quarta-feira, 10 de agosto de 2011

o grande vila-matas



o primeiro foi para mim, o segundo para o meu irmão. uma leitura gémea de um sempre grande escritor. mas este é especial. como se todos os temas e situações que vão surgindo estivessem ligados comigo. intertextualidades, muitas. comigo, com jantares, com histórias, com conversas. deixem-me acabar de ler e falo-vos mais disto. promete. é uma pérola so far!

mais aqui. uma entrevista aqui.

aqui a crítica.

"Vila-Matas, não se afastando da forma tradicional do romance psicológico (e também de ideias), conta-nos a história de Samuel Riba, homem de sessenta anos, judeu por parte de mãe, que gosta de se ver a si próprio "como o último editor" culto e literário. Para evitar a falência, fechou há dois anos a editora em que ao longo da vida foi construindo um prestigiado catálogo. Numa recente viagem a Lyon, Riba (assim é conhecido no mundo literário) conseguiu fabricar uma teoria geral do romance, assente em cinco pontos, e inspirada no livro de Julien Gracq, "Le Rivage des Syrtes". Apesar de tudo, na sua vida continua a lamentar não ter "descoberto um autor desconhecido que tivesse acabado por se revelar um escritor genial"; e este génio é ao longo do livro uma espécie de presença fantasmagórica.[...]
Para ele, a literatura como um organismo vivo, tinha chegado ao topo da sua vitalidade com o "Ulisses" de Joyce, e agora conhecia "o começo da dura decadência da forma física, o envelhecimento, a descida ao molhe oposto do esplendor de Joyce, a queda livre em direcção ao porto das águas turvas da miséria, aí onde nos últimos tempos, e desde há já muitos anos, passeia uma velha prostituta com uma coçada gabardina irrisória, na ponta de um molhe varrido pela tempestade e o vento."
Então, Riba tem a ideia de ir a Dublin no "Bloomsday" (mais uma viagem literária, como são todas as de Vila-Matas) fazer o elogio fúnebre da "era Gutemberg". E inspira-se, obviamente, nas cerimónias de passamento do célebre sexto capítulo do "Ulisses", de Joyce, em que a personagem Bloom, às 11 da manhã do dia 16 de Junho de 1904 (o "Bloomsday"), participa juntando-se ao grupo que vai ao cemitério despedir-se do "morto do dia", e atravessa Dublin num carro onde vão Dedalus, Cunningham e Power, que olham Bloom como se este fosse um forasteiro, sabendo-o judeu e mação. Samuel Riba (o Bloom de Vila-Matas) faz-se também acompanhar a Dublin por três amigos, todos escritores."

José Riço Direitinho
 

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À Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, Relógio de Água