terça-feira, 6 de agosto de 2013

A Amante Holandesa

li o rentes de carvalho porque muitos me falavam dele e senti como uma falha. creio que elevei as expectativas e isso é algo que me começa a não poder fazer uma vez que poucos livros me enchem as medidas quando o faço. não vou dizer que não gostei da amante holandesa e para o mostrar por palavras vou dizer quais os pontos fortes do livro. por um lado a limpeza na escrita, muito difícil de encontrar hoje em dia. tão limpa que quase poderia roçar o demasiado plana se não fosse facilmente identificável o discurso com a personagem principal, um homem que acredita que a sua presença e personalidade são exactamente assim - planas e aborrecidas. ao fundir a personagem com a história o livro torna-se ainda mais uma história contada pelo próprio narrador e não tanto um livro do autor - o autor dissolve-se no narrador.
senti apenas que contava, acima de tudo, uma história e talvez seja aí, nesse sítio, que não me tenho ultimamente posicionado como leitora. os livros, a meu ver, têm de traduzir pessoas, recados, partilha de identidades e marcas definidoras e surpreendentes dessa mesma identidade. deixa de me interessar um livro em que a história assume o papel principal. pode ser boa ou não, interessante, surpreendente, o que seja - não é aí que se deverá centrar o ponto forte do livro. aqui senti que era o que acontecia e a história, além de plana, tem alguns buracos que não fazem verdadeiramente muito sentido.
não me distanciei de todo deste autor e tenho falado com muitas pessoas que gostam dele para entender o que me terá falhado mas a conclusão final é apenas que, neste momento, ele não se encaixa no meu espaço de leitora e sim no daqueles que gostaram muito dele. vou deixá-lo descansar e quem sabe noutra altura poderá fazer todo o sentido.

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Clarice Lispector

À Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, Relógio de Água