quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Flanzine #5 CAMA

anda por aí uma fanzine com forma de revista. é dado adquirido que as formas e categorias têm de ser questionadas, mais até do que revistas. e a Flanzine será aquilo que quiser ser sem dar cavaco a ninguém.

o número #5 é sobre a CAMA. será porventura fácil imaginar para onde os autores fazem descambar o tema? talvez não.
os autores não se conhecem e é-lhes pedido um texto sobre a CAMA. o fio condutor existe e é claro mas é maior do que a Flanzine, está não só nela como nos autores, nestes e nos outros que não escrevem aqui. um tom narrativo, uma forma clara e de grande mestria com que se fala do quotidiano, com linguagem quotidiana, mas com excelência literária. em bom, portanto. há excepções, claro, mas não vou referir excepções cada vez que se fala de um fio condutor. mantenhamos assim como entendido à partida.

a CAMA assume aqui um ciclo perfeito e fechado - por um lado o nascimento e um qualquer início. depois um erotismo latente e crescente sem idade ou hora do dia. depois a morte, claro, que não há nascimento sem ideia de morte. erotismo talvez, mas adiante.

a CAMA é assim tema fechado em si, auto significativo e em estado bruto: "Ir para a cama é tão satisfatório que não exige descrição, basta dizer: fui com el@ para a cama. Curtimos na casa de banho, comemos-nos no adro da igreja ou fizemo-nos na disco exige sempre descrição detalhada para percebermos até que ponto a coisa foi séria." (Sermente). A CAMA é espaço horizontal, erótico, sensual, como o poema: "A cama talvez seja o melhor sítio / para o poema. / O poema: / ser horizontal, húmido, bom de foder." (Inês Fonseca Santos). A CAMA é espaço de segurança porque a haver monstros estão por baixo, nunca por cima. na verdade cada pessoa traz consigo uma cama por cada noite dormida, tantas formas pode ter essa cama como os textos que se podem escrever sobre ela. em liberdade que assume a Flanzine. em total liberdade literária, textual e até a maior liberdade de todas, a dos textos que não têm nome.

a Flanzine é apresentada esta sexta, 19 de Setembro, n'o Bom, o Mau e o Vilão, em Lisboa, a partir das 19h30.


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Manuel Resende

Manuel Resende, Em Qualquer Lugar seguido de O Pranto de Barlomeu de Las Casas , &Etc, 1997