quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Bachelard e a poesia

De fora a poesia parece desordenada. Não há escolas, não há poetas arrastando atrás de si poetas mais jovens. Os jovens poetas querem a independência. Por conseguinte, estamos num tempo de poesia verdadeira, de poesia que não imita, é um facto. Não salta à vista? Não tem importância nenhuma. É preciso procurar as pedras preciosas; escondidas ainda são mais preciosas. Gostaria de lhe transmitir a minha impressão de que estamos num tempo de poesia exuberante. Não se trata de grandes tiragens. Aliás tenho a impressão de que as grandes tiragens seriam perigosas porque correriam o risco de passar por uma imitação da poesia do século passado.
As pessoas têm medo dos poetas e têm razão. Um poeta é alguém que perturba uma porção de coisas, é muito inquietante a poesia.
[...]
Depois [de Lautréamont] houve todos os outros, todos aqueles [poetas] que me mandaram os seus livros. Os meus amigos poetas. Fazem a felicidade da minha vida. 


Gaston Bachelard
entrevistado em Os escritores e a literatura, Madeleine Chapsal

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Manuel Resende

Manuel Resende, Em Qualquer Lugar seguido de O Pranto de Barlomeu de Las Casas , &Etc, 1997