei esta ideia, há poucos dias, que a onda de apoio e voluntariado que surgiu tem sido impressionante. fico espantada e comovida com tamanho movimento de simpatia e amizade. foram centenas de e-mails, mensagens, partilhas no facebook, visitas ao site, telefonemas, entrevistas a jornais e sites. fico sem mãos para tudo e por isso desde já peço desculpa se não respondi a todos. li todas as mensagens com a maior atenção e anotei os vossos nomes e disponibilidades.

deixo agora alguns pontos esclarecedores e que mostram em que ponto estamos:

- a grande grande maioria de voluntários que recebi foi para ler. como dizia no texto os voluntários leitores seriam para quando não tivesse mão em todas as encomendas. pelo andar da carruagem talvez isso mais aconteça mais depressa do que imaginei. no entanto peço desculpa por não ter dado um ok imediato a todas as gentis ofertas que fui recebendo.

- quando refiro técnico de som refiro-me a alguém que possa ter os conhecimentos necessários a realizar uma gravação deste género. não tem de ser num estúdio nem com material especial, tudo isto é voluntário por isso queremos ter gravações que funcionem ainda que não tenham o nível profissional de um audio-livro comercial. até pode acontecer, como foi sugerido, que haja um técnico que possa explicar ao leitor como pode ele fazer a gravação sozinho em casa. preciso de ajuda nessa área a a ajuda pode ter diversas formas. tem sido aqui que a oferta tem sido mais escassa.

- com tanta ajuda para montar o projecto não tenho recebido pedidos de livros, apenas um ou dois. podem começar a enviar para que tenhamos já trabalho no momento de lançar o projecto.

- quanto ao site tenho já algumas ofertas, e vou começar a contactar as pessoas.

- o nome está quase lá, ainda estou a receber ideias.

- uma parte muito importante deste projecto que creio que pode ter passado despercebida a algumas pessoas é que os livros são por encomenda e candidatura. agradeço de coração às editoras que me têm oferecido livros e direitos mas eu quero mesmo que sejam os clientes a escolher que livro querem ver lido. depois disso trato dos direitos de autor. como não é um projecto comercial vou tentar conseguir da respectica editora a autorização para a leitura do livro, perante uma carta que comprove que não utilizaremos o audio para nenhum uso que não pessoal.

- este projecto é 100% voluntário. eu sei que não é pacífico para todos o trabalho voluntário. no entanto a única forma de este projecto receber dinheiro é através de apoios mas não será para já. com isto quero dizer que em altura alguma este projecto pedirá dinheiro aos clientes pelo CD. tanto este ponto como o anterior são para mim imprescindíveis, se não estaríamos a fazer outro projecto e não este. este projecto tem estas características.

vou continuando a dar notícias. agradeço mais uma vez a vossa espantosa simpatia e apoio, em poucos dias isto tornou-se real. a minha vida deu uma volta gigante. e é bom sermos surpreendidos pelo voluntarismo de tanta gente em se associar a um projecto de uma pessoa que não conhecem de todo. um grande obrigado. não tenho qualquer dúvida que assim isto existe mesmo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

é preciso ser um artista para ser preconceituoso, ter razão e ter muita piada. um artista!

"Fiquei assombrado - viera de um sítio onde todos eram amigáveis, onde até os gerentes das agências funerárias nos desejavam um excelente dia quando saíamos para enterrar a nossa avó -, mas depressa percebi que em Paris toda a gente era assim. Se entrássemos numa padaria seríamos recebidos por uma imensa criatura com aspecto de verme, com um olhar que nos informava que nunca seríamos amigos. Pediríamos, num francês hesitante, uma baguete. A mulher deitar-nos-ia um olhar prolongado e frio e depois poria um castor morto sobre o balcão.
- Não, não - diríamos nós, com as mãos a tremer -, um castor morto não. Uma baguete.
A verminosa criatura fixar-nos-ia com óbvia incredulidade, virar-se-ia para os outros clientes e falar-lhes-ia num francês demasiado acelerado para que nós pudéssemos seguir, mas cujo significado era claramente que esta pessoa aqui, este turista americano, entrou e pediu um castor morto e ela tinha-lhe dado um castor morto e agora ele estava a dizer que não queria um castor morto coisa nenhuma, queria uma baguete. Os outros clientes olhar-nos-iam como se tivéssemos acabado de tentar peidar-nos para os sacos dele, e não teríamos escolha a não ser escapulir-nos e consolar-nos com o pensamento de que daí a quatro dias estaríamos em Bruxelas e era provável que aí pudéssemos comer outra vez."

Nem aqui, nem ali, Bill Bryson



obrigada Bill Bryson por me levares daqui para fora

Quando for grande quero ser como tu. Este é livro é bom demais para ser verdade.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

novo projecto com pedido de ajuda

caros amigos caras gentes dos livros e das suas áreas vizinhas caros todos,
tenho um novo projecto em mãos que mais uma vez precisa da vossa ajuda.

comecei a pensar no que seria passar a vida sem ler. revistas, jornais. sem ler as pessoas, as expressões, a linguagem corporal. sem ler ementas do restaurante. sem ler legendas de filmes. e, finalmente, sem ler livros. e foi aqui que pensei que podia fazer alguma coisa. o meu primeiro trabalho foi gravar audio-livros para crianças cegas, amblíopes e de baixa visão para o Ministério da Educação. e aquele trabalho tão simples fazia sentido. e é nesse sentido que pretendo pegar agora.

a ideia é fazer audio-livros por encomenda. um trabalho totalmente voluntário. acredito que é importante que o trabalho de cada um seja pago e infelizmente muitas vezes a remuneração por um serviço valida-o. no entanto acredito que em determinadas alturas na nossa vida temos de conseguir fazer algo que não esteja apenas acessível a quem pode e sim a todos. a única coisa que é necessário é que quem queira um audio-livro escreva um e-mail para leremvozalta@gmail.com e procure nesse e-mail explicar o porquê de determinada pessoa querer aquele determinado livro. a razão deve centrar-se no livro, sempre, na escolha do livro. os livros podem ser de todos os tipos. podem até ser estrangeiros. o tempo de gravação é negociado com o cliente de acordo com o tamanho do livro, com a disponibilidade dos técnicos e com a minha disponibilidade. o livro é absolutamente pessoal por isso podem ser partes de livros, conjuntos de livros, e podemos gravar dedicatórias ou outras mensagens e/ou comentários pessoais.

agora é nesta parte que vocês entram:

- eu vou ler os livros e fazer a produção do projecto. com o tempo e se isto crescer (que espero mesmo que sim) vou precisar de mais voluntários para ler.

- preciso de técnicos de som que aceitem trabalhar nisto sem remuneração. não tem de ser um para a totalidade dos livros, pode ser um por livro ou por alguns livros. por técnico de som refiro-me a alguém que possa gravar e montar o livro enquanto eu o leio, que tenha os materiais e os conhecimentos necessários a essa função. a minha disponibilidade é finais de tarde e fins de semana, no entando podem surgir outros leitores com outros horários. moro em lisboa portanto é esta a zona onde estou sempre. posso no entando deslocar-me a outras zonas num fim de semana de trabalho intensivo.

- preciso de criar um site para o projecto. uma coisa muito simples onde se fale do projecto, se procure clientes e voluntários e onde, eventualmente, se possa mais tarde descarregar livros.

- preciso de um nome! preciso de um nome bom para isto!

- preciso de divulgação do projecto. sobretudo para procurar técnicos e clientes.

a quem conseguiu chegar ao fim deste post, um muito obrigada. ler isto foi fácil. agora vamos lá ler livros?

um bem haja a todos desde já

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

30 contos de até 100 caracteres

"Embora não seja reconhecido como um gênero literário — sendo associado às tendências de vanguarda e ao minimalismo —, os “microcontos” ganharam um grande número de adeptos nas duas últimas décadas. A partir do início dos anos 1990, estudos e antologias começaram a abordar o tema de forma enfática, resultando em centenas de publicações em todo o mundo.

Ainda que pareça, as micronarrativas de ficção não são algo recente. Grandes nomes da literatura mundial como Tolstói, Jorge Luis Borges, Bioy Casares, Julio Cortázar e Ernest Hemingway já incursionaram pelo tema."

eh pá o que eu gosto de microcontos! continuar a ler aqui. 

mais uma ilha da ahab



o david vann é que a sabe toda. aquelas personagens, aquele destino fatal das ilhas. a claustrofobia. a nossa entrada lenta dentro de uma fatalidade tão grande que nos desconforta na cadeira. uma vontade de lhe dizer "não vás". uma vontade de voltar atrás. de parar o tempo daquela família. um livro que nos agarra nos ombros e diz "tem de ser". um livro que está escrito de uma forma que nos parece simples na superfície, tranquilo, mas que nos mostra o tom de fatalidade.
só os grandes escritores nos contam uma história por trás das palavras. o david vann faz isso.
a ahab faz magia com os livros todos. caramba. 

Manuel Resende

Manuel Resende, Em Qualquer Lugar seguido de O Pranto de Barlomeu de Las Casas , &Etc, 1997