quarta-feira, 29 de agosto de 2012

é preciso ser um artista para ser preconceituoso, ter razão e ter muita piada. um artista!

"Fiquei assombrado - viera de um sítio onde todos eram amigáveis, onde até os gerentes das agências funerárias nos desejavam um excelente dia quando saíamos para enterrar a nossa avó -, mas depressa percebi que em Paris toda a gente era assim. Se entrássemos numa padaria seríamos recebidos por uma imensa criatura com aspecto de verme, com um olhar que nos informava que nunca seríamos amigos. Pediríamos, num francês hesitante, uma baguete. A mulher deitar-nos-ia um olhar prolongado e frio e depois poria um castor morto sobre o balcão.
- Não, não - diríamos nós, com as mãos a tremer -, um castor morto não. Uma baguete.
A verminosa criatura fixar-nos-ia com óbvia incredulidade, virar-se-ia para os outros clientes e falar-lhes-ia num francês demasiado acelerado para que nós pudéssemos seguir, mas cujo significado era claramente que esta pessoa aqui, este turista americano, entrou e pediu um castor morto e ela tinha-lhe dado um castor morto e agora ele estava a dizer que não queria um castor morto coisa nenhuma, queria uma baguete. Os outros clientes olhar-nos-iam como se tivéssemos acabado de tentar peidar-nos para os sacos dele, e não teríamos escolha a não ser escapulir-nos e consolar-nos com o pensamento de que daí a quatro dias estaríamos em Bruxelas e era provável que aí pudéssemos comer outra vez."

Nem aqui, nem ali, Bill Bryson



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