segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

baú do meu palácio #3


dei por mim a pensar no Mishima. o Mishima que é um autor asiático mas que não é um autor asiático, que também não é um autor de outro sítio. escreve sobre os dilemas mais profundos a partir de histórias muito simples. cria com o nosso imaginário uma relação de amizade e entendimento. fala connosco ao pensar sobre os outros. sempre numa profunda tempestade e numa profunda guerra. nada é fácil com Mishima. nada é linear ou por acao com Mishima.
O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar é, para mim, o seu ponto alto. conta a história de Noboru, 13 anos e da sua relação complicada e próxima com a mãe que se apaixona por um marinheiro, Ryuji. numa medição de forças e conquistas de espaços, numa relação estreita com o mar de cada um deles, num diálogo da natureza com as relações humanas Mishima tem aqui um verdadeiro templo literário. imperdível.

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Manuel Resende

Manuel Resende, Em Qualquer Lugar seguido de O Pranto de Barlomeu de Las Casas , &Etc, 1997