quinta-feira, 19 de maio de 2011

ler como viajar e ao contrário também dá

Não pensem que isto de gostar tanto de livros é pacífico. Não é. Se calhar era mais fácil gostar de carros, porque nos transportam, de roupa porque a vestimos, de casas porque vivemos nelas, de cães porque nos fazem companhia, e tantos etceteras por aí fora. Gosto de tudo isso, mas gosto mesmo é de livros. E de viagens. Ao regressar da Argentina, numa longa e solitária viagem de avião + escalas + avião (e o medo que eu tenho...) pensei muito nesta paixão. Na dos livros, que de alguma forma era a mesma das viagens mas que eu não conseguia perceber muito bem. Não consegui pôr em palavras. Como se faz nos livros.
Então descobri. É a capacidade de me encantar. E é como um vício, viver a vida encantada. Descobrir ainda o que nos surpreende e comove e diverte. E encanta mais uma vez. E é isso que eu amo nos livros e nas viagens. É que nada é igual e somos sempre pequenos e estamos sempre a descobrir. A encantarmo-nos, mais uma vez. E tantas outras. Talvez tenha alguma alergia ao quotidiano, ou medo da repetição. E é por isso que estou feliz com esta descoberta. Ai, estou, estou. Porque quando descobri que o que amava nos livros e nas viagens era a surpresa boa, essa surpresa começou a estar presente também no quotidiano. E então não fui só feliz na Argentina. Sou feliz em todo o lado, todos os dias. É como uma fórmula mágica.

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Clarice Lispector

À Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, Relógio de Água