sexta-feira, 13 de abril de 2012

piolho 008

há uns tempos o r. disse-me que gostava de publicar uns poemas meus. depois de algumas tentativas falhadas disse-me que a piolho queria publicar dois poemas. nunca acreditei muito no que escrevo, talvez por acreditar demais neles quando os escrevo e achar pouco depois que roçam o piroso, ou o emocional no que o emocional tem de exagero. mas a piolho escolheu bem, e escolheu, sem saber, dois poemas que fazem parte do que eu sou, mais do que da altura em que foram escritos. é assim que eu sou. um bem haja ao r. e ao a.
e voilá:




Escrevia-te

mas demoro demais a encaixar a tua imagem
e, no fim, fica sempre um espaço de tempestade





Desfaço-me em pó
E nos tectos altos da ausência
Tomo lentamente o poder das paredes e escureço a vista da janela
Sou invisível por paixão
Tenho nas mãos a solidão como uma arma 


mais poemas aqui.

1 comentário:

argumentonio disse...

1 - onde se apanha a dita revista?

2 - "escrevia-te", além de muito bonito, é muito bom, mesmo, e pede continuação, é semente, promessa, prenúncio de imensidão...

3 - a solidão é arma contra a solidão, como a escrita é o dia a clarear contra o por dizer e o silêncio um totem de espanto

;_)))

Clarice Lispector

À Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, Relógio de Água