quarta-feira, 23 de março de 2011

Abriu nova Assírio e Alvim. Levanta-se mais uma bandeira pelas pequenas livrarias.

Foi um sopro. Uma sala pequenina dentro de uma garagem, e chama-se Livraria do Armazém. Foi anunciado aqui. Delicioso claro, quem gosta de livros gosta deles em garagens, armazéns, mesas de pau, etc. É também um pouco a marca da Assírio e Alvim. Fica na Travessa do Calado, 26-b, 1170-070 Lisboa. Tem o mesmo código postal que eu e é só subir a rua. Este bairro já me está no coração mas livros tinha poucos, só a outra Assirio-mãe, relativamente perto. Mas não ali, à mão, no bairro. Tento sempre levar a bandeira das livrarias pequenas mas está cada vez mais difícil. São cada vez menos. Deixaram de ter novidades, as editoras e distribuidoras cada vez pensam menos em soluções para poderem valorizar e apoiar pequenas livrarias. É o monstro-mercado-editorial a tomar conta de tudo. Mas há resistentes. Muitos deles juntam-se no Encontro Livreiro este Domingo. É uma resistência importante e real, que merecia manifestações de 300 mil pessoas na rua, a pensar e a discutir a importância do livro e em consequência a importância dos livreiros que nos ajudam a escolher, que nos acompanham a pensar os livros. Porque é importante pensar os livros. Os livros são um espelho "nosso" e são por isso matéria a tratar com carinho e alguma veneração, não são carne ou batatas como ouvi algumas pessoas referir quando se discutia a arte de vender livros. Podíamos estar (e estaremos em breve) muitas horas a pensar nisto que são os livros e o valor que eles têm no que nós somos. Aqui não há para já esse espaço (haverá...). Mais do que mudar aquilo que somos os livros são a imagem do que somos, em cada cultura global ou local.
Vá lá, vamos unir-nos contra o fim das pequenas livrarias e dos bons livreiros. Bem haja, Assírio e Alvim, que venham muitas mais.

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Manuel Resende

Manuel Resende, Em Qualquer Lugar seguido de O Pranto de Barlomeu de Las Casas , &Etc, 1997