quinta-feira, 27 de junho de 2013

vamos ser surrealistas em setúbal?

ontem ligou-me a fátima, a minha querida livreira e amiga da culsete. apanhou-me num momento confuso no trabalho para me fazer uma proposta. tenho a sensação clara que lhe disse que sim antes de perceber o que me pedia. para além de ser incapaz de dizer que não aos meus dois livreiros sabia que ia ser um desafio do melhor que há. não vos vou ainda revelar nada, só dizer que uma noite destas estaremos a ser surrealistas em setúbal. daqui a poucas noites.
por isso hoje estou na baixa luz da minha sala rodeada de livros surrealistas a ler poesia e a magicar ideias. estes são os meus momentos cheios. os surrealistas são do caraças.
e a propósito da greve geral de amanhã deixo-vos um poema do Cesariny e um ponto de encontro, às 15h, no rossio. sem medos, para não continuarmos no bolso de ninguém.

Ora deixai-me dizer
que vejo tudo ao contrário
do que era lícito ver

Ontem encontrei um operário
todo de pernas para o ao
no bolso de um usurário

"Que linda vista para o mar!"
dizia - e dizendo isto
tinha uns olhos de chorar
(...)
Cesariny

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Manuel Resende

Manuel Resende, Em Qualquer Lugar seguido de O Pranto de Barlomeu de Las Casas , &Etc, 1997