terça-feira, 8 de outubro de 2013

boris vian oh boris!

o boris não anda perdido. nem esquecido. sou indesistível até à exaustão (normalmente dos outros).
estive em Edimburgo, este ano, no Fringe Festival. há qualquer coisa no Fringe, não sei se a dimensão se o espírito se a variedade contagiante de artistas que me fez pensar muito nisto. na falta que me faz saber ser criativa e saber usar um palco. claro que me lembrei do meu boris e da forma que ele já tem na minha cabeça, o princípio, o fim, o cenário, a roupa, a música. 
há também qualquer esperança estranha no Fringe (ou nos "meus" no Fringe), como se ali houvesse uma possibilidade qualquer de este espectáculo existir. não lá, claro, mas existir. desde aí que tenho estado a pensar. a imaginar. a com a esperança na possibilidade vem o pânico (que neste caso já não é novo) de ter a certeza que sou a pessoa que está atrás dos livros e não em cima deles. de ter a certeza que este espectáculo tomou uma importância tão grande na minha expectativa que não vou poder partilhá-lo com ninguém em palco porque não me posso decepcionar mais com quem é desistível. e assim começou-se a formar no meu quotidiano um espectáculo. sozinha, sem representar boris mas falar de boris. nos anos 50 do boris. mostrar que boris é irrepresentável mas absolutamente legível enquanto figura e enquanto texto. pegar na cabeça dele e na música dele e na poesia dele e pô-la em texto. 
não tenho palavras para o pânico. e para o entusiasmo. e para o amor a isto. nunca vou dizer que isto existirá muito menos na forma (ainda mais complicada) em que me voltou o boris de Edimburgo. mas é uma forma e será sempre a mesma forma de mostrar que não tenho apenas um molde. que estar atrás dos livros é o meu espaço de conforto mas talvez não o único espaço. 
a procura de espaços de trabalho é talvez o meu único vício e o mais venenoso. mas ao mesmo tempo tão pele como estar aqui a escrever um texto sem muito sentido num blog que se habituou a alguma assertividade para mostrar que não sou nem ponte nem alcatrão. serei um molde que ainda não está feito e nesse dia o boris vian terá um espectáculo que ainda não existe. mas que já tem forma. e arriscando-me a já ser pirosa até ao limite do tolerável, tenho vários fogos de artifício dentro do estômago. 

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Três Marias