quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

novo ano

ontem foi o último dia do último curso. foram semanas confusas e cansativas de trabalho, eventos e cursos, muitos livros novos e muito pouco tempo para os ler. agora começo a respirar mas sem a ideia de parar mas sim de começar de novo. preciso de trabalho que me alimente que se não sinto-me em absoluto estúpida o que não pode mesmo ser. são estas as resoluções de ano novo do estórias com livros:

(isto parece-me uma lista apocalíptica. em frente a cada tópico está a data na qual me comprometo ter realizado a façanha. vou dando notícias do seu sucesso. tenho tantas dúvidas. tantas.)

- estive a pôr etiquetas no blog (repararam?), não na totalidade do blog (ainda) mas nos dois últimos anos. a resolução é acabar de etiquetar. (fim de Dezembro 2012)
- enquanto etiquetava reparei que já fui muito mais bombástica e emotiva com os meus livros e autores. deu-me saudades. não do sentimento que se mantém, mas de conseguir escrevê-lo (ano 2013)
- vou regressar ao boris vian e terminar de construir o espectáculo que ficou a meio (fim de Abril 2013)
- vou ler mais e fazer recensões de todos os livros que ler (ano 2013)
- entregar a proposta dos livros no metro à EGEAC  (16 de Janeiro 2013)
- vou começar a estudar literatura brasileira e ler muita literatura brasileira para preparar um curso novo  (fim de Maio 2013)
- vou estudar antónio lobo antunes para poder inseri-lo em grande no meu próximo curso (fim Fevereiro 2013)
- vou ler / acabar de ler estes livros:

 (fim de Dezembro 2012)
 (fim de Janeiro 2013)
  (fim de Fevereiro 2013)
  (fim de Dezembro 2012)
  (fim de Fevereiro 2013)

nunca me viram tão organizada pois não? é porque vai correr mal de certeza. 


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Carlos Vaz Marques entrevista Lobo Antunes para o Festival LER

"A amizade não é mais do que uma dedicada atenção."

"A amizade é como o amor. É absoluto e instantâneo. Assim que conhecemos um amigo verdadeiro somos logo amigos de infância."

"Estou muito grato à guerra. Pensava que tudo rodava à minha volta e ali percebi que somos um no meio de muitos."

"Enquanto estivermos de mão dada com alguém nada nos pode acontecer. Quando estava à espera da anestesia na minha operação o cirurgião deu-me a mão em silêncio e percebi que nada de mal me podia acontecer."

"Não podemos viver sem a noção de eternidade. Mesmo que não a tenhamos sempre presente. Um bom médico é o que nos devolve a eternidade"

é difícil falar sobre o que é ouvir Lobo Antunes. a experiência é de tal forma devastadora e rica que fica sempre pouco que dizer. mesmo o Carlos Vaz Marques que tantas vezes é genial na sua forma de abordar os entrevistados aqui não conseguiu sempre ter a estaleca necessária. e o Lobo Anutnes apresentou-se coloquial e descontraído. mas a descontracção dele acaba sempre por ser  um gigante de palco. só pela naturalidade, pelo que pensa e pelo que sente. pelo que diz como quem fala de assuntos coloquiais sem o ser. foi divertido e comovente. o sentido de humor dele é imbatível. e a forma como salta de um frase divertida para uma que nos desfaz em peças é inacreditável.

falou-nos da sua forma de escrever. que não escreve romances, nem poemas, que não há nome para o que escreve. que vem apenas do editor a decisão de escrever "romance" na capa. diz que gostava de escrever mais, outras coisas. "coisas" neste sentido da não definição da forma. queria deixar depois de morrer o mesmo que o pai lhe respondeu que queria deixar aos filhos antes de morrer: "o amor pelas coisas belas".

os seus livros têm muitas vozes femininas. Lobo Antunes cresceu no meio de rapazes e procurou sempre a voz feminina no seu entendimento do mundo. como uma procura por uma irmã que nunca teve. e é aí que se pode considerar este último livro, não é meia-noite quem quer, como um livro autobigráfico - não nos factos mas nessa procura da voz feminina que procurou desde a infância.

parte da entrevista foi aquilo que ele chamou, desagradado, uma abordagem de termos técnicos. disse que os romancistas não deviam usar advérbios de modo nem demasiados adjectivos - que havia quem o fizesse e muito bem mas que deveria ser um génio para o fazer. disse também que um livro não pode pretender estar em altas durante todas as páginas - muitos romancistas novos na minha opinião ignoram esta regra, o que é trágico. o romance deveria crescer e diminuir para que o leitor o possa acompanhar de forma mais orgânica.

Carlos Vaz Marques estava perante um monstro das palavars e podemos dizer que se safou muito bem, como sempre. só no final não levou a dele avante, ele que nunca desiste de uma pergunta, não conseguiu que Lobo Antunes desse conselhos de leitura. Carlos Vaz Marques não desiste de uma pergunta e posso garantir-vos que fez de tudo e deu todas as voltas. mas não conseguiu.


(eduardo salavisa)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vitor Silva Tavares na LER de Dezembro

há várias coisas boas no vítor silva tavares. provoca sem dó nem piedade por ninguém e de alguma maneira faz com que muitos digam que é provocação gratuita. e ele não podia querer saber menos dessas opiniões. nesta entrevista mostra o que é ser editor sem preconceitos, nem mesmo o outro lado do preconceito que é a própria marginalidade. mostra que assumir que ter preconceitos é natural e deve ser vivido com naturalidade acaba por contrariar a própria noção de preconceito.  não aceita todos, edita amigos e pessoas de quem gosta, acha possível não editar alguém ou não gostar de alguém pela cara e aspecto. quando o carlos vaz marques lhe tira o tapete de baixo dos pés mostrando as aparentes incoerências do que diz ele dá-lhe sempre uma segunda volta e justifica sempre as incoerências e com lógica. é uma bela entrevista que mostra que ainda andam pachecos e césar monteiros, que há gerações mal comportadas que ainda não desapareceram e que há mal comportados que o são no mais intrínseco e natural e não por opção apenas, ou escolha.

vítor silva tavares não se denomina um editor, no entanto é exactamente isso que ele é. do lado oposto das editoras comercias a &etc é ainda um caso de sucesso, sem olho ao lucro. uma editora onde ainda conseguimos perceber que título a título estamos a espreitar pelo olho do editor. o que já começa a ser raro.

"Porque é que eu hei-de ser marginal? Marginal a quê? Alternativo a quê? O que eu sou é paralelo!" com esta frase carlos vaz marques abre a entrevista. ser marginal pressupõe um centro, um lado maior e preponderante. ao sermos marginais temos esse centro como referência. e vitor silva tavares pretende assim destacar-se do centro, sendo paralelo e não mantendo qualquer ponto de contacto.

uma entrevista que é um documento histórico, de uma pessoa que não pretende ser visto mas não se importa de o ser. que não pretende fazer discurso mas não se importa de o fazer. que a cima de tudo sabe por onde nunca se há-de vergar. e será sempre no que para nós são os sítios mais inesperados. 



é já esta 2ªfeira

a "nossa" é na Pensão Amor, Rua do Alecrim, 21h30



tragam livros e passagens de Clarice. lemos e falamos sobre ela. vamos claricear!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

cortázar em vídeo (ouvir este cronópio a falar é uma experiência necessária)

Julio Cortazar fala sobre os Cronópios e os Famas


Julio Cortázar diz o seu texto Me Caigo y Me Levanto


 Cortázar fala sobre o realismo e o fantástico

estamos na net a viajar e bum

pérolas!

um dossier com 600 páginas de cortazar cortazar cortazar. contos, livros completos, críticas, entrevistas. bom em potência.

descarregar o pdf AQUI.





segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ler Clarice Lispector

10 de Dezembro, local a definir (preciso de ajuda nisso!), 21h30


"O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços?" 

Preciso de leitores de Clarice Lispector. Preciso que a leiam e a oiçam. Se a conhecem tragam passagens que nos queiram ler. Os outros venham ouvir.

O Projecto Clarice pediu-me que organizasse em Lisboa uma leitura que terá lugar simultaneamente em várias cidades do mundo. Aceitei de olhos fechados mas com a certeza de precisar que me ajudem. Preciso de pessoas e de ideias para sítios. Preciso de pessoas que me tragam partes do livro para ler e outras para ouvir. Preciso de Clariceanos. Que eu digo a tudo sim de olhos fechados mas depois preciso sempre de muitos braços.

Tive uma relação ambígua com a Clarice. Detestei-a na primeira leitura como só os grandes escritores nos conseguem fazer odiar. Depois, como prenda de aniversário a uma amiga gigante, dei à Clarice uma nova hipótese. E foi fogo de artifício. A Clarice escreve de dentro de nós, não é poesia nem romance é mais visceral do que isso. Durante uns meses depois de a ler essa segunda vez não consegui falar dela. E ainda ando a tentar.

Por isso venham ler a Clarice. Vamos falar da Clarice.

Mais informações sobre o projecto: http://projectoclarice.blogspot.pt/

"Há 4 anos que comemoro, na companhia de amigos, o aniversário de Clarice Lispector. A comemoração, divulgada em 2011 nas notícias do Projeto Clarice, consiste em, no dia 10 de dezembro, reunir a uma mesa de um café ou livraria um grupo de pessoas que leia/ouça algumas das suas passagens. Para este ano, pensei em alargar a ideia e, ainda sem cartaz final, é com muito gosto que lhes digo que a tradição será levada, graças à ajuda dos amigos que vivem longe, a vários lugares para além do Porto. Entre eles, Belém do Pará, Lisboa, Recife, Aveiro, Campo Grande, Covilhã e Rio de Janeiro. E estes são - sorriam comigo - apenas exemplos.

Se alguém quiser juntar-se a nós, de modo a informação constar no programa, que me escreva, por favor, nos próximos dias para patriciasmlino@gmail.com."


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

finalmente notícias do LEVA


finalmente algumas semanas depois estamos de volta com notícias do LEVA. não esteve parado, nada, estava antes à espera de todas estas boas novas. depois da imagem o site está a sair. aí podemos fazer um lançamento "oficial" da coisa.

para além de todos os voluntários que já tinha ontem fui a uma reunião com a ETIC através da simpática mediação de um dos alunos e consegui a parceria deles. como ainda não tinha site ainda não tinha procurado parceiros em empresas e instituições, esta caiu-me ao colo pelos olhos de uma pessoa atenta. cedem estúdios e técnicos consoante marcação e disponibilidade.

esta é a boa notícia. que nos leva a outra boa notícia. se juntarmos a ETIC aos leitores e aos técnicos que se ofereceram para gravar em casa (e que ainda vão ser precisos) podemos dizer que este projecto está pronto. faz agora três meses que tive esta ideia pela primeira vez a falar com uma amiga sentada no sofá do meu palácio. em três meses o projecto existe e está pronto para começar, mesmo sem site. o que gostava de vos dizer é que tenho a sensação de que não fiz nada. foram centenas as pessoas que pegaram nisto em braços. centenas. ainda estou um bocado espantada com isto. ontem na ETIC perguntaram-me quantas encomendas esperava ter. eu ri-me e disse-lhes "isto está tão fora das minhas expectativas que não sei o que isto vai ser, não arrisco fazer previsões porque até hoje falhei em todas."

quero ser eu a gravar o primeiro livro mas depois começo a entrar em contacto com os meus voluntários.

não quero continuar a ser pirosa mas quero mesmo mais uma vez agradecer-vos de coração e tudo o que tenho por terem permitido que uma ideia nascida numa noite de verão seja agora, no início do outono, um projecto real. é raro podermos acreditar que uma coisa que achamos que pode "ter piada" traga atrás tanta gente e tanta energia. por isso deixem-me lá ser pirosa só neste agradecimento e acreditem que não o digo por dizer quando afirmo que este projecto não é meu, tens as vossas mãos, pés, caras e vozes.  nada foi custoso ou cansativo. tudo aconteceu assim. naturalmente.

por isso já está. vamos começar a gravar livros?



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

os mal comportados

tivemos um blog. já não temos, vamos voltar a ter. até lá estamos no FB, aqui (apesar de estar só no FB não seja política...) e estamos a precisar de divulgação, muita. vamos ser mal comportados! até já. fica a lista dos ditos.

Cesariny
Rimbaud
Mário Henrique Leiria
Luiz Pacheco
Henry Miller
Sylvia Plath
Antonin Artaud
Hunter S. Thompson

Bukowski
Boris Vian
Dorothy Parker
William Burroughs
Samuel Beckett
José Gomes Ferreira
Almada Negreiros
Alexandre O'Neill
Jack Kerouac
Oscar Wilde
Jonh Fante
Pier Paolo Pasolini
Marquês de Sade
Mallarmé
Anais Nin
Dinis Machado
Harold Pinter
Machado de Assis
Irvine Welsh
Dostoievski
Brecht
Tony O'Neill
Lydia Lynch
Cortázar
Kurt Vonnegut
Flannery O'Connor
Verlaine
Byron
Shakespeare
Allen Ginsberg
Simone de Beauvoir
J. L. Borges
Edgar Allan Poe
Jack London
Ary dos Santos
J. P. Sartre
Camus
Vitor Sanches
Gorki
Gogol
António Gancho
Herberto Helder
Niccolò Ammaniti
Dante
Rulfo
Mishima
George Orwell
Majakovsky
Jean Genet
Aldous Huxley
Chuck Palahniuk
Nick Cave
Norman Mailer   




segunda-feira, 5 de novembro de 2012

obrigada melhor alfarrabista do mundo

 
http://senhor-teste.blogspot.pt/
claro

novos sistema solar e documenta

ler é uma tarefa árdua. entre tantos giros à volta dos livros os livros falam-nos muitas vezes como distantes paraísos. passo o dia com eles de um lado para o outro e questiono-me o que farão os que não andam quando têm de esperar por alguém ou apanhar um autocarro.
isto tudo para dizer que sim, tenho livros que não leio e ando sempre à procura de mais. há coisas piores. os da sistema solar e documenta nunca mas nunca desiludem. quem anda ali por trás é esperto como um alho. e a sistema solar e documenta acabam por, pelo menos a mim, saber dar alento. é que estas coisas dos livros (acho que não preciso de dizer o que são "estas coisas") entristecem uma alma fraquinha. é bom existir editoras assim, que nascem de algo que considerámos trágico. e nascem em força e bem.
estes são os títulos fresquinhos a sair:
(clicar para aumentar)